Lista de Poemas
Sonho Perplexo
Apenas aqui
Vivi mas cresci
E revi-me no reflexo
Num sonho algo perplexo
Sonhava a girar
Girando a sonhar
Tentando encontrar
O sol do luar
Escavando no ar
A forma de escapar
Algo, alguém para amar
Do sonho me resgatar
Pois sei de antemão
Que a rima é paixão
E se girar perco-a da mão
Presa na doce solidão
Cai-me o sol no luar
Ansiando acordar
Paro logo de girar
Para o reflexo voltar
E o sonho dissipar
Sonho perplexo
sem qualquer nexo
que brilha sob o luar
até o sol o vir chamar
Vivi mas cresci
E revi-me no reflexo
Num sonho algo perplexo
Sonhava a girar
Girando a sonhar
Tentando encontrar
O sol do luar
Escavando no ar
A forma de escapar
Algo, alguém para amar
Do sonho me resgatar
Pois sei de antemão
Que a rima é paixão
E se girar perco-a da mão
Presa na doce solidão
Cai-me o sol no luar
Ansiando acordar
Paro logo de girar
Para o reflexo voltar
E o sonho dissipar
Sonho perplexo
sem qualquer nexo
que brilha sob o luar
até o sol o vir chamar
👁️ 505
Ser(vindo) ao Mundo
O fustigar do pensamento contra o vento
Que provoca ondas de rebeldia que acalento
Mimo e faço-as crescer… criando vida por um novo ser
Regradas por hipotenusas difusas que simbolizam o viver
Não…não sei que impulso me faz tanto escrever
Ou até sei…mas não quero dizer.
Pois a alma gentil, que em mim é febril
Contrasta com tudo, com o que vejo senil
Porque a idade não quebrou, não silencia
A criança que traquina habita a minha poesia
Aquela que com delicadeza, difunde a fantasia
Fantasiando mundos de plena e pura energia
E o que sou eu agora? O que fui outrora?
Outrora sei lá e nada me importa agora
Apenas uma plena certeza vive imbuída
A concretização de uma etapa de uma vida
O prazer de fazer parte de uma causa sentida
É isto que me faz correr, ansiar por escrever
Se fosse Pessoa escreveria
Escrevendo tudo o que sentia
Sentindo a vida que em mim fluía
Fluindo simples poemas com alegria
Se fosse Espanca a sofrer
O meu encanto seria amar até doer
Procurando no mundo me encontrar
O que arde sem se ver, mostrar a quem amar
Que posso eu mais dizer sem falar?
Falando daquilo que faz a alma da minha alma… chorar
Porque aqui….não basta apenas o muito te amar, não basta
Que provoca ondas de rebeldia que acalento
Mimo e faço-as crescer… criando vida por um novo ser
Regradas por hipotenusas difusas que simbolizam o viver
Não…não sei que impulso me faz tanto escrever
Ou até sei…mas não quero dizer.
Pois a alma gentil, que em mim é febril
Contrasta com tudo, com o que vejo senil
Porque a idade não quebrou, não silencia
A criança que traquina habita a minha poesia
Aquela que com delicadeza, difunde a fantasia
Fantasiando mundos de plena e pura energia
E o que sou eu agora? O que fui outrora?
Outrora sei lá e nada me importa agora
Apenas uma plena certeza vive imbuída
A concretização de uma etapa de uma vida
O prazer de fazer parte de uma causa sentida
É isto que me faz correr, ansiar por escrever
Se fosse Pessoa escreveria
Escrevendo tudo o que sentia
Sentindo a vida que em mim fluía
Fluindo simples poemas com alegria
Se fosse Espanca a sofrer
O meu encanto seria amar até doer
Procurando no mundo me encontrar
O que arde sem se ver, mostrar a quem amar
Que posso eu mais dizer sem falar?
Falando daquilo que faz a alma da minha alma… chorar
Porque aqui….não basta apenas o muito te amar, não basta
👁️ 517
Tristeza que me consome
A tristeza que me consome
Vem de dentro, bem fundo
Dói como fosse a própria fome
Que nos alheia e cega-nos do mundo
Irrita-me estar assim possesso
Desfasado de mim próprio
Ansiando o fino sono, onde esqueço
Onde por fim, encontro o meu ópio
E nos sete planos mortais
Onde a fortuna precede a pobreza
Procuro-me a mim entre os demais
Despojado de tudo, exceto da tristeza
Ela que teima em não vacilar
E nunca por nada recuar
Castiga-me a cada respirar
Fazendo-me suspirar, transpirar
A tristeza é a maldição
Que escurece a minha visão
Que torna menor o pensamento
E Condiciona cada meu movimento
Mas fui eu que a chamei
E nisso sem dúvida pequei
Pois tão depressa ela chegou
E o meu mundo logo parou
E nem adianta gritar ou chorar
Ou aliviar-me a praguejar
Resta-me apenas esperar
Para algo de bom me encontrar
E para longe a tristeza soprar
Vem de dentro, bem fundo
Dói como fosse a própria fome
Que nos alheia e cega-nos do mundo
Irrita-me estar assim possesso
Desfasado de mim próprio
Ansiando o fino sono, onde esqueço
Onde por fim, encontro o meu ópio
E nos sete planos mortais
Onde a fortuna precede a pobreza
Procuro-me a mim entre os demais
Despojado de tudo, exceto da tristeza
Ela que teima em não vacilar
E nunca por nada recuar
Castiga-me a cada respirar
Fazendo-me suspirar, transpirar
A tristeza é a maldição
Que escurece a minha visão
Que torna menor o pensamento
E Condiciona cada meu movimento
Mas fui eu que a chamei
E nisso sem dúvida pequei
Pois tão depressa ela chegou
E o meu mundo logo parou
E nem adianta gritar ou chorar
Ou aliviar-me a praguejar
Resta-me apenas esperar
Para algo de bom me encontrar
E para longe a tristeza soprar
👁️ 797
Fome das palavras
Tenho fome das palavras
Mas não delas já escritas
Enquadradas em tercenas benditas
Não! quero-as ainda a ferver
Imaturas, sem ritmo…sem o seu poder
Que as obriga o ato simples de escrever
O peso que tem cada uma delas
Contido em métricas constantes
Emparelhadas ou dissonantes
Apenas embala a minha caneta
Que em sincronismos de cinco dois três
Cria mundos e sonhos de uma só vez
Ás vezes não sei como optar
Se será bom sempre rimar
Ou seria bom por vezes prosar
Mas não sou eu quem mando
Apenas obedeço ao seu comando
Aguardando o seu sinal, ansiando
Escravo voluntário até desfalecer
Cingido ao papel, fadado a escrever
Sem puder parar, ou sem o querer
E os sonetos que agora imagino
Talhados em brocados de ouro fino
Falam novamente delas e eu desatino
Saciei a fome das palavras
Mas não a vontade de escrever
Colocá-las em linhas, o prazer de as ver
O seu andamento galopante
Que ilumina o livro mais errante
Que contextualiza o mais importante
Mas uma questão avassala-me
Nestas cenas dignas de um filme
E com a alma cega pelo ciúme
Questiono o porquê das palavras
Porque as procuro até na solidão
Quem segura e guia agora a minha mão…
Eu não sou não… sou escravo delas, pois então!
Mas não delas já escritas
Enquadradas em tercenas benditas
Não! quero-as ainda a ferver
Imaturas, sem ritmo…sem o seu poder
Que as obriga o ato simples de escrever
O peso que tem cada uma delas
Contido em métricas constantes
Emparelhadas ou dissonantes
Apenas embala a minha caneta
Que em sincronismos de cinco dois três
Cria mundos e sonhos de uma só vez
Ás vezes não sei como optar
Se será bom sempre rimar
Ou seria bom por vezes prosar
Mas não sou eu quem mando
Apenas obedeço ao seu comando
Aguardando o seu sinal, ansiando
Escravo voluntário até desfalecer
Cingido ao papel, fadado a escrever
Sem puder parar, ou sem o querer
E os sonetos que agora imagino
Talhados em brocados de ouro fino
Falam novamente delas e eu desatino
Saciei a fome das palavras
Mas não a vontade de escrever
Colocá-las em linhas, o prazer de as ver
O seu andamento galopante
Que ilumina o livro mais errante
Que contextualiza o mais importante
Mas uma questão avassala-me
Nestas cenas dignas de um filme
E com a alma cega pelo ciúme
Questiono o porquê das palavras
Porque as procuro até na solidão
Quem segura e guia agora a minha mão…
Eu não sou não… sou escravo delas, pois então!
👁️ 550
Simplesmente Mulher
A fragância de uma linda flor
É algo que perfuma o teu amor
Seres mãe e esposa com delicadeza
Somente Mulher com muita nobreza
O teu olhar diz mais que mil palavras
O rosto reflete os sonhos que em ti gravas
Bem fundo, aninhados no teu imenso coração
E chorar? Sempre choras com vera emoção
Mas o teu riso é também pleno de satisfação
O teu carinho fonte de nossa inspiração
A tua abnegação algo que é inexplicável
Que te torna mais, maior, alguém formidável
A tua pureza, que afasta a incerteza
O teu sorriso que nos toma de improviso
Faz com que te amemos na saúde e doença
Que busquemos ao infinito a tua presença
Pois,
Seres mãe, é a vida a ti te dever
Seres esposa, é contigo florescer
Seres mulher, somente por o ser
Parabéns!!!
é pouco para tudo te agradecer
É algo que perfuma o teu amor
Seres mãe e esposa com delicadeza
Somente Mulher com muita nobreza
O teu olhar diz mais que mil palavras
O rosto reflete os sonhos que em ti gravas
Bem fundo, aninhados no teu imenso coração
E chorar? Sempre choras com vera emoção
Mas o teu riso é também pleno de satisfação
O teu carinho fonte de nossa inspiração
A tua abnegação algo que é inexplicável
Que te torna mais, maior, alguém formidável
A tua pureza, que afasta a incerteza
O teu sorriso que nos toma de improviso
Faz com que te amemos na saúde e doença
Que busquemos ao infinito a tua presença
Pois,
Seres mãe, é a vida a ti te dever
Seres esposa, é contigo florescer
Seres mulher, somente por o ser
Parabéns!!!
é pouco para tudo te agradecer
👁️ 510
Geometria Paternal
Ora bolas p’ros quadrados
Nos triângulos encerrados
Estatelados com retângulos
Em estrelas lisas de ângulos
E isso é geometria?
Pergunta-me o rapaz
Não… são colírios espaciais
Especiais e enquadrados
Feitos com carinho estrelar
Para um menino angular
É de meu filho que estou a falar
Do 30 a 90 sem respirar
Gosta de poesia macia
Como a sua manta retangular
Onde dorme esperando o dia
Pelo angulo que o vai acordar
É por ele que eu circulo
Em circunferências abertas
Procurando palavras certas
Para num ângulo reto
O meu amor inclinar
Sua face eu beijar
É a geometria paternal
Que vive no coração dos pais
Onde descrevemos afinal
Os ângulos, as curvas ideais
Daqueles que sempre amamos mais
Nos triângulos encerrados
Estatelados com retângulos
Em estrelas lisas de ângulos
E isso é geometria?
Pergunta-me o rapaz
Não… são colírios espaciais
Especiais e enquadrados
Feitos com carinho estrelar
Para um menino angular
É de meu filho que estou a falar
Do 30 a 90 sem respirar
Gosta de poesia macia
Como a sua manta retangular
Onde dorme esperando o dia
Pelo angulo que o vai acordar
É por ele que eu circulo
Em circunferências abertas
Procurando palavras certas
Para num ângulo reto
O meu amor inclinar
Sua face eu beijar
É a geometria paternal
Que vive no coração dos pais
Onde descrevemos afinal
Os ângulos, as curvas ideais
Daqueles que sempre amamos mais
👁️ 587
Nesta fria noite vadia
Nesta fria noite vadia
Povoada por fantasia
Fantasio sobre a Poesia
Ela que busco e aspiro
Aspirante a um seu suspiro
Tal como ar que respiro
Mas a Poesia é arredia
Foge de mim, quem diria
Eu, que a trato com simpatia
Neste quente dia presente
Cheio de cor latente
Sinto-me algo diferente
Pronto para ela capturar
A poesia perfeita encontrar
Mesmo que isso me possa custar
Mais que o meu olhar…
…morreria feliz sabendo
Que vivi com ela no pensamento
Angustiando mas amando
Amando mas também chorando
Agora que sou apenas eu
Um fino elo que a tudo cedeu
Lamento o que não amadureceu
Que ficou gestante e não cresceu
Mas ainda fugaz sinto
Sentimento que não minto
Pois a mentira foi capaz
De me levar com ela atrás
Nesta fria noite vadia
Procuro a minha poesia
Em vão no vão da escadaria
Mas não encontro nada
Deixo para sempre a escada
Lamentando deixá-la abandonada
Pois sei que bem perto
Estava ela por perto, decerto
Também buscando-me, é certo
E sei que a Poesia
Nem sempre é alegria
Carrega em si mais do que podia
E que pesado fardo por vezes lhe dou
Quando nela espanto os meus fantasmas
Que assombram a minha existência
Mas é uma questão apenas de sobrevivência
Que ela me perdoe um dia
Ou nesta fria noite vadia…
Povoada por fantasia
Fantasio sobre a Poesia
Ela que busco e aspiro
Aspirante a um seu suspiro
Tal como ar que respiro
Mas a Poesia é arredia
Foge de mim, quem diria
Eu, que a trato com simpatia
Neste quente dia presente
Cheio de cor latente
Sinto-me algo diferente
Pronto para ela capturar
A poesia perfeita encontrar
Mesmo que isso me possa custar
Mais que o meu olhar…
…morreria feliz sabendo
Que vivi com ela no pensamento
Angustiando mas amando
Amando mas também chorando
Agora que sou apenas eu
Um fino elo que a tudo cedeu
Lamento o que não amadureceu
Que ficou gestante e não cresceu
Mas ainda fugaz sinto
Sentimento que não minto
Pois a mentira foi capaz
De me levar com ela atrás
Nesta fria noite vadia
Procuro a minha poesia
Em vão no vão da escadaria
Mas não encontro nada
Deixo para sempre a escada
Lamentando deixá-la abandonada
Pois sei que bem perto
Estava ela por perto, decerto
Também buscando-me, é certo
E sei que a Poesia
Nem sempre é alegria
Carrega em si mais do que podia
E que pesado fardo por vezes lhe dou
Quando nela espanto os meus fantasmas
Que assombram a minha existência
Mas é uma questão apenas de sobrevivência
Que ela me perdoe um dia
Ou nesta fria noite vadia…
👁️ 571
Mini balada de Mariana
Mariana tombou seu riso
Caiando de azul a solidão
Nas Curvas loucas de juízo
Em passo miúdo, sonho anão
Correu calçada ja farta dela
Ansiando ver alem fumo e dor
Um rosto, arma e sol da fivela
De quem partiu, tão sonhador
Mas de negro, erguida maré
Trouxe noite ao azul celeste
Uma carta, desespero sem pé
Maldita sorte, o amante veste
Mariana enviuvou sem riso
E nunca mais dele sentiu dó
Apenas dor, idade sem friso
Na solidão de nunca ser avó
Na Guerra matou seu amor
Na vida secou rosto e vigor
Agora resta apenas a idade
que senil arrasta, numa cidade
Caiando de azul a solidão
Nas Curvas loucas de juízo
Em passo miúdo, sonho anão
Correu calçada ja farta dela
Ansiando ver alem fumo e dor
Um rosto, arma e sol da fivela
De quem partiu, tão sonhador
Mas de negro, erguida maré
Trouxe noite ao azul celeste
Uma carta, desespero sem pé
Maldita sorte, o amante veste
Mariana enviuvou sem riso
E nunca mais dele sentiu dó
Apenas dor, idade sem friso
Na solidão de nunca ser avó
Na Guerra matou seu amor
Na vida secou rosto e vigor
Agora resta apenas a idade
que senil arrasta, numa cidade
👁️ 15
Fiapo de vento
Perto, da quadrada mesa
caiu um fiapo de vento
vazio como a pobreza
incerto, do movimento
Saltou, no raiar matinal
tingindo de cores, o olhar
caindo, num simples final
acabou por ali se esfiar
Perto, da quadrada vida
caiu um fiapo de humano
vazio como vida esquecida
incerto destino, sem plano
Saltou, no acordar matinal
tingindo dores, ao chorar
caindo, fingiu ser normal
acabou por ir trabalhar
Até que o fiapo de vento
Se tornou seu fiel lamento
Ganhou asas, elevou de vida
O grito mudo de sua despedida
Tombaram os dois no vazio
Caindo no raiar do chão frio
Perto da quadrada mesa
Caiu o lençol alvo e tinto
Vazio de vida, de pureza
Incerto do frio que sinto
Pois o fiapo de vento
É o vento deste lamento
E cair, já o fiz sem raiar
Até a sorte final,
De mim se apartar
caiu um fiapo de vento
vazio como a pobreza
incerto, do movimento
Saltou, no raiar matinal
tingindo de cores, o olhar
caindo, num simples final
acabou por ali se esfiar
Perto, da quadrada vida
caiu um fiapo de humano
vazio como vida esquecida
incerto destino, sem plano
Saltou, no acordar matinal
tingindo dores, ao chorar
caindo, fingiu ser normal
acabou por ir trabalhar
Até que o fiapo de vento
Se tornou seu fiel lamento
Ganhou asas, elevou de vida
O grito mudo de sua despedida
Tombaram os dois no vazio
Caindo no raiar do chão frio
Perto da quadrada mesa
Caiu o lençol alvo e tinto
Vazio de vida, de pureza
Incerto do frio que sinto
Pois o fiapo de vento
É o vento deste lamento
E cair, já o fiz sem raiar
Até a sorte final,
De mim se apartar
👁️ 11
Humana identidade
Aquele humano nem o sei ser
O que carrega vida nos ombros
Farto de fardos e de tudo viver
Ser muralha e frios escombros
Caminhar desalento no despertar
lamentado dentre rosto destoado
Saber ser dor e dela ébrio gritar
Ser de amor um beijo, o finado
E rasgar do peito seu coração
Altivado num hiato de agrura
Por sentir ter dentro a nação
Mas no olhar, só pó e amargura
Deitado no empedrado verde
Cede a vida às sorte das horas
Até sentir o rosto solvente
O corpo fase decrescente
Então o sonho partiu-se pejo
Trocado, prenho de normalidade
Deste meu cénico ensejo
Que torna actor, mimo de cidade
Quem nunca quis a vida pendurada
Na esquina pálida, da desventurada
E nunca serei aquele humano
Calado de sentir, oco de rir
Nunca serei o cristal fulano
Que finge ser para algo sentir
Lá vai a vida dependurada no meu colo
Agarrada ao respiro como veneno
Colada de pele, fome e garras de solo
Que atinam o eterno não sereno
E o fazer ser o que nada será
Pois ser é de algo esquecer
Ao esquecer que algo terá de o ser
O que carrega vida nos ombros
Farto de fardos e de tudo viver
Ser muralha e frios escombros
Caminhar desalento no despertar
lamentado dentre rosto destoado
Saber ser dor e dela ébrio gritar
Ser de amor um beijo, o finado
E rasgar do peito seu coração
Altivado num hiato de agrura
Por sentir ter dentro a nação
Mas no olhar, só pó e amargura
Deitado no empedrado verde
Cede a vida às sorte das horas
Até sentir o rosto solvente
O corpo fase decrescente
Então o sonho partiu-se pejo
Trocado, prenho de normalidade
Deste meu cénico ensejo
Que torna actor, mimo de cidade
Quem nunca quis a vida pendurada
Na esquina pálida, da desventurada
E nunca serei aquele humano
Calado de sentir, oco de rir
Nunca serei o cristal fulano
Que finge ser para algo sentir
Lá vai a vida dependurada no meu colo
Agarrada ao respiro como veneno
Colada de pele, fome e garras de solo
Que atinam o eterno não sereno
E o fazer ser o que nada será
Pois ser é de algo esquecer
Ao esquecer que algo terá de o ser
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António J. P. Madeira nasceu em 26 de Abril de 1969 em Setúbal. É Licenciado em Engenharia de Instrumentação e Automação Industrial, tendo nos últimos anos enveredado pelo ramo da Informática, onde sendo autodidacta adquiriu competências em programação e administração de Bases de Dados. Trabalhou durante vários anos como consultor e gestor de projectos de TI. Na adolescência, estudou Piano no Conservatório Luísa Todi, em Setúbal, tendo até integrado um Conjunto Musical do género Hard Rock, chamada Guerra Santa. Para além, aprendeu sozinho a tocar guitarra e bateria, tendo durante dois anos sido baterista na Sociedade Musical e Recreativa União Setubalense. O escrever é uma paixão antiga, que jazia adormecida e que despertou com força renovada em 2014, após ter sido anteriormente diagnosticado Perturbação no Espectro do Autismo ao seu filho, André. Em Fevereiro desse ano, sob o pseudónimo Jomad’o Sado, que adotou para elogiar a terra e o rio que o viu nascer, e sob a chancela da Chiado Editora, publicou o seu primeiro livro de Poesias, “Prisioneiro em Mim”, com o intuito de ser um livro solidário para com a associação APPDA de Setúbal. Em finais de 2014, surge o livro Alva Madrugada, que é o seu primeiro Romance, e que foi escrito em tempo recorde de dois meses, sob o pseudónimo J. P. Madeira. Meses mais tarde, em colaboração com a Ilustrador M. Silma, publica a versão digital do Livro Infantil, “Histórias de Encantar, Escritas a Rimar. Em paralelo, encontram-se vários outros livros a serem criados / escritos versando desde a Poesia como Jomad’o Sado, até o género de Romance, Aventuras, Suspense, Terror e Comédia, como J.P. Madeira. Em paralelo, participou activamente em algumas Antologias de Poetas Contemporâneos. Casado com o seu grande amor da adolescência, Manuela Silva, do qual nasceram dois filhos, elegeu-os aos três como a sua maior fonte de inspiração.
https://www.facebook.com/antonio.madeira.338
jomadosado@sapo.pt
Prisioneiro em Mim - Janeiro 2014
https://www.facebook.com/antonio.madeira.338
jomadosado@sapo.pt
Prisioneiro em Mim - Janeiro 2014
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