Escritas

Como uma onda...

Frederico de Castro



Renova o dia sua face desmascarando
O rochedo estampado no ancapelado mar
Embalando com elegância o vento repleto
de uma beleza encurralada na madrugada
que desponta com tamanha exuberância

Como uma onda na manhã reverbera o dia
Sustentando a luz claudicando na sombra
Passageira esquadrinhando o tempo atento
À insónia que ciranda nesta solidão derradeira

Acerto os ponteiros ao tempo e deixo cada
Hora seguinte imergir na enchente dos meus
Sonhos litigantes e cheios de requintes
Estreitando um abraço reincidente e ofegante

As lembranças de ontem sei-as de antemão
Desordenadas ficaram todas em contramão
Que desilusão esta a minha colhendo cada
Lamento orquestrado com timbres de uma canção
Selecta extravagante ...em prostração

Deixo a alma deslizar neste rodopio quase
Vertiginoso da vida
Calço o caminho penitente afecto a esta
Existência embriagante, renitente manuseada
Com exagero ansiando-a até com tamanho esmero

Esguios chegam nossos sonhos rugindo aos pés
Da manhã
Virão quase desmoronando, unindo as asas a cada
Silêncio esvoaçante surpreendendo o lúdico olhar
Onde planto o miosótis dos amores pujantes
Respirando o subtil perfume que sangra
Nesse jardim onde te revelas deslumbrante

Frederico de Castro

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