Escritas

Lista de Poemas

Total de poemas: 91 Página 7 de 10

Nas horas de solidão

O tempo passa por nós
Como as folhas ao vento
Às vezes passa tão lento
Às vezes nos deixa tão sós

Traduz em si as saudades
Momentos que não se vão
Promete outras verdades
Momentos que ainda virão

Vai do passado ao futuro
Realizando o presente
Num gotejar firme e duro
Encobrindo a vida da gente

O tempo se diz exato
Hora, minuto, segundo
Tudo irreal, não é fato
É só um sonho no mundo

No palco a trupe de atores
Onde tudo é tão passageiro
Se nem nasceram as flores
Como é de novo janeiro?

Se o tempo existe, é real
Se o tempo não é ilusão
Por que o tempo não é igual
Nas longas horas de solidão?
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Abandono

Não quero que tu saibas o quanto choro
Nas noites em que vaga em mim a solidão
E os meus olhos trazem de longe tua visão
Para os meus beijos cálidos, onde demoro
 
Beijo tua boca, onírica flor da minha noite
Enlaço o teu corpo no meu corpo desnudado
E as lembranças me vêm como em açoite
Nas dolorosas brumas envoltas ao passado
 
Têm a dolência dos espinhos de uma flor
O abandono inquieto da fria madrugada
Que reflete o meu olhar nos olhos da dor
 
A vasta noite embebe-se de um místico olor
Acalentando o choro na minha face molhada
Sonha minha alma pra eu não morrer de amor
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Não sei

Eu já não sei mais que amor é este
Já não sei mais aonde começa o dia
Onde a noite dorme sob as estrelas
E se encanta...
E sob a luz das estrelas se escondia
Não sei das flores o perfume que elas têm
Nem sei mais como é sentir saudade
A saudade tornou-se o instante passado
No presente
A saudade anda ao meu lado
Anda junto a tua ausência
Não sei mais o que é pecado
Teu corpo juntou-se ao meu
E o perdão que a cruz me deu
Tem o meu pranto guardado
Já não sei como dizer
De tantas formas já disse
Que este amor que é só teu
É o amor que foi guardado
Desde a minha meninice
Não sei dos teus olhos quando me olham
e vão embora sem que os veja
Não sei das minhas mãos quando enlaçam as tuas
e caminhamos nas ruas
eu de ti enamorado
num sonho
sem
fim
ornado
Não sei das estradas que sigo
quando vou buscar estrelas
para te dar em segredo
e depois brincar contigo
Já não sei mais o que é perigo
Já não sei o que é o medo
das sombras que a noite traz
Não sei das horas, do tempo,
Já nem sei o que ele faz
Não sei mais o que é distância
Tudo em mim mora tão longe
O amor, o sonho, o riso
Tão longe mora tudo que eu preciso
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Tatuagem

O meu amor dormiu tão triste
Na ponta dos meus dedos o teu corpo,
Como tatuagem, ainda persiste
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Gesto

Um tempo infindo trouxe você pra mim

Um tempo sem hora, sem dia, sem mês

Um tempo onde só havia o soar

Longo do vento na noite imensurável

Dizendo ao meu coração teus sonhos

Lançando fora os véus que o encobriam

E onde o amor se perdera em fugas

Esquecendo a ternura do beijo alvo da alma

Disse a ti as palavras que em mim morriam

Disse do meu medo e da minha dor

Falei da noite que me esconde

A noite onde o meu ser se dissolve

Em gotas de um labirinto inescrutável   

Pousastes a mão sobre os meus lábios

Para que o silencio deles não partisse

Para que o gesto pudesse se expressar

E na palavra contida nos teus gestos

Ouvi o bem dizer da ilusão do alento

Onde tuas mãos bebendo do meu corpo

Sussurravam os versos insones que te fiz

Na esteira das luzes que apagaram a madrugada
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O que eu fiz das minhas dores

O que eu fiz das minhas dores?
Com as lágrimas que derramei
Reguei jardins, cultivei flores
Plantei rosas lindas, cravos singelos
Lírios branquinhos, girassóis belos
Que quando a brisa sopra
É lindo vê-los bailar
Sussurrando ao passar o vento
“Quem não amou, deve amar”
E as pétalas que vão voando
Levadas sem mais porquê
Levadas, entregues ao vento,
Naus sem rumo, barcos sem rotas
Levam consigo as saudades
Que sinto de um bem querer
São flores lindas, singelas
Que antes de ir pro jardim
Brotaram em minha alma
Floresceram só para mim
E quando chega a tardinha
Os girassóis se fechando
Eu colho das flores o sol
Sorvo da luz se apagando
A avistar a noite que vem
No perfume que se exalou
E nas manhãs de sereno
Bebo em cálice pequeno
O orvalho que se formou


 

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Coraçao do oceano

Eu quero te dar meu colo
Quando você for dormir
Te dar o sonho mais lindo
Que na noite possa existir
 
Eu quero te dar as flores
Que colhi durante o sono
Para enfeitar os teus dias
Nestas manhãs de outono
 
Eu quero te dar carinho
Beijinhos pra te acordar
Te entregar de manhã
A última luz do luar
 
Eu quero te dar meu amor
Em todas as horas do dia
Junto com meu bem querer
Inebriado em fantasia
 
Eu quero te dar as velas
Feitas de sonho e de pano
Que me trouxeram a você
Meu Coração do Oceano
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Me beija

No teu amor eu hei de mergulhar em vagas ondas onde o mar em prece se descerra
 
No cheiro bom do teu calor hei de bulir com a vida
 
Hei de cantar as cantigas que em meu corpo ainda vibram
 
Canta, amor, canta comigo o calafrio que percorre meu corpo quando o meu corpo desfalece junto ao teu
 
Canta, amor, canta comigo a cantiga da noite amena onde não sei te dizer não
 
Canta comigo a canção que este amor entoa desvairado de ilusão 
 
Entre as canções hei de beijar-te enquanto a nuvem passa e nos encobre dos olhos bisbilhoteiros do engodo
 
Amor, dá-me as tuas mãos enquanto te amo
 
Beija a minha boca enquanto meu corpo beija o teu e bebe o teu e se desfaz no teu e se recompõe nas nossas palavras de amor
 
Sente o meu sonho que nasce em ti, que vive em ti e que, por fim, há de morrer em ti
 
Minhas mãos enlaçam as tuas como se o amor pudesse fugir a qualquer momento
 
Meu abraço sente a delicadeza da tua cintura e o desenho do teu corpo quando o momento, que começa na lucidez que termina, diz que tu és minha menina
 
Amor, me beija...
 
Me beija e deixa o teu gosto em mim
 
Deixa o teu gosto morando em minhas entranhas
 
Deixa o teu gosto em mim para eu não morrer deste amor
 
Deixa o teu gosto em mim para que eu te sinta nas noites que me alucinam quando estou longe de ti
 
Me beija... amor!

Só me beija!

Me beija...

Me beija...

beija...

beija...

beija...
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Eu te desejo

Eu te desejo
Em todos os tempos do verbo
Em todas as fases da lua
Em todos os cinco sentidos
Te desejo lânguida e nua

Eu te desejo
Em todas as noites lascivas
Em todo o fogo que chama
Em todo o amor que consome
Te desejo lânguida e nua na cama

Eu te desejo
Em todo o teu corpo suado
Em toda a ânsia lanhada
Em toda a tua flor entreaberta
Te desejo na cama deitada

Eu te desejo
Em todo o tesão proibido
Em todos os teus soluços
Em todo o teu sexo molhado
Te desejo deitada de bruços

Eu te desejo
Em todas as posições
Em todas as fantasias
Em todo amor lancinante
Te desejo todos os dias

Eu te quero e te desejo
No mordiscar do teu beijo

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Sem teus olhos

Sem teus olhos,

As manhãs demoram-se para acordar

Os dias procuram teus olhos de menina

O sol não encontra motivos para brilhar

O azul que veste o céu desbota e desatina

Escondem-se, sem cores, as águas do mar

Os astros olham de cima e a luz calcina

E quando vê-se que o dia não amanhece

Que os delphiniums azuis não vão brotar

Que a vida envolta em sombras não acontece

Que as nuvens não têm por onde caminhar

E sôfregas esperam pelo destino que as esquece

Tudo fica à espera... à espera do teu olhar

Sem teus olhos só sobram noites sem luar
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