Escritas

À Noa

Lucas de Medeiros Hipolito

I
Escuta… que meus sonhos vivem longe…
Crio histórias nas bordas da madrugada.
Amor!… onde estais e onde t’esconde?
Sou paixão, quer’amar!… e tu? Sois amada?
Lembro dos olhos, boca… a beleza defronte
Lembro a tua voz, como soas… a tua risada…

Desde as maresias qu’escoam a voar pela praia…
Eu te vi bela… n’uns sorrisos cintilantes…
O teu cabelo que, ao longe, perfume se espraia!
E visas o mar… com os teus olhos brilhantes…
Querida, vens aos braços meus e em mim resvala!
Que te beijarei, darei amor, gozos delirantes.

E as rosas do infinito cheiremos… amar!…
É a galáxia fantástica em teu coração…
Que da lonjura que vives eu vou surtar
E só me resta espera, murmúrios… solidão.
Sinto um beijo nas noites de sonhar…
Sinto que no futuro amaremos!… emoção.

Oh as noites minhas que tanto sonhei!…
As vezes sonhos, as vezes, suspiros…
Ao ver as estrelas, da porta p’ra fora voei
Pensando em soltar aos astros rugidos!
E que lá até a longa madrugada durei,
Sorrindo as imaginações… daqui, unidos.

Tu és o anjo que exubera o meu paraíso…
Quando sobem as sensíveis luzes d’alvorada,
E colapsa os céus como este teu sorriso…
Tu brilha em meus horizontes tão dourada!…
Que cega as auroras e ouço em meu ouvido,
Deuses a dizerem - ‘Que linda a tua amada…’

Em meus sonhos respirais névoas d’esper’nça!…
Onde durmo, abraçado pelos ares do litoral,
Sou poeira!… e quero no teu cabelo fazer trança.
As vezes quando nasce a luz imensa boreal,
Imagino como se fosse raios de lembrança…
Eu estava a prosar e tu em biquini tropical!…

Oh como linda tu és entre estes cacheados fios!…
’Stou louco p’ra afogar-me fundo em tua boca!…
E falecer-me de amor!… como as garoas nos rios.
Desejar!… sou vestido entre beijos, sem roupa.
Oh aos tempos! Chuvas tristes!… espero estios…
Sonhar!… é viver os empíreos, amar, deixar-te louca.


II   
Era tu, era a sublime Noa… pelas areias cor de vela,
Brilhando mais que as águas puras da praia bela,
E dei-te tanto o meu sorriso que inda mais sorriria.
Vinhas a caminhar pelas bordas do mar… a rosa cintila.
Distraída, recebendo brisas... tu viras p'ra mim tão linda...
E em sonhos contigo estaria…

Estou em calafrios e o meu riso não tem mais fim
O meu corpo está trêmulo, sinto algo dentro de mim...
Mas voltarei!... falei, prometi aos céus que voltaria.
Clamando aos céus t’encontrar mais uma vez,
Trazer-te á caminhar aqui pela praia, talvez…
E em sonhos contigo estaria...

Eu vi uma moça vagando pelas areias... só e elegante
Parecia mais a melodia de uma orquestra sonhante.
Paro, sento frente ao mar, onde p'ra sempre viveria.
Ela, em prantos, suspira o sal dos mares do Norte,
E o vento fresco, fazeis sorrir, deixando-a mais forte
E em sonhos contigo estaria...

Falar com as estrelas, mas bem perto em tua boca,
Tocar e cheirar o teu cabelo, como uma rosa solta…
Isto és bem o que em sonhos eu tanto queria!...
Atirando os meus desejos aos oceanos defronte,
E clamando coragem!… Oh pens’mentos confronte!
E em sonhos contigo estaria...

Eu imaginei, que n’aquela tarde de ocaso celeste,
Se tu irias embora e se um beijo tu me deste,
Eu já terminaria a minha vida!... feliz eu morreria.
Voltei então a te procurar, nervoso entre as maresias,
Porque tu já és o lume que voa por minhas ventanias…
E em sonhos contigo estaria...

Estejas em um bom lugar, que sois minh’amada,
E um beijo inda hei de te beijar, n’esta boca rosada…
E um carinho hei de te dar, inté sempre te amaria.
Celebrarei este sentimento de tanta vida!… sem dor,
Que tu és querida!… tu és meu bem, tu és meu amor.
E em sonhos contigo estaria...


III
Bela amada… dói-me o peito sem a pele cheirosa
Que tanto quis tocar… que tanto aqui desejo…
Quero que voltes mais intensa, luzente formosa…
Que por noites, dias e séc’los sonho com teu beijo!
E que aos tempos orei!
E ainda respiro… eu sei…

Ah como sentir eu quero a tua boca, dar um beijo…
Arrepiar-me enquanto flutuo em delírios contigo…
Felizar em teu riso… entristecer perto em teu leito
Quero cheirar flores, dar-te poesias… vem comigo.
Ah… tu és amada, meu lindo sonhar!
Morrer!… digo aos errantes, ‘Amar’.

Querida, sinto saudades… eu sinto, eu sou…
Peço que venha, que em toda a minh’alma sente dor
E dá-me esperança!… aos horizontes eu vou.
Quando em meus poros, nada sinto, apenas amor,
Ouço, entre os ares, murmúrios…
Meu coração só faz barulhos.

Não sei d’onde vem o fogo que arde em mim assim…
Beijei-te tao intenso em meus desejos aqui tao fundo,
Que penso, clamo, chamo, apaixono por ti, enfim!…
Quero amar-te, querida… és tudo n’este inteiro mundo.
Sou poeta para t’escrever;
‘Eu irei voar para te ver!’

Talvez… sou os ventos do norte a soprar os teus cabelos…
Talvez… talvez sou mar!… que chora pelo teu corpo,
Suspirando apenas lembranças - tendo, por ti, anelos,
Entre estes fios soltos a balançar em teu formoso rosto.
Talvez… talvez tu és verão!
Sinto no meu peito… paixão.


IV
Oh vem, p’ra os braços meus, Noa!… tu és flor! - liberdade!
Qu’estou entre murmúrios, solitário no pélago da esperança,
Onde fúnebres garoas vem a cair sobre os becos da cidade.
Oh vem!… quero dar-te o meu riso, convidar-te á uma dança
Enterrando os pés fundo nas areias, e te amar - profundidade.

Oh vem, Noa… eu sou poeira!… mas darei um inteiro mundo,
Mostrando-te mais e mais as falésias da linda Praia da Pipa,
E viver paixão! - prazeres e gozos do empíreo, intenso e fundo!
Oh vem, querida… meu riso não tem mais luz sem ti n’esta vida,
Eu busco rosas do infinito, p’ra amar e viver para sempre junto.
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Comentários (1)

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matheusdantas
matheusdantas
2020-08-07

Devo dizer que você escreve magnificamente bem. E desde já, lhe agradeço por cada verso escrito através do seu entendimento. Parabéns pelo trabalho e as suas obras!