Lista de Poemas
Total de poemas: 91
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Estrangeiro
e agora
que a vida lá fora
se compõe de palavras longas e vazias
e o tempo é só mais uma estória na estória dos dias
guardo o nada que me diz respeito
estremeço com as manhãs nascendo em meu peito
penhoro o que me restou da vida
o poema fica
fica por inteiro
o poema
o papel
e esta sensação de eu ser em mim um estrangeiro
que a vida lá fora
se compõe de palavras longas e vazias
e o tempo é só mais uma estória na estória dos dias
guardo o nada que me diz respeito
estremeço com as manhãs nascendo em meu peito
penhoro o que me restou da vida
o poema fica
fica por inteiro
o poema
o papel
e esta sensação de eu ser em mim um estrangeiro
👁️ 104
Falo do tempo
falo do tempo
e do engodo do tempo
e da posse do tempo
e dos gestos do tempo
como se soubesse do momento do abandono
do minuto sedento
bebendo os dias vazios de canções
espiando as horas nas noites inúteis
devolutas
falo do tempo
como os homens falam de si
como os sussurros falam dos ventos nas madrugadas
como o cicio pensa músicas em minha boca
e a noite fala de tudo
falo do engodo do tempo
e do desespero incessante do tempo
agoniando a incontornável existência
enchendo de ânsia e mistério
os fragmentos esparsos da vida
falo da posse do tempo
e da distância esquecida nos caminhos
sinuosamente cansados
estertorantes e tristes caminhos
longos como os longos dias perfumados de solidão
e o lamento da vida passando incontida como os pensamentos
falo dos gestos do tempo
e aqui as flores nascem
a estrela cintila
a lua dança nos ventos
o amor semeia mundos
a ausência faz suspirar
o outono quer germinar
e o sentimento balança
como as ondas do mar
e do engodo do tempo
e da posse do tempo
e dos gestos do tempo
como se soubesse do momento do abandono
do minuto sedento
bebendo os dias vazios de canções
espiando as horas nas noites inúteis
devolutas
falo do tempo
como os homens falam de si
como os sussurros falam dos ventos nas madrugadas
como o cicio pensa músicas em minha boca
e a noite fala de tudo
falo do engodo do tempo
e do desespero incessante do tempo
agoniando a incontornável existência
enchendo de ânsia e mistério
os fragmentos esparsos da vida
falo da posse do tempo
e da distância esquecida nos caminhos
sinuosamente cansados
estertorantes e tristes caminhos
longos como os longos dias perfumados de solidão
e o lamento da vida passando incontida como os pensamentos
falo dos gestos do tempo
e aqui as flores nascem
a estrela cintila
a lua dança nos ventos
o amor semeia mundos
a ausência faz suspirar
o outono quer germinar
e o sentimento balança
como as ondas do mar
👁️ 117
Nascentes
vesti de ausências as noites
o avesso da lua
a lágrima derradeira
adormeci
sem nome que me acalentasse
sem palavra que me embalasse
apenas o escuro infatigável
é urgente
apenas o engano do tempo
mata-me
apenas o segredo e o silêncio dos nascentes
reverberam a ternura do orvalho nos lagos de cinzas magoadas
apenas o teu nome pergunta por mim
no meu poema
enquanto na folha de papel
misturo letras indecifráveis
garatujas doloridas
ajuntadas com as mãos trêmulas da madrugada
enquanto as velas dos barcos
dentro da névoa das manhãs
são sombras brancas
gravando de saudades o infinito
o avesso da lua
a lágrima derradeira
adormeci
sem nome que me acalentasse
sem palavra que me embalasse
apenas o escuro infatigável
é urgente
apenas o engano do tempo
mata-me
apenas o segredo e o silêncio dos nascentes
reverberam a ternura do orvalho nos lagos de cinzas magoadas
apenas o teu nome pergunta por mim
no meu poema
enquanto na folha de papel
misturo letras indecifráveis
garatujas doloridas
ajuntadas com as mãos trêmulas da madrugada
enquanto as velas dos barcos
dentro da névoa das manhãs
são sombras brancas
gravando de saudades o infinito
👁️ 149
Pássaros negros
agora que se vão
suavemente
os pássaros negros
levando na alma a essência da árvore
e a solidão de arcanos invernos
agora que os sonhos adormecidos
querem despertar
enchendo o ventre da noite de signos
sobem aos céus os perfumes
e a promessa de uma primavera
translúcida
em flores ressumando cores
com a brisa a soluçar pelos caminhos
a soluçar saudades inacessíveis
à espera de um sol
e de um poente entreaberto
vermelho e estilicidado
vertendo sobre a primavera
a ternura tranquila
e insonte de uma borboleta
ao longe sinos dobram no contorno
da noite que nos falseia a nos chamar pela alma
e retrocedendo nos mata de saudades e de ausências
entre o adormecer e os sonhos da derradeira loucura
e outras comiserações que a noite
subitamente
conta ao nos fazer chorar
a lágrima salgada dos anjos dolentes
a lágrima sagrada dos anjos silentes
terna e longa como o teu nome
e a lágrima dos rochedos quedos
e debruçados sobre o mar
de onde partem inumeráveis e exiladas velas
levando nos velames enfunados os rudimentos adocicados
de uma nova madrugada infrangível
por onde a luz se derrama
fazendo da noite a manhã macerada
onde a lua se desprende
afetuosa e branda
da essência do silencioso escuro se entreabrindo
e repousa
junto a última estrela
aninhada no céu
e imersa no momento das águas
molhando o gesto e o contorno dos portos
fazendo mover-se o raio de sol e o instante
que faz pulsar o coração embriagado do dia
acordando os barcos antes da tempestade
e os girassóis encharcados
do orvalho desatento
e dos segredos magoados pelo desleixo do vento
suavemente
os pássaros negros
levando na alma a essência da árvore
e a solidão de arcanos invernos
agora que os sonhos adormecidos
querem despertar
enchendo o ventre da noite de signos
sobem aos céus os perfumes
e a promessa de uma primavera
translúcida
em flores ressumando cores
com a brisa a soluçar pelos caminhos
a soluçar saudades inacessíveis
à espera de um sol
e de um poente entreaberto
vermelho e estilicidado
vertendo sobre a primavera
a ternura tranquila
e insonte de uma borboleta
ao longe sinos dobram no contorno
da noite que nos falseia a nos chamar pela alma
e retrocedendo nos mata de saudades e de ausências
entre o adormecer e os sonhos da derradeira loucura
e outras comiserações que a noite
subitamente
conta ao nos fazer chorar
a lágrima salgada dos anjos dolentes
a lágrima sagrada dos anjos silentes
terna e longa como o teu nome
e a lágrima dos rochedos quedos
e debruçados sobre o mar
de onde partem inumeráveis e exiladas velas
levando nos velames enfunados os rudimentos adocicados
de uma nova madrugada infrangível
por onde a luz se derrama
fazendo da noite a manhã macerada
onde a lua se desprende
afetuosa e branda
da essência do silencioso escuro se entreabrindo
e repousa
junto a última estrela
aninhada no céu
e imersa no momento das águas
molhando o gesto e o contorno dos portos
fazendo mover-se o raio de sol e o instante
que faz pulsar o coração embriagado do dia
acordando os barcos antes da tempestade
e os girassóis encharcados
do orvalho desatento
e dos segredos magoados pelo desleixo do vento
👁️ 147
Quando o amor se vai
duas ou três palavras
e tudo foi dito
dentre tantas lembranças esquecidas
na voz que fica inaudível e nua
quando o amor se vai
e o desconsolo já não é suficiente
para carregar os dias pela ausência
pela fuga pausada e lenta
ou pelo medo
do tempo que acorda como um degredo
cada dia mais cedo
cada dia mais um nada
constante como um infinito e indizível segredo
que ficou nos olhos olhando a saudade
e a distância espessa e infrangível
repleta de cantigas extenuadas
e de abraços tatuados pelo corpo
até que a noite caia junto com a estrela cadente
e a escuridão diga nostalgias
que inquietam os silêncios
intrínsecos crepúsculos dentro da gente
cingidos de inelutáveis eternamente
e tudo foi dito
dentre tantas lembranças esquecidas
na voz que fica inaudível e nua
quando o amor se vai
e o desconsolo já não é suficiente
para carregar os dias pela ausência
pela fuga pausada e lenta
ou pelo medo
do tempo que acorda como um degredo
cada dia mais cedo
cada dia mais um nada
constante como um infinito e indizível segredo
que ficou nos olhos olhando a saudade
e a distância espessa e infrangível
repleta de cantigas extenuadas
e de abraços tatuados pelo corpo
até que a noite caia junto com a estrela cadente
e a escuridão diga nostalgias
que inquietam os silêncios
intrínsecos crepúsculos dentro da gente
cingidos de inelutáveis eternamente
👁️ 132
Teus olhos dormem
teus olhos dormem
não vêem a flor que te trago
enquanto a noite passeia nos jardins
e a lua molha de prata o mistério terno e sensual
do vento passando por entre as folhas das árvores
as sombras são só silêncios
acalentando o teu sono
que, agora, é todo o meu existir
semeando a noite de memórias
que não me deixam dormir
o céu é um ramalhete de amorosas estrelas
semelhante ao teu olhar
quando do sonho em que dormes
você por fim acordar
e apenas duas estrelas
fiquem no dia a brilhar
teus olhos dormem, amada
não vêem a agonia do poeta
e o amor que o poeta
soluça
em meio ao grito e à escuridão
das noites soltas e atônitas
procurando um sentido
na areia roçando o chão
teus olhos dormem, amor
não vêem as palavras que trago
são cânticos de solidão
insolúveis
indizíveis
palavras inefavelmente cantadas em vão
palavras...
palavras não dizem nada
amor, me dá tua mão
e deixa eu sentir todos os carinhos que já foram ditos
e todos os momentos em que, sozinho, te amei
teus olhos dormem
dormem
enquanto os pássaros
saindo da noite presa à espera
trazem a aurora e o canto idílico
de uma irreversível primavera
e as rosas, surgindo em meio à neblina,
pressupõem a manhã
nascendo por entre os teus seios
por entre colina e colina
não vêem a flor que te trago
enquanto a noite passeia nos jardins
e a lua molha de prata o mistério terno e sensual
do vento passando por entre as folhas das árvores
as sombras são só silêncios
acalentando o teu sono
que, agora, é todo o meu existir
semeando a noite de memórias
que não me deixam dormir
o céu é um ramalhete de amorosas estrelas
semelhante ao teu olhar
quando do sonho em que dormes
você por fim acordar
e apenas duas estrelas
fiquem no dia a brilhar
teus olhos dormem, amada
não vêem a agonia do poeta
e o amor que o poeta
soluça
em meio ao grito e à escuridão
das noites soltas e atônitas
procurando um sentido
na areia roçando o chão
teus olhos dormem, amor
não vêem as palavras que trago
são cânticos de solidão
insolúveis
indizíveis
palavras inefavelmente cantadas em vão
palavras...
palavras não dizem nada
amor, me dá tua mão
e deixa eu sentir todos os carinhos que já foram ditos
e todos os momentos em que, sozinho, te amei
teus olhos dormem
dormem
enquanto os pássaros
saindo da noite presa à espera
trazem a aurora e o canto idílico
de uma irreversível primavera
e as rosas, surgindo em meio à neblina,
pressupõem a manhã
nascendo por entre os teus seios
por entre colina e colina
👁️ 161
Fiz os meus dias
fiz os meus dias
como quem bebe
ainda e sempre
o beijo
daqueles primeiros anos
daqueles primeiros sonhos
daquele primeiro amor
fiz os meus dias
de amores partindo
deixando o som dos passos nas calçadas
e o meu coração
em tantas vozes caladas
em tantas caladas vozes chorava
fiz os meus dias
como quem arde
imponderavelmente
nas infinitas imagens
que as memórias trazem
na forja inelutável dos dias
fiz os meus dias
o tempo passando
misterioso e mudo
enigma de tantas dores
o solene grito agudo
entre sussurros
de insondáveis amores
fiz os meus dias
o tempo passando...
passando...
passa
imerso e invisível
em sentimentos
enganos
fiz os meus dias
o tempo passando...
passa
aos poucos
ou passa em bando
passando de quando em quando
como pássaro invencível
fiz os meus dias
de um sonho que assoma
qual alvissareira fantasia
o sonho que me toma
a flor do tempo e o silêncio
farfalhando no dia a dia
sussurrando a canção
e a brisa bebe afogueada a poesia
como quem bebe
ainda e sempre
o beijo
daqueles primeiros anos
daqueles primeiros sonhos
daquele primeiro amor
fiz os meus dias
de amores partindo
deixando o som dos passos nas calçadas
e o meu coração
em tantas vozes caladas
em tantas caladas vozes chorava
fiz os meus dias
como quem arde
imponderavelmente
nas infinitas imagens
que as memórias trazem
na forja inelutável dos dias
fiz os meus dias
o tempo passando
misterioso e mudo
enigma de tantas dores
o solene grito agudo
entre sussurros
de insondáveis amores
fiz os meus dias
o tempo passando...
passando...
passa
imerso e invisível
em sentimentos
enganos
fiz os meus dias
o tempo passando...
passa
aos poucos
ou passa em bando
passando de quando em quando
como pássaro invencível
fiz os meus dias
de um sonho que assoma
qual alvissareira fantasia
o sonho que me toma
a flor do tempo e o silêncio
farfalhando no dia a dia
sussurrando a canção
e a brisa bebe afogueada a poesia
👁️ 145
Quando a palavra chegar
a janela começa ali
onde o horizonte junta-se ao mar
trazendo lágrimas salgadas
pra dentro do meu olhar
trazendo tanta promessa
e noites todas sem pressa
abrindo-se bem devagar
o sonho começa ali
onde o eterno ilumina os mundos
e o sonho tem os saberes
dos teus desejos profundos
a vida começa ali
onde o amor junta-se ao amar
e o sentimento parece
água que vai me afogar
trazendo a flor partilhada
entre o espinho e o nada
entre o escuro e o luar
a poesia começa ali
onde o tempo junta-se aos mundos
onde o eterno junta-se ao mar
onde os barcos deixam as velas
como inefáveis telas
abertas e soltas pra navegar
quando a palavra chegar
onde o horizonte junta-se ao mar
trazendo lágrimas salgadas
pra dentro do meu olhar
trazendo tanta promessa
e noites todas sem pressa
abrindo-se bem devagar
o sonho começa ali
onde o eterno ilumina os mundos
e o sonho tem os saberes
dos teus desejos profundos
a vida começa ali
onde o amor junta-se ao amar
e o sentimento parece
água que vai me afogar
trazendo a flor partilhada
entre o espinho e o nada
entre o escuro e o luar
a poesia começa ali
onde o tempo junta-se aos mundos
onde o eterno junta-se ao mar
onde os barcos deixam as velas
como inefáveis telas
abertas e soltas pra navegar
quando a palavra chegar
👁️ 150
Passado
sopram os ventos
a aurora acorda sobre as flores
[sobre as cores
a canção encontra lembranças
a alma suspira e recorda
tantos momentos da infância
todas aquelas crianças
que fui
em meio ao perfume doce de terra molhada
que sou
em meio ao inverno silencioso andando na madrugada
o amor...
quem sabe um dia
se derramará no deserto
[decerto
do meu coração
e ouvirá o silêncio
se desmanchando em perdão
e os sonhos abandonados
por tanto tempo guardados
em tantos lugares incertos
em meio à solidão
virão de lugares tão longe
e se deixarão ficar
níveas flores de algodão
a noite compassadamente fecha os olhos
[e dança
seus passos ritmados de escuro
a madrugada é a derreada lembrança
de um tempo infrangível e maduro
a aurora acorda sobre as flores
[sobre as cores
a canção encontra lembranças
a alma suspira e recorda
tantos momentos da infância
todas aquelas crianças
que fui
em meio ao perfume doce de terra molhada
que sou
em meio ao inverno silencioso andando na madrugada
o amor...
quem sabe um dia
se derramará no deserto
[decerto
do meu coração
e ouvirá o silêncio
se desmanchando em perdão
e os sonhos abandonados
por tanto tempo guardados
em tantos lugares incertos
em meio à solidão
virão de lugares tão longe
e se deixarão ficar
níveas flores de algodão
a noite compassadamente fecha os olhos
[e dança
seus passos ritmados de escuro
a madrugada é a derreada lembrança
de um tempo infrangível e maduro
👁️ 181
Teus olhos
sei que teus olhos
não me vêem
mesmo quando me olham
assim
como a noite
escutando o soluço dos trigais
e as estrelas que chegavam
para banharem os mares
ávidos do teu olhar
que não nos vê
o silêncio das lágrimas
cai sobre o momento
teus olhos desenham arabescos
contornos de nostalgia
palavras intransponíveis
sei que teus olhos
não me vêem
mesmo quando me olham
assim
com a crueldade do tempo
e da distância contida
nos fragmentos dos ventos
perpassando teus cabelos
e o perfume de flores da tua pele
teus olhos são este cântico
consecutivo e indissolúvel
de espera presa ao gesto
preso a um nome
que não é o meu
não me vêem
mesmo quando me olham
assim
como a noite
escutando o soluço dos trigais
e as estrelas que chegavam
para banharem os mares
ávidos do teu olhar
que não nos vê
o silêncio das lágrimas
cai sobre o momento
teus olhos desenham arabescos
contornos de nostalgia
palavras intransponíveis
sei que teus olhos
não me vêem
mesmo quando me olham
assim
com a crueldade do tempo
e da distância contida
nos fragmentos dos ventos
perpassando teus cabelos
e o perfume de flores da tua pele
teus olhos são este cântico
consecutivo e indissolúvel
de espera presa ao gesto
preso a um nome
que não é o meu
👁️ 140
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