Lista de Poemas
Fronteira das intuições

Na intuição de todo sentir
Os sentidos vagueiam pelos
Saborosos momentos que queremos redimir
Ao descortinarmos cada carinho contornando
A fronteira de tantas alegrias a repartir
Esgotaram-se todos os prantos
Deixei uma trégua em todos os meus silêncios
Para que se revoguem os pactos de amor
Clamando na solidão que assedia a vida pigmentada
De paixões e tantos sonhos ali sedimentados
E segui o cortejo do tempo despejando seus ternos
E gentis perfumes pela cordilheira dos teus sorrisos
E gracejos onde claudico saturado ensanduichado pelos
Abraços que antevejo em cada afoito vento uivando pelos
Poros do teu ser viçando na planície dos desejos aqui cevando
Deixei que o silêncio povoasse com balsamos o aprazível
Momento de tempo onde para gáudio da esperança
Amadurecíamos comprometidos...irreversíveis, semânticos,
Dissimulados por um acto de amor persuasível e mais romântico
Frederico de Castro
Nocturnos

A força da solidão rega o jardim da noite
Onde só a escuridão agora pernoita acometida
Por um profundo remorso repousando na insone
E lírica palavra que alvitro nesta poesia casta e alcíone
Persuadi o tempo com olhares sorrateiros para que eu
Em teus braços, jamais me decepcione ao estender para lá do
Universo um flutuante e mimoso beijo tão prazenteiro
Nocturna deambula toda minha existência e antes
Que se faça manhã confiro às preces oprimidas
Um eco para que reverberam noite e dia, assim...esbaforidas
Quero somente roubar aquele gomo de luz medonho
Tiritando na madrugada que agora finda deslizando ante
Todos aqueles segredos e olhares cúmplices, hígidos e risonhos
Já morri de saudades...mutilando as memórias que ficaram
Algemadas a uma efeméride subtil, iníqua e conformada
Perdendo-se pelas eternidades do silêncio que em mim vagueiam
Inanimadas cismando na noite que degluti com gula tão esfomeada
Frederico de Castro
A esfinge da solidão

O silêncio pode até esconder sua luz invisível
Seus medos, seus ecos, inertes nos braços da escuridão,
Mas nunca decerto, uma palavra impassível que defenestro em
Cada detalhe que suspira entre tantas cumplicidades imprevisíveis
Atravesso agora o tempo mascarando a madrugada
Qual esfinge desta solidão compilada naquele rendilhado
Momento indivisível e retalhado embebedando cada sílaba
Destes versos que se quedam impassíveis e bem alinhados
Resfolega a noite deixando em farrapos nossos desejos
Satisfeitos e mais acarinhados, desembrulhando aquele beijo
Feliz, pasmo soterrado numa ilusão convidativa, aliciante...estralhaçada
Encaro agora o novo dia renascendo recatado pincelando
Os cílios dos teus olhos onde adormeço quase atordoado pelo
Perfume tecido em cada meigo lamento jejuando abençoado
Frederico de Castro
Radicais livres

Cresci entre as dunas do tempo aprisionando todo
Este silêncio que possuo num segundo de pleno êxtase
Ando à cata de ti deixando ecoar em cada decímetro
Dos meus chamamentos um afago milimetricamente clonado
Neste verso explodindo ofegante e inflacionado
Aparta-se a escuridão da luz calcorreando a fenestra
Do tempo claudicando em cada breve segundo que
Dispo desvendando e desventrando a manhã que brota
Seus hálitos rendilhados de vistosos desejos detonados
Radicais se tornaram meus sonhos entontecendo uma hilariante
Algazarra de beijos factuais,bem escalonados estremecendo
No corpóreo momento onde soterramos de vez a saudade oxidando
Facciosa, resignada...intimidante
As noites na sua negrura são sempre mais belas deixando
Regalados vestígios de tantas paixões obstinadas
Bamboleiam-se sensuais e servis pelo lagar do amor pincelando cada
Excerto de luz bordada numa solidão tão atordoante e refinada
No mutismo de um meigo sussurro encontro-te virtual
Numa quietude ad eternum...mágica e conceptual deixando
Este refrão despojado de todo um ritual de prazer (in)confidente
Abandonado a um lamento quase selvagem e consternado
Frederico de Castro
No fluxo do tempo

Congrego tantos olhares perdidos entre
A multidão de solidões dispersas alimentando o fluxo
De tempo por onde com carícias silencio a insanidade
Perversa remoendo ainda o modus vivendi de um
Sonho que ficou apenas e só imerso na saudade
Em reflexões mais sonhadoras liberto-me em
Ilusões quase arrasadoras perfumando com o
Néctar da noite toda a escuridão bradando catalisadora
É tão altivo este querer que sem querer isolo-me nesta
Insípida hora tântrica e avassaladora fecundando minha
Inspiração incorporada nesta rima assaz devastadora
E num piscar de olhos fez-se a noite inusitada, lânguida
Recriando preces galanteadoras deixando em abrasão
Aqueles beijos domesticados com tamanha persuasão
Frederico de Castro
Tanto...tango

- para Gardel
Com tatuados passos de dança
Ainda luz na cidade

Ainda luz na cidade enquanto a noite
Dorme devagarinho, sonolenta deixando
Seus breus como pegadas indeléveis em
Cada suspiro adormecendo excepcional e inexorável
Ainda luz na cidade e nós afoitos acoitamo-nos em
Lençóis de cetim e desejamo-nos enfim acólitos...a preceito
Badalando cada suspiro que pernoita em silêncios
Quase perfeitos
Ainda luz na cidade e a madrugada por respeito retira
Seus véus à noite que ali trafega universal inquieta
Desarrumando os pensamentos mais súbtis que ferem
Nossos segredos apavorados analfabetos
Ainda luz e na cidade arrumo cada desejo semântico
Gritando na gramática do amor que agora pulsa fragrante
Deixando na olfactiva saudade o perfume de todos os
Lamentos implorando seduzidos dilectos exuberantes
Frederico de Castro
Um momento mais...

Fugiu de mim o dia fluindo flutuando
Sonolento e suave esmorece o cântico
Da citara num abraço insinuando um momento
Mais enquanto estremece a noite nas vésperas
Do dia caindo ameno e pachorrento
Freme o silêncio que amamenta de mansinho
O rumor esmaecido do tempo e se entranha em
Mim ostentando a esfíngie das sombras mascarando
As ausências dementes,vazias engolindo aquele farrapo
De saudades tão irreverentes
Um momento mais ali subjacente onde alimento
A boémia embrulhada em ilusões omniscientes
Uma cascata de solidões mugindo a luz trançada
Num aliciante desejo doendo....doendo contundente
A esperança vestiu-se desbotada...esfarrapada
Pincelou a indumentária do tempo soterrado em
Meigos silêncios onde reciclo e perfumo os poros desta
Estrofe insolvente palpitando encurralada num quieto
Refrão solene madrugando naquele adeus esgotado
Pelo sonho murmurando algures triste e solitário
Frederico de Castro
Olhar intruso

A solidão deixou descampado
Florescer no vento

Quem dera pudesse eu presentear-te com sorrisos
Mais nobres e resgatar do tempo este tempo que sobra
Inabalável ardendo insano penetrando na caligrafia dos
Silêncios mais profanos.
Deixava em rodapé um diligente sorriso temperando
O olhar refinado e decano
Fica por florescer no vento aquela gargalhada blindando teu
Ser que revisito em cada memória mais exponencial adoptando-te
Para sempre qual sorriso devastador despindo a madrugada que
Pesco em perfumados odores a rosmaninho do qual me tornei
Um fiel consumidor
No quintal do tempo plantei teu olhar faceiro aprumado
Germinando pelo canteiro da vida que desperta consumada
Agitando todos os anseios de minh'alma emaranhada em ti num
Subliminar momento que recordo sublimado
Despi o corpo do silêncio franzino e esbelto deixando a nu cada eco
Trajado de mil dialectos implícitos num acto de amor intacto onde
Acalanto meu poema inquieto, cerzido em sonhos fundidos em cada
Imutável afago luminescente que avidamente assim arquitecto
Dá-me somente coragem para que nas brisas adocicadas
Da madrugada nos enfeite-mos de beijos selectos e solidificados
Adormecendo por fim a noite encurralada nos abraços que ficaram
Em nós levedando tão replicados
Frederico de Castro