Escritas

Eu resto

Guilherme Coutinho
Neste envelope sem selo

Contendo um apelo

Anexo ao pedido

Meus restos, sobras e raspas



Uns versos não meus

Conservo entre aspas

Dos meus cacos afiados

No esmeril chamado vida

Que arde e queima a ferida



Entrego meus restos de versos

Sentimentos reversos de apreço

Sem preço te vendo

Sem posse te dou-me



Me junta

Reconstrói

Cata-me, eu que sou resto

De tudo que sobrou

E que presto

Presto, veloz me faço teu

Querendo ser eu resto todo inteiro

Do que sou te me dou

Resto que sou
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Comentários (1)

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Sebastião Aimone Braga
Sebastião Aimone Braga
2022-09-12

Lindo, sonoro e plástico o haicai. A economia das sílabas métricas reforça a aridez da paisagem.