Escritas

Lista de Poemas

O lado azul de ti

Apenas agora vi
O lado azul de ti
Que roubaste ao céu
Agora escuro como breu

E o azul em ti predomina, até no olhar
Que faz o meu corpo no teu ressaltar

E agora olho por ti
Imutado, velo aqui
Para que possas carregar a luz
Que a escuridão profunda reduz

E no fogo que consome a minha alma
Quero o teu néctar, que minha ferida acalma

O lado azul de ti
(Re)Vive agora aqui
No crasso crono, deus temporal
Vive em ti que és alma simples mas imortal

E imortal é também a tua ambição
Imutável a frieza que guia a tua mão

E se o azul em ti colado
For por todos ambicionado
Se o céu em prantos de dor
Quiser de volta a sua cor

Como poderei eu refletir de novo o teu olhar
Sem azul, sem qualquer cor que o possa cativar

Apenas agora sei
Tudo o que direi
Se ficar calado for uma decisão
Que golpeia a luz da minha razão
Apenas agora sei…
É azul… assim o direi
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Pensamentos incertos

Pensamentos incertos
Inconstantes como livros abertos
Povoam o nosso viver
E Choram o nosso morrer

Pensamentos belicosos
Outros amorosos
Alguns ainda indefinidos
Frutos de sonhos perdidos

São traços da alma
Rios de fluida calma
E também oceanos violentos
Cheios de vigorosos momentos

Pensamentos incertos
Tal como o teu olhar
Que torna rios em desertos
Apenas com um breve piscar

E a musica que ecoa agora
É apenas uma lágrima que demora
Um ano e mil vidas para renascer
Séculos a crescer, vidas a florescer

Um olhar apenas incerto
Um pensamento agora certo
E Réstias de humanidade
Condecoram a verdade
com a realidade…e a saudade?

Pensamentos incertos
Para todo o sempre incompletos
Escritos e talhados no fogo ardente
Que vive clausurado na minha mente

Apenas uma breve agonia
E tudo a ti sucumbiria
Mas tu assim não o rogaste
Não quiseste, tudo abandonaste
E nem de ti te salvaste
Ficaste incerta de mim, desconfiada
Tombada na realidade quadrada

E sem forças pereci ao pé de ti
Legando-te estes pensamentos
Que Incertos ou não, são paixão
São amor, que causa pura emoção
Para que nunca os momentos
Em que contigo feliz vivi
Se apartem para longe daqui

Apenas de mim…para ti…
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Impossível voar

Impossível voar, nem mesmo um simples planar
Decerto que estou dormindo, na cama a sonhar
Mas a vertigem é real,
o abismo a meus pés, brutal

Basta um pequeno passo, muitos minutos em queda fugida
Pois e se eu não estiver a sonhar, seu perder a minha vida
Não vale a pena arriscar
Uma morte tão sofrida

Mas mais uma vez uma grande tentação
Toma a vez da cuidadosa razão
Ergo o rosto com altivez
Esperando o regresso da sensatez


Tal como tudo na vida este desafio é fascinante
Tem a sua parte de brilho mas também é escuro e errante
Poderei então arriscar?
Serei capaz de voar?

Respostas leva-as a brisa, que no abismo sempre sopra
Torna-se difícil resistir, sem querer atravessar a porta
Mas sem nada se arriscar
Também nunca se irá ganhar

Ai eu vou arriscar, para a frente vou avançar
Se depois algo me fizer recuar, não puder voar
Tenho consciência que pelo menos tentei
Uma decisão eu tomei e por ela, morrerei

Salto de braços abertos, sorriso no rosto estampado
Afinal consigo voar, planar em todo o lado
O desafio foi vencido, jaz inerte sem energia
Venci a barreira que dormente me prendia

Envolve-me um crescendo de luz e felicidade
Ofuscando-me também com sua intensidade
Certo que é o fim do abismo
Será que sei mesmo voar?
Ou será por puro egoísmo
Que tentei este passo dar!

Se for sonho vou acordar, sem sequer me magoar
Até vou imaginar que nunca tentei planar
Se à realidade for parar, com a dor a aumentar
Que seja breve o findar de esta saga de voar
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O grito da Alma

Ontem à noite ouvi um grito
Ecoou em mim, partiu de mim
A minha alma chorou assim
Invejoso fruto de ser proscrito

Grito que o tudo provoca, tudo o que grito
Alma fugida de mim abandonada, de mim fugida Alma

Lamento deste sofredor que não conhece senão a dor
Que procura a paz mas sem nunca dela ser capaz
Que ainda assim escolhe a luz, entre as trevas sem fim
Que grita com a alma porque apenas assim acalma…

O animal que farejando vive agora deambulando
Pelas florestas verdes da esperança abandonada
Adamastor sempre errante, no cabo bojador
Moldando as marés da alma emprisionada

Mas e quando o gritar já também ele não chegar
Quanto tudo parecer que não vale mais viver
A isso não vou chegar, pois não quero abandonar
Ser cobarde e perder, não poder na vida mais crescer

O grito da Alma é o inicio
Do fim de tudo o que não é nada
Daquilo que escurece na noite iluminada
Da fome saciada, que dorme acordada
Do ego que energiza, renascido do nada
Procurando salvar da vida abandonada
A alma que bendita, suporta este suplicio

Felizmente tenho-te a ti, que és tudo para mim
O grito cala-se agora por fim, mudo pelo amor
Que estancou humildemente a pomposa dor
Que me trouxe um pouco de paz, até que enfim!
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Farinha do Ser

Na calma da uma guerra de vivos
Em que perdi os meus sentidos
Esgotei a água do meu moinho
Que a farinha do meu ser afina

E triste sem pão para crescer
Lancei-me às claras
nos escuros caminhos
onde a luz perdeu
o brilho que Deus deu

Mas o escuro que encontrei
Era a farinha agora suja
Arrastada na lama seca
Que prendia o meu moinho

Num pesadelo de luz
Afastei o negro da minh’alma
Esconjurando com o barro
Os fantasmas da minha solidão

Da farinha fiz a espada
Que agora jaz espetada
Na rocha que era a ambição
E esqueci-me do meu pão
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(Des)Esperando por pensa[ele]mento

Nunca mais…
…poderei ser aquele que pensei ser
…levantarei o rosto, orgulhoso de vencer
… ficarei imóvel, entre as estrelas sem te ver
… alcançarei a paz, mil anos e mais que viver

Sob a promessa sagrada da família
Que comigo agitada faz esta vigília
Escuto os sons do silêncio profundo
Ocultos mas à vista de todo o mundo

Embrulhados em rasgos de papel
Fruto da minha amargura e fel
Mas sempre frágeis como o espirito
Esvoaçando livres, no céu infinito

Tenho apenas…
…esperança no futuro vindouro
…ansiedade por ser de ouro
… sonhos de alcançar o mar
… desejos de nele somente navegar

E se a ilha deserta aparecer
Que possa lá de novo renascer
Em cor, alma, espirito e ser
Sob o pôr-do-sol, sob o amanhecer

A idade é apenas uma traição
Para quem fica mudo à emoção
Para quem do sonho dele desistiu
E à monotonia eterna sucumbiu

Pois eu sei…
….que mil voltas envoltas em revoltas
…que somos cristalinas pontas soltas
… que o desejo alimenta a alma criadora
…que a escrita quando pura, é avassaladora

Que a melodia que nos envolve a todos
Fazendo-nos soltar lágrimas a rodos
Move o que dentro de nós é sensível
Levando-nos para outro excelso nível

Nunca mais… [vou desistir]
Tenho apenas… [que persistir]
Pois eu sei… [ao ver-te sorrir]
Que valeu a pena eu existir
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Não ao Plágio!

O Poeta é pobre na vida
Vivendo uma vida sofrida
A sua única riqueza
Guarda-a na sua cabeça

Um dia…
Mostraram-me um poeta rico
Não passava de um mafarrico
Pois os poemas que apregoava
Eram de um pobre que ele roubava

Faz parte da Poesia
Ter a barriga vazia
Para a atafulhar
De Poemas de espantar

Não ao Plágio por favor
Escutem este meu clamor
Da cópia tenho pavor
Pavoroso ser rico,
pobre sim … se faz favor!
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Tu eras Frágil

Eras frágil e eu sabia vê-lo
Quebradiça como gelo
Rendida a mim pelo sentimento
Que transbordava vindo de dentro

Eras frágil e eu ignorei-o
Tentei vencer-te por receio
Não medi os atos com precisão
E causei mais dor que emoção

E finalmente cai em mim
Percebi que eras mesmo assim
Precioso diamante, perfumado jasmim

Eras tu que ao meu mundo davas a cor
e nele escondias chorando, a tua dor
calando na alma, o teu sincero amor

Agora sou eu frágil e sei-o bem
Isolado pela arrogância que se mantém
Cego num mundo vazio por dentro e fora
Desde o momento em que te foste embora

E frágil sê-lo-ei até perecer
Lembrando o teu rosto no amanhecer
As tuas patetices de que ria com emoção
Até o estranho tique quando mentias… e eu não

Apenas na solidão recordamos quem partiu
Quem por ser frágil, foi abusado e fugiu
Levando a essência do melhor de mim…
onde tudo se esvaiu...

E a revolta que provocou o momento
A guerra que fez cair o nosso firmamento
Foi estupida e cruel… e Deus sabe o quanto lamento
…o quanto eu choro esse momento

Somos frágeis os dois, é a verdade
Diferentes pessoas, mas a mesma realidade
Pois ser frágil não é sinónimo de fraqueza
É sim o que nos torna nobres, até na pobreza

Apenas restam as lembranças, as cinzas ainda quentes
As imagens, o teu cheiro… retalhos de um passado recente
De quem quebrou frágil e fragilizou o meu presente
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A pobreza de um ser

Ser pobre não é ser inferior
É apenas viver em contínuo terror
É temer com aflição o negro dia
Em que morre todo o esforço feito no dia-a-dia

É desalentadamente implorar alimento
Sabendo bem o que é o desalento
De não ter um futuro crivado de paz
De nem a família ajudar de forma capaz

Nasceu pobre mas ainda assim honesto
Apesar do rigor da vida, é ainda assim modesto
Tal como modesto é o seu simples protesto

Satisfaz-se com o que outros deitam fora
Bem os amaldiçoa nessa triste hora
Em que rebusca os seus lixos e chora

Mas as lágrimas de um pobre valem apenas
Miseras e escassas atenções, piedosas novenas
Que na morte entoam mas sem carácter nobre
Porque quem morreu era apenas mais um pobre

Deixou família e filhos para criar
Que agora sem apoio sofrem a dobrar
O mais velho vai ter que muito trabalhar
Para o mais pequeno puder sequer respirar

E assim a pobreza de um ser,
Condiciona com a avareza de perder
Uma potencial família agora a crescer
Porque ninguém deles quis realmente sabe
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Agora compreendo…

Agora compreendo o meu medo
Agora sei porque em mim guardo o segredo
Agora sei porque sou assim, sem vacilar
Apenas mais humano por saber ajudar

Agora vejo na escuridão profunda
Agora sinto quando a dor é bem funda
Agora sinto quando a vida se esvai no nada
Levando no turbilhão a mente fragilizada

Mas nem sempre foi igual
Pois igual é algo irreal
E real é apenas um sinal
Sinalizando o bem e o mal

Mas sei que sou também real
Capaz do bem ou do mal
Maldizendo o que me devassa
Devassando todo bem que eu faça

Agora compreendo mas não entendo
Porque vivo bem mas sempre sofrendo
Agora vejo mas não consigo enxergar
Porque o mal volta para de me visitar

Mas compreendo também agora
Que a esperança vive lá fora

Ser prisioneiro é uma opção
Que está ao alcance da mão
Basta apenas dizer não, basta!

Aquilo que o medo de mim afasta
Tudo aquilo que ele desgasta … basta!
Agora compreendo…
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