Escritas

O que as ruas revelam sobre o passado

Lagaz

Tenho as lembranças
dos bares imundos
e fedidos
Das palavras sem nexo
Do rosto velho e cansado 
ralado no muro de chapisco
Da tosse sem fim e preocupante
De quando dizia  que a verdade 
é uma realidade incômoda
Agora parece distante,
quando penso a respeito.

Nas ruas da capital paulista,
as mulheres surgem nuas
gritam um nome qualquer 
na liberdade
Andar pela Luz ,
ou largo de São Pedro
e ver os rostos com medo
De pessoas
que ninguém conhece 
ou presta a mínima atenção

Vivemos agora
num mundo sem canto 
sem sabor
ou casa que  nos acolha
E novamente os bares 
e putas lembram quem sou
Os campos de bola
as drogas e noites
E outra cidade
outros desejos
outras drogas 
e dissabores
Queria escrever minha história,feliz como um dia que termina
Mas a realidade 
é uma verdade incômoda
que demora a ir embora
Perdi os meus sonhos
e lancei-os na latrina
E o  câncer que ousava
ser menos

Me lembro dos olhos sem remorso
da graça em não ser feliz
das tardes em caminhos opostos 
dos passeios no centro velho

Outros diriam 
que o segredo
era se fazer invisível
Não sei
talvez fosse possível
Mas agora é noite e longe 
para se ouvir o horizonte
ainda em construção...