Do mundo, Humanos
Porque tentamos o mundo dos outros mudar
Se por vezes nem o nosso conseguimos rodar
Porque nos atrevemos a criticar apontando dedos
Que se refletem em espelhos cheios de nossos segredos
Porque sorrimos com máscaras feitas de conveniência
Quando de caras não sorrimos com tanta frequência
Porque invejamos os outros que são nossos ideais
Se todos somos iguais, apenas frágeis e complicados mortais
Apenas porque somos meros humanos,
neste mundo (re)nascidos como crianças
Mas o criador até nos deu os seus planos
Só que vivemos tão atreitos das mudanças
Que nem tememos o abismo intransigente
Onde nos lançamos por uma birra incontinente
Se por um erro num dia
Cada humano se ajoelhar
Teremos plantações de joelhos
Que durarão eternidades para regar
Só que a eternidade é algo que criámos para justificar aquilo que não conseguimos contornar
Que eternamente seremos humanos, com defeitos e qualidades tão admiráveis
onde até o mal conseguimos fazer tão bem, tão perfeito
que até num milagre conseguimos encontrar um defeito
mas num trovão de emoções, corremos para nos abrigar
apertando o coração contra os outros para nos confortar
e o nosso olhar torna-se criança e até conseguimos fazer…
o nosso pequeno mundo rodar.
J. P. Madeira
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