Escritas

À Donna

Lucas de Medeiros Hipolito
Desde os beijos da tarde na praia,
Quando presos estávamos n'esta Baía,
Foi de lá que senti onde a lua estava...
E de lá que meu fogo acendia e saía!

Agradeço aos suspiros colossais,
Agradeço aos abraços com tanta vida!
Agradeço... e sinto que quero mais.
Agradeço muito!... mas que tu decida.

Este tempo foi rugido para nós!
Qu'entre duas luas cheias gozamos,
E para os céus amamos a sós!...
Mar que transpareceu - Nadamos.

As longas noites, numa casa branca...
Assistíamos e ríamos constante!
E as vezes a chuva canta na varanda...
Soprando uma brisa ressonante.

Estes olhos teus... um sorriso cintilante!
Um à brilhar a via láctea! outr'os oceanos!
E que meus poros arrepiam! É gigante!..
A dor que em mim… só me restam prantos…

Fúnebre e egocêntrico um mundo este!...
Vejo defronte meus olhos que aqui tenho...
O sorriso qu'eu tinha e que tu me ‘deste,
Suicidou-se pela tristeza d’onde venho.

. . . Atravessarei planetas! o infinito por ti,
Quando o tempo sente seu último agora,
Quando a humanidade ruge o fim!
Vou longe por ti… até as bordas d’Aurora…

Mas estarei em meu passo delicado.
Um caminho cheio de luz és o meu desejo,
Enquanto estou a ver as estrelas deitado,
E lembrar a Lua luzente, e aquele teu beijo

Fostes uma paixão que ainda sinto!…
Fostes desejos que ainda desejo,
Fostes a mulher que eu ainda brindo,
Fostes a história que vi e ainda vejo.

Nos fins do Norte, entre fins do Sul,
O meu pranto escorre uma imensidão!…
Até os céus, amplo, gigante e azul,
Vindo da terra, do fundo - escuridão

Mas que o mundo de nós não colapse!
Que eu direi, entre murmúrios, um dizer;
- “Oh versos depressivos! Se afaste!”
Eu fui engolido… não sinto mais prazer…

Tento buscar os sentidos dos escritos,
Que, só sinto a minh’alma triste,
Rugindo o desespero!… ouço mil gritos.
O que há comigo?… me feriste?

Já estou no fim da sublime orquestra.
Já disse como amo-te… Oh Deus, adeus!
’Starei na escuridão do teatro d’opera
E chorar est’amor entre os sorrisos meus

Bebo a melancolia d’minhas lágrimas,
E viverei a fantasia - qu’és felicidade!
Minha alma só viveu paixões trágicas
E é morta aos poucos… pela saudade.

Sinto que vou-me embora… estou pra ir!
Os horizontes querem que eu vá… eu vou.
Eu nasci e vivi pra te amar e sempre sorrir!…
Mas não… aqui ficarei… tu já me deixou…

É uma dor que transcende os teus sussurros,
Que fico a escutar em meus sonhos…
É saudade qu’escorre em ruído d’murmúrios,
Que desce pelos meus poros tristonhos.

Adeus!… aos horizontes, á minh’amada. . .
Eu não tenho mais vida, mais amores, mais estrelas.
Eu vivo sonhos, oceanos… as maravilhas imperfeitas…
Adeus!… aos céus altos, á noite calada. . .
Nós bebemos o vinho na tenda e suprimos dor!
… Pois, acabou… tu fostes embora, eu vivi amor…
Adeus!… ao anjo qu’encontrei n’esta estrada