Escritas

Ontem, uma vez mais...

Frederico de Castro



Ontem...uma vez mais
A penitência astuta que se ajusta
Ao temporizar do tempo fugidio cronológico
A despedida dolorosa e pungente catalisando
Cada instante estapafúrdico onde marulha meu
Silêncio, dançarino, indulgente, quase litúrgico

Ontem...uma vez mais
O cronometrar da vida escapulindo tenra e vaidosa
Corroendo lenta e escorreita o tímido memorizar
De um adeus arrebatado...fruto da solidão
Plangente que em sonhos quero vasculhar

Ontem...uma vez mais
O apiedado sorrido se despindo da face
Alimentando as ilhargas do tempo que
Desagua entre a luz etérea e o rumor
Dos murmúrios remasterizando cada eco
Formoso, veemente monitorado com primor

Ontem...uma vez mais
O estucar dos teus desejos pincelando
O rodapé dos gracejos onde ato cada
Paixão perpetuada num assomo de beijos
Revitalizados na plataforma do amor apelando

Ontem...uma vez mais
O ígneo e flambante sonho servido
Na noite vadiando entre a luz marginal
Hoje o desabitado luto onde
Enterro toda a solidão factual
Amanhã o perfeito fulgor dos silêncios
Diminuto prazer instilado num beijo consensual


Frederico de Castro

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