Lista de Poemas
Um Dia Perfeito
Que tirou a mente de infernos.
Fomos para casa, para nosso novo ninho,
Eliminamos as baratas e instalamos a cama.
Ah, um dia perfeito,
Uma nova aliança entre nós.
Beijei-te com paixão o corpo,
Encontrei abrigo em teus braços,
Molhei-me na chuva de teu ser
E depois, gota a gota, sequei
Do calor à dois no carinho
Entre tuas pernas.
Um dia perfeito que esqueci
Os demônios que rondam.
E ao beber de ti aos poucos,
Ao saborear teu néctar,
Sem pressa de saciar a sede,
Os males são afastados,
O ânimo renovado,
A vida renascida
Em nossa ardência.
Um dia perfeito.
Sempre leve-me para nosso lar.
Quando eu estiver cansado, triste,
Apenas deite-me no chão e ofereça ardência,
Mostre o mundo a brilhar.
Pois o suficiente somos, eu e tu, juntos!
É Necessário
É necessário um barco de desejos
No mar de incertezas.
É necessário construir afetos,
Alegria, contentamento, paz,
Lembranças em conversas com os pais.
É necessário banhar em aconchegante praia,
Sentir o calor do sol,
Respirar o ar fresco fora das grandes capitais.
É necessário construir alegrias,
Trocar muitos beijos,
Aquecer os corpos em desejos,
Passear na geografia feminina
Ao amar a mulher desejada longamente.
É necessário afogar em um vinho barato,
Fugir do caos urbano, escrever poemas
No silêncio da noite em profunda reflexão.
É necessário alguns amigos para bons diálogos,
É necessário após duras batalhas,
Cicatrizes na pele, renascer como a fênix.
Do fogo das provações moldar o espírito.
É necessário lamentar as perdas como
Um velho cantor de blues.
É necessário ter conhecimento da foice fatal,
Me amar no que sou e odiar quem preciso.
Ser um homem simples, nada de extraordinário.
E ter ciência de que não preciso de muito,
Apenas de minha dúbia liberdade,
Meus intensos desejos e um toque humano.
É necessário assim, queimar, seguir em frente.
Um Velho Caubói
Um homem atingido por fogo amigo,
Acostumado com os tiroteios nas cidades,
Aceitando que o passado é inalterado,
Mas laçando o hoje no pulsar das minhas veias.
Cicatrizando feridas, confundindo os abutres,
Dia após dia seguindo um longo caminho
E não aderindo a cegueira alheia
Por um punhado de dólares.
Entre canalhas e trapaceiros,
Cavalgo por uma estrada sem fim,
Vou vivendo como se fosse a única oportunidade
De existir, amar e degustar longos goles.
E toda vez que os dados do futuro incerto
São lançados nos áridos caminhos,
O que era sólido desmancha no ar,
Assumo o que sou para não ser escravo,
Aceito o amor oferecido por uma bela mulher,
Viajo passo a passo, dos curtos aos turvos
Caminhos para pavimentar a felicidade...
E se tiver de atirar, atiro, não falo,
Saco a colt contra qualquer oponente.
Instantes de Ataraxia
Ser fiel a ti mesmo, ser ator no palco dos dias,
Gerar-se, transformar sempre
Que necessário, inventar novos movimentos
Quando os olhos estão cansados.
Da vida não almejar grandes posses materiais,
Mas ter poucas necessidades,
Prazeres na comida saborosa,
Simples vinhos que animem o paladar,
Orgasmos com a mulher amada, desejada.
Conexões sinceras com poucos,
Integridade nas atitudes,
Evitar o medo da morte,
Respirar e se nutrir de oxigênio
Para poder continuar...
Manter a mente em paz
E tranquilos sentimentos no coração.
Singeleza
A vida livremente,
Buscar com afinco
O que é pleno no coração
E despojar do efêmero, do que não
Perdura, da luxúria ao vil metal
Dos homens tolos e endinheirados.
Unir nos mesmos gestos
O viver dentro das próprias possibilidades,
Erguer, aos poucos, o que lhe é devido,
Sem excessos, sem trapaças.
Dormir na cama o sono dos justos,
A consciência plena de genuínas emoções.
Amor é Gesto
Em uma ardente noite,
Além dos afetos individuais,
Além do próprio umbigo,
Além de uma longeva amizade,
Além dos riscos
Em toda convivência humana,
Amor é gesto, ação,
É o que se faz pela pessoa amada,
É dar, receber...
É construir significados à dois,
Atrelar os dias
À pessoa escolhida,
Ofertar tudo ao outro
E viver um investimento
Que cresce no agir diário.
Dar novo sentido à vida, à dois,
Unir numa só fonte,
Germinar companheirismo
Em terras que foram
Marcadas pela solidão.
Sísifo Mais Uma Mais Desce a Montanha
Refletindo sobre a aniquilação de
Seu esforço físico e bom humor:
O sangue trucidado no trabalho,
Os neurônios atormentados
Com as contas bancárias,
Trânsito ensurdercedor,
Desmandos de poderes que afetam
O atendimento das necessidades,
Desejos apequenados
Nos inconvenientes da saúde,
O corpo dá sinais de fraqueza.
Sem tempo para familiares,
As ficções das conversas alheias
Foram à contragosto suportadas,
Os estranhos ao redor sufocam o viver,
As vísceras, amolecidas nos papéis sociais.
Assinar o atestado para a aceitação
De todos os problemas?
Mesmo no universo sem dono,
Preenchido de absurdos,
Rochas rolando para baixo,
As costas cansadas dos fardos,
No alto da montanha, entre névoas mil,
Sísifo persiste, acredita que a luta é suficiente
Para fazer do amanhã um dia melhor.
Agora no pé do penhasco dialogando
Com a caveira (a morte) e adiando sua sentença,
Observando os cadáveres jogados no chão,
O lutador grego mexe os dados e ajeita
O rochedo em seu corpo para enfrentar o hoje:
Banha, se veste, pega transporte, trabalha e vai
Enfrentar mais um dia. Sísifo se imagina feliz?
Amanhã Nunca Se Sabe
Surgem pensamentos sobre a efemeridade
Da vida e sinto o que Lennon e McCartney expressaram.
Apesar das ruínas do sofrimento e insatisfações,
Diante do amanhã que nunca se sabe,
Do sempre provável encontro com a morte,
A força para jogar o jogo da existência
Até o fim é mais forte. Ser peão que suporta
Xeques-mate e anunciados fins do mundo.
Na fugacidade do tempo, na presença da miséria,
Escrever minhas palavras no presente...
Rabiscar luz nas noites mais escuras,
Persistir mesmo quando erros apagam a escrita.
Em todos os cantos do planeta
Amar demasiadamente e sem olhar para o futuro,
Como cantou Renato Russo...
Uma busca essencial e propulsora de alegrias.
Passear pelas estradas e aspirar o aroma das árvores.
Nas praias extasiar com o crescimento das ondas,
Romper as gaiolas que impedem o movimento,
Rangendo as amarras e girando a maçaneta
Até abrir todas as portas das possibilidades.
Renascer do vazio com mãos que nunca ficam vazias de coragem...
A vida como realidade a ser plenamente experimentada.
O Essencial
Haverá um equívoco
Na vida média que se leva?
Será que as drogas, o vício em tela
E muito dinheiro trazem libertação diante
Da solidão no mundo em que vivemos?
Sabendo dos castigos impostos
Por partidas de entes queridos,
Aprendi a ouvir, acompanhar, vibrar,
Apreciar em demasia a companhia
Daqueles que são vitais na vida.
Sou grato aos que amo e desejo
Manter o prazer de sempre acompanhá-los.
Sei que a vida fica mais leve,
Plena de aconchegantes sentidos...
Aromas que ditam os dias em levezas,
Horas pintadas com cores de alegria.
Enquanto a vida pode se entrelaçar com a morte,
Diante dessa limitação, se concentrar
No que é fundamental: encontrar significado
Ao lado de quem importa.
Meu Patrimônio
É ter um lar seguro e calmo para dormir,
É ter alimento fresco, o suficiente para saciar.
É ter alguém para amar e ao lado dela
Tudo vivenciar, compartilhar a jornada da vida.
É ter um domingo para saborear
Uma lasanha ao lado dos pais, irmã e cunhado.
Rir das coisas cotidianas e compartilhar
A rotina com as pessoas que me amam.
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Meu nome é Dennis de Oliveira Santos. Nasci no ano de 1985, numa pacata cidade do interior goiano chamada Ceres. Sou oriundo de uma família humilde e um dos dois filhos que muito ama seus pais. De lá pra cá fiz muitas andanças pelo mundo através de viagens e mudanças de lares ao morar em várias localidades.
Na adolescência tive um intenso contato com obras clássicas da filosofia e literatura de forma autodidata. Escritores e pensadores foram importantes na formação de minha cosmovisão, além dos valiosos ensinamentos e valores cultivados pelos pais e avós. Desde essa época aos dias atuais o meu olhar sobre o mundo é moldado principalmente por perspectivas filosóficas, como o existencialismo e o materialismo. Já na fase adulta segui os estudos universitários me graduando nas áreas de Sociologia e Pedagogia. Hoje sou educador e pesquisador. Minha atuação abrange os campos de pesquisa, ensino e projetos sociais. Além de publicar artigos científicos na área da sociologia.
Do existencialismo ficou na mente a ideia da busca da liberdade, a responsabilidade pessoal e a busca incessante por significado na existência humana. E extraído do materialismo filosófico, a perspectiva de que a compreensão da realidade se dá na matéria e nas leis naturais, buscando explicar fenômenos e experiências humanas através de bases físicas e tangíveis. Politicamente, me situo à esquerda, com inclinações marxistas, buscando constantemente a justiça social e a crítica do sistema capitalista. Tento contribuir para a realização desses ideais através do ensino, pesquisa e engajamento em movimentos sociais.
Sou um sujeito de poucas amizades, com prazeres simples, que valoriza muito a companhia da família, um amador na arte da enologia, ávido por viagens, e, nos raros momentos de inspiração, arrisco a escrita literária. Sou, em prática, um realista com uma pitada de pessimismo, um materialista que vê o mundo através das lentes do concreto (sem misticismo). E por ser um amante da literatura, escrevo poesias e crônicas com foco nas questões sociais e filosóficas.
Na minha escrita, mergulho em temáticas para expor as injustiças geradas pela desigualdade social que permeia nosso mundo. Muitos dos meus textos são ressoantes manifestações de insatisfação, narrativas que se levantam contra os fundamentos do poder e desafiam os contornos cruéis do sistema capitalista. Além disso, busco constantemente refletir sobre a existência humana. Ao escrever, tento compreender e expressar o peculiar sentimento de "estar no mundo", abordando inquietações sobre o sentido da vida, dilemas éticos, o impacto da morte e o confronto do ser com sua realidade.
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