Lista de Poemas
Palavras desatinadas

Deixo que os aromas primaveris revitalizem
Todos aqueles perfumes costurados em
Naperons de palavras tão apaixonadas
Colorindo os cílios da manhã chegando desatinada
Deixo a luz jorrar ainda que póstuma, refinada
Ainda que imatura, elegante e fascinada
Embrenhando-me depois na manhã loucamente
Indecifrável…absolutamente indisciplinada
Frederico de Castro
👁️ 174
Além do mar...

Além do mar bramir, escancara-se
De par em par um poente ígneo
Saturado e bem inspirado
Dilacera cada gomo de luz mais
Reflexivo e acurado, navegando na noite
Entre pequenos desejos felizes e regenerados
Frederico de Castro
👁️ 189
Sombras cativas

Tenho o silêncio cativo nestas sombras
Além suspensas num gomo de luz refractado
Semeiam na escuridão tantas rectas acidentalmente
Geométricas…resplandecentemente simétricas
Quão enorme se tornou esta noite deixando no
Edifício das solidões a saudade colérica tão extenuada
Alimento para bárbaros silêncios noctívagos desidratarem
A memória já de si histérica, sulfúrica e atarantada
Mordiscadas ficaram as horas mais desorientadas
Porque decerto lastimam todas as partidas, todas as
Ausências dolorosas e inexoravelmente acicatadas
A manhã renasce altiva e deambula deslumbrante pelas
Planícies da vida arquitectando mil ilusões apaixonadas
Abrilhantando as palavras inebriantes, possessas…suplantadas
Frederico de Castro
👁️ 179
Além da luz...

Além da luz morre toda a claridade
Obscurecida por esta solidão latente
Oblíqua e tão omnipresente
Além da luz desfalece dolorosa uma hora
Fugidia tão rigorosa, deixando na osmose dos
Silêncios uma palavra irrequieta e tão medrosa
Além da luz recobra uma ilusão poética e fervorosa
É sedutora, é audaz é viciante e tão glamorosa
Jamais abdica de uma caricia desejada e cheia de prosa
Além da luz amanhece a manhã desvairada e conflitante
Ostenta uma subtil e quântica solidão que se esvai ofegante
Num gentil gomo de esperança apaixonada e muito empolgante
Frederico de Castro
👁️ 188
Na ruela da solidão

Na ruela da solidão esconde-se uma hora
Impaciente…tão pressionada, deixando em
Conluio este gomo de luz que brota na noite
Agora aprisionada
Na ruela da solidão pavimentam-se ausências
Reconstroem-se palavras sem reticências
Espicaçam-se desejos gemendo com mais eficiência
Ali onde mora a esperança gritando com tamanha evidência
Na ruela da solidão escorre a vaidade efémera e
Tão contundente, subjugando a manhã que se estira
No palco da vida escondida na coxia deste tempo decadente
Na ruela da solidão rabisco um verso absurdo e colidente
Esboço até um silêncio que avivo num sorriso concludente
Rodeado de (im)previsíveis beijos deixados ali por acidente
Frederico de Castro
👁️ 246
Meiguices & maluquices

Tímida a manhã submersa numa neblina
Arisca percorre toda a astronomia de uma
Hora feérica aromatizada com palavras histéricas
No altar do tempo vestem-se as orações enérgicas
Com uma fé tamanha…quase colérica, até deglutir
Um querubínico silêncio, que além vai a repercutir
Com seus meigos sorrisos a memória acantona-se
Entre brisas etéreas, massacrando com acutilância
A solidão alencada nesta caricia grada e cheia e elegância
Renovam-se ilusões à chegada de uma madrugada
Fecunda e mitigada deixando que as meiguices e maluquices
Aconcheguem a alma lambuzada com imensos beijos quais gulodices
Frederico de Castro
👁️ 204
Curvilíneos silêncios

Nesta imensa maresia repousa uma onda
Imune a este silêncio safado quieto, recatado
Pois além se debruça um bem-aventurado oceano
Pairando no tempo incorruptível e empolgado
Decifro num gomo de luz uma insinuante palavra
Ondulando em todos os luminescentes estados
De prazer mais petulante, deixando uma nesga de
Solidão debruçada no beiral deste tempo tão migrante
Detecto na aragem dos dias resquícios de um perfume
Inebriante que alimenta todas as curvilíneas nuances de um
Desejo arfando entre silábicos e extasiados ais mais ofegantes
Está assim encenada a noite deixando no camarim da vida
Uma teatral saudade quase promíscua, roçagando de mansinho
Por entre o marulhar deste silêncio irreplicável e desalmado
Frederico de Castro
👁️ 137
Palavras renegadas

Da retina dos meus olhos flui o tempo impregnado
De lamentos achincalhados qual preambulo para o
Silêncio coabitar nesta ladainha de desejos bem adornados
Preserva a noite sua escuridão quase esganada
Deixando fantoches ilusões pousarem na planície
Das minhas palavras visivelmente amarfanhadas
As horas em fúria cicatrizam cada decímetro desta
Solidão quase encarquilhada, até que breves brisas
Renegadas perfumem nossas almas agora mais engalfinhadas
Embatem na fachada das memórias momentos amordaçados
À saudade desesperadamente desatinada, deixando à
Deriva meu instinto, irreverente, selvagem…emocionado
Solta por fim a manhã um suspiro profundo, convidando
O verbo amar, a alastrar pelas caricias tão bem escrutinadas
Sem jamais defraudar a vida que além desponta assim insubordinada
Frederico De Castro
👁️ 170
O pastor dos silêncios

Um silêncio quase místico deambula
Pela planície do tempo correndo desatinado
Até deixar pequenos sonhos alimentar uma
Catarse de ilusões comovidas e refinadas
A memória ruiu ladeira abaixo, embalando
Um lamento contristado e tão maltratado
Deixando no redil das palavras tantos ais
Pastando um desejo literalmente sequestrado
Vem o dia agora infestado com uma luz felina
Convidando o perfeito silêncio a desfraldar a
Esperança que mora numa fé imensa e aquilina
Por fim extingue-se toda a solidão e nós encrustados
Numa ilusão efémera e bem confeccionada,
Amarfanhamos esta hora que desfalece, veloz e desapontada
Frederico de Castro
👁️ 173
Indulgência

Na frota do tempo circula a vida
Sedenta e alucinada, desabotoando
Devagarinho a alegria suprema e fascinada
Pela noite dentro sequestro tantos acústicos
Silêncios que uma brisa apaixonada depois
Disseminará feliz e inanimada
A alma nua, em transe, soletra uma palavra
Quase indecifrável até se alimentar de esparsos desejos
Muito pretendidos…tão dissuadidos, sempre aplaudidos
Como muita prosopopeia o tempo discursa por
Este silêncio caído ali, quase inanimado, deixando
Perplexo o tanger de um eco mais legitimado
Nas noites cálidas e brandas flutua um luar viril
Beijando cada gomo de escuridão tão esfaimada
Para que a noite nos acoite intacta e bem escorada
Fenece a arfar uma saudade frívola e intimada
Deixa a memória a decímetros de uma ilusão confinada
À lembrança que além se queda pasma e chacinada
Frederico de Castro
👁️ 232
Comentários (3)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.