Escritas

Porquê Outono...

Frederico de Castro


Em servidão o dia recostou-se mansamente
Num tapete de folhas caindo, caindo copiosamente
Nas margens do tempo vejo chegar este Outono
Notificando o silêncio estridulando encarecidamente

Amanhã levantarei meus olhos para o céu e com
Arte pintarei a tela da solidão ardendo na melancolia
Dos dias esporadicamente aplainados nesta ilusão ovacionada

O tempo renasce escondido no abat-jour das emoções
Bem engalanadas deixando coalhar a luz mais refractada
E carcomida pela memória que brota devoradora e enfunada

Porquê Outono…porque sem remorsos as estações
Vão e vêm atolando-nos de saudades alucinantes
Vestem o esqueleto do tempo donde pendem suavizantes
Caricias incinerando o boreal momento com alegrias estonteantes

Frederico de Castro
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