Lista de Poemas
altar
conto os dias para o dia
em que vais adivinhar que
os sapatos das fitas
sabem a música e sabem de dança, são sapatos carne com muitos saberes e muito sabor a sons e silêncio
o coral
é água, um rio e muitos mares
os pássaros
estão entre o antigo e o moderno, mas voo e cabelos são sempre
o livro
é do reino da luz, com películas a preto e branco, o monocromático que é vida, com corações irrequietos a fazer histórias
quase sem palavras do mundo
que a esperança num novo alfabeto persiste
ou pelo menos nas conjugações com mais tempos
mais que perfeitos
a perpassarem retalhos de veneração dispostos em mesa de luz
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confirmação
sempre me parecera
que o amor tem movimento de mar
a certeza veio
com os teus olhos limpos
a provocarem marés
👁️ 155
Patente
Inventei um truque para
tirar a tristeza à saudade e transformar a saudade numa certa alegria.
Inventei um truque para
fazer sorrisos nos lábios da saudade.
Soprei o pó da caixinha dos sonhos
levantei a tampa com cuidado
desenrolei as ondas dos olhos
grandes
peguei nas estrelas das meninas
e vesti-as do bem
que está acima do amor
e no amor.
Quando os olhos
pequenos, estes,
querem deitar-se no chão
as meninas vestidas do bem
amparam-nos nas conchinas das mãos
até ganharem força
para esculpir as histórias de (a)braços de mar.
👁️ 147
Receita para o regresso
para voltar a escrever o amor
é preciso cozinhar as letras em banho-maria,
pegar com cuidado
na infância das vogais em busca das consoantes,
misturar bem
até fazer palavras
que se estendem em cama de seda negra polvilhada a estrelas,
a preencher o vazio de perigo de um grito lindo
que sova a insatisfação dos braços até serem asas
em coordenados de coreografias
a tatuar telas
assinadas com beijos.
👁️ 152
da criação
invento manhãs de lugares macios
bordados a luz, águas mansas e fios de olhares
como se fossem
flores a beijar a pele
aves famintas a anunciar navios em
misturas de azul e cinza roubado ao negro
que brincam ao arco e lavam as pedras.
desdobram-se sedas
que aconchegam sons
para vestir as manhãs dos sonhos
enquanto o trinado dos pássaros semeia grinaldas de luz.
bordados a luz, águas mansas e fios de olhares
como se fossem
flores a beijar a pele
aves famintas a anunciar navios em
misturas de azul e cinza roubado ao negro
que brincam ao arco e lavam as pedras.
desdobram-se sedas
que aconchegam sons
para vestir as manhãs dos sonhos
enquanto o trinado dos pássaros semeia grinaldas de luz.
👁️ 195
Cacau
A linha de olhar fechado
como um código ou sinal ou sol e lua
para fazer das palavras rabugentas e tristes
braços para brincadeiras boas,
as que têm luz e caminho,
caem em cama macia
e riem no rebordo espelhado
das quadrículas doces
- em claro-escuro
o branco e o negro -
alinhadas com cadências de marés.

Simply complex | Peter Gwisa
como um código ou sinal ou sol e lua
para fazer das palavras rabugentas e tristes
braços para brincadeiras boas,
as que têm luz e caminho,
caem em cama macia
e riem no rebordo espelhado
das quadrículas doces
- em claro-escuro
o branco e o negro -
alinhadas com cadências de marés.

Simply complex | Peter Gwisa
👁️ 211
Transfiguração
Recolhi as figuras deformadas
tristeza branda mordida a luz
camadas de solidão ordenadas por critérios
do silêncio que sobeja.
Bojudos ou esticados em filamentos
reflectidos em magia de espelhos
são os meus figurativos da ausência
cinzelados a vocábulos de maresia.
tristeza branda mordida a luz
camadas de solidão ordenadas por critérios
do silêncio que sobeja.
Bojudos ou esticados em filamentos
reflectidos em magia de espelhos
são os meus figurativos da ausência
cinzelados a vocábulos de maresia.

👁️ 158
Epigrama
Entre véus de nuvens a passar em rajada
catorze
uma brevidade de alinhamentos e um sorriso
é a medida da salvação
a diferença entre a derrota e o voo.

Sirsendu Gayen
catorze
uma brevidade de alinhamentos e um sorriso
é a medida da salvação
a diferença entre a derrota e o voo.

Sirsendu Gayen
👁️ 216
Decoração de interiores
Um ontem igual a muitos
não fora aparecer-me a caixinha dos sonhos
entre o asfalto e os fios alaranjados
que se desprendiam das nuvens do fim da tarde.
A caixinha desceu tão de repente
que até arrancou flocos de algodão entremeados de céu
que a chuva zangada tingira de azul.
Abri a caixinha
juntei mais um sonho ao compartimento dos dias
que se fazem do esperar por ti
acertei o relógio das horas surdas de mundo
e mudei a água à jarra das flores.
Nos corações não foi preciso mexer
que o mar faz-lhes sempre bem
até quando galga as janelas de ver
nos dias que terminam e olho para trás.

Foto: Vadim Stein
não fora aparecer-me a caixinha dos sonhos
entre o asfalto e os fios alaranjados
que se desprendiam das nuvens do fim da tarde.
A caixinha desceu tão de repente
que até arrancou flocos de algodão entremeados de céu
que a chuva zangada tingira de azul.
Abri a caixinha
juntei mais um sonho ao compartimento dos dias
que se fazem do esperar por ti
acertei o relógio das horas surdas de mundo
e mudei a água à jarra das flores.
Nos corações não foi preciso mexer
que o mar faz-lhes sempre bem
até quando galga as janelas de ver
nos dias que terminam e olho para trás.
Foto: Vadim Stein
👁️ 238
Miose
Avisto a extensão de negro em que depositas o teu coração em forma de palavras
e perco as minhas pupilas para o mar:
troco as barcas por barcos
visto os pássaros de asas gigantes
agito as águas
empresto sopros ao vento...
às vezes o ondeado das dobras da seda,
negro em filamentos entremeados de luz,
não deixa ver a inclinação do eixo que diz das tuas estrelas.

Foto: Nick Brandt
e perco as minhas pupilas para o mar:
troco as barcas por barcos
visto os pássaros de asas gigantes
agito as águas
empresto sopros ao vento...
às vezes o ondeado das dobras da seda,
negro em filamentos entremeados de luz,
não deixa ver a inclinação do eixo que diz das tuas estrelas.

Foto: Nick Brandt
👁️ 359
Comentários (1)
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davinci
2021-01-30
muito bom o seu poetar...
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