Lista de Poemas
Escapulindo - ao meu irmão Ricardo

Perpetuamos instantes
deixando nossas indumentárias
vaporizar-se furtivas
rasgando a noite
com céus adornados de desejos
simétricos, intuitivos
conspirando por entre sombras
desta vida se escapulindo
em versos renovados na amalgama
de tantos abraços que te deixei
expontâneamente quase,
quase de improviso
Frederico de Castro
👁️ 508
De corpo e alma

Nem procuro mais
o que não existe
É tempo de dar sossego
aos meus cansaços
É tempo de adiar todas
as depressões
recorrer e devorar
todos os maus pressentimentos
algemados em famintos corações
É hora de aceder aos ponteiros
da vida e rever no tempo
todas as intocáveis saudades
Renascer em cada
momento perdido
na esteira dos nossos
lamentos
Iluminar nossas existências
com gargalhadas e saudações
arrancadas às memórias do poeta
alinhando-se vertiginosamente
em inusitadas e breves palavras
que teus lábios sossegadamente
um beijo por fim desperta
Como tudo é inverossímel
faz-se do silêncio um festim
de paixões impossíveis
Acorrenta-se a luz do dia
e oferta-se às noites nossos
sonhos
o corpo e a alma
a espera do nada
quando os instintos exultam
fulgurantes
e os afectos ainda ígneos
em delírios nos incendeiam flamejantes
Hoje nossas monotonias
soltaram-se na arte e no rigor de todas
as apetecíveis ousadias
consumindo-se em encantos esculpidos
num punhado de versos alastrando
até ao morrer de cada hora tardia
Frederico de Castro
👁️ 606
É Luanda

Róseo o dia
desperta depois
meu poente
enquanto tu
apaixonada
desaguas em Luanda
toda minha saudade
meditando excitada
da minha varanda
num amor que sei
não mais abranda
Frederico de Castro - pra Luanda com amor
👁️ 536
Guardador de rebanhos

Os pensamentos abrigam
o encurralado rebanho dos
meus pensamentos
apascentando o tempo onde
desgarrado pernoito entre
os lençóis perfumados da terra
saciando os vícios cerzidos
na gentileza pastoril
que teu ser sossegadamente encerra
no aprisco de um olhar tão seduzido
Frederico de Castro
👁️ 499
Mirada
No brilho da noite

Emolduram-se estrelas
Pela mirada do tempo
Onde escrutino o puro
Sorriso que trazes rasgando
Os olhos da vida
Sorrateiramente me devorando
Frederico de Castro

Emolduram-se estrelas
Pela mirada do tempo
Onde escrutino o puro
Sorriso que trazes rasgando
Os olhos da vida
Sorrateiramente me devorando
Frederico de Castro
👁️ 491
Presídio de mim

Recordo tudo com a memória
vinculada em mim
Engaveto saudades em prateleiras
disponíveis no passar dos tempos
Faculto à liberdade todas as
algemas onde imponho
cada presídio cativo dentro de mim
Deixo pra outros uma
parcela de futuro
onde não cabe mais
a centelha de tempo passado
enterrado...prematuro
Deixo-me saborear em cada maré
sorvendo a maresia
renascida no invólucro do tempo
apressadamente renovado
desbravando cada madrugada
ao teu jeito... nesse vai e vem
cavalgando nos acordes do destino
que tão aconchegado a mim
acalenta e anestesia
Escuto nos ventos
outras badaladas em
cada hora onde vago
esmaeço felizes e irrequietas
memórias
deixadas na colecção dos
murmúrios virtualmente
escritos em cada inescrutável
momento da história
Fugi pra sempre
e nem endereço te deixo
sei somente onde plantar
cada detalhe inesperadamente
tatuado na doçura de um sorrido
tão crucial...tão tacitamente
Perpetuamos instantes
deixando nossas indumentárias
vaporizar-se furtivas
rasgando a noite
com céus adornados de desejos
simétricos, intuitivos
conspirando por entre sombras
desta vida se escapulindo
em versos renovados na amalgama
de tantos abraços que deixei
expontâneamente quase,
quase de improviso
Frederico de Castro
👁️ 605
Musicanto

Na pura plumagem do dia
aguardam pelo voo imóvel
dos silêncios
o canto das aves
sossegando o rumor
dos timbres silvestres
poisando na calmaria
do tempo que paira
acariciando a luz
despertando em romaria
Frederico de Castro
👁️ 562
Longe da vista...

Somente existe um vazio
quando deixamos de preencher
todo breve instante
que espreita
à coca dos nossos seres
apressando-se iminentes
rumo a cada enamorado
tempo atrevido
onde nos vinculamos vagabundeando
à mercê da vida tão apetecida
e reconfortante
Somente existe um poema
quando remexo todo meu
léxico expectante por
novas palavras exultantes
encorajando nossas melancolias
quase inquietantes
rimando em ardentes versos corteses
exuberantes
Longe da vista
somente aplaco todas as iras
do mundo
quando compreendo por fim
como explanar em oração
toda a fé que aperto de esperança
em minhas mãos
Longe da vista
revelo no tempo poético
toda a sentença de vida
que jaz em subtis
gomos de sedutora atracção
Longe da vista
nos mesmos rumores e provérbios
que sustentam o naipe de horas
adormecidas em mim
te deixo só o conforto
em cada minuto de paz
onde mergulhamos
pra sempre todas as conflagrações
deixadas no fóssil dos tempos
Longe da vista
concluo um pacto com minha poesia
bebendo em cada breve silêncio
as cogitações do tempo
contemplando com afabilidade
nossas felizes
e fulgurantes comemorações
sossegando na súbita hora
o amor rugindo em alucinações
Frederico de Castro
👁️ 537
Às Vezes, alguém...

Às vezes... alguém
insurge-se entre nós
e a ténue nesga de tempo
feito cântico de alvorada
se reerguendo de enxurrada
Desperta vivificando
todos os sorrisos, curaticos
fluindo em cada migalha
eufórica de vida espairecendo
em nós, feliz....dissimulada
Às vezes...alguém
madruga connosco
ficando à mercê dos véus
da luz casta
passarinhando a vasta
faúlha do tempo onde
nos embrenhamos cuidadosamente
Às vezes...alguém
desabrocha em nós impetuosamente
mesclando todas as emoções
que sustentam o marulhar da vida
renascida milagrosamente
Às vezes...alguém
ascende à essência que
se dilui em nós
perfumando toda a identidade
onde tatuamos
alucinados cânticos de amor
trajados de cordialidade
Às vezes...alguém
atravessa nosso caminho
perscruta cada revelador
véu da noite
Deixando cavalgar
sem mais rédeas a pluma
do tempo onde selamos
com afagos
o silêncio rigoroso das manhãs
penetrando em cada eco
malandro
insólito
onde satisfeito me embriago
Às vezes...alguém
fecha as pálpebras à luz
inebriante, trancada
em nossas entranhas
Passeia todo o ser mártir
dopando até os dias
mais nostálgicos
onde espelhamos quase
em uníssono toda a flébil
palavra orbitando o olímpo
dos desejos insaciavelmente fantásticos
Frederico de Castro
👁️ 610
Dançando à chuva

Chove a noite
Em pingos de solidão
Soltam-se ventanias
Em nuvens repentinas
Trajadas de preces
Perfumadas de gratidão
Dançam os ventos
Pálidos minuciosos
Serpenteando o pacificado
Balé onde te contemplo
Em cada salpico deste
Aguaceiro tão delicado
Frederico de Castro
👁️ 631
Comentários (3)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.