Lista de Poemas

Corre como um menino

Correr assim feito um menino
com alma de menino
que não conhece guerra e paz

Viver assim feito um menino,
com alma de menino
sempre insolente e sagaz

Ah!
menino que não zomba,
menino que não vive
menino que não rouba
e quer ser livre

Não deixe que arranquem os desejos desse seu coração
Não deixa que afoguem a chama desse espírito

Quisera assim ser um menino
com alma de menino..
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Seda

essa dor
que não conhece cura
ou comprimidos
oferta nua
que mascara o tempo
não tem amigos
não conhece casa,
não encontra descanso
ou amores
apenas os dissabores da seda
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Haja luz.

Você pode amar o homem,
e suas fraquezas.
Pode pensar que em tudo,
há um sentido raso de beleza
Pode manter as mãos limpas e secas .
Mas, nunca terá a certeza.

Disseram então,
haja luz.
E no instante seguinte a ingenuidade
foi  surrada  e banida
Nada que disserem 
mudará o mundo.
Ele sempre será o mesmo,
sempre será pequeno.
Finito.

A quem interessa a verdade ?
Quem a usará entre os dedos ?
Suave,
macia,
limpa,
e discreta.
O veneno saboreado 

Que haja luz,
que venha a vida,
que exista o abismo,
que mastigue a flor

Por hora,
nada devemos temer.
O amor curou-nos,
salgou as feridas,
e curou-nos
Trouxe-nos de volta ao início,
e alimentou 
a besta 
em nosso interior

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morrer a cada dia

Nela
me alimento
sou poeta
posso
tudo
sinto 
sou profeta
louco
moribundo
e vivo 
sua vida
a minha
e de todos
morro
a cada dia
e renasço
a aurora
para cantar
o deleite
os azeites
sabores
e delícias

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Sesmarias

O tolo
dança furtivo em tristeza
                                    e vício.
  As vezes a beleza
                             é apenas um poema.
 vaidade que teima
 em fragilizar o rancor.

 Já o amor faz  vítimas
                     e cria  indolentes
 tão dependentes
 que desbotam ao calor

 A verdade
                               é uma palavra  mensagem dúbia
  desbotada
 equidistante
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Flor da América

Flor da América,
         absoluta e histérica.
                       Os seus novos rumos são de fronteiras intransponíveis.

A salvaguarda do mundo,
         que esmorece e ressurge em forma,
                       contornos e matizes.

E advém os velhos
        e novos navios negreiros
                       que revelam a natureza perversa em seu nascedouro.

Da terra esganecida
       em extrapolo voraz,
                        ao machado de pedra.

Dos hinos entoados
       de modo absolutamente frio,
                       ao símbolo máximo escravagista.

As miragens esquecidas,
        aradas em campo aberto e,
                       vulgos silenciosos

Presos a postes em carne viva
        e favelas enegrecidas,
                      os olhos vigilantes apuram o corpo cansado.

A história deve ser estendida,
        a tantos quantos forem
                      os vivos e fortes

A promessa em martírios,
        perseguidos em chamas.
                      No semblante de um novo mundo.

Suas cidades são imensas,
        seus crimes recompensas,
                      seus senhores caudilhos.

Estranhos surgem em estandarte,
        o ouro,a fome,a relva,o mar,
                      a sim ,o mar, oceanos Atlântico e Pacífico.

Escreveram sua história
        em um hino estendido?
                      Em lugar demarcado

Qual o seu limite?
        Flor esta ,que máscara a terra,
                      que derradeira ocupa um continente.

Nada é verdade, sonho ou realidade.
         Rota singular que um dia
                         surgiu impune

Seus filhos morreram em chamas.
          Seus Deuses por vaidade.
                        No horizonte de uma América fria e covarde..
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Poema maldito

Maldito
o poema que contorna
a alma
sem toca-la

Consome o âmago febril
em
texto
porém
sem corpo
e essência
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Finis

Se espera é dor
e dor é vida.
segue a sina nefasta
que compõe
o céu
e tudo é finis e
permissivo
abstração incomum
e ampla
quando a espera é dor
e dor é toda fome
paixão
mistério
e dúvida
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Trago verdades

Trago verdades
sobre a vida e a morte,
e a violência contida entre elas
sobre as novas e velhas formas
de aceitação,
e a vergonha oculta neste fato
sobre o sangue vil ou inocente
que jorra nas calçadas,
e o incomodo que já não nos causa
sobre a sorte
des miseráveis esquecidos
e o silêncio alheio e disfarçado
em cada imagem
sobre o paraíso perdido
a cada frase suja e solta por
desrespeito
sobres os caminhos de pedra
ignorados por conveniência
sobre a falha humana
em lidar com a verdade.
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Cotidiano

Um mendigo
pediu-me um cigarro.
educado,
acendi.
E indiferente,
segui em frente.
- "A vida é assim..."
..pensei distraído.
Nenhum remorso,
ou culpa que fosse
- "Era apenas um cigarro.."
Mas adiante,
quem sabe.
Eu ofereça também
um abraço.

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Comentários (3)

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Meu caro lagaz - estas flores desenhadas em teu corpo... chama mesmo muita atenção... é do lado de seu coração? se for é muito sugestivo. tenha um bom dia. Ademir - realmente tesu poros se abrem para o mundo da poesia. Saúde para ti e tua familia.

Meu caro Poeta Lagaz... como sempre uma obra prima, de primeira grandeza . estás a dizer a pura verdade em versos humanos . Maldito quem escreve um poema e contorna sua própia. alma. na minha humilde opinião não merece o corpo que tem e nem o sangue que lhe traz a vida do criador. Ademir. Parabéns.

lagazaz
2020-11-17

Fico agradecido por duas palavras.