Lista de Poemas
Antes Incendiar do que Apagar Aos Poucos
Sou parte das massas que desejam prendê-los.
Não me fale dos falsos inocentes na guerra entre lobos...
Não me solidarizo com impérios fingindo serem pátrias oprimidas.
Não me incite a aceitação de baixos salários e o espírito do passivo trabalhador...
Faço greve contra a volumosa mais valia dos patrões.
Não me insira no amor líquido e na contenção das emoções...
Não suporto a assepsia dos afetos e a emulação de empatias.
Não me fotografe em poses felizes para redes sociais...
Estou farto de influencers que proliferam discursos de fezes otimistas nos paraísos prometidos aos homens candidos.
Nem me fale da política conciliadora de classes e que deseja humanizar o que é barbárie social...
Sou parte dos contestadores que desejam trucidar multinacionais e bilionários para socializar suas riquezas com os que não conseguem comer três vezes ao dia.
Não me ensinem uma vida monótona...
Da existência quero percorrer diversos caminhos,
Ser flamejante boca que mata a sede nos mananciais,
Samurai que usa afiada lâmina
Em uma constante batalha na busca de luz.
O Simulacro Universal
Editada milimetricamente em um photoshop,
Horas de aparentes alegrias e encantos
Que falseiam o vazio no peito das pessoas.
Ela está aprisionada nas banais emoções
Tinderizadas no encontro de pênis e vaginas.
Como estão as artes nesse túnel de futilidades?
Nos limitados streamings
Apenas filmes cor de tédio,
Películas blockbusters a gerar
Barato entretenimento para o povo.
Olhos antenados em filtros
De memeticas histérias coletivas
E presos em um multiverso, em uma realidade
Paralela repleta de criaturas mitológicas...
Rompe o obscurantismo nos smartphones
E likes das vidas superficiais.
E o desejo de viver em paz expresso
No canto universal de Jara, onde está?
Rigorosamente limitado pelas redes sociais
E calado pela uberização das mãos operárias...
Uma imensa fila de trabalhadores com menos
Direitos e com horas contadas por aplicativos.
Proíbe-se pensar, criticar,
Rebelar, desconectar,
Ousar, revolucionar...
Neste recinto universal de simulações
É proibido se libertar da alienação,
Da dormência emanada nas estúpidas vozes on-line.
É proibido sentir a realidade como ela é!
Tudo se vê pelo prisma do grande
E controlador olho imposto pelo capital.
A Mosca Provocadora
Que roeu os pães e contaminou a esperança.
Eu sou o punk que contestou as raízes do Estado burguês,
Um jovem grunge que se desiludiu
Com os homens presos em caixas.
Eu sou Augusto, o que ficou chorando sobre os
Ossos do caminho, o que poetizou a decomposição da matéria.
Eu sou o lobo que fez sua própria estrada,
Distante das ovelhas que pastam em tediosos caminhos.
Eu sou a mosca que voa
Para além dos muros dos dogmas.
Sou eu que emporcalho
A realidade alienante com putridos ovos,
Aquele que gangrena as carnes podres.
Sou o discurso soturno a incomodar
Os ouvidos dos cidadãos de bem,
A afiada faca no pescoço dos fascistas,
A canção para acordar os dormentes.
A Poesia Maldita
Nas tardes que se passam: cobranças no trabalho.
Ao redor selfies, violência, miséria, burrice coletiva,
O mundo é um luar de entediadas mandíbulas a discursarem.
Um planeta acinzentado que não anima os homens.
Nessa pesada realidade, nesse chope sem espuma,
Nesse perfume que não adoça os corpos,
A poesia deve incomodar, nada de suave romantismo.
Seus versos devem guilhotinar os afortunados,
Suas rimas alardear sobre a pobreza que avoluma.
A poesia é plurissignificativa de metamorfoses,
Mendigo a caminhar nas ruas dos sentimentos,
Uma defecadora na boca dos hipócritas.
O versejar não pode ser bobamente feliz,
Descrever jocosamente o amor, ser mero entretenimento.
A poesia deve jorrar sangue, desnudar mundos,
Ser jab bem dado para ferir e remontar o cérebro...
Elegia que expõe vértebras e estômagos.
A poesia tange seus pés junto
A tudo que é desconfortável e agressivo.
Ela cospe sobre o descartável,
Esfaqueia os que buscam a felicidade
Pela satisfação de necessidades econômicas.
A poesia tritura os ossos do imediatismo,
Dá pontapés na superficialidade,
Oferece sentido ao mundo à nossa volta.
Ela grita nossos dilemas,
Busca novas possibilidades.
A poesia é a trova dos críticos,
Uma bastarda entre os deuses do Olimpo...
As flores do mal plantadas por Baudelaire,
Poe, Augusto, Ginsberg, Kerouac e Gregório.
A poesia beija o peito sofredor.
A poesia deve ser maldita!
Eu Digo Sim
Nem de heroína ou cocaína.
Não preciso dos conselhos de influencers,
Nem da pose dos homens nas academias,
Muito menos das selfies de ricos em iates,
Eu só preciso sempre dizer sim à vida.
Mesmo quando o universo assobia a canção
Em que sou minúsculo farelo/átomo de nada,
Mesmo que os dias tenham infindáveis dilemas,
Um jorrar de sangue como em matadouros de vacas,
Mesmo que eu me rasgue no rodopio das emoções,
Jogando pedras em tudo que incomoda os ouvidos,
Mesmo que sinta os vales de lágrimas
Que afloram as vulnerabilidades do eu,
Me engajo por inteiro neste insano planeta
E digo sim plenamente à vida.
Viva Lenin
Sejam as que manuseiam a foice ou
O martelo estavam fartas com a repetição
De séculos de desigualdade.
Mas a luta pela revolução tomou
Corpo em suas teorias e atitudes,
A vontade do proletariado se concretizou
Nas páginas da humanidade.
Dirigente da primeira revolução proletária,
Fundador da União Soviética,
Libertador dos trabalhadores da opressão,
Lenin, te saudamos como grande
Arquiteto da liberdade,
Quem ajudou no nascedouro do comunismo.
Nos tempos em que vidas se destroem
Em vão consumismo,
Em que o neoliberalismo aliena
Consciências e empobrece os povos,
Tuas ideias são tão atuais
Quanto nos dias das vitórias bolcheviques.
Nos salões dos palácios imperialistas
A corrente forte e organizada
Das nações oprimidas destruindo
O capitalismo rumo a uma coletividade igualitária.
Instantes de Serenidade no Mundo Cão
Exausto das horas decantadas em selfies,
Cansado das propagandas induzindo compras.
Com os olhos fechados para as bonanças miraculosas dos influencers,
Ouvidos que não suportam as historietas de pessoas de sucesso em redes sociais,
É sempre bom repetir a lição que aprendi
Nas ações de minha mãe e revi na carta epicurista:
Ser rico não é ter posses, mas ter poucas necessidades...
É gozar apenas dos prazeres que dão sustento a vida e a saúde.
E assim me contive na cotidiana sentença
De que tudo se veste na cor embolorada do dinheiro.
Me afastei das preocupações que derivam o gosto pelo poder.
Em pensamento ri das pequenas vaidades dos colegas no trabalho,
Afastei a busca de status sociais.
E os desejos que desaguaram foi degustar
Um vinho em ensolarada tarde na casa de meu pai... Afrouxar o coração nos diálogos com minha mãe.
Quantos reais essas cenas valem?
É cabível de exposição em redes sociais?
São momentos que oferecem felicidade ímpar,
Não lambem o silêncio dos homens zumbis,
Instantes que passam intensos, inteiros,
Fantásticos, metafísicos
Por dentro da vida.
O Renegado
O herege, o desiludido,
O cético, a tenaz pedra no sapato,
A curva diante das retas feitas de tediosas verdades.
Eu sou ninguém,
As vezes me porto na vaidade de Napoleão,
O imperador de tudo que existe,
O qual insiste, persiste
Em não ser consumido pela liturgia
Do conformismo gravado nas testas
Dos homens-ovelhas em rebanhos
Burrocraticamente estáveis no senso comum.
Eu sou a tesoura, a faca amolada, o sarcasmo,
O triste tango de Piazzolla tocado na folia do carnaval,
O provocador rock n' roll contra as mesmices das canções de amor.
Eu sou o maldito, o prisioneiro, o reservado,
O verborrágico contra os persistentes dogmas.
O lutador contra a política a favor dos opressores,
O operário que incita a rebelião contra os desmandos do patrão.
Eu sou o atrito, o trágico, o provocador,
O torcedor de um time pouco querido,
Um isolado filósofo sartreano que desfere machadadas contra valores reconfortantes.
Eu sou o inconformado, o do contra,
A ovelha negra que não vestiu o branco manto das religiões,
O amigo de poucas amizades e que deseja a cabeça dos traidores num vistoso prato.
Eu sou o homem que se consome de ódio
Contra injustiças que me prejudicam e não posso alterar.
Eu sou o tiro, o lamento do blues, o que tem dificuldade em pedir desculpas,
O professor que roda a chave da reflexão na cabeça dos alunos.
Eu sou o questionador de tudo que me dizem,
O que enfia com violência o dedo nas feridas que me causam incomodo,
O eterno rebelde em tempos petrificados em redes sociais e amores líquidos.
Eu sou o defensor do lado pouco visitado,
O viajante em busca de quentes praias,
O que cospe nas good vibes dos sacerdotes,
O que desdenha dos dúbios milagres,
O esfomeado por novas transcendências,
O que não se aliena na felicidade acéfala dos zumbis,
O antissocial que não faz coro com os imbecis.
Eu sou o esquisito, o pé torto, o peculiar,
O frio corte nos cadáveres dos ídolos públicos,
O detestado e que a poucos ama, mas com intensidade.
Eu sou a língua ferina, o pé atrás com conhecidos,
O alpinista que escala montanhas além da mediocridade,
O sombrio poema de Augusto que fertiliza o húmus de pessimismo e decompõe a matéria.
O epicurista que questiona os jardins de aparente felicidade,
A pessoa que carrega a foice e o martelo para decepar cabeças de reis e burgueses.
Eu sou o blasfemador contra verdades absolutas,
O paradoxo, a contracultura, o protesto,
A visceral canção de Belchior tateando liberdades,
O lobo que critica a alcateia firmada na corrosão da conformidade,
O dialético que internaliza as contradições da realidade em suas entranhas, que a tudo quer alterar.
Eu sou o que faz moradia em seu próprio lar,
Que de erro em erro descobriu-se e construiu os próprios alicerces.
O homem que do nascimento a sepultura
Nao será devorado por uma vida insossa e sem sentido.
O Juiz Que Manipulava Sentenças
Em não cumprir os deveres da lei,
Ter uma sentença para decidir
E não sustentá-la segundo os preceitos da Justiça.
Aqui, ter provas robustas para incriminar é besteira,
Ter diálogos ilegais com procuradores não é nada.
Pois enquanto as luzes do poder brilharem em meu caminho,
O bom mesmo é fazer o Estado de Direito correr, bem ou mal,
Segundo os ventos de meus partidarizados interesses.
Eu sou o juiz, a autoridade que grampeia ilegalmente advogados de defesa.
Aquele que cruza as mãos para sentenciar
Inocentes perante frágeis suspeitas.
Eu sou o togado que agitará a salvação desse país...
Morou minhas segundas intenções?
A Liberdade Perante o Mergulho no Abismo
Não são os livros religiosos,
Nem os psicólogos, muito menos os padres,
Nada e nem ninguém explica com exatidão
Tudo que compõe a vida incerta.
Sem bússola,
Sem usual mapa,
Sem dogmas,
Vou em direção errática
Ao encontro do planalto do desconforto,
Ao espancamento da dor.
No peito grandes distâncias percorridas
E um baú que guarda indizíveis falhas.
Mas mergulhando no abismo
De todos os lugares que habitei,
Todos os infernos que vi travestidos de paraísos,
No epicentro de tempestades,
A dor foi temporal que adubou novos jardins.
Resisti às falhas,
Suportei os fracassos,
Superei os limites impostos,
Aguentei o que era vulnerável,
Reergui após várias quedas,
Jorrei adversidades
Que forjaram o viver além de mim.
Mesmo sabendo que viver quase todos os dias cansa,
Nessa sentença genética imposta pela natureza,
Para alcançar a liberdade é preciso força.
Porque neste estranho sonho, insônia sem fim
A que chamam realidade,
É necessário determinação
Para elevar o espírito
Além do crime e castigo,
Além das certezas e censuras,
Além dos horizontes pintados
No maniqueísmo do bem e do mal.
Reavaliar, duvidar sobre o que é
O correto e o errado,
Os direitos e os fardos dos afazeres.
Suportar
As escolhas e suas consequências,
Criticar as verdades banais,
Observar
A virtude acompanhada do fel dos vícios.
Permitir ver a existência
Através de óculos que
Mostrem imagens no reaprender
De valores e práticas
Neste planeta que imola diariamente
Vidas humanas.
Diante das contingências que são
Pedras impostas pelos homens ao redor,
Naquilo que fizeram de mim
Nos muros coletivos
Que insistem em me prender,
Desenvolver o hábito
De destruir grilhões,
Criar valores, cosmovisões,
Lutar contra opressores
E se aliar aos que tem fome de vida.
Está condenado a ser livre
No buscar de uma vida autentica,
Forjando atitudes
No tedioso pendulo composto
De escolhas e consequências.
Comentários (0)
NoComments
Meu nome é Dennis de Oliveira Santos. Nasci no ano de 1985, numa pacata cidade do interior goiano chamada Ceres. Sou oriundo de uma família humilde e um dos dois filhos que muito ama seus pais. De lá pra cá fiz muitas andanças pelo mundo através de viagens e mudanças de lares ao morar em várias localidades.
Na adolescência tive um intenso contato com obras clássicas da filosofia e literatura de forma autodidata. Escritores e pensadores foram importantes na formação de minha cosmovisão, além dos valiosos ensinamentos e valores cultivados pelos pais e avós. Desde essa época aos dias atuais o meu olhar sobre o mundo é moldado principalmente por perspectivas filosóficas, como o existencialismo e o materialismo. Já na fase adulta segui os estudos universitários me graduando nas áreas de Sociologia e Pedagogia. Hoje sou educador e pesquisador. Minha atuação abrange os campos de pesquisa, ensino e projetos sociais. Além de publicar artigos científicos na área da sociologia.
Do existencialismo ficou na mente a ideia da busca da liberdade, a responsabilidade pessoal e a busca incessante por significado na existência humana. E extraído do materialismo filosófico, a perspectiva de que a compreensão da realidade se dá na matéria e nas leis naturais, buscando explicar fenômenos e experiências humanas através de bases físicas e tangíveis. Politicamente, me situo à esquerda, com inclinações marxistas, buscando constantemente a justiça social e a crítica do sistema capitalista. Tento contribuir para a realização desses ideais através do ensino, pesquisa e engajamento em movimentos sociais.
Sou um sujeito de poucas amizades, com prazeres simples, que valoriza muito a companhia da família, um amador na arte da enologia, ávido por viagens, e, nos raros momentos de inspiração, arrisco a escrita literária. Sou, em prática, um realista com uma pitada de pessimismo, um materialista que vê o mundo através das lentes do concreto (sem misticismo). E por ser um amante da literatura, escrevo poesias e crônicas com foco nas questões sociais e filosóficas.
Na minha escrita, mergulho em temáticas para expor as injustiças geradas pela desigualdade social que permeia nosso mundo. Muitos dos meus textos são ressoantes manifestações de insatisfação, narrativas que se levantam contra os fundamentos do poder e desafiam os contornos cruéis do sistema capitalista. Além disso, busco constantemente refletir sobre a existência humana. Ao escrever, tento compreender e expressar o peculiar sentimento de "estar no mundo", abordando inquietações sobre o sentido da vida, dilemas éticos, o impacto da morte e o confronto do ser com sua realidade.
Português
English
Español