Escritas

Fiapo de vento

jomadosado
Perto, da quadrada mesa
caiu um fiapo de vento
vazio como a pobreza
incerto, do movimento

Saltou, no raiar matinal
tingindo de cores, o olhar
caindo, num simples final
acabou por ali se esfiar

Perto, da quadrada vida
caiu um fiapo de humano
vazio como vida esquecida
incerto destino, sem plano

Saltou, no acordar matinal
tingindo dores, ao chorar
caindo, fingiu ser normal
acabou por ir trabalhar

Até que o fiapo de vento
Se tornou seu fiel lamento

Ganhou asas, elevou de vida
O grito mudo de sua despedida

Tombaram os dois no vazio
Caindo no raiar do chão frio

Perto da quadrada mesa
Caiu o lençol alvo e tinto
Vazio de vida, de pureza
Incerto do frio que sinto

Pois o fiapo de vento
É o vento deste lamento
E cair, já o fiz sem raiar
Até a sorte final,
De mim se apartar
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