Lista de Poemas
Púlpito da eternidade

Aguarela celeste
te contemplo colorindo
este jardim
plantado nos lírios dos
teus olhos
Os campos trigados repousam
na planície dos meus silêncios
enquanto colhes as espigas
de esperança cevando na efeméride
de tempo com arte e meiguice
onde teu colorido ser
em vigilia todo o amor bendiga
Deixo a soleira onde perpetuo
minhas solidões
camuflando-me na noite
onde digito palavras saturadas
de tristeza
Imagino cada quadrado
desta hipotenusa rigorosa
entreaberta na álgebra
concisa dos nossos matemáticos
cenários
absolutamente profiláticos
Faço-te maremoto num
pleno êxtase
afogando todas as
ausências desaguando
no púlpito da eternidade
rendida ao poisar súbtil
do teu ser esvoaçando
nos ventos da alvorada
onde me alojo em cada alameda
do tempo espreguiçando-se
em cascatas de criatividade
Frederico de Castro
Em tons de azul

Entre espantados céus azuis
caminha toda essência límpida
do tempo frágil
onde se entreabem
gotas de luar
adocicando as paisagens
onde apascento o infinito
ser dançando em tons de vida
amanhecendo
rigorosos,virtuais...
Frederico de Castro (para o André Mingas...sempre)
Infinito tudo

Quando foi que trocámos
nossas confidencias
mastigando doces palavras
salteadas em gomos de poesia
sem mais rompermos o amor
com outras divergências
Quando foi que depositámos
neste infinito tudo
as sombras carentes
permanecendo só em nossos
entes irreverentes uma pluma
de poesia silenciando a soleira
de nossas almas dirimindo toda
a sentença de vida que jaz dispersa
entre todos os Universos que se apressam
em fugas por mim explodindo
perante o olhar de toda a eternidade
que todas as fés do mundo professam
Quando foi que nos deixámos
abraçar naquela noite
onde convergiam unânimes
todos os ensinamentos embalados
numa oração perfumada
por mil felizes e alucinantes existências
Quando foi que o mundo cegou
o tempo parou
o rumo mudou
a liberdade sobreviveu
neste pensamento veloz
que sôfrego invento
Quando foi...nosso infinito tudo
deixado neste momento de tempo
imortalizado em cada milímetro de esperança
colorindo cada hora deste imenso
sedento e feliz comprometimento
Quando foi...?
Frederico de Castro
É Luanda

Róseo o dia
desperta depois
meu poente
enquanto tu
apaixonada
desaguas em Luanda
toda minha saudade
meditando excitada
da minha varanda
num amor que sei
não mais abranda
Frederico de Castro - pra Luanda com amor
Lençóis de Luar

Entre lençóis do luar
galopo iluminando
todas as pegadas deste verso
emergindo na grafia eloquente
onde de enxurrada derramas
teus prantos
fertilizando a terra na foz
de todos os nossos encantos...
Frederico de Castro
Guardador de rebanhos

Os pensamentos abrigam
o encurralado rebanho dos
meus pensamentos
apascentando o tempo onde
desgarrado pernoito entre
os lençóis perfumados da terra
saciando os vícios cerzidos
na gentileza pastoril
que teu ser sossegadamente encerra
no aprisco de um olhar tão seduzido
Frederico de Castro
Presídio de mim

Recordo tudo com a memória
vinculada em mim
Engaveto saudades em prateleiras
disponíveis no passar dos tempos
Faculto à liberdade todas as
algemas onde imponho
cada presídio cativo dentro de mim
Deixo pra outros uma
parcela de futuro
onde não cabe mais
a centelha de tempo passado
enterrado...prematuro
Deixo-me saborear em cada maré
sorvendo a maresia
renascida no invólucro do tempo
apressadamente renovado
desbravando cada madrugada
ao teu jeito... nesse vai e vem
cavalgando nos acordes do destino
que tão aconchegado a mim
acalenta e anestesia
Escuto nos ventos
outras badaladas em
cada hora onde vago
esmaeço felizes e irrequietas
memórias
deixadas na colecção dos
murmúrios virtualmente
escritos em cada inescrutável
momento da história
Fugi pra sempre
e nem endereço te deixo
sei somente onde plantar
cada detalhe inesperadamente
tatuado na doçura de um sorrido
tão crucial...tão tacitamente
Perpetuamos instantes
deixando nossas indumentárias
vaporizar-se furtivas
rasgando a noite
com céus adornados de desejos
simétricos, intuitivos
conspirando por entre sombras
desta vida se escapulindo
em versos renovados na amalgama
de tantos abraços que deixei
expontâneamente quase,
quase de improviso
Frederico de Castro
Escapulindo - ao meu irmão Ricardo

Perpetuamos instantes
deixando nossas indumentárias
vaporizar-se furtivas
rasgando a noite
com céus adornados de desejos
simétricos, intuitivos
conspirando por entre sombras
desta vida se escapulindo
em versos renovados na amalgama
de tantos abraços que te deixei
expontâneamente quase,
quase de improviso
Frederico de Castro
Mirada

Emolduram-se estrelas
Pela mirada do tempo
Onde escrutino o puro
Sorriso que trazes rasgando
Os olhos da vida
Sorrateiramente me devorando
Frederico de Castro
De corpo e alma

Nem procuro mais
o que não existe
É tempo de dar sossego
aos meus cansaços
É tempo de adiar todas
as depressões
recorrer e devorar
todos os maus pressentimentos
algemados em famintos corações
É hora de aceder aos ponteiros
da vida e rever no tempo
todas as intocáveis saudades
Renascer em cada
momento perdido
na esteira dos nossos
lamentos
Iluminar nossas existências
com gargalhadas e saudações
arrancadas às memórias do poeta
alinhando-se vertiginosamente
em inusitadas e breves palavras
que teus lábios sossegadamente
um beijo por fim desperta
Como tudo é inverossímel
faz-se do silêncio um festim
de paixões impossíveis
Acorrenta-se a luz do dia
e oferta-se às noites nossos
sonhos
o corpo e a alma
a espera do nada
quando os instintos exultam
fulgurantes
e os afectos ainda ígneos
em delírios nos incendeiam flamejantes
Hoje nossas monotonias
soltaram-se na arte e no rigor de todas
as apetecíveis ousadias
consumindo-se em encantos esculpidos
num punhado de versos alastrando
até ao morrer de cada hora tardia
Frederico de Castro
Comentários (3)
BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.
BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.
Poeta...li e reli vários de teus poemas e só tenho que te agradecer por compartilhar teu talento...muito obrigada!
Português
English
Español