Lista de Poemas
Crónica de uma vida perdida.
Assim muito de improviso sem inspiração,mas necessário...sei lá...
talvez fossem tão ruins que devessem ficar esquecidos.
A tarde voltei ao trabalho,com um embrulho no estômago... inquietação... falta da nicotina com certeza...
perder um poema e deixar de fumar .... num único dia.... Vou enlouquecer...
Hoje em dia
não há mais poesia.
A palavra é a mesma
velha rima,
sobre a mesa;
É conforto;
É encanto;
Desacato nunca mais.
Hoje a poesia,
é sempre mais do mesmo;
É miséria em tratamento;
A mãe que chora sem pesar;
É uma garrafa vazia;
Vela sem altar.
Amor de esteio
morri.
Por amar demais.
E por amar demais,
vivi demais,
E viver é muito mais,
que um desejo.
Um breve momento,
na brisa da manhã.
Um esteio;
Que nos faz pensar,
e sentir o amor por inteiro.
Banish
Nunca me furtei
ao medo
sempre me pareceu
mais sensato
entender
a ignora-lo
do pátio vazio da sinagoga
ao largo do bom retiro
Por vezes pensei
um único tiro
seria a resposta
mas
não hoje
militares ainda estão no portão de casa...
Naquele dia, soube que meu pai não voltaria,
assim que ele desceu do ônibus da linha Carrão
foi avisado por um conhecido,
de que seria preso ao chegar em casa e que os militares já estavam de prontidão
e com a sua família.
Na verdade segundo diriam, tudo era um pretexto,meu pai caiu na clandestinidade
Foi preso e exilado,
esteve em Cuba,
notícias raras nos chegavam
Já de certa idade,
a saúde e a saudade,
fizeram que ele morresse longe de nós,
longe da família.
Seguimos e vivemos,
hoje sei o preço e o peso da liberdade,
e o quanto custa ouvir toda sorte de bobagens ,que são ditas nesse momento.
Os militares ainda estão no portão de casa, e aguardam apenas um pretexto..
O que as ruas revelam sobre o passado
Tenho as lembranças
dos bares imundos
e fedidos
Das palavras sem nexo
Do rosto velho e cansado
ralado no muro de chapisco
Da tosse sem fim e preocupante
De quando dizia que a verdade
é uma realidade incômoda
Agora parece distante,
quando penso a respeito.
Nas ruas da capital paulista,
as mulheres surgem nuas
gritam um nome qualquer
na liberdade
Andar pela Luz ,
ou largo de São Pedro
e ver os rostos com medo
De pessoas
que ninguém conhece
ou presta a mínima atenção
Vivemos agora
num mundo sem canto
sem sabor
ou casa que nos acolha
E novamente os bares
e putas lembram quem sou
Os campos de bola
as drogas e noites
E outra cidade
outros desejos
outras drogas
e dissabores
Queria escrever minha história,feliz como um dia que termina
Mas a realidade
é uma verdade incômoda
que demora a ir embora
Perdi os meus sonhos
e lancei-os na latrina
E o câncer que ousava
ser menos
Me lembro dos olhos sem remorso
da graça em não ser feliz
das tardes em caminhos opostos
dos passeios no centro velho
Outros diriam
que o segredo
era se fazer invisível
Não sei
talvez fosse possível
Mas agora é noite e longe
para se ouvir o horizonte
ainda em construção...
Abstinência em libras...
homens de pouca fé
e amargura
de Gizé à America profunda
em seus discursos vazios
em seus astrólogos do ódio
infiéis
sicarios que valem-se
do medo
do homem do ano
ao arremedo atual
do primata
ao tradicional
do culto ao marginal
todos temos
nossos delitos
e vícios
de estimação
Verbo incompleto
Nunca diria o oposto, mesmo que me custasse a sanidade.
O calor que me provoca ,cessa a dor, a agonia e ansiedade.
E por um breve instante,cada vez melhor,me sinto um verbo incompleto.
E felicidades não são itens fáceis de encontrar, sem preço ou valor.
Sujeito incorrigível, e assim me sinto, comendo o tempo pelo beiral.
E no quintal de concreto , escondido estico a corda, e seu amanhã é um futuro imperfeito
Feito as preces para derreter ,o amor de rajada escura.
E a semi cura de sensações que induzem o erro.
Quando tenho essa cor de fuligem em meu sangue e veia estufada de um sopro comovido,aquecendo cada poro,cada linha e limite ,sei então que não chegou ao fim.
Ouro
Assim como o primeiro trago de cigarro do dia,deve ser adiado ao máximo até a náusea.
O ourives trabalha o ouro e o transforma em joia...
sem jamais adivinhar qual destino desse brilho.
Que assim seja toda a poesia
Nua,
nauseante
e transformadora.
Sem mais palavras
em que nada é muito certo
Como pode haver tanto valor?
Quando há tanta miseria
por perto
Tão proxima que pode sentir-se o cheiro o gosto,o hálito...
Herança maldita,
esta que financia riquezas
escraviza seus filhos
maltrata suas crianças
ignora e assassina pessoas
que deveriam brilhar..
Sem mais palavras....
Comentários (3)
Meu caro lagaz - estas flores desenhadas em teu corpo... chama mesmo muita atenção... é do lado de seu coração? se for é muito sugestivo. tenha um bom dia. Ademir - realmente tesu poros se abrem para o mundo da poesia. Saúde para ti e tua familia.
Meu caro Poeta Lagaz... como sempre uma obra prima, de primeira grandeza . estás a dizer a pura verdade em versos humanos . Maldito quem escreve um poema e contorna sua própia. alma. na minha humilde opinião não merece o corpo que tem e nem o sangue que lhe traz a vida do criador. Ademir. Parabéns.
Fico agradecido por duas palavras.
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