Lista de Poemas

Ciclos de solidão



Ciclos de solidão amontoam-se entre
As frinchas do tempo mais calculista
Cercam cada hora que fenece efusiva
Paz à sua alma que jaz ali tão passiva

Ciclos de solidão amamentam palavras
Escritas com memórias sempre obsessivas
Achincalham todos os silêncios mais excessivos
Onde simétricos afagos calcetam amores impulsivos

Ciclos de solidão embaralham-se num lamento
Sempre conclusivo, absolutamente decisivo
Alimentam os dígitos do tempo vadiando difusivo
Preenchem a alegoria da vida num gesto sempre dissuasivo

Frederico de Castro
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Pintar o Tejo



Lá vai um barquinho sulcando o Tejo
Suas margens pintalga de laranja flamejante
Corre de aldeia em aldeia até que exuberante
Desagua nas margens de Lisboa arfando tão pujante

Se eu pintasse o Tejo era com cores rumorejantes
Além onde as águas sussurram sempre inconstantes
Polvilhava o céu de gaivotas esvoaçando à beira
Da maresia vestida de fado e guitarradas cativantes

Frederico de Castro
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Que mania



Que mania esta, da manhã se estender
Na espreguiçadeira do tempo e de lá sair
Só depois de duas lágrimas deixar a carpir

Que mania esta, do silêncio repercutir cada
Eco engalfinhado numa emoção derradeira
Perdurando em cada lágrima…sem dar bandeira

Que mania esta, de tantos lamentos se refugiarem
E vasculharem a intranquilidade de cada eco obsoleto
Onde só eu sei moram muitas noites de solidão e desafecto

Frederico de Castro
👁️ 200

Silêncios colossais



O silêncio é colossal e só de pensar até dói
A solidão é magistral e de lamentos se reconstrói
Toda ela é voraz e felina minuciosamente tudo destrói

A noite gaseificada de ilusões borbulhantes
Desfragmenta-se em gotas de seiva estonteantes
Alimentando a raiz de tantos afagos contagiantes

Lágrimas chorosas fecundam a osmose dos
Silêncios abstractos e quase caóticos, deixando
Endoidecer todos os ecos escorregadiços e narcóticos

Frederico de Castro
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Sol poente



Sem rumo e perdido no tempo
O poente soberano, estendem-se
Ao longo da escuridão ali tão latente

Ode imortal a cada luminescência
Que se desvela no leito da noite desabando
Agora mais abençoada, arfando tão apaixonada

Frederico de Castro
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Dentro das minhas lágrimas



Dentro das minhas lágrimas existe uma
Amargura obsessiva, excessivamente constante
Salgam os cílios dos meus olhos que lacrimejam
Emaranhados numa solidão devoradora e palpitante

Dentro de cada lágrima navegam emoções
Indefesas, acabrunhadas e sempre tão coesas
Irrigam as pálpebras do tempo qual alimento onde
Desaguam tantas ilusões abarrotadas de incertezas

Dentro das minhas lágrimas a noite indefesa sucumbe
À beira de uma escuridão periclitante, mas tão exultante
Acanhadamente apascentará o silêncio peregrino e ardiloso
Alegrará com cânticos o tempo miraculosamente mais generoso

Frederico de Castro
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Afagando um gomo de luar



Afaguei um gomo de luar escondido entre
As luminescências da noite extrovertida
Pernoitei nos seus aposentos enquanto uma
Palavra sonâmbula vivificava uma hora aturdida

A esperança desentorpecida amanhece e além
Desagua no leito de uma maresia intrometida
O silêncio reluzente e apaziguado fecunda cada
Gotícula de fé ainda mais cobiçada e comprometida

Empoleirada na noite elegante, chega uma brisa 
Estupefacta , incrédula…quase, quase abstracta e na
Sua trajectória imarcescível serena o universo com caricias 
Intactas resvalando ao sabor da maré quase acrobata

Frederico de Castro
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Palco da solidão



No palco das emoções ardentes e deslumbradas
Caminham sob o estrado da solidão tantas palavras
Marulhando vividas, bem-aventuradas…tão apaixonadas

Neste formoso crepúsculo que além se fecunda o mar
Adormece e ternamente afaga todas as andarilhas maresias
Coloridas de ilusão onde meu coração depois feliz descarrila

Frederico de Castro
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A retórica do silêncio



Busquei no tempo infinito uma hora
Matematicamente certa e substantivamente
Dogmática, para que eu, sem pejos, desbrave
A solidão amordaçada num hiato silêncio dramático

Avolumam-se nas palavras verbos corteses
Versos e perífrases mais virtuosas que suturam
Rimas deambulando em estrofes tão sumptuosas
É um ciclone de sílabas apaixonadas e impetuosas

O poente deliciosamente casto e transparente
Flutua gravitando pela maresia tépida e tão sinuosa
Delimita as margens do tempo que em surdina
Cantarola e repesca uma caricia voraz e acintosa

Frederico de Castro
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Pequeno Jardim



Dentro do cesto germinam emoções platónicas
Bebericam-se ilusões quase impertinentes
Com o diâmetro de tantos ecos tão irreverentes

À janela as solidões calcetam coloridas sensações
Que retêm no tempo e no espaço geométricas
Caricias deambulando além tão simétricas

No meu pequeno jardim a poesia coloriu-se
De tanta esperança e até decantou uma lágrima
Esquecida na retina dos tempos imutáveis e benevolentes

Frederico de Castro
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Comentários (3)

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asdfgh
2018-05-07

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

asdfgh
2018-05-07

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

ania_lepp
2017-11-04

Poeta...li e reli vários de teus poemas e só tenho que te agradecer por compartilhar teu talento...muito obrigada!