Lista de Poemas
Plumas semânticas
Caiem entristecidas pela tarde duas
Lágrimas guarnecendo a saudade
Que ficou sem palavras, enaltecendo
Esta solidão, tão pluvial…quase versátil
Prestes a morrer ao longe o dia esconde-se
Num fantástico e sussurrante poente volátil
Além onde deliram as arquitecturas de muitas
Tantas caricias que se desnudam assim vibráteis
Adormecidas no palacete do tempo sossegam
Temperadas memórias seduzidas pela hospitalidade
Daqueles teus beijos infligidos com tamanha agilidade
No baldio dos sonhos ainda jaz a esperança dez mil
Vezes apregoada, subscrevendo nas palavras semânticas
Todo meu romantismo mais autentico…tão quântico
Frederico de Castro
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Desejos pirómanos
Gotas de luz incandescentes resvalam pelos céus
Espessos e tão obscurecidos como lágrimas que se
Esfrangalham além erráticas, quase convulsas
De tristeza sei que chora a noite relapsa, tão
Magoada, tão persuadida solidificando este breve
Crepúsculo que jaz além fronteiras bem expandido
A luz adoeceu e recostou-se na marquesa do
Tempo que regredindo abala desiludido, algemando pra
Sempre uma hora desnorteada, tumultuada…tão ofendida
Languida e esperançosa sangra a sombria manhã
Deixando imensas cicatrizes evocadas no mausoléu do
Tempo hausto, flébil, às vezes profano, outras febril e tirano
Absorvo deste silêncio um eco castrado, quase desumano
Cerco a ebúrnea e fina ilusão num cântico infinito e melómano
Onde tombam os lamentos latejando sempre tiranos…quase pirómanos
Frederico de Castro
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Destino...ou desatino
Sem segredos a madrugada dilui-se num vulto
De luz sombrio quase decapitado até demolir de vez,
Este silêncio despojado entrópico…tão premeditado
Lá longe no anonimato dos céus longínquos esculpo
Este verso rodeado de palavras rejeitadas, enfeitadas
Pelo léxico das memórias nefastas, hoje ressuscitadas
Suspensas na saudade mais açoitada vacila uma hora
Sistematicamente enjeitada por um míssil de solidões
Explodindo no porão das minhas memórias quase decapitadas
Entretenho-me a descortinar com quantos tédios enfrentarei
Esta imensidão de lamentos barricados no pântano do tempo que
Sem destino fenece e desatinado me agride à traulitada
Extingue-se na noite um milimétrico segundo tão amofinado
Esgueira-se pela cripta do silêncio mais profuso deixando
Que uma hora se extinga de vez, assim ardentemente obstinada
O adeus está mesmo ali entreabrindo aquela implacável
Saudade prostrada no patíbulo do tempo irreplicável, vitimando
Apenas a memória irrecuperável, absolutamente implacável
Frederico de Castro
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Ébria escuridão
A luz premonitória e ébria desmonta a escuridão
Que fenece ante o dia chegando sem sarcasmos
Deixa no templo da alma o emplastro da solidão
Sepultada na esperança agora mais que espevitada
Ali antevi toda a saudade guarnecida por ilusões
Tão incitadas, vestido a fresca memória onde decorara
Meus sonhos ponderados, convertidos àquela emoção
Cavalgando assim insinuante, intrometida, muito intimidada
Dissimuladas no tédio do silêncio esquivam-se as horas
Trotando quase aniquiladas desenhando nas avenidas do
Luar uma tímida brisa que se enforca à solidão tão protelada
Pelas penumbras do tempo esvai-se este Setembro
Fugidio deixando no presidio da vida, mui gráceis e esguias
Lembranças rodopiando pela mente fértil e tão volátil
Frederico de Castro
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Pelos olhos teus...
Pelos olhos teus...
Sinto a madrugada fluir ávida quase violenta
Aduzida por uma magnânima hora tão quizilenta
Triunfalmente erguida depois de uma oração sedenta
Pelos olhos teus...
Degluto a manhã impávida e serena, erguida
Pelas luminescências de uma caricia feliz
Parida e manipulada lá no porão do
Tempo e das palavras bem alfabetizadas
Pelos olhos teus...
Beberico cada breu mais apocalíptico até que,
A solidão reescreva o bendito afago feito matriz
De tantas gargalhadas felizes, aglutinadoras, quase brejeiras
Pelos olhos teus...
Educo cada verso sempre lírico e apaixonado
Recrio a intersecção das emoções legitimas, codificadas
Até devastar cada aresta deste silêncio debutante e conspirador
Pelos olhos teus...
Apaziguo até as monções orientais blasfemando num
Aguaceiro auspicioso soprando qual doce brisa choraminguenta
Oh, pranto que tanto pranteias nesta hora felina e suculenta
Pelos olhos teus...
Incuto na saudade aquela memória aguerrida e opulenta
Que me alenta e embebeda das mesmíssimas maresias
Navegando num sedento momento de inspiração quase virulenta
Pelos olhos teus...
Pousa de mansinho a luz da esperança assim sonolenta
Requebra meus ais e lamentos num monólogo de paixões
Envoltas na razão da minha fé, sempre, mas sempre mais corpulenta
Frederico de Castro
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No limbo da solidão
Em sonhos e lamentos tristes enrodilham-se
Ilusões inimagináveis escaldando os desejos
Que pululam na faminta memória quase alucinada
Vou podar da manhã um gomo de luz ainda amuado
Absurdamente apupado matando depois a minha
Solidão dormitando no limbo deste tempo tão degradado
Algemo até ao limite desta escravidão a clamante alma
Que ressuscita para uma alvorada de alegrias cativantes
Num acto de belos e prognosticáveis beijos tão pujantes
Deixo uma acurada emoção colorir estes versos
Demasiadamente irrelevantes quase implorados e ofegantes
Urdir um silêncio rufando alegre para gáudio da fé mais entusiasmante
Frederico de Castro
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Numa brisa...
Ronda-me este silêncio sem tréguas
E tão pútrido consumindo todas as
Inquietações sedutoras e destemidas
Chega pela madrugada uma brisa incontida
Caiando a escuridão com perfumes aliciantes
Engolindo o breu num trago feliz e radiante
Sem paralelo a manhã reaparece bramindo
Quase contundida pela ilusão acampada ao redor
De uma caricia insuperavelmente bem concebida
Sem dilemas a memória desperta deste abismo
Enorme onde desolados se aquartelam os desejos
Mais musculados, nestes versos sempre bem dissimulados
Frederico de Castro
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Desamparadamente
Esvoaçando o dia remanesce encabrunhado
Massajando suas plumagens a cada gomo
De luz absolutamente definhado
Com seu manto sagrado a solidão
Agiganta-se em todos os sincronizados
Suspiros que nos embebedam mais hostilizados
Deixem-me congratular a noite que murcha
No meio desta escuridão tão desumanizada
Absolvendo cada prolífica hora morrendo insubordinada
Com tanta inclemência o tempo apodrece ao fossilizar
Todo este silêncio profuso, hostil, quase eternizado,
Mitigando meu lamento que cai além de bruços...estatelado
Frederico de Castro
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Entre as aduelas da solidão
Entre o portão ficam as ombreiras da solidão
Recosta-se a alma envernizando as aduelas
Do tempo fechado a sete chaves, além onde
Aprumo à esquadria um verso trabalhado
Na minha marcenaria
Com o formão aliso uma rima crispada
Com o serrote corto a preceito o cedro ou
Mogno decorando a cenografia do tempo
Onde desfiro marteladas certeiras, guardadas
Na escrivaninha das palavras mais corriqueiras
No design das memórias concebo uma estrofe
Bem mobilada, abrindo o roupeiro da inspiração
Por onde chanfro e freso este poema oblongo
Sem arestas ou ranhuras , quase mondrongo
Frederico de Castro
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Esqueleto do silêncio
Na estrutura óssea da noite cai um vertebrado
Silêncio apendicular e dormita entre os fémures desta
Solidão urdida na cartilagem do tempo quase desmembrado
Nas tíbias da memória sustento esta cervical ilusão
Apavorada até a medula da emoção mais famigerada
Oh, invertebrada hora perdida nas falanges e falangetas fracturadas
Entre ligamentos e tendões rotulianos inflama-se esta madrugada
Lesionada, emplastrada entre os glúteos que se amotinam até
Suturarem o endósteo momento da vida que recobra mais sarada
Subindo pelos ilíacos da saudade articulo uma caricia que
Se esvai pelo maléolo do prazer mais ferrenho até que, ao colo
Do útero se fecunde o occipital sonho gerado na epífise emoção tão brutal
De cúbito ficou a noite prostrada e amancebada alimentando o tarso e
Metatarso da luz fugindo pela escápula do tempo onde simétricos beijos
Se articulam até ao axilar silêncio gemendo entre bíceps tão atléticos
Pelo esfenóide deste murmúrio faço uma ressonância magnética
Preenchendo todas as mucosas da solidão mais obstétrica, by pass para
Um adiposo e musculado amor traumaticamente enfermo e ulcerado
No recôndito das meninges escorre uma ilusão fracturante, deixando
Um hematoma no cárpico silêncio que se bifurca neste libidinoso e vascular
Momento de paixão irrigando as carótidas do prazer...ah, tão intramuscular
Frederico de Castro
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