Lista de Poemas
Tempo de afectos

Vou deixar por instantes
que adormeças todos
os meus céus
algemando a luz como troféu
Pousar em todas as minhas luas
amadurecer todas as minhas ternuras
como a fé que se propaga marginal
entre a baínha de tempo
e as paisagens que afloram os
rituais de alucinante formosura
convergindo nos ventos
em infinita clausura
Frederico de Castro
내안의 작은 숲 - Um bosque dentro de mim

- Deixo que os aromas
primaveris sepultem toda
a nascente onde jorra a luz
costurada em naperons de palavras
póstumas e refinadas de tempo
ainda imaturo
onde me embrenho em tuas
loucas e indecifráveis
aventuras
de um dia que agora
fenece...espantado... prematuro
Frederico de Castro
Outono do nosso amor

Voltarei a ver
as cores deste Outono
desenhando a beleza
que se despe perscrutando
em uníssono
nossas lágrimas
perfumando as sombras
empoleiradas
em simultâneas gargalhadas
de agitação
calafetando os sonhos
coabitando em cada cronologia
do tempo em exaltação
Frederico de Castro
Sem reticências...
De admiração
Em afeição
Com sorrisos celestiais
De contemplação
Sem raiva ou medo
De orações e arrependimentos
Com cânticos imemoriais
Com todos os temperos e sabores
De total comprometimento
Sem reticências do saber
Nas palavras e versos
De coragem e entusiasmo
Nas memórias e saudades
De fé e da razão
Celebrando existências
De paz vivida em deflagração
Sem reticências no
momento
De todas as certezas
Sem mais parênteses
nas veias jorrando em
perfusão e analgesia
toda ela em subtileza
Sem reticências na vida
toda ela
se esvaíndo fantástica
em tua imensurável cortesia
à mercê do dia que
a mim se acorrenta em
transfusões de tanto amor e poesia
Frederico de Castro
Revelações

De toda a esperança
No carácter
No humanismo
Nas promessas
Magnificando os desígnios
sem escusas imersas
no tempo que se apressa
Revelações...
Em cada onda que corre
assim apressada
nutrindo o mar suado
ardente apaixonado
Revelações...
Com gosto de verdade
Em conivências algemadas
de autenticidade
Nos pactos e juras
de fidelidade
Na claridade de um poema
conciso
Nunca rude
Que se despe para ti
sempre verídico
Revelações...
De contentamento e
virtuosidade
Possibilitando os impossíveis
De existências brindando
de emoções coloridas
convertendo a noite
em dias pontuais
lânguidos
soletrando magia em
sonhos quânticos,tão factuais
Revelações...
Poderosas
Tão passionais
Atadas ao teu cais
partindo corações
deixando tudo em cacos
sem reivindicações
Ao acordar dos sentidos
e por um triz
quase perdendo o fôlego
nas tuas abstracções
Revelações...
Desesperadas
Fotogénicas
Em murmúrios gargalhando
na longa viagem
sem começo nem fim
Desapontadas
Impregnadas de cogitações
Erguidas, confidentes
embebedadas de beijos e
insinuações
Revelações...
Esquadrinhadas até
à calmaria de uma brisa farta
costurada entre os céus incendiando
o alvorecer e a noite
exacerbada
sem mais inquietações
no centro do Universo e de
todas as reconciliações
Frederico de Castro
Goteiras de alegria

Em gargalhadas soltas
compartilha a chuva
O perfume do dia
Despe-se esguia
em goteiras
de alegria
por tantos sorrisos
desaguando em
vendavais de euforia
Frederico de Castro
Sem adiamento...
De tanto adiar
cada letra refugiada
em mim
despoletei uma repentina
onda de versos faustos
tragando toda a faminta
noite que se esgueira
extinta
a cada resposta adiada
no tempo que nos algema
tanto tempo
liberta e cada eco requinta
De tanto adiar
as tuas estações frutíferas
colhi nesta sementeira propícia
todas aquelas canções
trovando a doçura de uma salmo
às tuas sombras inebriadas
onde
me embebedo em castas
vindimadas com cachos de loucura
apiritivados no tempo
que hoje cessa na moldura da vida
De tanto adiar
o dia, até perdi teu
entardecer
deixei o sol morrer
ali pertinho
do poente onde nossos
beijos
tardando também morriam
como a luz que se esvai no
silêncio brisado
das palavras de amor
que pra nós sedentas
em maresias confidentes corriam
Não sei se tenho
mais que adiar o amor
soprando-o no teu ser
apetecer-lhe todo tua
integridade delicada
redundar
versando cada desejo
na eternidade do tempo
que faminto alegrias por ti
invento e cortejo
Frederico de Castro
Subtil elegância

Atrevida
Espreguiça-te
Enfeita-te com vestes
Colhidas de gentileza
Celebra-te com arte
e Delicadeza
Escancara-te vestindo
Com delírios teu voar
silenciando a noite
triunfante derradeira
Frederico de Castro
Lençóis de Luar

Entre lençóis do luar
galopo iluminando
todas as pegadas deste verso
emergindo na grafia eloquente
onde de enxurrada derramas
teus prantos
fertilizando a terra na foz
de todos os nossos encantos...
Frederico de Castro
Púlpito da eternidade

Aguarela celeste
te contemplo colorindo
este jardim
plantado nos lírios dos
teus olhos
Os campos trigados repousam
na planície dos meus silêncios
enquanto colhes as espigas
de esperança cevando na efeméride
de tempo com arte e meiguice
onde teu colorido ser
em vigilia todo o amor bendiga
Deixo a soleira onde perpetuo
minhas solidões
camuflando-me na noite
onde digito palavras saturadas
de tristeza
Imagino cada quadrado
desta hipotenusa rigorosa
entreaberta na álgebra
concisa dos nossos matemáticos
cenários
absolutamente profiláticos
Faço-te maremoto num
pleno êxtase
afogando todas as
ausências desaguando
no púlpito da eternidade
rendida ao poisar súbtil
do teu ser esvoaçando
nos ventos da alvorada
onde me alojo em cada alameda
do tempo espreguiçando-se
em cascatas de criatividade
Frederico de Castro