Tambor em Vida
Não quero ser tambor desconhecido na banda da vida
Rufando sem nunca ser mais que um ruido devasso
Cruzando compassos em monótona avenida
Num eterno e circunflexo marcar do passo
...
Não quero ser grito nem desespero ecoado
Saltando esquinas de bocas sem me calar
Em frases agredindo o coração pesado
De quem nada mais tem para falar
Não quero ser vilão nem herói em contramão
Salvando dias das noites amarguradas
Que os tentam secar com escuridão
Em palhas de camas enciumadas
Quero apenas ser a cor da alma,
rasgando céus em ósculos de estrelas
Cavalgando sonhos à desfilada,
Levando a juventude em mim enfiada
E se o mundo um dia me vir no meu todo
Saberá que todo eu serei um mundo nesse dia
Pois a viagem foi terminada com sincera alegria
Que neste comboio de anos, apita ventos de simpatia
Mas quando me vejo na banda a tocar
Preso num grito do meu olhar
Que chama o vilão para o herói ajudar
Sei que o final é agora e vem veludo para me buscar
Só que eu não quero abalar, sem o meu mundo
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