Lista de Poemas
Ontem, uma vez mais...

Ontem...uma vez mais
A penitência astuta que se ajusta
Ao temporizar do tempo fugidio cronológico
A despedida dolorosa e pungente catalisando
Cada instante estapafúrdico onde marulha meu
Silêncio, dançarino, indulgente, quase litúrgico
Ontem...uma vez mais
O cronometrar da vida escapulindo tenra e vaidosa
Corroendo lenta e escorreita o tímido memorizar
De um adeus arrebatado...fruto da solidão
Plangente que em sonhos quero vasculhar
Ontem...uma vez mais
O apiedado sorrido se despindo da face
Alimentando as ilhargas do tempo que
Desagua entre a luz etérea e o rumor
Dos murmúrios remasterizando cada eco
Formoso, veemente monitorado com primor
Ontem...uma vez mais
O estucar dos teus desejos pincelando
O rodapé dos gracejos onde ato cada
Paixão perpetuada num assomo de beijos
Revitalizados na plataforma do amor apelando
Ontem...uma vez mais
O ígneo e flambante sonho servido
Na noite vadiando entre a luz marginal
Hoje o desabitado luto onde
Enterro toda a solidão factual
Amanhã o perfeito fulgor dos silêncios
Diminuto prazer instilado num beijo consensual
Frederico de Castro
Tanto céu...

O fulgor da vida acostou-se a este desejo cismado
Alimentando o tirânico sonho acampado ao redor da
Extrovertida manhã bradando espalhafatosa limpando
As remelas de uma noite áspera acordando a reveladora
E nómada palavra degustada sem cláusulas e tão singela
Tanto céu e nós aqui
A pernoitar entre os lençóis sôfregos e as elegias dos nossos
Desejos loucos enquanto a esfomeada carícia se alimenta na
Perpetuidade das primícias de um sonho pleno cobrindo o uterino
Vasculhar dos silêncios onde insemino o óvulo grávido do amor
Que quero fecundar
Tanto céu...e o céu já ali
Esbracejando num prelúdio breve
Ao enfeitar as nuvens possuídas de desejos
Estratificando os cirros do tempo e no seu regaço
Eu me abraço em convecções convergentes
Rasgando o trilho dos prazeres etéreos
Frondosa e majestosa hora onde feliz me refaço
Tanto céu...e na terra paz aos
Homens de boa vontade
Hora de vivificar o humos das alegrias regressando
Depois de tantas e tantas quilometragens
Deixar alucinados os tons e os odores das nossas
Peripécias embriagantes e selvagens
...Tanto céu para viver aqui na terra
Ansiando a sobredosagem dos teus abraços
Massajando as plumas do tempo flamejando
Frederico de Castro
Romaria dos silêncios

Inunda-se o dia com suas coloridas calmarias
Numa romaria de silêncios e cores frenéticas
Até a alma se inocular tranquilamente
Deste tempo sussurrando sorrateiramente
Suga toda a ilusão que anda por aqui
Num felino cortejo desabotoando a noite
Num pacto de beleza que peleja sumptuosa
Espelhando todo amor que ali viceja
Incubo cada lamento gesticulando nos sonhos
Mais secretos dormitando nos aposentos da
Noite que se cala ante a solidão destes versos
Inconfessáveis e sedentos
Sombra que penetra inebriante na frescura
Da manhã imensurável e contagiante
Curativo momento de tempo onde a alma
Até se agiganta feliz e exuberante
Híbrido silêncio
Ventanias soltas percorrem as encostas
Percussão dos silêncios

A grafia dos meus versos aportou
Um sonho trajado a rigor
Sonorizou o maleável silêncio
Ironia
Gargalhada
Lamentação
Imitativo de um eco cheio de fulgor
Calafrio, fragor, grunhido de ostentação
Percussão ou vaia de um eco
Reverberando de contestação
A gramática é fonte fonética dos
Cânticos semânticos
Estilismo descritivo, pleonasmo minucioso
Na morfologia sintática da minha retórica
Poética
Onomatopeia elegante gritando em alegorias
E letras que se vinculam em cada estrutura
Verbal invadindo minhas metáforas em metástases
Calibradas com tamanha simetria
Este é o meu caleidoscópio literário
Entre risos e hipérboles selectivas alimento
A sinestesia dialética da voz activa, anáfora dos
Sentidos assente num diálogo explícito, reflexivo
Aconchegando a simbiose dos prazeres excêntricos
Catalisando o acústico desejo bailando entre ritmos
E percussões de um clímax linguístico frenético e quântico
- ao Ciro meu filho
Frederico de Castro
Selvagem como o vento

para Shirley...
Momento de vasculhar o vento
Planar nas estepes dos céus aclimatando um
estribilho repetitivo do tempo invisível
delicioso imprevisível
Tempo de amarar nos ventos selvagens
Domesticar a enfunada vela temperando
A monção enfurecida dos meus versos
Circulando entre depressões térmicas
E ciclos de brisas marítimas cíclicas e transgénicas
Selvagem como os ventos são as palavras
Deglutidas pelas memórias dos tempos
São os desejos minimalistas transbordando
Qual bálsamo de utopias e afectos merendando
Ao sabor de um catavento
Sei como recrear uma aeronave e nela viajar
Até ao espaço sideral numa estratosférica e louca
Comunhão excêntrica de beijos saudando as inquietações
Que deixei ali alimentando a genética empírica das
Palavras que concebi no útero de todas as reconciliações
Frederico de Castro
Encontros imediatos

Sonhar num palco em grande
Evocando toda a serenidade descortinada
Num vínculo de amor verdadeiro
Alcatifando a luz intempestiva e generosa que exalta
Toda a vida renascendo delicada e propiciatória
De pés atados deixei o silêncio aleatório
Convergir entre a fronteira de cada eco
E o velame ventando pela frescura da maresia
Arrebatada que naufraga lauta e conciliatória
Num encontro imediato e quase premonitório
Aproveito toda a singela leveza dos ventos
E levanto voo na demanda de um infinito azul que
Além desponta chilreando pelo anoitecer preenchendo
As frestas do tempo que velo até finalmente o dia esmaecer
Sossegam as ondas ondulando de mansinho
Penduradas no marasmo do silêncio ecoando pelo caminho
Por fim, labirínticos se despojam os últimos raios de sol
Abrilhantando a vida galopando eclética num excisado
Cântico explodindo em cada sonho frenético e improvisado
Frederico de Castro
Como uma onda...

Renova o dia sua face desmascarando
O rochedo estampado no ancapelado mar
Embalando com elegância o vento repleto
de uma beleza encurralada na madrugada
que desponta com tamanha exuberância
Como uma onda na manhã reverbera o dia
Sustentando a luz claudicando na sombra
Passageira esquadrinhando o tempo atento
À insónia que ciranda nesta solidão derradeira
Acerto os ponteiros ao tempo e deixo cada
Hora seguinte imergir na enchente dos meus
Sonhos litigantes e cheios de requintes
Estreitando um abraço reincidente e ofegante
As lembranças de ontem sei-as de antemão
Desordenadas ficaram todas em contramão
Que desilusão esta a minha colhendo cada
Lamento orquestrado com timbres de uma canção
Selecta extravagante ...em prostração
Deixo a alma deslizar neste rodopio quase
Vertiginoso da vida
Calço o caminho penitente afecto a esta
Existência embriagante, renitente manuseada
Com exagero ansiando-a até com tamanho esmero
Esguios chegam nossos sonhos rugindo aos pés
Da manhã
Virão quase desmoronando, unindo as asas a cada
Silêncio esvoaçante surpreendendo o lúdico olhar
Onde planto o miosótis dos amores pujantes
Respirando o subtil perfume que sangra
Nesse jardim onde te revelas deslumbrante
Frederico de Castro
Além da luz

Ao encontro da luz...além dessa luz onde
Acendo com prazeres apaziguadores o
Espantado naipe de volúpias despontando como
catalisador dos silêncios vestidos de ecos
aconchegantes e avassaladores
É tempo de receber cada lamento saltitando
no platónico e suave desejo de amor aqui
despontando com candura cavalgando na síncope
das batidas cúmplices em corações exultando
hegemónicos sentindo o sentido titânico em cada
abraço crónico inteiro ergonómico e ousado
Eterno e confidente será sempre meu silêncio
até reencontrar essa luz saltimbanca que ecoa
aplainando todas as neblinas dos dias
esquecidos e atados à visceral ilusão que naufraga
num verso emoldurado numa brisa matinal
guarnecendo até minha solidão tão unilateral
Assim podemos, desejar, seduzir ou cortejar
reencontrando a síntese de cada tempo verbal onde
extravasamos todo o silêncio colateral que reabastece
o cantil dos sonhos desenhados pelas sombras
galvanizadas nesta utopia subtil de um verso onde te
desvendo numa trigonometria de beijos
tão gentis e voláteis
Frederico de Castro
Sopro no tempo
O silêncio descobre-se a si mesmo
pernoita em cada eco do tempo
inflamando a noite que arde de tremores
folheando as melancolias semeadas
nesta solidão alimentando os sonhos
numa citação de beijos tão mitigadores
As sombras da luz iludem até o dia fenecer
Curva-se perante a madrugada saltitando
em cada sopro de tempo galanteador que se
equilibra em extase num abraço fitando o breve sorriso
que deixaste no meu ego expectante e conspirador
Lá em cima sei como os céus apartam suas
nuvens para teu ser a mim se algemar
adocicando a pluviosa gota de chuva
irrompendo no silêncio palpitante
insensato, imaginativo...expectante
Deixo nos jardins o perfume que as rosas
de ti exalam
semeando a seiva de um sorriso quase bêbado
destilando toda a essência contida na ululante
demência de um audível eco desmascarando
um beijo congeminando incitante
Com o tempo deixei coagular a luz que desponta
nas veias deste silêncio
Alimento as artérias do amor devorando todas
as anemias aflorando o hematócrito desta vida
escorrendo entre as moléculas do tempo e aquele
exuberante sonho hemorrágico e proscrito
injectando no venoso dia itinerante o sopro de luz
que morre assim indómito e furtuito
Frederico de Castro
Comentários (3)
BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.
BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.
Poeta...li e reli vários de teus poemas e só tenho que te agradecer por compartilhar teu talento...muito obrigada!
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