Lista de Poemas
QUASE AUTOGRAFONIA
Que explode na face que de Deus recebi
Dizem que é do Rio quase Mar azulado
Que banha a Cidade onde eu nasci
Falam que no crescer, meu corpo foi danado
Como ele da morte, não vivia muito afastado
Até que um belo e singelo amanhecer
Fez no brilho, a escura ceifeira desfalecer
Da infância não sei o passado (não me têm contado)
Pois era no presente que pequeno, adormecia
Escudando os olhos de uma fera humana, assustado
Que quando acossado, no corpo de minha mãe batia
Depois cresceu o pensamento, no adolescente calado
Que borbulhando hormonas de amor, sorria poemas
No seu Rio quase mar Azulado, onde chorava salgado
Por seu amor rejeitado, não ser azul mas encarnado
Dizem que as recordações nunca morrem
Vivem do coração, no sangue bombadas
Que constroem o caráter de um homem
Queimando na alma, as suas pegadas
Mas eu sinto mais do que posso falar
Escrever, ou chorar
Não sei como de mim tirar
O que não sai de modo vulgar
Sinto o torniquete apertado
Que contém o meu inundar
De emoções.
Que me asfixia o pensamento
Num eterno momento
Sem nunca hesitar
De mim se afastar
Coragem, entoo para dentro
São mais alguns anos por passar
Depois
Apenas passam meios mundos
Cheios de meias vitórias
Que na boca chegam a amargar
O tempo nada repassa,
tudo devassa
E eu não consigo extravasar o que se passa
Pois apenas se passa um humano a imolar
O seu sentimento,
num rio de paixões falsificadas.
Nele fui batizado,
Pelo falso profeta enganado
Pois ainda na água mergulhado
Vi que o mundo era aguado
Sujo, depravado por todos
Privado do seu amargurar
E esta dor que sinto
Que me corta o coração
São apenas fragmentos
Do ateu que morreu não conversão
Aleluia, que também eu sou Cristão
Muitos se queixam do meu feitio arreigado
Mas foi com ele que sempre vivi
É ele que me faz ser um rio azul inflamado
Que banha este corpo, onde eu nasci
A brincar e a criticar
Até que minha pobreza chegou
Agora nos seus gestos e olhares
vejo do que a pobreza me livrou
Não as querendo criticar
Nunca as mulheres me assediaram
Mas depois de um dia casar
Nem da minha porta se afastavam
Até chegar a infeliz separação
que caiu na vida com pesar
não sei se foi essa a razão
de nunca mais nenhuma avistar
Restava-me meu trabalho ideal
Que me dava longas horas de azia
O que ganhava, era tão pouco, irreal
Quando as faturas a pagar, conferia
Mas não conseguia aprender a roubar
Embora visse os mestres em ação
Que na televisão e governo, ao falar
Roubavam-me até a minha visão
Fui para pedinte, carros arrumar
Mas a concorrência era brutal
Até a um deles tive de pagar
para não me por em tribunal
Fui acusado de o caluniar
Ao chamar-lhe de malandro
Ainda tive de advogado pagar
E com pulseira eletrónica ando
Não posso dele me aproximar
Por causa duma injunção cautelar
Raio de filho que me havia de nascer
Que até do Pai goza, a bel-prazer
Quase que conseguia de tudo chorar
Se não tivesse de meus olhos hipotecar
Para pagar a minha pequena cirurgia
Depois de ver as contas de oftalmologia
É que nem cego por cá se pode ser
Muito menos deficiente aqui nascer
Pois para dinheiro eu conseguir arranjar
Tenho de cegamente em linha reta andar
e caso deficiente, ter de a Universidade completar
Mas se numa bola um chute ao acaso acertar
Sou um português que o estado irá ajudar
Mas sou apenas deficiente com medalhas a nadar
Dizem; vais a nado que tens bom “corpinho” para pagar
A de cima era da frustração a falar
Por ver por ai, tanto herói exemplar
E ver sempre os mesmos a ganhar
O que para todos devia chegar
Desculpem por me enervar
E por tanto me alongar…
Por favor não me façam disto pagar
Que não tenho mais nada para empenhar!
Lavar beijos
os meus beijos
Nas lágrimas do teu gostar
Eu sorrindo o faria
E não quereria
Fazer mais do que isso
Até o teu chorar, me beijar
O velho e eu velho
Escondendo-me opaco
Na alma de um menino
Mas o velho é macaco!
Sabotei o tempo imuto
Com bombas de ilusão
Mas o velho é astuto!
E atirou-me a desilusão
Cortei amarras ao mundo
Tentando fluir na maré
O velho viu-me do fundo
Puxou-me, perdi o meu pé
Estava quase afogado
Cheio de fel borbulhando
Mas o velho é danado!
E fez-me viver chorando
Maldito velho desalvorado
Que vives em mim fechado
No gelo branco do pecado
Ateando o meu negro lado
Liberta-te de mim e sai
Vai para o teu covil aguado
Onde fechado está teu Pai
Leva-lhe este meu recado
Pois nunca mais cederei
Nunca mais serei manipulado
Caia a terra e eu escaparei
Num carro de vinho aguado
Rumo ao firmamento
Onde as estrelas riem
Desprovidas de vento
Agitadas, me sorriem
Sabes velho…
A terra é o espaço
Onde brilham estrelas
O céu apenas terraço
Onde vamos colhê-las
Onde podemos vê-las
Nelas nos apontarmos
No brilho ofuscarmos
Ansiando por tê-las
Mas eu apenas te tenho
Velho corpo e alma pingona
Que no tempo detenho
Para fazer esta paragona
TOMBOU A CATRINETA
que era a nave do meu saber
A única Riqueza que a Pobreza me deixou ter
Agora a minha existência, ficou perneta
Desfalcada do que acima, mediamente
Mediava por baixo, o fogo aceso na minha mente
É de lamentar na verdade
perder de uma só pancada
o ferro, fogo, água e ar
que fortalecia mas queimava, vaporizando o meu respirar
Algo poderia salvar
Mas o quê, se não sei nadar
E a perneta é pequena para flutuar
Nem tenho os quatro elementos para m'ajudar
Pois, com ferro, até flutuava
e o fogo a perneta queimava
perdendo na água o medo de mergulhar
enchendo o peito de ar
rumo ao tesouro da vida que ele tentou ceifar
E sabem o que eu acho?
Não acho nada, não posso achar...
Ficou tudo perdido, bem no fundo do mar
Escrever acalma, escrever
Escrever é algo que me acalma
Embora exponha vulnerável,
a minha alma
Contando ao mundo alvissaras de mim
Triste Jomad,
aprisionado a um sado sem fim
Um rio que salgado chora por mim
maculando suas águas de azul marfim
pesaroso pelo fardo do meu desdém
eu que mal sobrevivo e porém…
Sei que o sou o que sei
Sei apenas que nada sobre vive sobre nada que apenas sei
Tudo dói-me exaspera-me, dói tudo
Mas…
Se a corda apenas a alma a a_cordá-se
Se fica só_ mente completa_mente só fica_se
Eu ainda assim seria assim ainda eu
Pobre sado do Jomad do sado, pobre
Mas ao escrever sinto ser maior
que tudo soa bem melhor
Que elevado por algo superior
Contribuo para acalmar a dor
E que afinal não sou sofredor
Sou sim, um simples sonhador
Que cria em linhas cruzadas
Histórias de vidas encantadas
Estar vivo
Como ainda perceber que respiro
São coisas que não vêm no livro que lemos
E todos o lemos quando nascemos
O milagre da vida, fruto de dois diferentes
Amor transformado em seres inteligentes
De um apenas, multiplicar-se por centenas
Moléculas que criam braços, corpos, pernas
E nascer, tudo é sinónimo de sofrer
A dor de cair, sem ainda se aperceber
Perder aquele espaço, aquele intervalo
Onde tudo fazia sentido, sem qualquer abalo
E a primeira golfada, fria e cruel
Sabe a dor e agonia, sabe a puro fel
Pulmões, é a vossa vez de brilhar
Respirar para depois gritar, chorar sem parar
Nasci, sobrevivi, estou aqui…
E tu que me abrigaste, chamo agora por ti
Mas não me podes ouvir, nem mais sentir
Pois para eu nascer tiveste tu que partir
O milagre da vida, fruto de dois diferentes
Viveu um, para enfrentar angústias crescentes
O outro.., não resistiu, abandonou-se inerte, imuto
Cruel destino, sem sequer ver do seu amor, o fruto
Aprender a sonhar
Feito de pérolas e puro oiro
Vivia escondido em ti
Até que por acaso o descobri
Era um sonho de criança
Com a ingenuidade da mudança
Preso por grilhões de esperança
Aguardando imuto por tua lembrança
Brilhava mais que o sol raiava
Cobria o céu de luz branca e alva
Era por ti que ele sonhava, ansiava
Sim, o sonho era verdadeiramente teu
Mas estimei-o como se fora agora meu
Envolto neste véu escuro em azul céu
Brilhas e resplandeces com o olhar
Aceitas em ti o sonho sem hesitar
E mais uma vez em águas azuis cor de mar
Tornas a aprender de novo a sonhar
E eu, simplesmente estou ali…por ti…
Procurando, desesperado numa ânsia pesada
De quem sonha em nunca perder a amada
Mas e a dor? Não, a dor não jaz aqui
Peço-te perdão sem nada falar
Recorro-me da melancolia do meu olhar
Entristece-me saber que por não sonhar
Talvez tenha deixado de tanto te amar
Terei que recuperar o meu sonho
Torná-lo menos negro e tristonho
Serei então capaz de sonhar, o teu mesmo sonho
Meu Deus dai-me forças para não cair
Para nunca no passado ter de refletir
Sempre sem soslaios em frente seguir
E tu? O que procuras mesmo de mim?
O meu triste e pesado ser que luta por um fim?
Ou apenas temes que te abandone por fim.
Como é difícil aprender a sonhar
Não vem nos livros, ninguém pode ensinar
Apenas por experiências em tempos ideais
Poderemos comparar e evoluir como iguais
E após tantos momentos e hiatos de esperança
Resta-nos uma nesga de magra lembrança
Dos tempos felizes em teu regaço suspirando
Onde traçava teu rosto indolente, o meu sempre beijando
Eram tempos de calorosas venturas
De jovens que viviam as primeiras aventuras
Ignorando ainda que viriam depois as amarguras
Era-mos nós, eramos deuses sem lei
Envoltos em justas palavras que agora direi
Pois aprender a sonhar, um dia eu conseguirei
As palavras que nunca te direi
As emoções que em mim calei
São pedaços de nosso viver
Gravados em mim até morrer
São sonhos em diamantes brutos
Paixão e emoção em versos absolutos
Sentimentos irmãos unos por omissão
Centelhas da tua divinal perfeição
E apenas representam um mundo
Cavado por um sentimento profundo
Onde nasceu um universo de magia
Onde crescia a esperança fugidia
Que de mim tem andado agora arredia
Escondida num qualquer recanto fundo
Mas lembro os momentos eletrizantes
Em que éramos somente amantes
Os nossos corpos suados, delirantes
Sob a força de desejos estonteantes
Como tínhamos na palma da mão
Para todos os problemas, uma solução
Como respirar era fácil e revigorante
Ao imaginar o nosso futuro brilhante
Foi tudo queimado pelo tempo cruel
que não soube assumir o seu papel
fazendo cair as cartas do nosso castelo
E era um sonho tão puro e belo
Apoiado pela simbiose do nosso elo
Sem qualquer mágoa, dor ou fel
E as palavras que nunca te direi
Em poesia ou prosa, as colocarei
Lembrando o quanto te amei
Apenas isso se puder, te direi
Como descobri que era Poeta
Descobriu um dia que era um Poeta
Tinha ido até à cidade, montado na bicicleta
Ia à praça para ver o que havia lá de pescado
Parou entretanto num pequeno Café
Ali mesmo na esquina, perto do Sr. Zé
Pediu um café daqueles bem tirados
Reparou no canto na Rita e o José irritados
Aproximou-se deles para ver que se passava
Porque motivo ela dele tanto reclamava
Será que posso em algo ajudar
Disse simpático para a conversa pegar
Não disse a Rita prontamente
É assunto só com a gente
Puxou tanto a manga do José
Até que este entornou o meu café
Sentido aquele calor abrasador
Invadir-me todo com estertor
Disse logo naquele momento
Cuidado, vê lá se estás mais atento
Mas aquele calor continuou a subir
Até que estranhamente comecei a sentir
Que queria fazer versos e cantar
Talvez mesmo aprender a rimar
Olhei para eles com alegria
E disse logo uma poesia
Foi curta, brejeira mas engraçada
Fez até corar a Rita, coitada
Rita que estás agora a discutir
Parece que o José estava a pedir
Mas olha que ontem lá atrás na enseada
Pelos teus berros e guinchos, parecia festa animada
Desataram os dois a rir
Clamando “Temos poeta” e é do Sado
Acrescentei depois JO e o MAD a seguir
Porque fazem parte do nome que me foi dado
Assim ficou até hoje mesmo depois de desempregado
Sim, porque a vida de Poeta é sempre muito incerta
Pois nem sempre dá para comer, mesmo se for autor consagrado
Mas a Poesia é de certeza uma das coisas que fiz certa
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Prisioneiro em Mim - Janeiro 2014
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