Lista de Poemas
poesia
todos os dias têm poesia
uma linha que seja
quando não a vejo
fecho os olhos
para sentir o vento a dançar
há uma inquietação imprecisa na espera de ti
há uma inquietação imprecisa na espera de ti
um desassossego que me cativa e encanta
e apazigua
pelo enlaçado de bulício interior e murmúrio de mar
casa
o amor dá outra vida às palavras. a certas palavras
há palavras ou conjuntos delas que têm uma nova respiração
a nossa minha e tua
ao ponto de se tornarem referências ou códigos, colagens até
a funcionarem assim: ouço ou digo aquela conjugação que se fez senha por acaso, sem esforço, e como um passo de magia, vou até ti, apareces-me.
é o que acontece com casa
uma palavra que engordou de significado, engrandeceu
libertou-se da arquitectura do mundo para se transformar em eixo-símbolo do quente
o nosso meu e teu
tal como o sol já tinha conquistado esse poder de transmutação
em chuva-luz a descer-te pelos ombros
gosto de sentir
gosto de sentir
os fios das histórias com borboletas
que deixas preguiçar na minha nuca
brisa suave
também sentes o amor
na surpresa diária da felicidade
como um presente inesperado que brota da vida igual por fora?
também sentes
essa espécie de murmúrio bom ou brisa suave
que nasce dos pequeninos gestos
e faz-se mundo inteiro?
coisas simples
de alma cheia com os beijos que atravessam a pele
volto à caixinha dos sonhos
para guardar a mistura de cheiro a maresia com o perfume das montanhas
mais o entrelaçado da aridez das rochas com a doçura do rio
numa ligação rara
bordada a ponto cheio da delicadeza que trazes ao meu peito
nos dias que duram para além do tempo
estremecimento
o amor sabe sempre a novo barrado de familiaridade
um estremecimento
como o verão que há dentro do outono ou aquela brisa que há dentro do verão
braços de quente e luz a inundar o peito
como se fora o brotar de flores num campo seco
os lábios a chegarem-se aos teus
uma inquietação
a pele a vestir-se de água
um sorriso um grito murmúrios
em chão de silêncio
esta noite
esta noite
desenhei a beijos contornos do divino
como quem dá vida a novas ilhas
e baptiza territórios recém-conquistados
das histórias sem importância
nas histórias sem importância que nos nascem de mão dada
deitados de costas a olhar o céu
disse-te que o amor é fruto de flores que crescem para dentro
dias de sal
deposito no teu peito
a concha bonita que apanhei na ilha
- a mais-que-imperfeita, digo a sorrir de verdade infantil -
e sinto que as geografias se sobrepõem em planos intercalados
como transparências de longe e perto
dia e noite mar e corpo caminhos-pele
dos dias de sal que trazemos nos dedos
para serem casa
Comentários (1)
muito bom o seu poetar...