Lista de Poemas
Livro Assustador 'K, O ESCURO DA SEMENTE de Vicente Ferraz Cecim
Pequena Resenha Critica
O "K"(aos) Numinoso da "Literapura"de Vicente Franz Cecim no Livro que já Nasceu Clássico
"K, O Escuro da Semente"
"Viver vale/Um delírio"
Sergio Capparelli, in, De Lírios e
de Pães/(A partir de um provérbio chinês)
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Prólogo: E-mail ao editor:
Olá Nicodemos Sena - Editor da Editora LetraSelvagem
Saudações. Assustado acabei de dar uma passada em transe no livro do CECIM. Que lindeza de loucura! Nunca a leitura é só uma vez só ou inteira nele/dele? Nunca tinha lido nada perto de parecido. Vivendo e levando susto; se eu ler mil vezes o K, conhecerei todo o abecedário neural/trans-espiritual do cara? Benza-Deus como diria minha genitora. Onde já se viu isso? Tentei ir lendo e me desatando os nós das sandálias, mas ainda não foi fácil. Acho que perdi uns parafusos, atiçado e alumbrado... Esse CECIM existe mesmo ou é invenção da letra selvagem na Amazônia-brasilis-Andara? Mando texto anexo com erros e acertos de comentários sobre o baita livro, para vc ver o que acha(...) Perdoe as ligas e anelos e divagancias; pensa que é fácil? E que o K tenha piedade de nós pobres mortais comuns.
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-... o impacto deste livro "K, O ESCURO DA SEMENTE" em mim - como desde antes na aturdida crítica especializada como um todo - e a técnica do contraponto, enquanto na abarcada (e proposital de feitio) dualidade "poesiaprosa", até o assustador jorro neural diferenciado do autor, Vicente Franz Cecim, já consagrado em outras obras espetaculares como único e raro no (seu) gênero que particularmente criou, como fora de série, de onde esplende sua "verborrágica" (aí se juntando verbo e mágica), loucura-lucidez, o já chamado estado "álmico" e o numinoso na mesma rapsódia, e, você, leitor, pego pelas palavras não saca assustadiço do que afinal se resta na leitura inesperada, se mergulha nesse "K" do literato, ou, se assim mesmo, literalmente resta-se também como um "koiso", no "kaos" leitural, ou se só e ainda "bebesorve" da almanau do autor nas escrituras em enlevo, provocadora, incomum porque especial, feito alucilâminas em "prosaverso", em que eu, lendo, também, por assim dizer "enloucresço". Livro que mexe com o leitor é livraço. Como é que pode isso, como é que pode assim? Livro bom é quando o leitor morre no final? Passei perto.
-... você vai, digamos, navega (nave cega a priori), depois, lê-se, vê-se, e capitula, se enleva também atraído, fisgado, abduzido, o que quer que seja a surpresa e o chique do chamamento ulterior. Como pode alguém (no humano), escrever isso, de-assim, desse jeito, assaz, na fuça, tresloucado, literalmente diferente e sem explicação, mas, estupendamente transpolar, multipan-polar, literalmente "literapura", dando com as palavras entrecortadas (e, entre, contadas), fragmentos/entre/vistas, numa vazão como magma entredentes/entrementes, alma limada (lixada?), tirando clarezas de sutilezas, cactos acesos de brutezas; tirando do "spiritual" (arrebatamento?) de si esses mantra em tons e tintas de um surrão interior, como se a nos "almar". Esse Cecim é único no mundo das ideias, das artes, da literatura singular que per/segue? Já antes elogiado por críticos de alto nível, já bem editado, até no exterior consagrado, já em continuação em sua sina sígnica, como uma espécie assim de um livro de Jó, de profecias (e profe-ceias) de Isaias, ou de Salmos contemporâneos e pós-modernos, a escrever sempre e tanto o mesmo livro - o LIVRO DE CECIM - continuando um tomo no outro e no outro, todos os livros um só, todos os livros ele mesmo em seu perene estágio de espírito; estado de semente de mostarda aos quatro ventos, aos sais de si, nas desaceleração de partículas do sal e de açucares de si, neutrinos narrativos, per-furando criações, entre pólens, ácaros, ícaros, troios até (mistura de joio e trigo), em perigritantes (perigos/gritos) a deslavar-se, enlevando-se, deste êxtase que fez e produz o poeta e literato sobre a arte como libertação/levitação. Cecim escreve como quem, ponhamos, se levita?
-... K, O ESCURO DA SERPENTE, segue a trama-tramóia-trauma metafísica da "asaserpente", transcreve o lumiar do encordoamento dos andamentos-continuações, pois a vida e a arte são isso: pesadelos customizados. Ah o adâmico horizonte agônico do ser/ente do devir. No dial quebrado de CECIM, o éter na mente é palavravável com atiço de imaginação? Tudo na sua obra é pura vidamorfose. O alfabeto humano não é humano? O homem é um erro, uma falha, uma falta de? Pois a arte é (precisa ser) o/esse preenchimento de vazios entre penumbras. Alvuras padecem rascunhos, e podem ser ranhuras de erratas elípticas. Os livros de CECIM não são deste mundo? Que mundo? Que desmundo? Ah a vox que clama no deserto dos bárbaros contando do ovo do sono, nessa sodomogomorra que ainda precisa de babeis para coroar o vazio da alma insepulta do Homo sapiens ao Homo demens, e do Homo degradandis ao homo interneticus...
-Considerando (especulando) o "K" da obra que aqui também supostamente pode ser de "Kaos", palavra de origem grega que ocorreu por volta do ano 800 AC com Hesíodo na Grécia antiga, e que era usada pelos gregos significando vasto abismo ou fenda; palavra que também alude ao estado de matéria sem forma e espaço infinito que existia antes do universo ordenado, suposto por visões cosmológico-religiosas, e, finalmente, o sentido mais usual de caos: de desordem, confusão, grande vazio ou grande amplitude, vazio primordial, podendo se pensar sobre que espécie de semente é essa, esse escuro que o autor burilando cria, entoa, evoca, ou que escuro é esse veios de sementes criativas do autor? Aliás, a bem dizer, Cecim não escreve, destila-se, destrincha-se, dilata-se. Quando escreve ao sair de si, entra (encontra) seu Nirvana? Ai de nós! Falando sério, CECIM descobre o inexistente, desdobra a regra formol, e, ao se assentar escriba, escrevendo vivifica a nosotros com seu tear de criação, afrouxa nós em entalhes e preciosidades de literatura esplendente de primeira grandeza lítero-cultural-criacional. Você entra no livro para ler o "romance"(?) de 384 páginas, e começa também a ler as entrelinhas e as linhagens dos desenhos gráficos, estéticos, pseudodispersos, vai entrando pelas beiradas e parágrafos abertos, e depois entra nos casulos de sua plantação de cenas, de cenários seus inventariando incêndios íntimos, e quando se vê não há como rotular, nem como nominar nada, você não se encontra mais, se perde de critérios e normas, nessas cantárias dele de criar o não-ser dizendo, o não-lugar aclareado, os sem nome, sem teias, num enlevo de um ser vertido para o nosso comum dizível, no entendível, no nominável enquanto prosa, enredo, ensaio, romance(?) em prosa poética, destrinche, prosa poética que seja em estrofes deitadas, vertentes e pinceladas de limonódoas, bijutelíricas, aqui e ali dando um susto no leitor que, também, perde-se de si, embarcando nessa canoa atiçada de K para ver e sentir, fluir, ver aflorar também frutos e raízes, e depois ainda (e por incrivel que pareça) não sacar exatamente o que é o ali e quando, arrebatado, sem ter um eixo exato do que é uma coisa e outra, porque, até mesmo na chamada Linha de TAO, o que não é passa a ser, o que já não existe se vê/lê, pois criado é nutrido, e o que se diz pode não ser exatamente quando, e o que se desdiz é ante-facho, arrebatamento, lume e correspondência com o que agrega o todo, formando a obra, em que o autor se dilacerou, plantou, orbitou, entre incensos, detalhes, silêncios, paradigmas, experimentações, pensagens (pensamentos mensagens), e deu a luz (bem isso) a esse livro-continuação, um livraço que já nasce clássico no gênero (que gênero?), livro lume e foz, enquanto assustador de tão rico e nobre, de seu tanto acervo de densidade em competência de zelo experimental (existencial) que seja na própria olaria de sua com-feitura. "K" é isso e muito mais. O que dizer ou tentar isso, depois de sair-se pelo menos alumbrado dessa arca de todas as palavras, todas as somas, todos os riscos e de/lírios de trânsito neural, de marco criacional, até assentar de novo no crível do plano existencial reles e trivial e comum dessa vidinha efêmera, desembarcando então dessa leitura/embarque?
A obra recheada de partituras lítero-poéticas de CECIM, quase um livro-ensaio "sagradoprofano" de bela e feliz e exuberante experimentação audaciosa e com altíssimo (em todos os sentidos) despojo lírico-espiritual-álmico todo próprio dele, feito epifanias de eulogias de gnosticismo laico, por assim dizer. Deus inventou as palavras, o dianho caído inventou os números, e os seres inferiores da casta telúrica deram de inventar a arte ousada para se sentirem cultuadores da criação que há no nominável sem prumo, no risível em sangria desatada, e no finito com aparência de divinus em perigrinanças nessa terra de Andara, Neverland, Pasárgada...
Matizes e iluminuras, derrama e esparramento de oleiro ornando sementes nidificadas, tramando poesia em prosa e contações, com anelos de temáticas em linguística muito bem barulhada e torneada. Tudo ornando livro, páginas e rumo sequencial num tabuleiro que parece labiríntico, e não é, e você segue o curso da trama, indo a navegar sem saber exatamente o que é margem, o que pode ser correnteza, o que tente a ser escoadouro, ou mesmo píer, mas sustentado pelo susto do porte da obra e então se deixa levar como um homem-árvore sendo nutrido, estra/vazando, muito além do simples e comum, seguindo as terras do bem-virá de Andara, como um leitor se escrevivendo e "escrevilendo" na alma de lã de vidro do autor, sem se desnortear das narrativas, ideias que arrebatam, falando, dizendo, feito um estado onírico de se entrar e sair estupefato com a musicalidade das letras do autor. Um reino de fantasias feito de palavras com/pensadas que agrega estrofes como ovelhas num rebanho historial. O fantástico e o inverossímil se apresentam. O inverso também, tudo pendurado nos cipós das implicâncias e reinações. E os paradoxos que se unem? O que pode parecer trevas é luz, o que parece luz é pântano escorregadio, e o que parece difícil é simpleza entre o lírico e o acabamento dele, numa atmosfera de lucidez/espírito/toleima/confeito lustral.
Do livro K e dele o autor CECIM, diz o literato da USP Adelto Gonçalves (In site Pravda/Rússia): "K O escuro da semente é mais um daqueles livros que o autor chama de "visíveis" e reúne na obra imaginária Viagem a Andara o livro invisível, que não escreve e só existe na alusão de um título. É o que o poeta denomina de "literatura-fantasma", em que foge a uma classificação formal, pois não se sabe se se trata de um romance escrito em prosa poética ou de um longo poema em prosa, mas sim de um gênero híbrido, que absorve todos, constituindo um diálogo entre Pai e Filho ou entre irmãos, como Iziel e Azael e Oniro e Orino. É também o seu primeiro livro em iconescritura, pois une imagens e palavras. De difícil leitura e definição, ao menos para aqueles leitores pouco afeitos à poesia menos convencional, o estilo de Cecim lembra a inquietação existencial de Samuel Beckett (1906-1989), Thomas Stearns Eliot (1888-1965), Ezra Pound (1885-1972) e Franz Kafka (1883-1924), passando ainda por Lautréamont (1846-1870), especialmente o de Os Cantos de Maldoror, e Zaratustra (660-583 a.C).
Tudo em CECIM adquire voz própria, rumo único, alma dilacerada ou se reconstituindo/criando seu mundo todo próprio, sua literatura toda única e especial, entre o ser marcado, o feérico, o inusitado, entre esvairados utensílios, criando pomos, pontes, tomos, diálogos, parágrafos, ramas e floresteiros, feito tudo em K, O Escuro da Semente, um achado, um achadouro. Com o suprassumo de sua alma, o autor escreve os sutras quânticos de uma obra que ao mesmo tempo que tem suas epístolas, tem suas respirações visionárias, sua drenagem de insurreição, sua peregrinação em sumulas, "nuvensfronteiras" se abrindo, sinfonias de letramentos jugulares. Leiam o livro, mergulhem nele, e nunca mais caiam em si, nunca mais caibam em si, nunca mais respeitem sextantes ou areias movediças. O tal do "céuterra" é dentro dos nós das cinzas de nós? A "Alma/zonia" é ele, dele, e em nele se reproduz em livros, assim como livrações mesmo, até nesse "serdespanto" em que afinal nos restamos todos com o que nos nutrimos de ler Vicente Franz Cecim.
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Silas Corrêa Leite - Professor, Jornalista Comunitário e Conselheiro em Direitos Humanos. Ciberpoeta e blogueiro premiado, escritor membro da UBE-União Brasileira de Escritores, Autor entre outros de GUTE-GUTE, Barriga Experimental de Repertório, romance, Editora Autografia, RJ.
BOX:
K, O ESCURO DA SEMENTE
Vicente Franz Cecim, Editora LetraSelvagem, 2016 - Coleção Sabedoria -
A poética de um certo “feminietszche” de Priscila Merizzio
Primeiro Rascunho Para Breve Resenha de Rebites Mínimos:
A poética de um certo "feminietszche" de Priscila Merizzio
"Dentro de mim mora um grito//
De noite, ele sai com suas garras, à caça//
de algo para amar." - Sylvia Plath
O livro "Minimoabismo" de PRISCILA MERIZZIO assombra pelos poemaços contundentes que ela, faca entredentes, por assim dizer-se, tira das "panacéias e infernos" de sua vernissages íntimas... De tanto olhar para o abismo... que o abismo se apequena (para os poetas) e vira maxipoemas. Bem isso. A alma na UTI faz bem pra arte. A loucura-lucidez de Priscila nos surpreende, pois ela eleva seus abismos ao aparato estético de uma portentosa linguagem dentro do nutricional da arte com uma "nietszchedez" fora de série e fora do comum, extraordinários. Periga ler. Abismos, rogai por nós. Eu, que além de adorar as loucas poetas russas, Anna Akhmatova e outras, também passando pela Hilda Hist e tendo um selvagem amor plathônico pela Sylvia Plath, quando caí no deguste do liquidificador de macadames da Priscila no deserto de si mesma, criei amarras, amargos, me reformatei e capitulei horrores. Que porra poeta de aço é essa que mergulha potencializada no curtume de todos os esquizofrêmitos e esquizocênicos da alma brucutu da espécie? Periga ler. Aliás, falando sério, Vininha de Moraes já dizia que o abismo é fundamental na expressão literária.
Todo mundo tem seus abismos. Alguns escrevivem e vivenciam dentro deles sem saber, ou camuflam em bebidas, drogas, sexismo, pós-graduações, consumos, igrejismos, ilhas de amarguras, pataquadas e mixórdias afins, outros, sacam, como se se ilhassem neles, e fazem artes - como libertação - em músicas, poemas, telas, letras de blues, suicídios (cortam os pulsos com poesia?) como na existência da poesia aterradora de Priscila. Eis os mínimos abismos de Priscila que, reconheçamos, além de sua boniteza peculiar, também enlua a lírica abismal com arames dela em buscas, prismas e atiços de carne viva. Sorte nossa. Deixa sangrar. A perigosa poesia dela vem perigritante pelos flancos, e quando se vê, cara pálida, enaltece o oficio de criar, que não é mais do mínimo, mas, muito mais do máximo em estupor, ainda bem trufada groselha preta de sangue cênico e lágrimas de cimento com glitter. Poesia de alto nível, meio mantras de sofrências a palo seco ou um nirvana a la bukowski. O buraco é mais embaixo, baby.
Vejam-se, "lejam-se" (alejem-se):
Emergências
seus olhos de obus lançam-me ao abismo
engulo um puma de marzipan
perverto Barbies zarolhas
no aquário, o casal de bettas
tenta aniquilar-se pela
parede de vidro que os separa
o relógio do computador exibe: Retorno de Saturno
- 29 anos arrastando o caixão do pai
Complexo de Electra em gengivas cafajestes
sequência de frames conduzem
o protagonista-suicida
ao Cliffs of Moher, na Irlanda
Vale dos Suicidas de leprechauns
fêmeas de lagartos da família Teiidae
trepam com os próprios cromossomos
balcões de óperas contêm vidas com a duração
do espirro de uma estrela amorfa
- première de presuntos
lutar por independência passando
querosene no chão dos IMLs
alquimia extraída de silêncio e dor
a solidão eriça meus pelos
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Sacou ou quer que eu resenhe?
Um poema testamento existencial, enjambrado com transcortantes facas/feridas abertas e diluídas em arte, com uma Electra manca, mas ainda assim (e por isso mesmo) de uma densidade que emana talento, leitura, dom, enfrentamentos, perguntações, desabandonos, desespelhos - loucura - vá lá, o que quer que seja que ilumine essas maravilhosas loucas mulheres que ardem no inferno da TPM desse mondo canne machista, e ainda assim regurgitam, purgam, geram, esmerilham, atacam artes de si afloradas, sacam as armas, e nos dão seus afetos que se encerram em nosso peito dito varonil. E depois, disse Manoel de Barros, que salpicou de poemas nosso chão: "Aquele que não morou nunca em seus próprios abismos//Nem andou em promiscuidade com os seus fantasmas//Não foi marcado. Não será exposto// Às fraquezas, ao desalento, ao amor, ao poema".
Priscila Merizzio nasceu em Curitiba, publica em revistas, sites, jornais e antologias literárias desde 2012. Este é seu livro de estreia e foi semifinalista do Prêmio Oceanos Itaú Cultural 2015. Poemas urbanos, pós-modernos, humanus, enrodilhados de estrofes que saltam aos olhos e revelam não o que se diz abismo, mas o que se apresenta revelação, depois dos chorumes e decantações. A carne é música? Ai de ti, ardiduras de dálias negras! Per/vertida, loucamente solta os guindastes que se lhe afogam a alma, e dá nisso: poemas galopantes, alvoroços. Alvorrostos? Na voçoroca da vida, a poetona se salva pelos poemas escritos como alucilâminas em areias movediças de si mesma. Ah essas potentes mulheres armadinhas, e suas arapucas de sinais de pânico, sinais de trâmite, de trânsito, em poesia afinada com rupturas. Mulher quando se pinta para escrever, quer mover mundos e fungos, ícaros e ácaros.
Leiam-na, e se sintam habitados. Ou pelo menos ainda e assim por isso mesmo, se sintam. O mundo é um inferno, mas ainda plantamos facas cegas nas palavras escritas a ferro e fogo. Lendo os abismos da Priscila, habitei-os. E fui salgado pelas palavras.
Salgue-se quem for ler.
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Silas Corrêa Leite
Poeta, ficcionista, blogueiro premiado
Autor entre outros de GUTE GUTE, BARRIGA EXPERIMENTAL DE REPERTÓRIO, Editora Autografia, 2016, RJ
E-mail:
Desestórias: Um Clássico de Márcia Denser Que Resgata Memórias, Em Sangria Desatada
Breves Apontamentos de Rebites para Um Rascunho de Quase Resenha Cítrica:
Márcia Denser, Sangria Desatada em Suas “Desestórias”
Rastilhos em Polvorosa em Apontamentos Para Desestórias
01.Tô na "leção!" da Márcia, PQP, que tornado de informações, lucidezas, ela ferina, libertária, mordaz, alucilímpida; um livraço, vale quando pesa, quem não ler é desconectado do que realmente se passa nos bastidores dos totens, antros, subterrâneos de pompas, o raio que o parta. Aliás, o livro é um raio abrindo memórias ressentidas, ressecadas, vc acaba por rever-se no aparelhamento da história como um coice, uma aula, uma lição, um verdadeiro mapa mundi de sepulturas malcaiadas, e tem que ler bebendo - para não acabar numa roleta russa de remorso e estupidez...
02.Que loucura o livraço da Márcia, tá tudo ali, um ensaio sobre terremotos; o olhar ferino- mordaz extremamente lúcido dela, libertária, porra louca, em lições de brasis e mundis, aulas sobre tudo, repassando histórias, falsidades, insurreições, um livro-aula-campi, quem não ler nem se sentirá na sobrevivencialização... Tô relendo e anotando, PQP, tb tô anotando me sub/vertendo comentários, porradas, vai ficar uma zona, mas vou indo, que mente vodkiana, hein? Temos que ser resgatados do inferno da mesmice, do achismo, do ódio customizado com rúculas de aberrações, bizarrices e toxinas?
Começo:
“Eu me interesso pela linguagem porque ela me fere ou me seduz”.
(Roland Barthes)
-DESESTÓRIAS DE MÁRCIA DENSER – Márcia Escorraçai por Nós
Somos todos discípulos do ridículo, somos todos apóstolos do caos, pobres tantãs entre embrutecimentos de comodismos? Parceiros em potencial de analfas, reaças, amebas, consumistas, nessa ridícula e cotidiana rotina pica-couve do raio que o parta a fórceps? Henry Muller, tenha piedade de nós. Irreverente, a escritora/romancista La Denser, o tango fantasma dela metamorfoseando em nosotros caras pálidas seus ledores-camaleões-chacais, numa terra em transe? Ave Césio. Os que vão subviver são uvas verdes no rede-moinho das aparências hostis. Uma refugiada ou uma desertora, a autora-escritora ela mesma esturricada de contemplações ferinas? Ah, escorraçai por nós. Nós? -Núcleo de Otários Subordinados. Nesses tempos tenebrosos (Brecht), deveríamos todos errantes ser vacinados contra raiva desde o ventre. O escuro é nosso e ninguém taxa. Eis a nossa cota de trevas. Coxinhas, grávidas e black bloc primeiro; La Denser tirou o medo-rabo do pedestal do lepo-lepo em DESESTÓRIAS, ou não-histórias, crônicas, artigos, opiniões, ensaios, tudo numa leva do bem bolado e bem sacado no estertor. Ah a indignação pondo mais do que história-remorso. Só mesmo se inventariando do que se enlivra e regurgita seus vagidos narrativos, feito orgasmos múltiplos de doses duplas de realidade e soterramento para o éter-na-mente. Saravá “gentehumana”... “É nós” nas tretas. O erótico virou pinóquio de chuchu com supositório de comodismo do mínimo impuro, do laquê de impunidade na opus dei da rapaziada, tudo dentro do campo da impune mediocridade-leviatã. É o “anacronismo” de La Denser salpicando de querelas as brutezas da vida. A saci-Denser capitulando em livros suas epístolas, bravatas e panurgismos. Debaixo do tapete infame das etiquetas há muito lixo e talvez até haja mais vidas do que no sofá com vaginas e estercos de sacos roxos com oxiurose. Pois ela discorre brava/mente sobre FHC, blogs, lobbys, 11 de setembro, Tea-Party, Bush e Sherazade. Acredite se quiser. Eu não teria coragem de escrever sobre a Marcia Denser a palo seco, e, falando sério, o selfie pode esperar. Ela é o prego enferrujado do faquir nas etiquetas do deleite derramado. Nas barricadas dos bares da vida ela foi “contracorrentes" (Ítalo Moricone) e nessa contracorrente deixa sua página de sangrias desatadas a evocar por nós, nas labaredas das loucurezas, honrando as calças. Estradas e bandeiras? Abre-se o livro e começa a expectativa já que o estado gozoso tb é lê-la e assim tomar sentido das bandas podres dos curtumes e fermentos dos ciclos historiais minados, e nas catanças de escrevinhares jorram as escrevivências dela, que bota fogo na canjica e relampeja em prismas fumegantes essa sua selvagem/realista literapura.
Ah a banda dos contentes (como diria o filósofo Erasmo Carlos), ela salta o surto com limpidez extraordinária. Alma gêmea? Algemas. O tesão de escrever sola pelos cotovelos e dispara cogumelos-torpedos de enredos ferozes. Transgredir é preciso. Nesse mondo-saigon (em que a terceira guerra mundial já começou e não fomos avisados), Márcia Denser incorpora a alma libertária-femina e escarra na grã-ralé, na grã-finagem-lesma, entre tantos parasitas e mochileiros sem galáxias ostentando o nada e o ninguém, mas ela sucumbe, soçobra no mar de sargaços destilando falatório, palavrórios e outras lucidezas.
Gente é para morrer de fome, contrariando o dizer do Veloso Caetano, isso é o que se lê nas entrelinhas da mundialização de mediocridade universalizada do livro, um clássico. Desestórias é isso; puro sangue - literalmente um pé no sacro das grifes, na patuleia desequilibrada das raves pro açougue das almas, e dos sais nodosos que não tiram a epiderme-cela de cada um. Ah a craca do ego doentio da “sifilização” fazendo pilates para morrer sem sair do lugar que está e é. Juntos somos cavalos? A massa podre desgovernada pela mídia-ração grita: fora cérebro. Mas o aço da palavra da Denser respira pelos gumes das navalhas na carne. Vc só a lê se inteirando se estiver muito bem desperto. Ela flui a narrativa e evoca a literata-libertinagem da verdade que dói mas vc não quer acreditar. Numa sociedade de estercos que sofre o open-doping da mídia-abutre, ela dá seu testemunho de saber lidar com suas estocadas antropogênicas. Que porra é essa?
Ela é toda adrenalina nos passando o que corrói o olhar, o enfoque, a evocação da escrita-salitre. Dá seus cortes, pincela, feito seu testemunho de presença nessa terra cobaia de deuses e pagãos. Criares diferenciados. As máscaras do capital, da política, do NEOLIBERALISMO-câncer, ela tira repentes de teatros figurativos, engessa a imagem e diz: isso não é bem isso. Retrata abismos temporais datados. Ah o cinismo de uma sociedade pústula e seu mundinho de siricoticos com rivotril e ansiolítico e cocaina. Que pocilga é a vida? Tudo cheirando a goma-lacta, creolina, oxxi, crack, e ainda os que vão todo ano num crime lesa-fisco comprar fantasias de Patetas na Disneylândia, sem saber um nada do que rola por trás, no entredentes, nos bastidores, ela mesmo escrevendo como se com uma faca entredentes. Evoé, Baco. Ah os desvãos da alma do lucro-fóssil, a vaca profana dos podres poderes, num mundo com regras pétreas de imbecilidade, em que ela se exila na escrita como pode... Sorte nossa.
Senhoras e senhores, o circo tá armado e Márcia Denser é um perigo: ela pensa. Mais, ela cria, pior, ela salga essa sodomogomorra que é a vida. Subversiva, intolerante, granada sem pino, fio descascado. Sua açodada visão estrebucha o que tem verniz adulterado, criticando os puteiros do sistema. Desde o capitalhordismo americanalhado, às instituições de fachadas do crime organizado, falsas ofertas e procuras, falso mercado, não obedece, logo, cria. Talvez, afinal, uma revelação dessa fossa borralheira que é a vidamorte sempre a lhe atiçar os ânimos e os olhos, e talvez ainda ela seja de uma forma ou de outra a nossa trombeta de Arendt tupiniquim. Extraterrestres venceremos? Estamos fudidos e mal pagos. Deixem-na sangrar pra nós, por avessos virais, em seus livros/livrações. Vinhetas, pertencimentos, perguntações, mulherices, gordices, reflexões criticas, calhordices, detonando o indecente com fachada, pontuando pautas do arco da velha, contra siglas, antros de escorpiões, vertentes de chorumes existenciais... Diz do homem otarius, da consciência perversa, de amnésia histórica, dos nomes do jogo, da vida besta. Ah DESESTÓRIAS é tudo isso em soma e sumo. Ela vagamundeia o arbítrio, o cético, as ferrugens, num macadame de enxergar o couro grosso da mentira, do embuste, do que contempla com filosofia toda própria e argumentação textamental de fina estampa e grosso calibre, tudo junto e misturado, isso mesmo, um mosaico do que é e não é. Ah, pergunta o leitor atiçado, e o livro Desestórias propriamente dito? Pois é isso mesmo que a teimar estou somando tudo para falar na “livra” que é aqui a enciclopédia (livre) de La Denser. Ela é o livro. No livro ela destripa o mico das inverdades, entre utopias e distopias conta ao seu modo especial, sarcástico, bombástico, deixando o leitor numa zona de desconforto: como pude não pensar eu tb sob essa ótica, ou sacar o indizível que ela na cara dura nomina, ou, pior, muito pior, deixar que eu entenda que tolo e coxinha eu assinei achando que sabia do riscado e a coisa está muito pior pra raça... Somos todos espíritos de pornôs? Vai doer mais em quem ler? Porque não é aceitável assumirmos a comodidade do inferno de nós. Pois esse é um livro que a gente sofre pra caralho na leiturança e muito no final da leitura, como se de toda a existência os acontecidos fossem gatos escalpados entupindo nossa visão com mentiras e lambanças. O pavio curto dela mantém acesa a esperança de que, sim, o mundo acabou, camaradas... A NUDEZ DO Brazyl S/A. A nova geopolítica manda. A nova desordem econômica mundial grassa e detona. As honras são capachos. E tudo cheirando a mofo e naftalina de togas, patentes, tungas, túnicas, igrejismos, palácios, impérios, farsas e fardas. O lixo da história? Ela retrata, conta a sua opinião crua. Diz das estratégias de manipulação da elite. Diz da arte do equivoco, da ideologia do choque e do saque colonial... Privatização da consciência? É com ela mesma. E vai fundo em heresias, rituais, tudo na sua cara...
A crítica a consagra:
“Márcia Denser é densa, vivaça, ferro e foro nas etiquetas:
Suplementopeernambuco - #PernambucoLeu: "Marcia Denser é uma das nossas vozes mais pungentes da literatura brasileira contemporânea. Para traçar o que foi o Brasil nos estranhos anos da virada entre ditadura e abertura política precisamos retornar à sua personagem mais famosa, Diana Marini - Diana caçadora, publicitária, louca e perdida numa São Paulo cinzenta que era no fundo todos nós. DesEstórias marca sua estreia no terreno da não-ficção, reunindo observações sobre literatura, sobre o mundo lá fora e aqui dentro, não deixando escapar nem um restaurante banal onde encontra os amigos, um ambiente em que é "tudo baratíssimo, lembrando um mix de naufrágio com suicídio empresarial no melhor estilo anos 50, uma vez que ainda sobrevive graças à frequência de teatros off-Roosevelt - atores, dramaturgos, diretores, técnicos, público, fãs de tudo isso retra e supra". E quando se olha no espelho não se esquiva de sombras, como nesse trecho em que reflete sobre seu trabalho: "isto não é autoficção, tampouco autonaufrágio, até porque escritor é aquele nadador com várias medalhas olímpicas que, cada vez que chega à beira da piscina, se dá conta que não sabe nadar, já o fez um dia, mas agora ele não lembra, contudo mergulha mesmo assim, toca o fundo e milagrosamente consegue emergir. Absolutamente só e ofegante, mas vivo, porra". E cada vez mais viva!", por @schneidercarpe #instalivros #instabook #literatura #leiamulheres #menos1naestante”
Rir aos quatros ventos. Ferir-se de ler. Ah essa cavalgadura do achismo. Os asnóias precisam de belzeboys e belzebundas para terem altar. Mais médicos? Não, mais médicis... A seco ninguém segura esse rojão, muito bem cantou Chico Buarque, deve ser isso porque a Márcia Denser escreve estopins. O cínico está pegando fogo? Saques o celular. Ah o selvagem coração da divida social dos infelizes miseráveis do progresso sem consciência, em arremedos de fés quase isso mesmo, fezes. E o endividamento moral coletivo? Ah o carnegão da pose. Macacos nos moldam. “Num mundo totalmente globalizado e informatizado, tornou-se impossível ocultar a realidade sob o manto da ideologia”(PG. 279/Desestórias). E descreve sobre Flips, Ongs, Haiti, Delivery, Favela, Jogos, Sacis, Erotismo, preconceito, Feminismo, lobotomia, DogVille, Paulistices, Vinis, Gordier, Bachianas, sítios, rituais, estágios, afins e pertencimentos pertinentes. Sempre com filosofia/sabedoria/acidez narrativa fora de série e as vezes irônica e mesmo muito fora do sério, que nem tudo que reluz é fêmea. Ela faz chover no piquenique das ideias, mostra reinados nus, e saltita aqui e ali sobre a sociedade-cadáver. Gotham City só existe no gibi? Leiam aos poucos. Leiam bebendo doses homeopáticas de vodka russa pura. Vai ser um porre, PQP, as toupeiras vão botar as panelas no vaso sanitário. As hienas vão entrar numa TPM temporã. Ah o conservadorismo e suas pataquadas amorais. Ela traz imagens do pântano, diz de núcleos de abandonos de todos os tipos, conta das tripas sociais (mídia), e expõe disso tudo cicatrizes e sequelas. Você abre em qualquer pg e lá viça a contação raçuda e logo se sente (está) no finca-pé dessa deriva ao notório como é e vc nem sacava que era. Toma um porre de informações e se assusta. Ela dita o ritmo, dela. Como não saquei isso à época? Se eu contar, vcs não vão acreditar. Leiam a obra. Ah a sabedoria pansexual dessas mulheres que tanto sacam que acabam a mosca na sopa das breguices e achadouros disformes do real. Enquanto o meio desinforma, ela desenforma tudo e revela-se: tá na área é grilo esclarecido. Fica entre uma inventariante de remorsos, de tropeços, de relicários e perdulários. Com seu software todo peculiar, um imaginário e um conhecimento superior, MARCIA DENSER deixa com esse livro sua marca indelével de uma puta escritora, nessa obra-master em que se afirma nela e nos confirma MÁRCIA DENSER como uma literata monstro.
Querem saber? Leiam o livro.
Depois não digam que eu não disse. Márcia Denser, Escorraçai por nós...
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Silas Corrêa Leite – E-mail: poesilas@terra.com.br
Autor entre outros de GUTE GUTE, Barriga Experimental de Repertório, Editora Autografia, RJ, 2015.
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Livro DESESTÓRIAS, Crônicas e Relatos
Autora Márcia Denser - https://www.facebook.com/marcia.denser
Editora Kotter Editorial
332 pgs, 2016 – www.kotter.com.br
E-mail: kotter@kotter@bom.br
Desestórias: Um Clássico de Márcia Denser Que Resgata Memórias Em Sangria Desatada
Breves Apontamentos de Rebites para Um Rascunho de Quase Resenha Cítrica:
Márcia Denser, Sangria Desatada em Suas "Desestórias"
Rastilhos em Polvorosa em Apontamentos Para Desestórias
01.Tô na "leção!" da Márcia, PQP, que tornado de informações, lucidezas, ela ferina, libertária, mordaz, alucilímpida; um livraço, vale quando pesa, quem não ler é desconectado do que realmente se passa nos bastidores dos totens, antros, subterrâneos de pompas, o raio que o parta. Aliás, o livro é um raio abrindo memórias ressentidas, ressecadas, vc acaba por rever-se no aparelhamento da história como um coice, uma aula, uma lição, um verdadeiro mapa mundi de sepulturas malcaiadas, e tem que ler bebendo - para não acabar numa roleta russa de remorso e estupidez...
02.Que loucura o livraço da Márcia, tá tudo ali, um ensaio sobre terremotos; o olhar ferino- mordaz extremamente lúcido dela, libertária, porra louca, em lições de brasis e mundis, aulas sobre tudo, repassando histórias, falsidades, insurreições, um livro-aula-campi, quem não ler nem se sentirá na sobrevivencialização... Tô relendo e anotando, PQP, tb tô anotando me sub/vertendo comentários, porradas, vai ficar uma zona, mas vou indo, que mente vodkiana, hein? Temos que ser resgatados do inferno da mesmice, do achismo, do ódio customizado com rúculas de aberrações, bizarrices e toxinas?
Começo:
"Eu me interesso pela linguagem porque ela me fere ou me seduz".
(Roland Barthes)
-DESESTÓRIAS DE MÁRCIA DENSER - Márcia Escorraçai por Nós
Somos todos discípulos do ridículo, somos todos apóstolos do caos, pobres tantãs entre embrutecimentos de comodismos? Parceiros em potencial de analfas, reaças, amebas, consumistas, nessa ridícula e cotidiana rotina pica-couve do raio que o parta a fórceps? Henry Muller, tenha piedade de nós. Irreverente, a escritora/romancista La Denser, o tango fantasma dela metamorfoseando em nosotros caras pálidas seus ledores-camaleões-chacais, numa terra em transe? Ave Césio. Os que vão subviver são uvas verdes no rede-moinho das aparências hostis. Uma refugiada ou uma desertora, a autora-escritora ela mesma esturricada de contemplações ferinas? Ah, escorraçai por nós. Nós? -Núcleo de Otários Subordinados. Nesses tempos tenebrosos (Brecht), deveríamos todos errantes ser vacinados contra raiva desde o ventre. O escuro é nosso e ninguém taxa. Eis a nossa cota de trevas. Coxinhas, grávidas e black bloc primeiro; La Denser tirou o medo-rabo do pedestal do lepo-lepo em DESESTÓRIAS, ou não-histórias, crônicas, artigos, opiniões, ensaios, tudo numa leva do bem bolado e bem sacado no estertor. Ah a indignação pondo mais do que história-remorso. Só mesmo se inventariando do que se enlivra e regurgita seus vagidos narrativos, feito orgasmos múltiplos de doses duplas de realidade e soterramento para o éter-na-mente. Saravá "gentehumana"... "É nós" nas tretas. O erótico virou pinóquio de chuchu com supositório de comodismo do mínimo impuro, do laquê de impunidade na opus dei da rapaziada, tudo dentro do campo da impune mediocridade-leviatã. É o "anacronismo" de La Denser salpicando de querelas as brutezas da vida. A saci-Denser capitulando em livros suas epístolas, bravatas e panurgismos. Debaixo do tapete infame das etiquetas há muito lixo e talvez até haja mais vidas do que no sofá com vaginas e estercos de sacos roxos com oxiurose. Pois ela discorre brava/mente sobre FHC, blogs, lobbys, 11 de setembro, Tea-Party, Bush e Sherazade. Acredite se quiser. Eu não teria coragem de escrever sobre a Marcia Denser a palo seco, e, falando sério, o selfie pode esperar. Ela é o prego enferrujado do faquir nas etiquetas do deleite derramado. Nas barricadas dos bares da vida ela foi "contracorrentes" (Ítalo Moricone) e nessa contracorrente deixa sua página de sangrias desatadas a evocar por nós, nas labaredas das loucurezas, honrando as calças. Estradas e bandeiras? Abre-se o livro e começa a expectativa já que o estado gozoso tb é lê-la e assim tomar sentido das bandas podres dos curtumes e fermentos dos ciclos historiais minados, e nas catanças de escrevinhares jorram as escrevivências dela, que bota fogo na canjica e relampeja em prismas fumegantes essa sua selvagem/realista literapura.
Ah a banda dos contentes (como diria o filósofo Erasmo Carlos), ela salta o surto com limpidez extraordinária. Alma gêmea? Algemas. O tesão de escrever sola pelos cotovelos e dispara cogumelos-torpedos de enredos ferozes. Transgredir é preciso. Nesse mondo-saigon (em que a terceira guerra mundial já começou e não fomos avisados), Márcia Denser incorpora a alma libertária-femina e escarra na grã-ralé, na grã-finagem-lesma, entre tantos parasitas e mochileiros sem galáxias ostentando o nada e o ninguém, mas ela sucumbe, soçobra no mar de sargaços destilando falatório, palavrórios e outras lucidezas.
Gente é para morrer de fome, contrariando o dizer do Veloso Caetano, isso é o que se lê nas entrelinhas da mundialização de mediocridade universalizada do livro, um clássico. Desestórias é isso; puro sangue - literalmente um pé no sacro das grifes, na patuleia desequilibrada das raves pro açougue das almas, e dos sais nodosos que não tiram a epiderme-cela de cada um. Ah a craca do ego doentio da "sifilização" fazendo pilates para morrer sem sair do lugar que está e é. Juntos somos cavalos? A massa podre desgovernada pela mídia-ração grita: fora cérebro. Mas o aço da palavra da Denser respira pelos gumes das navalhas na carne. Vc só a lê se inteirando se estiver muito bem desperto. Ela flui a narrativa e evoca a literata-libertinagem da verdade que dói mas vc não quer acreditar. Numa sociedade de estercos que sofre o open-doping da mídia-abutre, ela dá seu testemunho de saber lidar com suas estocadas antropogênicas. Que porra é essa?
Ela é toda adrenalina nos passando o que corrói o olhar, o enfoque, a evocação da escrita-salitre. Dá seus cortes, pincela, feito seu testemunho de presença nessa terra cobaia de deuses e pagãos. Criares diferenciados. As máscaras do capital, da política, do NEOLIBERALISMO-câncer, ela tira repentes de teatros figurativos, engessa a imagem e diz: isso não é bem isso. Retrata abismos temporais datados. Ah o cinismo de uma sociedade pústula e seu mundinho de siricoticos com rivotril e ansiolítico e cocaina. Que pocilga é a vida? Tudo cheirando a goma-lacta, creolina, oxxi, crack, e ainda os que vão todo ano num crime lesa-fisco comprar fantasias de Patetas na Disneylândia, sem saber um nada do que rola por trás, no entredentes, nos bastidores, ela mesmo escrevendo como se com uma faca entredentes. Evoé, Baco. Ah os desvãos da alma do lucro-fóssil, a vaca profana dos podres poderes, num mundo com regras pétreas de imbecilidade, em que ela se exila na escrita como pode... Sorte nossa.
Senhoras e senhores, o circo tá armado e Márcia Denser é um perigo: ela pensa. Mais, ela cria, pior, ela salga essa sodomogomorra que é a vida. Subversiva, intolerante, granada sem pino, fio descascado. Sua açodada visão estrebucha o que tem verniz adulterado, criticando os puteiros do sistema. Desde o capitalhordismo americanalhado, às instituições de fachadas do crime organizado, falsas ofertas e procuras, falso mercado, não obedece, logo, cria. Talvez, afinal, uma revelação dessa fossa borralheira que é a vidamorte sempre a lhe atiçar os ânimos e os olhos, e talvez ainda ela seja de uma forma ou de outra a nossa trombeta de Arendt tupiniquim. Extraterrestres venceremos? Estamos fudidos e mal pagos. Deixem-na sangrar pra nós, por avessos virais, em seus livros/livrações. Vinhetas, pertencimentos, perguntações, mulherices, gordices, reflexões criticas, calhordices, detonando o indecente com fachada, pontuando pautas do arco da velha, contra siglas, antros de escorpiões, vertentes de chorumes existenciais... Diz do homem otarius, da consciência perversa, de amnésia histórica, dos nomes do jogo, da vida besta. Ah DESESTÓRIAS é tudo isso em soma e sumo. Ela vagamundeia o arbítrio, o cético, as ferrugens, num macadame de enxergar o couro grosso da mentira, do embuste, do que contempla com filosofia toda própria e argumentação textamental de fina estampa e grosso calibre, tudo junto e misturado, isso mesmo, um mosaico do que é e não é. Ah, pergunta o leitor atiçado, e o livro Desestórias propriamente dito? Pois é isso mesmo que a teimar estou somando tudo para falar na "livra" que é aqui a enciclopédia (livre) de La Denser. Ela é o livro. No livro ela destripa o mico das inverdades, entre utopias e distopias conta ao seu modo especial, sarcástico, bombástico, deixando o leitor numa zona de desconforto: como pude não pensar eu tb sob essa ótica, ou sacar o indizível que ela na cara dura nomina, ou, pior, muito pior, deixar que eu entenda que tolo e coxinha eu assinei achando que sabia do riscado e a coisa está muito pior pra raça... Somos todos espíritos de pornôs? Vai doer mais em quem ler? Porque não é aceitável assumirmos a comodidade do inferno de nós. Pois esse é um livro que a gente sofre pra caralho na leiturança e muito no final da leitura, como se de toda a existência os acontecidos fossem gatos escalpados entupindo nossa visão com mentiras e lambanças. O pavio curto dela mantém acesa a esperança de que, sim, o mundo acabou, camaradas... A NUDEZ DO Brazyl S/A. A nova geopolítica manda. A nova desordem econômica mundial grassa e detona. As honras são capachos. E tudo cheirando a mofo e naftalina de togas, patentes, tungas, túnicas, igrejismos, palácios, impérios, farsas e fardas. O lixo da história? Ela retrata, conta a sua opinião crua. Diz das estratégias de manipulação da elite. Diz da arte do equivoco, da ideologia do choque e do saque colonial... Privatização da consciência? É com ela mesma. E vai fundo em heresias, rituais, tudo na sua cara...
A crítica a consagra:
"Márcia Denser é densa, vivaça, ferro e foro nas etiquetas:
Suplementopeernambuco - #PernambucoLeu: "Marcia Denser é uma das nossas vozes mais pungentes da literatura brasileira contemporânea. Para traçar o que foi o Brasil nos estranhos anos da virada entre ditadura e abertura política precisamos retornar à sua personagem mais famosa, Diana Marini - Diana caçadora, publicitária, louca e perdida numa São Paulo cinzenta que era no fundo todos nós. DesEstórias marca sua estreia no terreno da não-ficção, reunindo observações sobre literatura, sobre o mundo lá fora e aqui dentro, não deixando escapar nem um restaurante banal onde encontra os amigos, um ambiente em que é "tudo baratíssimo, lembrando um mix de naufrágio com suicídio empresarial no melhor estilo anos 50, uma vez que ainda sobrevive graças à frequência de teatros off-Roosevelt - atores, dramaturgos, diretores, técnicos, público, fãs de tudo isso retra e supra". E quando se olha no espelho não se esquiva de sombras, como nesse trecho em que reflete sobre seu trabalho: "isto não é autoficção, tampouco autonaufrágio, até porque escritor é aquele nadador com várias medalhas olímpicas que, cada vez que chega à beira da piscina, se dá conta que não sabe nadar, já o fez um dia, mas agora ele não lembra, contudo mergulha mesmo assim, toca o fundo e milagrosamente consegue emergir. Absolutamente só e ofegante, mas vivo, porra". E cada vez mais viva!", por @schneidercarpe #instalivros #instabook #literatura #leiamulheres #menos1naestante"
Rir aos quatros ventos. Ferir-se de ler. Ah essa cavalgadura do achismo. Os asnóias precisam de belzeboys e belzebundas para terem altar. Mais médicos? Não, mais médicis... A seco ninguém segura esse rojão, muito bem cantou Chico Buarque, deve ser isso porque a Márcia Denser escreve estopins. O cínico está pegando fogo? Saques o celular. Ah o selvagem coração da divida social dos infelizes miseráveis do progresso sem consciência, em arremedos de fés quase isso mesmo, fezes. E o endividamento moral coletivo? Ah o carnegão da pose. Macacos nos moldam. "Num mundo totalmente globalizado e informatizado, tornou-se impossível ocultar a realidade sob o manto da ideologia"(PG. 279/Desestórias). E descreve sobre Flips, Ongs, Haiti, Delivery, Favela, Jogos, Sacis, Erotismo, preconceito, Feminismo, lobotomia, DogVille, Paulistices, Vinis, Gordier, Bachianas, sítios, rituais, estágios, afins e pertencimentos pertinentes. Sempre com filosofia/sabedoria/acidez narrativa fora de série e as vezes irônica e mesmo muito fora do sério, que nem tudo que reluz é fêmea. Ela faz chover no piquenique das ideias, mostra reinados nus, e saltita aqui e ali sobre a sociedade-cadáver. Gotham City só existe no gibi? Leiam aos poucos. Leiam bebendo doses homeopáticas de vodka russa pura. Vai ser um porre, PQP, as toupeiras vão botar as panelas no vaso sanitário. As hienas vão entrar numa TPM temporã. Ah o conservadorismo e suas pataquadas amorais. Ela traz imagens do pântano, diz de núcleos de abandonos de todos os tipos, conta das tripas sociais (mídia), e expõe disso tudo cicatrizes e sequelas. Você abre em qualquer pg e lá viça a contação raçuda e logo se sente (está) no finca-pé dessa deriva ao notório como é e vc nem sacava que era. Toma um porre de informações e se assusta. Ela dita o ritmo, dela. Como não saquei isso à época? Se eu contar, vcs não vão acreditar. Leiam a obra. Ah a sabedoria pansexual dessas mulheres que tanto sacam que acabam a mosca na sopa das breguices e achadouros disformes do real. Enquanto o meio desinforma, ela desenforma tudo e revela-se: tá na área é grilo esclarecido. Fica entre uma inventariante de remorsos, de tropeços, de relicários e perdulários. Com seu software todo peculiar, um imaginário e um conhecimento superior, MARCIA DENSER deixa com esse livro sua marca indelével de uma puta escritora, nessa obra-master em que se afirma nela e nos confirma MÁRCIA DENSER como uma literata monstro.
Querem saber? Leiam o livro.
Depois não digam que eu não disse. Márcia Denser, Escorraçai por nós...
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Silas Corrêa Leite - E-mail:
Autor entre outros de GUTE GUTE, Barriga Experimental de Repertório, Editora Autografia, RJ, 2015.
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Livro DESESTÓRIAS, Crônicas e Relatos
Autora Márcia Denser -
Editora Kotter Editorial
332 pgs, 2016 -
E-mail:
Arvore de Livros de Silas Correa Leite
*
Goto
Surtagens
Gute Gute
Mocorongos
Porta-Lapsos
Pirilâmpadas
O Tao da Poesia
Estados da Alma
Bulbos Transversos
Troios Perigritantes
Raízes & Iluminuras
Trilhas e Iluminuras
Desvairados Inutensilios
Ele Esta No Meio de Nos
O Rinoceronte de Clarice
Os Picaretas do Brasil Real
Campo de Trigo Com Corvos
Assim Escrevem os Itarareenses
O Menino Que Queria Ser Super-Heroi
Não Deixem Que Te Tirem a Primavera
Árvore de Natal de Todos os Meus Livros em Prosa e Verso, Entre Ebooks e Impressos
Silas Corrêa Leite - Estância Boêmia de Santa Itararé das Artes, Cidade Poema
Feliz Natal, Feliz 2016, Feliz Livros Novos
Dê Livros de Presentes - Ganhe Livros de Presentes
E Esteja Sempre numa Viagem Rumo ao Futuro
Seja a Sua Vida Um Livro Aberto Sobre Sua Viagem de Existir
Os Livros do Autor Silas Corrêa Leite Estão a Venda na Editora Clube de Autores, Autografia, Livraria Cultura, Livraria da Folha, Site Amazon e mesmo em sites e Estantes Virtuais, os mais antigos
Contatos: poesilas@terra.com.br
www.artistasdeitarare.blogspot.com/
Resenha de GOTO, romance, por Adelto Gonçalves, Doutor em Literatura da USP
LETRAS-RESENHA CRÍTICA
'Goto', Um Romance Pós-moderno Resenha de Adelto Gonçalves (*)
Itararé, pequena cidade do Estado de São Paulo na divisa com o Paraná, ganhou notoriedade à época do movimento civil-militar de 1932 em que a alta burguesia paulista, desalojada do poder em 1930, tentou, de maneira desastrada, afastar pelas armas o regime instaurado igualmente à força por Getúlio Vargas (1882-1954), fazendeiro gaúcho que soube galvanizar o ressentimento das demais unidades da Federação contra a chamada política do "café com leite".
Como se sabe, desde o advento da República, capitalistas paulistas e mineiros, praticamente, tinham o monopólio dos benefícios e benesses que a União poderia oferecer, usufruindo-os à exaustão, enquanto os demais Estados chafurdavam no subdesenvolvimento, quase todos entregues à espoliação promovida por suas oligarquias locais.
Em 1932, deu-se então o episódio da projetada batalha de Itararé, "aquela que não houve" porque as forças de um lado e de outro concluíram que não valia à pena levar adiante aquela guerra fratricida, com a capitulação das elites paulistas, que já haviam sido derrotadas em 1930, com o afastamento abrupto do presidente Washington Luiz (1869-1957). O episódio foi utilizado, de maneira jocosa, pelo jornalista, humorista e escritor Apparício Fernando de Brinkerhoff Torelly (1895-1971), conhecido por Apporelly, que passou a apresentar-se sob o falso título de nobreza de barão de Itararé.
Obviamente, o que houve foi uma conciliação de interesses, que permitiria a Vargas levar até 1945 um projeto de governo autoritário e populista que haveria de flertar ostensivamente com o fascismo e o nazismo, até a virada em favor dos Aliados (Estados Unidos, Reino Unido e União Soviética) que se opunham aos países do Eixo (Alemanha, Itália e Japão). Hoje, sabe-se, porém, que a história oficial escondeu que houve mortos de lado a lado em Itararé, entre os invasores gaúchos e os resistentes paulistas.
I
Mais de oitenta anos depois, a bucólica Itararé agora entra pela porta da frente da Literatura Brasileira e ganha foro comparável ao do Yoknapatawpha County de William Faulkner (1897-1962) na literatura norte-americana, e de Macondo de Gabriel García Márquez (1927-2014) e de Santa Maria de Juan Carlos Onetti (1909-1994) na literatura latino-americana. A paulista Itararé é o palco das aventuras contadas por Aristides, ou Ari, ou ainda Goto, personagem do romance Goto - o reino encantado do barqueiro noturno do rio Itararé (Joinville-SC, Editora Clube de Autores, 2014), de Silas Correa Leite (1952).
II
Obra do século XXI, em que toda a coerência formal da narrativa já foi desrespeitada, Goto surge como romance pós-moderno, ou seja, é fragmentado, desintegrado e de linguagem rebelde, assumindo-se como não-romance ou anti-romance, ao romper com as fôrmas literárias do Romantismo e do Modernismo, como diria o insuperável professor e ensaísta Massaud Moisés (1928).
Afinal, o barqueiro, em seu trabalho de levar gente de uma margem para outra do rio Itararé, contava para o que ouvia, mas falando na primeira pessoa, exatamente do mesmo modo como havia ouvido o caso. Com isso, o romance adquire também um sentido polifônico, ou seja, composto por muitas vozes que não a do autor, tal como definiu o crítico literário e filósofo da linguagem russo Mikhail Bakhtin (1895-1975), ao analisar a obra de Fiódor Dostoiévski (1821-1881). É nesse sentido que se pode dizer que Goto alcança o status de pós-moderno.
II
De fato, dono de um estilo inconfundível, Silas Correia Leite é, no dizer do poeta bielo-russo-brasileiro Oleg Almeida (1971), um dos mais originais escritores deste Brasil pós-moderno, com uma visão da realidade que se manifesta de maneira socrática: com ironia, coragem e irreverência. E isso o leitor constata com facilidade logo nas primeiras linhas deste romance permeado por "causos" contados pelo barqueiro de Itararé, como o do ancião analfabeto que assinava havia mais de 50 anos um jornalão do Rio de Janeiro apenas porque precisava de papel farto para embrulhar a carne de seu açougue.
Além dos "causos" contados em linguagem caipira, há o depoimento em que Goto, espécie de alter ego do autor, conta as agruras pelas quais passou nas mãos dos esbirros da ditadura civil-militar (1964-1985) que tanto infelicitou a Nação brasileira:
"Era o regime de exceção. Era o arbítrio. Eu mesmo senti na pele a dor crucial dessa época (....). Pendurado num pau de arara, sem água, sem luz e sem pão, eu não podia dizer muito porque nunca tinha atentado contra ninguém, minha única arma era a palavra escrita e falada, porque eu era bom de dialética e sabia ocupar meu espaço denunciando, reclamando, pedindo por eleições diretas e o fim das insanidades palaciais. Se eu soubesse muita coisa, de qualquer maneira, confesso que jamais contaria, eu não era um alcaguete e sabia suportar pressões. (Mas apanhei muito. Várias vezes. Quase morri. (...)."
III
Silas Correa Leite, educador, jornalista comunitário e conselheiro em Direitos Humanos, começou a escrever aos 16 anos no jornal O Guarani, de Itararé-SP. Migrou para São Paulo em 1970. Formado em Direito e Geografia, é especialista em Educação pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, de São Paulo, com extensão universitária em Literatura na Comunicação na Escola de Comunicações e Artes (ECA), da Universidade de São Paulo (USP). É autor também, entre outros, de Porta-lapsos, poemas (Editora All-Print-SP), Campo de trigo com corvos, contos (Editora Design-SC), obra finalista do prêmio Telecom, Portugal, 2007, e O homem que virou cerveja: crônicas hilárias de um poeta boêmio (Giz Editorial-SP), Prêmio Valdeck Almeida de Jesus, Salvador-BA, 2009.
Seu e-book O rinoceronte de Clarice, onze ficções, cada uma com três finais, um feliz, um de tragédia e um terceiro final politicamente incorreto, por ser pioneiro, foi destaque em jornais como O Estado de S.Paulo, Diário Popular, Revista Época, Revista Ao Mestre Com Carinho e Revista Kalunga e na rede televisiva. Por ser único no gênero e o primeiro livro interativo da Rede Mundial de Computadores, foi recomendado como leitura obrigatória na disciplina Linguagem Virtual no Mestrado de Ciência da Linguagem da Universidade do Sul de Santa Catarina. Foi tema de tese de doutorado na Universidade Federal de Alagoas ("Hipertextualidade, o livro depois do livro").
Silas Correa Leite recebeu os prêmios Paulo Leminski de Contos, Ignácio Loyola Brandão de Contos; Lygia Fagundes Telles para Professor Escritor, Prêmio Biblioteca Mário de Andrade (Poesia Sobre São Paulo), Prêmio Literal (Fundação Petrobrás), Prêmio Instituto Piaget (Lisboa, Portugal/Cancioneiro Infanto-Juvenil); Prêmio Elos Clube/Comunidade Lusíada Internacional; Primeiro Salão Nacional de Causos de Pescadores (USP), Prêmio Simetria Ficções e Fantástico, Portugal (Microconto), entre outros. Tem trabalhos publicados em mais de 100 antologias e até no exterior (Antologia Multilingue de Letteratura Contemporânea, Trento, Itália; e Cristhmas Anthology, Ohio, EUA). Acaba de publicar pela Editora Pragmatha, de Porto Alegre-RS, Pirilâmpadas, poesia infanto-juvenil.
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Goto - o reino encantado do barqueiro noturno do rio ItaraRé, de Silas Correa Leite. Joinville-SC: Editora Clube de Autores, 432 págs., 2014. Site: www.clubedeautores.com.br
E-mail: poesilas@terra.com.br
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(*) Adelto Gonçalves é doutor em Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP) e autor de Os vira-latas da madrugada (Rio de Janeiro, José Olympio Editora, 1981; Taubaté, Letra Selvagem, 2015), Gonzaga, um poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2002), Bocage - o perfil perdido (Lisboa, Caminho, 2003), Tomás Antônio Gonzaga (Academia Brasileira de Letras/Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2012), e Direito e Justiça em Terras dáEl-Rei na São Paulo Colonial (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2015), entre outros. E-mail: marilizadelto@uol.com.br
DRONES DE NATAL E LETRAS DE ROCK E BLUES, SILAS CORREA LEITE
Drones de Natal 2015
Limbo (Depois de Mortos)
-Letra de Rock
Depois de mortos
Todos estarão livres
Para ser o que quiserem
Repugnantes ou insignificantes
-Há vida além da vida?
Veja a lista oficial dos mortos
Se você já está nela
Por que temer o lobo
No lodo do limo do húmus
-Com sua jornada vencida?
Todos estão mortos
De uma forma ou de outra
Você mesmo já nem sabe o que é
Rasteje mas empine o rabo
-E cuspa sangue seco na ferida
(Refrão) - Depois de mortos
Tudo se revelará querida
Não adianta berrar por fé ou socorro
Estamos todos no átomo em cachorro
E o inferno de outra vida
Virá caçar a sua alma corrompida...
-0-
Letra: Silas Correa Leite
Música: Quem se habilita?
Escuridão na Urbe
-Letra de Blues
No silêncio escuro do meu quarto um cubículo
Preso no meu subterrâneo íntimo
Vejo as gaiolas com grades lá fora
E resignadamente espero a morte,
para ver Deus. - (Para ver Deus?...)
A minha bateria definha e está acabando
Ninguém não nos virá salvar
A dor é só um velho amuleto
Escrever é só um esconderijo
de devaneios meus. - (E fracassos meus?...)
Amanhã minha alma nau será arrebatada
Sem religião, elmo, grua ou patuá
Todos os ratos daqui me adoram
Viemos todos de longínquos porões,
De navios e de pneus. - (De cristãos fariseus?...)
Estamos todos como meros refugiados aqui
Medo de alguma radioatividade
Cochos e currais e mata-burros na cidade
Estamos todos reféns de nós mesmos
Ilhéus, incréus e ateus - (Sifilizados por breus...)
Haja o que houver
Custe o que tiver
No subterrâneo mal caiado do meu quarto-cela
A escuridão sequela
é só o software de um chip de adeus...
Letra: Silas Correa Leite
Música: Quem se habilita?
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DRONES NATALINOS 2015
01.)-Quem canta suas malas espanta o ócio...
02.)-Da pá deum moinho da dobra dimensional do tempo viemos, à pá do coveiro voltaremos...
03.)-Quando um não quer, os dois não batem bifes...
04.)-Quem critica seu rabo implica...
05.)-Pimenta no Orkut dos outros é orégano...
06.)-Quem confere ferro é o chefe do almoxarifado em casa de ferreiro...
07.)-A cavalo gago não se olha o dentro...
08.)-Inferno são as ostras que produzem pérola aos poucos...
09.)-Não há mal que seja exótico, nem bem que não seja ostentação...
10.)-Nem tudo que reluz é braile...
11.)-Morrer faz bem pra pose...
12.)-Existir é pós-pago...
13.)-Feridos venceremos...
14.)-A fé é cega mas remove montanhas...
15.)-Purgante laxativo faz bem pro ego.
16.)-Escrevemos e fazemos arte para não esquecermos que somos animais...
17.)-Na hora de nossa morte, apaguem as luzes e paguem as contas...
18.)-Sexo é fagulha no palheiro...
19.)-No céu não tem W.C...
20.)-A morte é a maior ascensorista que existe. Leva e traz no escuro emergencial...
21.)-A circo armado nãos e olha o alvaiade do palhaço...
22.)-Todos os historiais impérios foram de vitórias impunes...
23.)-Melhor morrer da dor terminal do que da quimioterapia sacrificial...
24.)-Dia de Ação de Graças faz bem pra todos, menos para o Peru, então que graça tem?...
25.)-Ler é iluminura ...
-0-
Continho de Natal:
Lurdes Pobrinha da Silva
Lurdinha queria ver o Papa.
O dia inteiro o papo aranha no rádio, na televisão, nas contações das beatas da periferia abandonada e carente, entre becos, cortiços, guetos, palafitas e a enorme favela Ordem e Progresso no Morro do Querosene, a acontecência 'da hora' era sobre o Papa que estaria vindo visitar o Brasil.
Lurdinha, coitadinha, deficiente física e mental, olhos cheios de remela, pobrinha e agregada de um barraco onde se restava meio que largada, desesperada e carente sonhava em ver o Papa. Passaram-se meses, sem esperança e sem cuidados, ela ficou com aquilo na cabeça.
Quando era pertinho do Natal, certa manhã radiante, o quarto amontoado em que mal e porcamente fora alojada entre trastes velhos feito um antro de despejo, se iluminou. E ela viu entrar um belo e sorridente jovem, barbudo, cabeludo, que lhe estendeu os braços largos e disse com maviosa voz:
-Olá Lurdinha, eu sou Jesus!
Lurdinha ficou desenxabida, coitada.
Ela queria ver o Papa.
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Da Série Silas e suas"siladas".
E-mail:
www.artistasdeitarare.blogspot.com/
Santa Brígida, Romance Historial, um Clássico Agreste do Jornalista e Escritor HUMBERTO MESQUITA
Breve Resenha Crítica
"Santa Brígida" de Humberto Mesquita, um Belo Romance de Amor e Devoção no Agreste
Humberto Mesquita
Humberto Mesquita tem um currículo vivencial e tanto. Fora de série. Nasceu em Campina Grande, Paraíba, estudou no Liceu Paraibano, em João Pessoa capital. Com 16 anos era repórter esportivo da Rádio Arapuan. Um ano depois era redator na Sport Press e na Rádio Tupi, no Rio. Foi redator da Rádio Bandeirantes de SP. Na TV Excelsior de SP foi chefe de Reportagem do telejornalismo e produtor do programa "Advogado do Diabo", apresentado por Osvaldo Sargentelli. Na famosa "Revista Realidade" escreveu artigos e reportagens principalmente sobre o cangaço. Nos Diários e Emissoras Associados foi diretor de Redação das rádios Tupi e Difusora, e dirigiu o rádio jornalismo, apresentando, na TV, juntamente com Almir Guimarães, o programa "Pinga Fogo". Participou da antológica revista "O Cruzeiro". Na TV Bandeirantes foi chefe de Reportagem dos "Titulares da Notícia" e apresentador do programa de debates "Xeque Mate", além de editor-chefe do SBT - Sistema Brasileiro de Televisão, onde apresentou igualmente o programa "Isto é Brasil". Foi o autor de intrépida pergunta ao ditador Figueiredo que retrucou: "Abro e quem não quiser que eu abra, eu prendo e arrebento". Em 1987 entrevistou Fidel Castro em Cuba.
Só esse breve introdutório de currículo e ainda em resumo, já nos apresenta HUMBERTO MESQUITA como um dos maiores e melhores jornalistas do Brasil de todos os tempos, de têmpera forte, ético, humanista, determinado e turrão em prol da legalidade, da democracia social, da justiça para todos, de uma mídia sarada, da ética para um Brasil em que, a partir do chamado fim das utopias, contesta o cínico estado mínimo neoliberal e suas terceirizações inumanas e o próprio neoescravismo, para que possamos assim pelo menos sonhar um humanismo de resultados de um Brasil de justiça social inclusiva, já que o poder que emana do povo em seu nome deve ser exercido.
Santa Brígida, a obra
Ao visitar Santa Brígida, a cidade onde nasceu e viveu Maria Bonita, companheira de Virgulino Ferreira, o Lampião, o jornalista e repórter de faro fino conheceu o personagem do seu livro, que é um romance num misto de ficção e realidade, e cujo enredo foca a infância e a juventude de Paulo Calixto que viveu na mesma cidade onde o autor morou, no Engenho Gavião, na cidade de Alagoa Grande, Paraíba. O personagem central depois de uma desilusão amorosa de meio e origem, o primeiro amor, torna-se por circunstancias de percursos um caixeiro viajante, e em uma toleima, uma rixa, briga e mata um devedor. A partir disso, consciência pesada, um filho de Deus sem eira nem beira então, errante foge e peregrina pelas áreas pobres de vidas secas e agrestes das matas do Nordeste, tentando se penitenciar de algum modo pelo crime, chegando finalmente (pelas mãos de Deus?) a Santa Brígida, onde é então entendido como um santo, e assim acolhido faz moradia e roçado de permanência com implicações e mudanças. Daí que a história se desenvolve, num novelo que faz do personagem, medida as proporções de levante, meio, e agregados, uma espécie assim de Antonio Conselheiro local, um homem enviado por Deus aos confins de um deus-dará, onde o judas perdeu as alpercatas...
"Santa Brígida", aliás, na opinião do autor, foca o cenário nordestino cheio de contradições. Descreve o cangaço, um movimento que resistiu às forças policiais durante mais de vinte anos e que teve em Lampião sua grande figura. O romance assim tem sob prisma o universo cultural da região nordestina, quando descreve o funcionamento de um engenho de cana de açúcar, onde seu personagem (um mascate) viveu a infância e a juventude, as feiras e a incipiente agricultura da região.
Romance jornalístico? Romance documentário? Entre o romantismo e a realidade, o romance que é em tese uma obra literária que apresenta narrativa em prosa, com fatos criados, inventariados ou relacionados a personagens, que vivem diferentes conflitos ou situações dramáticas, numa sequência de tempo relativamente ampla, portanto, no caso do autor, um romance com algo realista e ainda regional, por assim dizer. Se literatura enquanto manifestação artística funde-se na arte de recriar a realidade a partir da visão de determinado autor, o artista, com base em seus sentimentos, seus pontos de vista e suas técnicas narrativas, Humberto Mesquita criou um livro que aflora um tempo, um povo, um lugar, e deu-nos um clássico contemporâneo de narrativa densa e cativante.
Finalizando, com a qualidade literocultural e o quilate de jornalista de primeiro time, Humberto Mesquita conta com maestria o historial todo, somando ainda uma história de amor impossível, depois a busca em torno de um lugar ao sol, um sinal redentor, e assim a narrativa fluente fica num enfoque gostoso tipo um jeito peculiar de contar causos, entra em ramos do folclore, cai na graça de um milagre e o amor, e suas demandas, desnaturezas, ah o amor, sempre ornando tudo, o amor a terra-mãe, moendas e engenhos, secas e agruras, raiz de todos nós, passando por caminhos, trilhas, amarras, andanças e lonjuras, cisternas e perguntamentos, mais a mão do criador, o real e o numinoso, e termina tudo meio a la Romeu e Julieta tupiniquim só que invertido, sem perfumes nem venenos, quando o amor sempre vence no final, mas não o amor telúrico, mas um amor que nem sempre a ficção ou mesmo a realidade explicam, mas o coração do homem curte, fermenta, enreda, evoca - "almai"-vos uns aos outros, está escrito? - salpica de estrelas, sonhos e lágrimas, corações, mentes e veredas, chãos, e dá nisso: um livro pra gente aguçar sentidos e crer no milagre da vida, no milagre do amor, no milagre do reencontro, já que também na casa da ficção há muitas moradas...
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BOX Santa Brígida, Romance, 2009
Editora Ibrasa, SP
E-mail:
-0-
Silas Correa Leite
Jornalista Comunitário, Professor, Escritor membro da UBE-União Brasileira de Escritores
E-mail:
Autor, entre outros de GUTE GUTE, Barriga Experimental de Repertorio, Romance, Editora Autografia, RJ, 2015
Almanaque de Natal, Silas Correa Leite e Suas siladas
Outro Almanaque de Natal - Silas e Suas "Siladas"
ULTIMO NATAL (Então, Não é Natal)
-É Natal?
Não há sino pequenino nem presépios elétricos
Nem corais, nem amigos secretos
Nem consumismo, nem comércio
Resta morta toda a humanidade
DEUS
No píncaro da glória de seu potentado em celestidade
Olha Jesuscristinho ao seu lado e tem dó
São Eles só
Os dois
Os anjos foram cantar hosanas e aleluias noutra freguesia
Da terra já não há mais nada do que antes havia
O mundo acabou
Aquela porcaria
O criador que tudo vê e tudo sofre, e tudo sente, de novo, outra vez
Vai tentar do recomeço
Com mais prudência, adereço, justiça e sensatez...
-É Natal?
Não há ouro, incenso e mirra; não há mais ninguém
Da civilização humana nada mais resta
Nem comércio e nem consumo
Nem pannetone ou arroz de festa
DEUS
Do píncaro da gloria de seu potentado supracelestial
Arrependeu-se do que criou. E tanto mal...
O livre arbítrio
O sitio
Daquilo que gerou. (Esse livre arbítrio
Que não valeu nada)
E Ele ali mal se cabendo em si como se numa encruzilhada
Restam escombros
Pós-selvageria
Das atônitas explosões das bombas da água, do lixo, da fome
Que mataram o homem
Em suas vilezas de historiais escombros...
(Então não é Natal
Menos mal)
Não há nada para ser comemorado e ponto final.
-0-
Continho
Lurdes Pobrinha da Silva
Lurdinha queria ver o Papa.
O dia inteiro o papo aranha no rádio, na televisão, nas contações das beatas da periferia abandonada e carente, entre becos, cortiços, guetos, palafitas e a enorme favela Ordem e Progresso no Morro do Querosene, a acontecência 'da hora' era sobre o Papa que estaria vindo visitar o Brasil.
Lurdinha, coitadinha, deficiente física e mental, olhos cheios de remela, pobrinha e agregada de um barraco onde se restava meio que largada, desesperada e carente sonhava em ver o Papa. Passaram-se meses, sem esperança e sem cuidados, ela ficou com aquilo na cabeça.
Quando era pertinho do Natal, certa manhã radiante, o quarto amontoado em que mal e porcamente fora alojada entre trastes velhos feito um antro de despejo, se iluminou. E ela viu entrar um belo e sorridente jovem, barbudo, cabeludo, que lhe estendeu os braços largos e disse com maviosa voz:
-Olá Lurdinha, eu sou Jesus!
Lurdinha ficou desenxabida, coitada.
Ela queria ver o Papa.
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Cântico de Itararé
Itararé
Será que vivendo tão distante de ti
Estou realmente existindo direito?
Longe de casa eu lutei, eu sofri
E te trago encantada, dentro do peito
Itararé
Valeu a pena o que distante vivi
Tão longe desse encantário, teu chão?
(Só que o caminho da volta não esqueci
E te levo ninhal, dentro do coração)
Itararé
Ao lembrar dessa terra a minháalma ri
(Hoje só a saudade já não satisfaz)
Ah Itararé como eu te relembro, guri
A lua entre estrelas, sobre os pinheirais
Itararé
Espero um dia retornar para aí
O poeta andorinha exilada vai voltar
Em teu solo meu corpo vão plantar
Quanto, então, também serei parte de ti!
-0-
Natal de Pobre
Boneca velha suja entre sabujos
Boneca de um braço só e lá,
jogada no lixo entre bulbos
Da periferia S/A
Criança carente de cara séria
Humilde simples, tristinha
Resgata a pobre boneca sujinha
Na sua realidade de miséria
Corre a menina parda com sua cruz
De olhos pobrinhos com remela
Com aquela boneca vestida com panos ruins
Exatamente como ela
-É Natal, é Natal de Jesus!
Diz a criança, pobre assim
-Vejam o meu brinquedo que já
Papai Noel do céu mandou pra mim
............................................................
(Deus, no médio céu de horizonte externamente grená
Chora uma lágrima carmim)
-0-
Presépio de Pobre
Todo mundo tinha presépio
Na ruela onde morávamos
Eram elétricos, coloridos
Mais que o primeiro Natal
Cada presépio encantado
Muito mais que o de Belém
Cada jardim era um luxo
De cores e de pirilâmpadas
Como éramos pobrezinhos
E mal tínhamos o que comer
Imagine ter um presépio
Com tantos pertences caros
Meu pai andava doente
Minha mãe lavava no tanque
As tristezas que a gente
Fazia omelete de lágrimas
Mas éramos bem criativos
Eu e as minhas irmãs
E montávamos do nosso jeito
Um presepinho bem humilde
As paredes eram de tacos
O telhado todo de cascas
De laranjas e de cepilhos
E a tez chão, macadame
Os burrinhos eram sabugos
As vaquinhas de limões
Ovelhinhas sabão de cinzas
Estrela tampinha de crush
Maria era bem torneada
Entre pinhas e resinas
E São José eu inventava
Numa caixinha de fósforo
A manjedoura era apenas
Uma lata velha de sardinha
Com pétalas, flor de lágrimas
Alguns carunchos de feijão
Só o enviado de Deus
O divinal Jesuscristinho
Era um belo carretelzinho
De linha, que eu esculpia
Eu o ornava bem feitinho
Com muito amor e carinho
Fazendo um menino triste
A nos olhar sem milagre
E como éramos pobrinhos
Ali já dávamos, tristinhos
Ao bentinho, do presépio
A nossa coroa de espinhos
-0-
FELIA NATAL, FELIZ TUDO EM DEZEMRO, FELIZ 2016
Silas Correa Leite -E-mail: poesilas@terra.com.br
www.artistasdeitarare.blogspot.com/
In, Livro de SILAS, Dezembro 2015
Véspera de Lua, Um Belo Romance Feminista de Rosangela Vieira Rocha
Breve Resenha Critica:
O Romance "Véspera de Lua " de Rosangela Vieira Rocha Traz a Prosa da Alma Feminina em Bela Literatura de Sangria Desatada
"Continue a viver em brilho//Continue vivendo//Sua hora chegou para brilhar//Todos os seus sonhos estão a caminho//Veja como eles brilham//E se você precisar de um amigo//Eu estarei logo atrás//Como uma ponte sobre águas revoltas//Eu acalmarei sua mente//Como uma ponte sobre águas revoltas// - Bridge Over Troubled Water, Compositor Paul Simon.
.......................................................................................................................................
-Enquanto afoito persegui-me a ler sem querer parar, o belíssimo romance VÉSPERA DE LUA de Rosangela Vieira Rocha, veio-me a mente - perdão leitores - o suicídio de Sylvia Plath, e concomitantemente - ah a louca mente humana - a mãe de Elvis Presley, e para a qual ele cantava chorando, "Bridge Over Troubled Water", composição de Paul Simon, antes mesmo de ser o astro do rock que ao morrer iria constar em Memphis intitulado então na Igreja Assembleia de Deus de Elvis Presley, na cidade onde nasceu. Tudo junto e misturado, não sei como e com que feitio, mas, perdoem, foi o li/senti/vivi/captei, juntando os cacos, na soma da leitura. Somas de entressumos e perguntamentos, ou quireras de entrelinhas da leitura embonitada e tocante, fluente?
Adoro cantoras de blues e jazz. Que cantam rasgos da alma e adotam cactos no espírito. Adoro as ins-piradas poetas russas, e, ultimamente, coincidência ou não, ando lendo escritoras mulheres (se mulher que lê vale ouro, imagine então as que escrevem?), eu, um bendito fruto, criado entre elas, fruto de uma matriarca mulher-bandeira, nesse mundo machista em que certamente desde a idade das cavernas elas foram dizimadas em seus sonhos e desejos, passando pela cruel idade média, pela hedionda inquisição nefasta de credos suspeitos e dogmas parasitas, acho que até muito mais sofreram do que negros e os índios, porque o garrão sobre elas nesse mundo insano é ainda maior, e a violência camufla seus prazeres e detona a esperança de liberdade nua e crua, dentro da própria da dignidade humana dentro do que deveria ser realmente o humanus da civilização tropeçando em babas de uma ignóbil violência e em cornos de total insensibilidade a respeito.
"A morte deve ser assim, sem palavras diz a narradora". Mas, paradoxalmente é a vida que arrebenta os seus favos, gomos e núcleos de abandonos no que de lavra na sarada escrita que permeia a obra. Prosa poética cativante como se uma vazão de contracorrente espremida, vindo de um aparelhamento intimo aqui e ali desbaratado, desbaratinado, mas ainda e por isso mesmo sedutor. A véspera de uma lua-vida. Feminina-mente, o próprio "corpo da dor" não estrebuchada, mas lançada na narrativa como um corte-cerzir certo nas palavras escritas com a cor do pecado e o sabor de quero mais.
Cólicas menstruais e zonas de desconfortos. A narrativa feito uma indelével (por assim dizer) sangria desatada. Comungando-se, alma nau, flor fêmea. De veludo. Quiabo com beija-flores não dá um prato de se cuspir veredas. O Buscopan letral, e seus efeitos colaterais, bulas a parte. Ah a tábua de carne dessas mulheres loucas, libertárias, sexualmente potentes, prontas para o bom combate que a tudo seduz e corrompe e rotula: borboletas negras existem? Memórias-godê? Aliás, brinco de dizer falando sério (Charles Chaplin) que na TPM converso com minha esposa-musa de mulher para mulher.
O hormônio é divino ou diabólico? Ai de nós. Diria Sylvia Plath: "Dentro de mim mora um grito.// De noite, ele sai com suas garras, à caça// De algo pra amar". Ou como diria Marina Tsvetaeva "Não roubarás minha cor// Vermelha, de rio que estua.// Sou recusa: és caçador.// Persegues: eu sou a fuga.//" Para concluir afinal a lembrança do que diz Bella Akhátovna Akhmadúlina: "A chuva açoita meu rosto, meus ombros//a tempestade ronca e vem aí//Cai sobre mim, a carne, a alma//como a tormenta sobre a nau se abate.//Não quero, não quero mesmo saber//o que me acontecerá depois - //se serei esmagada pela dor ou se jogada contra a felicidade". Rosangela Vieira Rocha trabalha essa prosa-lâmina, essa prosa-dor, essa prosa-rio como se escavando na própria pele o sentir e o pensar sobre esse amor que deve dizer o nome, de sua própria cruz e veio. Do sangue viemos, ao sangue voltaremos. Lágrimas de percursos, e sins e nãos, e sais no contexto existencial. E lágrimas, sofrências, menstruações, partos e lonjuras, enjoos e cheganças.
"Despreza os meios-tons, precisa ir ao fundo(...) até encontrar o deserto(...)". Bravo! Há poesia na escureza dos cedros que se empinam apontados para a clareza de todos os sentidos, na alma dos amantes, nos copos de leite cheios de implicâncias, cacos de espelhos, rasgos de véus, conjeturas e aceitações. A vaidade é uma boneca cobiçada. A sexualidade é pólvora procurando rastilho para se encontrar em fogo de amor puro enquanto dócil e frugal. Ah a solidão-albatroz, a solidão-palhaço, a solidão-Cibalena da mulher fêmea, lua e estrela, coração e mente atiçando propriedades de natureza intima, almas de crochê. A salvação dessas amantes é a destruição do preconceito. Sair do quadrado, da casinha, no caso da personagem, sair, por assim dizer, de uma espécie de coifa. Escrita-mulher, o gozo apalavrado no letral bem lustral, o corpo livro, e alma aberta acima e sobre todas as coisas se dizendo única, talentosa, livre, feito pássara-flor.
A Penalux caprichou na edição, até porque por isso mesmo também a premiada escritora e professora universitária (e jornalista e advogada) caprichou no enfoque, na narrativa, na expiação de suas perguntas, nos prismas, conflitos e angus de caroço, quando com esmero se deu como corpo-vida ao seu talento literocultural feminino nesse corpo livro que sai do lugar comum, e se assoma gostoso e cativante como um roteiro de filme, uma balada, uma esperança urdida de ser feliz em todas as formas de amor.
-0- Silas Corrêa Leite - E-mail:
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Leite, tachado Pelo Site Capitu de “O Neomaldito da Web”
o
Breve Historial Bio-Bibliográfico
o
-O atual literato e Cyber Poeta, Silas Correa Leite, na verdade nasceu no
bairro operário de Harmonia, na cidade de Monte Alegre, Paraná, região de
Tibagi. No entanto, a partir dos seis meses de idade, foi criado em Itararé,
São Paulo, cidade de divisa com o Paraná, terra de seus pais, que tiveram que
fugir do colonião do Paraná porque tinham loteamentos (Lotes das Cem Casas) na
área rural chamada Cidade Nova, adjunta a Monte Alegre, e foram perseguidos por
grileiros, bandidos e jagunços do político corrupto chamado Lupion, então
governador do Paraná. Por incrível que pareça, a área regional toda depois
estranhamente mudou de nome, sendo chamada de Telêmaco Borba, nome também de um
político jagunço e bandido ligado a corruptos da região.
o
-O pai de Silas Correa Leite, Maestro Antenor Correa Leite, hoje nome de rua em
Itararé, é dessa cidade histórica (um dos primeiros a nascer na cidade na Era
de 1900), e quando jovem foi o primeiro acendedor de lampiões de gás de
Itararé. Em Itararé, de família rica que ficou pobre, Silas, guri de
pé-vermelho, estudou no Grupo Escolar Tomé Teixeira, quando foi alfabetizado e
descoberto também aos 8 anos como “Poetinha” pela primeira professora, Jocelina
Stachoviach de Oliveira. Silas terminou o curso primário, e, para ajudar a
família e o pai doente, parou de estudar e foi trabalhar de engraxate a
boia-fria, de vendedor de dolé de groselha preta a caldo de cana, de pipoca a
algodão doce, de garçom a aprendiz de marcenaria. Aos 16 anos, precocemente
estreava como colunista-colaborador do semanário jornal O Guarani, de Itararé,
também fazia imitações de artistas da Jovem Guarda em shows de prata da casa, e
tinha sido aprovado num concurso para locutor na Rádio Clube de Itararé.
o
-Em 1970, só com o curso primário, Silas migrou para São Paulo, capital, em
busca de melhores condições de trabalhos e estudos. Levava na bagagem algumas
poucas roupas, muitos sonhos e vários cadernos de rascunhos poéticos que hoje
passam de mil e foram reportagem no programa Metrópolis da TV Cultura de São
Paulo. Na capital de inicio morou em cortiços, em pensões, dormiu na rua,
passou fome, até voltar a estudar, sempre escrevendo para os jornais de
Itararé, com os quais colabora até hoje, faz mais de 40 anos. Terminou os
estudos fundamentais e médios no Liceu Coração de Jesus, fez Direito, trabalhou
anos na área, na empresa ABE-Assessoria Brasileira de Empresas, até ir
trabalhar como assessor do Secretário Municipal de Educação da capital,
jornalista Paulo Zing, compondo equipe para ajudar a implantar informática no
ensino público da capital, quando fez Geografia e vários cursos de extensões a
especializações, tornando-se especialista em educação e se efetivando no ensino
público municipal e estadual. Filiado à API-Associação Paulista de Imprensa,
também se associou à UBE-União Brasileira de Escritores, ganhando alguns
prêmios de renome, representando Itararé no Mapa Cultural Paulista, vencedor
entre outros concursos do Primeiro Salão Nacional de Causos de Pescadores
(USP/Parceiros do Tietê/Rádio Eldorado/Estadão/Jornal da Tarde), premiado
também nos concursos Lygia Fagundes Telles Para Professor Escritor, Prêmio de
Poesia Biblioteca Mario de Andrade, SP (Gestão Marilena Chauí), Prêmio Literal
de Contos (Petrobrás), RJ, Curadoria Ana Buarque de Holanda, Premio Ignácio
Loyola Brandão de Contos, Prêmio Paulo Leminski de Contos (Unioeste-PR), Prêmio
Fundação Cultural de Canoas, entre outros, e ainda no exterior, o Prêmio
Microcontos Fantásticos Simetria, Portugal, e Prêmio Cancioneiro
Infantojuvenil, Instituto Piaget, Lisboa, Portugal, passando também a constar
em inúmeras antologias literárias em verso e prosa, inclusive no exterior, como
Estados Unidos, Portugal e Itália, além de incluído como Poeta Contemporâneo na
Revista Poesia Sempre, Ano 2000, 500 Anos de Descobrimento do Brasil, Fundação
Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro.
o
Silas Correa Leite lançou depois os seguintes livros:
o
-Ruínas & Iluminuras, conjunto de poemas, (Prêmio Elos Clube/Comunidade
Lusíada Internacional)
-Trilhas & Iluminuras (libreto), Coleção Prata Nova, Editora Grafite, RS
-Porta-Lapsos, Poemas, Editora All-Print, SP
-Campo de Trigo Com Corvos, Contos Premiados, Editora Design, SC, classificado
para a final do Prêmio Telecom de Portugal
-Os Picaretas do Brasil Real (libreto), Cantigas de Escárnio e Maldizer (Série
Leia e Passe Adiante) Editora Thesaurus, Brasília, DF
-O Homem Que Virou Cerveja, Crônicas Hilárias de Um Poeta Boêmio, Editora
Primus/Giz Editorial, SP/Premio Valdeck Almeida de Jesus, Salvador, Bahia
-ELE Está No Meio de Nós, e-book, Romance Místico virtual, Hot-Book Editora,
RJ, disponível no site www.recantodasletras.com.br
-E-book de sucesso, O RINOCERONTE DE CLARICE, pioneiro, de vanguarda e único no
gênero, primeiro livro interativo da rede mundial de computadores, Editora
Hot-Book, RJ. Obra composta de onze contos fantásticos, cada ficção com três
finais, um final feliz, um final de tragédia e um terceiro final politicamente
incorreto, quando o leitor também poderia escrever um seu final para cada
história. Livro campeão de downloads, referencial como livro virtual na web,
destaque na imprensa como Estadão, Folha de São Paulo, Jornal da Tarde, Correio
do Brasil, JBonline, Poetry Magazine, Diário Popular, Revista da Web, Revista
Cultura Sinpro, Minha Revista, Revista Época, e reportagem na mídia televisiva
como Rede Band, Programa Momento Cultural/Jornal da Noite (Márcia Peltier),
Programas Metrópolis e Provocações (Antonio Abujamra) TV Cultura de São Paulo,
Rede Brasil, Rede Vida, Canal 21 (Programa Na Berlinda), Programa Imprensa e
Cultura, Canal Universitário. A obra ainda foi indicada como leitura
obrigatória na matéria Linguagem Virtual, no Mestrado de Ciência da Linguagem,
na UNIC-Sul, Santa Catarina, tese de mestrado na Universidade de Brasília e
tese de doutorado na UFAL.
o
-Recentemente lançado: E-book Infanto-juvenil, “Gute Gute, BARRIGA EXPERIMENTAL
DE REPERTÓRIO, ainda disponível como livro free no link: http://pt.calameo.com/read/0016106757767c03d1375
-No prelo: DESVAIRADOS INUTENSILIOS, Poemas, Editora Multifoco, Rio de Janeiro.
o
-A sair: “DESJARDIM, Muito Além do Farol do Fim do Mundo”, Romance, Editora
All-Print, SP
o
-“CAVALOS SELVAGENS”, Romance, aprovado pela Editora LetraSelvagem, Coleção
Gente Pobre, Editor Nicodemos Sena.
o
O Cyber Poeta Silas Correa Leite está em todas as redes sociais, em mais de 800
links de sites, inclusive em Portugal, na Argentina, nos EUA, na Itália e em
Moçambique, África, etc. Está no Facebook, Orkut, Twitter, com seus
‘pensadilhos’ (pensamentos trocadilhos) e ‘pensagens’ (pensamentos mensagens)
escrevendo seus twitter-poemas, twitter-contos, as tiradas irônico-filosóficas
como as conhecidas e hilárias “Silas e suas ‘siladas”, tendo outras obras
inéditas, de romances a ensaios sobre educação, de novelas a depoimentos sobre
os tenebrosos tempos de chumbo da funesta ditadura militar incompetente e
corrupta, fazendo ainda criticas, resenhas literárias, microcontos e outros
trabalhos literários de vanguarda, além de criticar o cínico estado mínimo do
neoliberalismo incompetente e corrupto que viça em Sampa/Samparaguai, o
Estado-Máfia, com suas impunes privatarias e seus news richs das
privatizações-roubos; as riquezas impunes, os lucros injustos, as propriedades
roubos, o neoescravismo da terceirização, a impunidade generalizada, a
violência do quinto poder, e o dezelo público de muito ouro e pouco pão na
desvairada pauliceia de uma abandonada periferia sociedade anônima.
o
Quanto à sua batalhadora vida particular, feito um eterno guri que amava os
Beatles e Tonico e Tinoco (o cyber poeta diz que sua infância é o seu melhor
tesouro), Silas Correa Leite tem união estável por quase 30 anos com a doce
Musa, admirável Companheira e Professora Rosangela Silva. Cervejólogo, ledor
voraz, foi bolsista pesquisador em Culturas Juvenis da FAPESP/USP-Universidade
de São Paulo, alega que gosta mais de ler do que de respirar; de que gosta mais
de escrever do que de existir, adora seus amigos sonhadores de utopias e
boêmios de SP, seus milhares de seguidores da internet e mesmo companheiros da
Estância Boêmia de Santa Itararé das Artes, Cidade Poema, da qual é autor do
oficial “Hino ao Itarareense”, tendo sido homenageado com o título de Cidadão
Itarareense e com a exposição “Imagens & Palavras” sobre seu trabalho
artístico-lítero-cultural no Centenário de Itararé. Para ler o Cyber Poeta
Silas Correa Leite em todos os seus variados, polêmicos e diferenciados
trabalhos e estilos, basta procurar pelo seu nome num site buscador como o
Google, e vai achar, além de textos, imagens, vários links no YouTube. Com sua
poética da tristeza, paradoxalmente com suas tiradas risadores e sua portentosa
metralhadora dialética cheia de lágrimas, ao ser provocado pelo Antonio
Abujamra (Programa Provocações/TV Cultura) o irreverente Cyber Poeta Silas
Correa Leite disparou que “corta os pulsos com poesia”, entre outras de suas
tiradas.
o
Blog premiado do UOL: http://www.portas-lapsos.zip.net/
Site com breve currículo: www.itarare.com.br/silas.htm
E-mail para contatos: poesilas@terra.com.br
Livros Porta-Lapsos, Poemas, e Campo de Trigo Com Corvos, Contos, a venda no
site de SP: www.livrariacultura.com.br
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