Lista de Poemas
Por que havia o amor
E por que havia o Amor
Nada era em demasia
Tudo tinha o seu valor
Nada, nada se excedia
A mão estendida ao homem
O abraço dado no amigo
O pão para quem tem fome
O que é joio, o que é trigo
A canção vinda da alma
O óbulo do fariseu
A doce música que acalma
O que é meu, o que é teu
O sonho sonhado só
A vida vivida junto
A estreiteza da mó
A força de um conjunto
O nascimento da flor
A correnteza do rio
O surgimento da dor
As ondas no mar bravio
A estrela a brilhar no céu
O vento em torvelinho
O artista com seu pincel
A singeleza de um carinho
A mão que cuida da chaga
A rosa com seu espinho
O doce olhar que afaga
A ave a cuidar do ninho
O inefável som de um canto
A tarde beijando o dia
O triste ouvir de um pranto
O tempo de uma agonia
A chuva roçando a terra
A ave em migração
A estupidez da guerra
A frieza do canhão
O vigoroso toque do sino
A luz na escuridão
O orvalho matutino
O estrondo do trovão
A semente que cai na terra
A ternura do luar
O vento abraçando a serra
A flor na brisa a bailar
Tudo tinha tempo certo
Tudo tinha sua medida
Quando o amor redescoberto
Regia tudo na vida
Te espero
Te espero
Em cada amanhecer
No primeiro raio de sol
No orvalho que cai da folha
Nas luzes do arrebol
Te espero
Em cada final de tarde
Na primeira estrela brilhando
No sol se deitando ao longe
Na brisa do mar soprando
Te espero
Em cada anoitecer
Em cada estrela que brilha
Nos astros do firmamento
Distantes milhas e milhas
Te espero
Nas madrugadas
No silêncio que inquiri a vida
Nas sensações que sufocam
Na tua ausência doída
Te espero
Nas entrelinhas
Da tua carta sincera
Nas tuas palavras que falam
De sonho, ilusão e quimera
Te espero
Em meio às saudades
No lume da solidão
No desejo que vai na alma
Na ânsia do coração
Te espero
Sempre esperei
Por ti a cada momento
Meus sonhos falam de ti
É teu o meu sentimento.
Pra onde vou
E nossos momentos são sonhos que em mim se realizam?
Pra onde vou se te esperar tornou-se a inteira poesia
E os meus beijos aninham-se em teu corpo
Como os versos aninham-se nos poemas?
Pra onde vou se agora tua mão tocou a minha
E os teus dedos, trançados aos meus, disseram tanto amor?
Pra onde vou se agora o dia acorda e dorme em você
E nas minhas noites o perfume do teu corpo embebe o ar da minha imaginação?
Pra onde vou agora que os meus lábios tocaram os teus
E a sede molha a lembrança dos nossos dias e das nossas noites?
Pra onde vou se a tua ausência é tudo que tenho depois do amor
E na minha pele o teu gosto fica como o desejo ainda latente?
Pra onde vou se agora quando apago a luz é o seu toque que sinto na penumbra que me encobre?
Pra onde vou se agora quando o silêncio dormita é a tua voz que ouço?
Pra onde vou se agora meus caminhos, tão distantes, esqueceram os próprios passos?
Pra onde vou se agora tudo que sinto é você
Tudo que sonho é você
Tudo que quero é você
Tudo que amo é você
E tudo que tenho é saudade?
Pra onde vou, meu amor, se tudo que sei é te amar?
Queria ser teu amor
Ainda que por um dia
Cantar risos de alegria
Sentindo o teu coração
Sussurrando junto ao meu peito
A nossa doce canção
Ah! Meu amor, como eu queria
Trançar minhas pernas nas tuas
Beijar tuas costas nuas
E com os dedos, sutis
Ir acariciando a tua pele
Com meus sonhos pueris
Beijar-te o ventre e o colo
Fazendo o tempo parar
Te acolher em meus braços
Te dar beijinhos, abraços
Quando o cansaço chegar
Quando o cansaço surgir
Me aninho em teu corpo quente
E entre beijinhos frementes
Me deito em ti pra dormir
O homem
se no céu sobrar somente o breu e a lua,
se a saudade fugir com os nossos sonhos,
se a flor murchar e morrer em plena rua,
se a esperança se desfizer toda em quimera,
se o medo da vida se apodera,
se à amizade a falsidade desvirtua,
Ainda assim, amor,
restará a crença pura no afeto a nos suster enquanto há vida.
Se o vento arrastar nossos momentos,
se as nossas vozes o silêncio apagar,
se parados esperarmos novos tempos,
se a cegueira vier para nos guiar
se as nossas almas chorarem doloridas ,
se a sina vier a reger as nossas vidas,
se o sol ao meio-dia se apagar,
Ainda assim, amor,
restará a fé intacta no amor a nos manter enquanto há vida.
Se o homem a outro homem devorar,
se a guerra for o diálogo dos Senhores,
se a vida de um homem valer pouco,
se o homem para aqui só trouxer dores,
se o homem só evoluir externamente,
se a liberdade for pra um dia lá na frente
se na vida o amor for só rumores
Agora, sim, amor,
nada mais nos restará!
As noites não te esquecem
Falam sozinhas do nosso amor que um dia
Em mil carinhos soprou o sonho e a fantasia,
Deixou sentimentos que em mim ainda crescem
E os teus beijos no meu corpo ainda tecem
Esta saudade que embriaga os meus sentidos
Quando a noite silente permeia de gemidos
Os meus sonhos que sem ti não adormecem
Entrego-te na noite estrelinhas, a luz da lua
Para cobrir a tua pele alva, tua pele nua
O teu corpo, todo em mim, é a lembrança
Dos momentos em que tu, mulher criança
Me enlaçava em teu sorriso de amante
E todo o mundo era pra mim este instante
Eu quero um amor
Eu quero um amor que me leve
Por lugares que nunca andei
Que me ame com alma e pele
Que me ensine o que eu não sei
Que traga no beijo o gosto
Da fruta que não provei
Eu quero um amor que chegue
Suave, devagarinho
Trazendo em sua chegada
O toque, o gesto, o carinho
Que saiba brincar com sonhos
Que voe feito passarinho
Eu quero um amor que seja
Desejo, afeto, paixão
Que seja amante da lua
Que já sentiu solidão
Que compreenda que a vida
É feita de luz e escuridão
Eu quero um amor que tenha
Um traço de nostalgia
Que converse com as estrelas
Contando seu dia-a-dia
E que nas noites escuras
Entoe cantos à alegria
Eu quero um amor que faça
Morada em meu coração
Que me acenda a saudade
De entrelaçar sua mão
Me recostar em seu ombro
E me esquecer na paixão.
Você vai ficando em mim
Como uma doce lembrança
Como um olhar de criança
Descobrindo a flor no jardim
Como a chuva na terra
Como o sol no horizonte
Como a água na fonte
Como o perdão pra quem erra
Você vai ficando em mim
Como a onda no mar
Como o perfume no ar
Da linda flor do jasmim
Como o orvalho na folha
Como o beijo roubado
Como o desejo guardado
Como imagens numa bolha
Você vai ficando em mim
Como o amor revelado
Como o segredo guardado
No teu batom carmesim
Como o abraço apertado
Como o arrepio na pele
Como o gostar que desvele
O êxtase de ser amado
Você vai ficando em mim
Como o aroma na rosa
Como na face formosa
Os olhos de um querubim
Como os desejos contidos
Como o afã verdadeiro
Como aguardar fevereiro
Para perder os sentidos
Você vai ficando em mim
Como as estrelas no céu
Como a nuvem ao léu
Como a cruz no marfim
Como o amor que semeia
Como os braços na cruz
Como o som que produz
O sangue em minha veia
Você vai ficando em mim
Como a tinta na tela
Como a luz de uma vela
Iluminando o meu fim
Como esse imenso sentir
Como esta saudade intensa
Como o amor que compensa
Toda esta dor de existir
Pedido
Vem
e traz contigo as folhas caídas
traz contigo esta saudade que acabou de acontecer
traz os teus olhos para eu ver
a noite clarear o mundo
as rosas acordarem os passos ledos da madrugada
traz o silêncio
e a quietude das nossas mãos enlaçadas
no instante do amor
vem,
e deixa escorrer tua seiva
em minha boca cativa do teu gosto
amiga, amante, poente
deixa-me beijar o teu rosto
e dizer sempre e tanto que te amo
um te gostar tão contente
pássaro sem destino que sou
vem,
dormir sonhos profundos
depois de misturar os nossos gozos
depois de misturar nossos mundos
depois de repousada a madrugada
vem secar a lágrima que nunca se derrama
posto que a vida é trama
e esta paixão que é tão pura
deita-se conosco na cama
beija teu corpo e jura
carícias e silêncios
soluços cravados em tantos ais
sem nome
em tanta sede sem fim
do que de ti há em mim
vem...
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