Lista de Poemas
UMA CRÔNICA COM REQUINTES DE SAUDADES
O tempo age em nossas vidas, como um guardião, um protetor invisível, um acolhedor, um corretor de nossas atitudes, um memorizador das nossas ações que nos tornam pessoas que com o passar dos anos, começa sentir saudades de tudo aquilo que a sua mente ainda armazena e traz a tona de um recordar. Por mais distante que tenha sido o ocorrido, a mente sempre armazena, as melhores lembranças das nossas vidas.
Assim, sentado num banco da solidão e bebendo as gotas do meu passado insistente em me fazer recordar, fiz uma mente regresso e comecei viajar nessas andanças do meu cérebro que ainda guarda momentos que forçosamente tenta extrair e exteriorizar, para que eu possa transcrever cada partícula de tempo em que vou recordando.
Saudade bate, coração pulsa, alma sente, e a vida me cobra um proceder como se criança eu ainda fosse, ao ver tantas crianças ainda por mim passar, com a leveza desses infanto recordar que hoje mima o meu ser de gente grande almejando ser “minino de calças curtas” a perambular pela vila com os olhares juvenis onde era proibido não ser, não fazer e não se sentir feliz.
Talvez, você nunca em sua vida, tenha ouvido falar da Serra. Da Serra do Aporá, que fica perto de Cajueiro, (Acajutiba) de Barracão, (Rio Real), Mocambo ou Novolinda, (Olindina) da Natuba (Nova Soure) de Sobrado (Aporá) De Dendê, Bomfim, Vila Rica (Crisopolis). Não! Jamais eu poderia condena-lo por isso, afinal, nossos topônimos talvez estejam muito distantes dos teus. Mas saiba que foi por aqui, nessas imediações entre litorais e sertões que eu fui criado e tido como gente vivente para desbravar essas terras. Oriundo sou de outro local onde por lá deixei enterrado meu umbigo como uma identidade, um pertencimento e uma forma de me achar inserido nalgum canto desse imenso país. Talvez, isso nem implique mais em identificar-me lá onde meu umbigo um dia foi enterrado, pois foi daqui que comecei meu primeiro contato com o povo que passou ser meu povo, com a gente que passou a ser a minha gente, e que por este aceito fui e por isso identifico-me até com o seu modo de falar e de fazer a vida ter sentido nesse viver alucinado em busca dos sonhos que nunca se perdem pelo andar desse mundo tão complexo e cheio de descobertas, lembranças, prazeres duvidas, sonhos e até decepções. Na complexidade desse meu discurso em busca de mim mesmo, é que me apresento para que entendam que eu também tive quimeras que hoje as lembranças tangem o meu viver para esses mais remotos encantos da minha vida. Assim, passo a lhes convidar para conhecer um pouco dessa minha Serra, a Serra do Aporá que fica perto de todas as cidades acima citadas, para não ser redundante.
Por favor, queira por gentileza concentrar sua atenção em mais esta narrativa que lhes passo como uma reparação trazida nesse momento pelos deleites das minhas lembranças.
EITA, a idade chegou, o cansaço me veio e a fadiga me alcançou.
Sentado num banco de praça (perto de casa para não me afastar muito) vejo as crianças brincando numa gritaria exagerada como somente elas sabem e podem fazer. Sim, podem. Toda criança pode ter o direito de gritar, extravasar a meninice e ao seu modo ser feliz. Afinal, ser criança, é um curto tempo que passa ligeiro e em nós deixa saudades, ainda que vivamos 100 anos.
Avisto um dos meus netos correndo com seus coleguinhas, e outro que passa na minha frente e feliz grita pra chamar minha atenção: OLHA VOVÔ. Todo orgulhoso em pedalar sua bicicleta.
Meus olhos se enchem de saudades e numa fração de segundos, eu me lembro da bicicleta que papai comprou pra mim e da alegria que eu senti em poder dizer: Eu tenho a minha bicicleta que papai comprou pra mim.
Era pra ir pra escola, pra ir à venda comprar algo pra mamãe, pra dar um recado, pra chamar alguém para ajudar em casa e principalmente para fazer o que o meu neto está fazendo agora: PARA BRINCAR. Preencher o tempo de menino em meio a tantos gritos aproveitando aquela liberdade que só quem é (ou quem já foi) criança sabe o seu significado.
A vida passou, Itamira cresceu o açude que era imenso, diminuiu juntamente com o tanque grande. Quando a gente é criança tudo é grande. O pé da serra era imenso, a ladeira do João Luiz era enorme e atolava carros por lá quando chovia e os tanques transbordavam e as pessoas iam pescar e saiam carregando suas enfieiras de peixes.
Vou tentar Descrever um pouco do meu viver numa vila que me viu crescer, amparado nessa minha meninice ali vivida, mesmo sabendo que a mente, não vai obedecer alguns detalhes que o tempo apagou. Mas deixou alguns lampejos dessas lembranças onde agora passo a fazer a minha narrativa, ou o que sobrou de todo esse meu lembrar.
Existia a praça onde eu morava com minha família, seguindo reto chegávamos à casa de Manezinho e Dona Bemvina que era a mãe de Tinego. O comércio se dividia assim:
Tinha a pensão de Dona Amélia e de Dona Eduarda. A farmácia de Terezinha de Pasquinho, O bar de Manoel de Juca, o Departamento de Correios e Telégrafos (D.C.T) onde minha mãe trabalhava, tinha a loja Santos de Olímpio e o armazém de Guilherme Chaves, (ambos da cidade de Olindina). A loja de Jaldo Mendes (De Inhambupe) as padarias de Seu Zé Batista/Seu Enoque e também a de Noel, a venda de Raimundo do gás, o comércio de Zé do Ouro, a venda de tio Joel, a tenda do Sr. Timóteo, e lá na saída da rua a tenda de “Seu Lalu” (o 10º Prefeito do município) o bar de “Seu” Rozi, a venda de João da Pedra (Pai de Dezinho) a venda de “Seu” Zé da jaqueira (Eram dois irmãos do Retiro), o Bar de Cabo Mário, a cachaçaria de Durval (Pai de Herbert) de Inhambupe, que até hoje mantém o comércio. Na esquina (onde hoje é de João papa, era a venda de Clovis Mendes Vasconcelos). Por ali também tinha o bar de Antônio Vieira (TONHO DE ZÉ VIDA TORTA), a loja de tecidos do Sr. Godofredo Mendes de Souza (O quarto Prefeito), O Sobrado do Finado Mauricio e Dona Julia. No bar que era de Manoel de Juca (Que antes era de Otoniel) foi instalado o primeiro supermercado de Itamira, cujo proprietário era o Daniel (da cidade de Inhambupe).
O beco do mercado (Que por uma insanidade ou falta de conhecimento cultural de preservação de um patrimônio derrubaram para construir uma instalação da prefeitura) que dava acesso, e ainda dá a praça da igreja, onde do lado esquerdo tinha as vendas de Dedézinho do pé da serra e a marcenaria do “Seu” Zé Biita casado com D. Alice do tijuco. No fim da rua (a esquerda) existia uma casa que abrigava a cisterna.
Subindo, sentido a saída para Aporá que hoje se chama Av. Coronel José Simões de Brito (Que até hoje nem sei quem foi, mas carece de um estudo sobre a vida do Homem que empresta o seu nome para uma das principais vias da cidade).
Tinha o armazém do Seu Neném de Pequeno (irmão de Pasquinho) a venda de João de Francisquinha, depois a casa de Paraguai, o comércio do Senhor Cosmo ai vinha à farmácia de Terezinha, - onde fora ali a recepção do casamento de Milton e Esmeralda- A casa de Nezinho de prazer e D. Amélia (Os pais de Zé Renato, ou Zé Tiliba), depois a do Senhor Agenor Mendes de Oliveira 8º Prefeito, (contando com a curta Gestão de Zezito Correia). Seguindo reto iriamos encontrar a casa de Chica Dantas, Tio Lucas, quase em frente à casa de Mané de Zé Santo e Dona Ana (Mãe de Mariazinha, Tais e Louro Som) e seguindo pelo lado esquerdo, a casa de Seu Zuminho e Dona Zefa. (RAPAZINHO DIREITO) era assim que ele chamava meu irmão Raimundo e eu.
E lá adiante a casa de Pedro Bueiro e Dona Martinha, e em seguida a casa e a tenda de ”Seu” Vicente Ferreira, Sinó e toda família, que eu os tinha E TENHO como parte de minha família também, em face de aproximação que tínhamos com eles e com os meninos.
A venda de Ulisses de Cosmo. E do lado esquerdo a casa de Dona Elisa e do lado direito, Dobrava-se ali na esquina que dava acesso a casa do Senhor Pionório, na tão conhecida Rua da Delegacia. Onde vi muitas perversidades acontecer naquela época, com os presos que eram levados para lá. (Por falar nisso, vale ressaltar os nomes dos soldados: Etevaldo, - que vivia maritalmente com Dona Santinha irmã de Tio Sé, e outro por nome Antônio Soldado, que me parece que era da região de Serrinha).
Seguindo até o final, dava acesso ao Caetano (Terras do “Seu” Suta, que posteriormente passa pertencer ao “Seu” Zelito de Celi) que seguindo ia sair lá adiante já perto onde hoje é a casa dos herdeiros do nosso querido ZÉ RIACHÃO – O BRASILEIRO. Dali, seguindo para a direita na bifurcação, ia pro campo de bola (O carecão), mas antes tinha a casa de Seu Mané Felix, passava em frente da casa do “Seu” ZE LAPADA, lá adiante era a casa de “Seu” Chiquinho curador, a casa de Tonho curador, Freboni, Manelinho, Geronisso, Badinho e a esquerda descia pro açude, passava pela casa do “Seu” Marciano, mais adiante, a casa de Domingo futuro, Pedro Cambueiro, “Seu” Bispo até chegar às aguadas.
Na saída da rua (Sentido Inhambupe) primeiro tinha o acesso ao cansa bode (e ainda tem que seguindo por ali vai pra várzea, chapada e por ai afora).
Seguindo pela direita: A casa de Zé Pedro de Negune, Nezinho da Várzea, Dona Vina, (Alguns ranchos de feira) D. Zélia e Mané Dantas. A rua acabava ali.
Mais a esquerda era a saída principal onde hoje é o posto medico (Ao lado da casa de Seu Nestor e Dona Anizia, Mãe de Neuman, Neumize e Neurandi, e mais adiante era o matadouro, onde nas imediações era a casa de Dona Julia (Mãe de Zé de Mauricio, Salvador e Aurélio). Foi ali na casa de Dona Julia, que eu vi chegar o caixão do Sr, Antônio de Mariana, que era proprietário de um caminhão e muito amigo do meu pai, o Sr. Otácilio (PARAIBA).
Lá em cima na saída pelo lado direito era a casa de Chico Surdo e em seguida A malhada de Dona Agda, a casa de Zé Vida Torta e D.Salvelina, E quase em frente, era(E AINDA É) a casa de Totonho e Dona Coité, vizinho de Fraterno e Honorata. Seguindo ainda pelo lado esquerdo, a casa de Dona Mariquinha, João de Pedro a casa da avó de Tizío (Esqueci o nome dela, que era também avó de um sujeito chamado Marivaldo) e o prédio escolar.
Existiam ali quatro entradas para o carrapato: A primeira onde hoje é a casa de Boquinha, a segunda a casa do Finado Teodoro Mendes a terceira após o Prédio, (Vizinho a Zé Caiçara e Dona Moça) em frente à matança de Zé Maia (Pai de Zé Pretinho) a quarta era depois da casa de Seu Zé Pereira, que após a entrada era a casa de Seu Pedrinho e em frente à casa de Seu Do Reis. Passando dessa casa vinha a morada de Bento e Zita (Que eram os pais de Teobaldo, Miudinho, Carminha e tinha uma outra que não recordo o nome). Logo em frente - Colado com seu Pedrinho - morava a finada Caetana e depois era a casa de Zé Maia e Dona Davina, e em seguida era a casa de D.Odete (que era vizinha de Januária de Vitoriano, pai de Marão) e quase em frente morava Pedro Sergipano com a professora Nenzinha e família.
Ao lado dele a roça de Manoel Dantas que ficava em frente à casa de Seu Lucas e Dona Nita, e em frente morava Seu Juca e Dona Zulmira, e ao lado deste, Seu Luiz e Dona Maria (que eram os pais de Dadá, Zé e Alice). A frente morava Dona Nicácia seus filhos e sua filha Izilda.
Ali no sitio residiam Jeronilson, Petu, Rui que foi casado com Amália, Antônio de Apolônio, o Pai de SEU NÉ, Ricardo, D.Raquel (Mãe de Zé) Seu Olímpio, Mané Coruja, Seu Davi (e sua grande família), os pais do finado Zelão, e Seu Amando e chegava às vendas, ali entrada da chapada.
Como não guardar na mente tantas lembranças que hoje mesmo estando grande ainda sinto-me pequeno demais, como se ainda coubesse o meu corpo no afago dessa terra que um dia me teve embalando em seus braços que eram tão meus, mas que o tempo (como um guardião, um protetor invisível, um acolhedor, um corretor de nossas atitudes, um memorizador das nossas ações que nos tornam pessoas que com o passar dos anos crescem) tirou-me de lá, mas nunca me afastou de fato daquele torrão que ainda AO MEU MODO, eu amo sem saber explicar como e nem por que. E, num suspiro de saudades eu afirmo em dizer que eu, sim, que eu sou da Serra, da mesma Serra do Aporá, da então Itamira que um dia hei de ver emancipada, onde hoje pra ela, dedico essas minhas memórias.
Fim... Mas sem nunca terminar, pois amor, nunca termina, aquilo que um dia a vida começou.
Carlos Silva - poeta cantador, Mestre de culturas populares e Itamirense de todo meu coração inspirado nas saudades tão minhas que divido com todos aqueles que entendem o que quero de fato dizer.
Com gratidão e muito afeto, Muito obrigado.
Contatos (75) 99838-5777
E-mail cscantador@gmail.com Instagran; Carlos_poetizado
Assim, sentado num banco da solidão e bebendo as gotas do meu passado insistente em me fazer recordar, fiz uma mente regresso e comecei viajar nessas andanças do meu cérebro que ainda guarda momentos que forçosamente tenta extrair e exteriorizar, para que eu possa transcrever cada partícula de tempo em que vou recordando.
Saudade bate, coração pulsa, alma sente, e a vida me cobra um proceder como se criança eu ainda fosse, ao ver tantas crianças ainda por mim passar, com a leveza desses infanto recordar que hoje mima o meu ser de gente grande almejando ser “minino de calças curtas” a perambular pela vila com os olhares juvenis onde era proibido não ser, não fazer e não se sentir feliz.
Talvez, você nunca em sua vida, tenha ouvido falar da Serra. Da Serra do Aporá, que fica perto de Cajueiro, (Acajutiba) de Barracão, (Rio Real), Mocambo ou Novolinda, (Olindina) da Natuba (Nova Soure) de Sobrado (Aporá) De Dendê, Bomfim, Vila Rica (Crisopolis). Não! Jamais eu poderia condena-lo por isso, afinal, nossos topônimos talvez estejam muito distantes dos teus. Mas saiba que foi por aqui, nessas imediações entre litorais e sertões que eu fui criado e tido como gente vivente para desbravar essas terras. Oriundo sou de outro local onde por lá deixei enterrado meu umbigo como uma identidade, um pertencimento e uma forma de me achar inserido nalgum canto desse imenso país. Talvez, isso nem implique mais em identificar-me lá onde meu umbigo um dia foi enterrado, pois foi daqui que comecei meu primeiro contato com o povo que passou ser meu povo, com a gente que passou a ser a minha gente, e que por este aceito fui e por isso identifico-me até com o seu modo de falar e de fazer a vida ter sentido nesse viver alucinado em busca dos sonhos que nunca se perdem pelo andar desse mundo tão complexo e cheio de descobertas, lembranças, prazeres duvidas, sonhos e até decepções. Na complexidade desse meu discurso em busca de mim mesmo, é que me apresento para que entendam que eu também tive quimeras que hoje as lembranças tangem o meu viver para esses mais remotos encantos da minha vida. Assim, passo a lhes convidar para conhecer um pouco dessa minha Serra, a Serra do Aporá que fica perto de todas as cidades acima citadas, para não ser redundante.
Por favor, queira por gentileza concentrar sua atenção em mais esta narrativa que lhes passo como uma reparação trazida nesse momento pelos deleites das minhas lembranças.
EITA, a idade chegou, o cansaço me veio e a fadiga me alcançou.
Sentado num banco de praça (perto de casa para não me afastar muito) vejo as crianças brincando numa gritaria exagerada como somente elas sabem e podem fazer. Sim, podem. Toda criança pode ter o direito de gritar, extravasar a meninice e ao seu modo ser feliz. Afinal, ser criança, é um curto tempo que passa ligeiro e em nós deixa saudades, ainda que vivamos 100 anos.
Avisto um dos meus netos correndo com seus coleguinhas, e outro que passa na minha frente e feliz grita pra chamar minha atenção: OLHA VOVÔ. Todo orgulhoso em pedalar sua bicicleta.
Meus olhos se enchem de saudades e numa fração de segundos, eu me lembro da bicicleta que papai comprou pra mim e da alegria que eu senti em poder dizer: Eu tenho a minha bicicleta que papai comprou pra mim.
Era pra ir pra escola, pra ir à venda comprar algo pra mamãe, pra dar um recado, pra chamar alguém para ajudar em casa e principalmente para fazer o que o meu neto está fazendo agora: PARA BRINCAR. Preencher o tempo de menino em meio a tantos gritos aproveitando aquela liberdade que só quem é (ou quem já foi) criança sabe o seu significado.
A vida passou, Itamira cresceu o açude que era imenso, diminuiu juntamente com o tanque grande. Quando a gente é criança tudo é grande. O pé da serra era imenso, a ladeira do João Luiz era enorme e atolava carros por lá quando chovia e os tanques transbordavam e as pessoas iam pescar e saiam carregando suas enfieiras de peixes.
Vou tentar Descrever um pouco do meu viver numa vila que me viu crescer, amparado nessa minha meninice ali vivida, mesmo sabendo que a mente, não vai obedecer alguns detalhes que o tempo apagou. Mas deixou alguns lampejos dessas lembranças onde agora passo a fazer a minha narrativa, ou o que sobrou de todo esse meu lembrar.
Existia a praça onde eu morava com minha família, seguindo reto chegávamos à casa de Manezinho e Dona Bemvina que era a mãe de Tinego. O comércio se dividia assim:
Tinha a pensão de Dona Amélia e de Dona Eduarda. A farmácia de Terezinha de Pasquinho, O bar de Manoel de Juca, o Departamento de Correios e Telégrafos (D.C.T) onde minha mãe trabalhava, tinha a loja Santos de Olímpio e o armazém de Guilherme Chaves, (ambos da cidade de Olindina). A loja de Jaldo Mendes (De Inhambupe) as padarias de Seu Zé Batista/Seu Enoque e também a de Noel, a venda de Raimundo do gás, o comércio de Zé do Ouro, a venda de tio Joel, a tenda do Sr. Timóteo, e lá na saída da rua a tenda de “Seu Lalu” (o 10º Prefeito do município) o bar de “Seu” Rozi, a venda de João da Pedra (Pai de Dezinho) a venda de “Seu” Zé da jaqueira (Eram dois irmãos do Retiro), o Bar de Cabo Mário, a cachaçaria de Durval (Pai de Herbert) de Inhambupe, que até hoje mantém o comércio. Na esquina (onde hoje é de João papa, era a venda de Clovis Mendes Vasconcelos). Por ali também tinha o bar de Antônio Vieira (TONHO DE ZÉ VIDA TORTA), a loja de tecidos do Sr. Godofredo Mendes de Souza (O quarto Prefeito), O Sobrado do Finado Mauricio e Dona Julia. No bar que era de Manoel de Juca (Que antes era de Otoniel) foi instalado o primeiro supermercado de Itamira, cujo proprietário era o Daniel (da cidade de Inhambupe).
O beco do mercado (Que por uma insanidade ou falta de conhecimento cultural de preservação de um patrimônio derrubaram para construir uma instalação da prefeitura) que dava acesso, e ainda dá a praça da igreja, onde do lado esquerdo tinha as vendas de Dedézinho do pé da serra e a marcenaria do “Seu” Zé Biita casado com D. Alice do tijuco. No fim da rua (a esquerda) existia uma casa que abrigava a cisterna.
Subindo, sentido a saída para Aporá que hoje se chama Av. Coronel José Simões de Brito (Que até hoje nem sei quem foi, mas carece de um estudo sobre a vida do Homem que empresta o seu nome para uma das principais vias da cidade).
Tinha o armazém do Seu Neném de Pequeno (irmão de Pasquinho) a venda de João de Francisquinha, depois a casa de Paraguai, o comércio do Senhor Cosmo ai vinha à farmácia de Terezinha, - onde fora ali a recepção do casamento de Milton e Esmeralda- A casa de Nezinho de prazer e D. Amélia (Os pais de Zé Renato, ou Zé Tiliba), depois a do Senhor Agenor Mendes de Oliveira 8º Prefeito, (contando com a curta Gestão de Zezito Correia). Seguindo reto iriamos encontrar a casa de Chica Dantas, Tio Lucas, quase em frente à casa de Mané de Zé Santo e Dona Ana (Mãe de Mariazinha, Tais e Louro Som) e seguindo pelo lado esquerdo, a casa de Seu Zuminho e Dona Zefa. (RAPAZINHO DIREITO) era assim que ele chamava meu irmão Raimundo e eu.
E lá adiante a casa de Pedro Bueiro e Dona Martinha, e em seguida a casa e a tenda de ”Seu” Vicente Ferreira, Sinó e toda família, que eu os tinha E TENHO como parte de minha família também, em face de aproximação que tínhamos com eles e com os meninos.
A venda de Ulisses de Cosmo. E do lado esquerdo a casa de Dona Elisa e do lado direito, Dobrava-se ali na esquina que dava acesso a casa do Senhor Pionório, na tão conhecida Rua da Delegacia. Onde vi muitas perversidades acontecer naquela época, com os presos que eram levados para lá. (Por falar nisso, vale ressaltar os nomes dos soldados: Etevaldo, - que vivia maritalmente com Dona Santinha irmã de Tio Sé, e outro por nome Antônio Soldado, que me parece que era da região de Serrinha).
Seguindo até o final, dava acesso ao Caetano (Terras do “Seu” Suta, que posteriormente passa pertencer ao “Seu” Zelito de Celi) que seguindo ia sair lá adiante já perto onde hoje é a casa dos herdeiros do nosso querido ZÉ RIACHÃO – O BRASILEIRO. Dali, seguindo para a direita na bifurcação, ia pro campo de bola (O carecão), mas antes tinha a casa de Seu Mané Felix, passava em frente da casa do “Seu” ZE LAPADA, lá adiante era a casa de “Seu” Chiquinho curador, a casa de Tonho curador, Freboni, Manelinho, Geronisso, Badinho e a esquerda descia pro açude, passava pela casa do “Seu” Marciano, mais adiante, a casa de Domingo futuro, Pedro Cambueiro, “Seu” Bispo até chegar às aguadas.
Na saída da rua (Sentido Inhambupe) primeiro tinha o acesso ao cansa bode (e ainda tem que seguindo por ali vai pra várzea, chapada e por ai afora).
Seguindo pela direita: A casa de Zé Pedro de Negune, Nezinho da Várzea, Dona Vina, (Alguns ranchos de feira) D. Zélia e Mané Dantas. A rua acabava ali.
Mais a esquerda era a saída principal onde hoje é o posto medico (Ao lado da casa de Seu Nestor e Dona Anizia, Mãe de Neuman, Neumize e Neurandi, e mais adiante era o matadouro, onde nas imediações era a casa de Dona Julia (Mãe de Zé de Mauricio, Salvador e Aurélio). Foi ali na casa de Dona Julia, que eu vi chegar o caixão do Sr, Antônio de Mariana, que era proprietário de um caminhão e muito amigo do meu pai, o Sr. Otácilio (PARAIBA).
Lá em cima na saída pelo lado direito era a casa de Chico Surdo e em seguida A malhada de Dona Agda, a casa de Zé Vida Torta e D.Salvelina, E quase em frente, era(E AINDA É) a casa de Totonho e Dona Coité, vizinho de Fraterno e Honorata. Seguindo ainda pelo lado esquerdo, a casa de Dona Mariquinha, João de Pedro a casa da avó de Tizío (Esqueci o nome dela, que era também avó de um sujeito chamado Marivaldo) e o prédio escolar.
Existiam ali quatro entradas para o carrapato: A primeira onde hoje é a casa de Boquinha, a segunda a casa do Finado Teodoro Mendes a terceira após o Prédio, (Vizinho a Zé Caiçara e Dona Moça) em frente à matança de Zé Maia (Pai de Zé Pretinho) a quarta era depois da casa de Seu Zé Pereira, que após a entrada era a casa de Seu Pedrinho e em frente à casa de Seu Do Reis. Passando dessa casa vinha a morada de Bento e Zita (Que eram os pais de Teobaldo, Miudinho, Carminha e tinha uma outra que não recordo o nome). Logo em frente - Colado com seu Pedrinho - morava a finada Caetana e depois era a casa de Zé Maia e Dona Davina, e em seguida era a casa de D.Odete (que era vizinha de Januária de Vitoriano, pai de Marão) e quase em frente morava Pedro Sergipano com a professora Nenzinha e família.
Ao lado dele a roça de Manoel Dantas que ficava em frente à casa de Seu Lucas e Dona Nita, e em frente morava Seu Juca e Dona Zulmira, e ao lado deste, Seu Luiz e Dona Maria (que eram os pais de Dadá, Zé e Alice). A frente morava Dona Nicácia seus filhos e sua filha Izilda.
Ali no sitio residiam Jeronilson, Petu, Rui que foi casado com Amália, Antônio de Apolônio, o Pai de SEU NÉ, Ricardo, D.Raquel (Mãe de Zé) Seu Olímpio, Mané Coruja, Seu Davi (e sua grande família), os pais do finado Zelão, e Seu Amando e chegava às vendas, ali entrada da chapada.
Como não guardar na mente tantas lembranças que hoje mesmo estando grande ainda sinto-me pequeno demais, como se ainda coubesse o meu corpo no afago dessa terra que um dia me teve embalando em seus braços que eram tão meus, mas que o tempo (como um guardião, um protetor invisível, um acolhedor, um corretor de nossas atitudes, um memorizador das nossas ações que nos tornam pessoas que com o passar dos anos crescem) tirou-me de lá, mas nunca me afastou de fato daquele torrão que ainda AO MEU MODO, eu amo sem saber explicar como e nem por que. E, num suspiro de saudades eu afirmo em dizer que eu, sim, que eu sou da Serra, da mesma Serra do Aporá, da então Itamira que um dia hei de ver emancipada, onde hoje pra ela, dedico essas minhas memórias.
Fim... Mas sem nunca terminar, pois amor, nunca termina, aquilo que um dia a vida começou.
Carlos Silva - poeta cantador, Mestre de culturas populares e Itamirense de todo meu coração inspirado nas saudades tão minhas que divido com todos aqueles que entendem o que quero de fato dizer.
Com gratidão e muito afeto, Muito obrigado.
Contatos (75) 99838-5777
E-mail cscantador@gmail.com Instagran; Carlos_poetizado
👁️ 1 333
VAGO, VOGO E VOU.
Pois é Vago, vogo e vou
Pois é, vago, vogo e vou.
Por passagens estreitas mal iluminadas cá com meus botões
Nem no sertão, em noite de breu, é escuro assim.
Pois é vago vogo e vou
Pois é, vago, vogo e vou.
Depois de cada passo Trago no peito as marcas dos nós das cordas
que seguravam o navio, que partiu de mar afora, bem no mei da noite
Olho as tiras de carnes dos corações penduradas,
em árvores calcinadas ( e o navi de mar afora)
Mais um trago e sigo o rumo, pois é, vago vogo e vou
É madrugada, hora incerta, mas é madrugada
Inda vou morar sozinho onde as crianças brincam e colhem, flores de aboninas.
Paro aprumo o passo e vou com medo de ser tingido de incarnado pelas costas.
Por entre uns que gritam mãos ao alto: COM VOZES FARDADAS.
Sigo entre carcaças de canhões e cheiro o acridoce dos corpos queimados,
como se fosse borrachas retorcidas.
Fica abaixo das linha dos olhos um pirão de cinzas poeira pólvora e lágrimas duras
Tamarina morena gostosa vou com as marcas dos nós das cordas no peito
Aperto o passo e sigo pois É: Vago vogo e vou
Letra: Chico Canindé,
Musica: Carlos Silva
Pois é, vago, vogo e vou.
Por passagens estreitas mal iluminadas cá com meus botões
Nem no sertão, em noite de breu, é escuro assim.
Pois é vago vogo e vou
Pois é, vago, vogo e vou.
Depois de cada passo Trago no peito as marcas dos nós das cordas
que seguravam o navio, que partiu de mar afora, bem no mei da noite
Olho as tiras de carnes dos corações penduradas,
em árvores calcinadas ( e o navi de mar afora)
Mais um trago e sigo o rumo, pois é, vago vogo e vou
É madrugada, hora incerta, mas é madrugada
Inda vou morar sozinho onde as crianças brincam e colhem, flores de aboninas.
Paro aprumo o passo e vou com medo de ser tingido de incarnado pelas costas.
Por entre uns que gritam mãos ao alto: COM VOZES FARDADAS.
Sigo entre carcaças de canhões e cheiro o acridoce dos corpos queimados,
como se fosse borrachas retorcidas.
Fica abaixo das linha dos olhos um pirão de cinzas poeira pólvora e lágrimas duras
Tamarina morena gostosa vou com as marcas dos nós das cordas no peito
Aperto o passo e sigo pois É: Vago vogo e vou
Letra: Chico Canindé,
Musica: Carlos Silva
👁️ 812
ADMIRAVEL GADO NOVO
Nascemos com cangas streladas ao pescoço e parece que nos ACOSTUMAMOS TANTO COM ELA, que o peso já nao incomoda mais.
Em reclamações solitárias, nao temos o hábito de nos reunirmos como fazem os bois mais experientes.
Gados mansos, novilhas leitosas e bezerros paridos para a servidão futura que os aguardam.
Sendo bezerros brancos, engordarão a outros tantos que passarão a mandar nos outros que aos poucos, nascendo virão para cumprir a mesma sina.
Sendo bezerros pretos, as balas perdidas os encontrarão nas esquinas dos currais tendenciosos da vida.
Sim, nao aprendi berrar, todavia, querem forcar-me ao uso da canga como já fizeram com as minhas 4 ou 5 gerações passadas, que abusando da sua mediocridade sempre disseram: Deus tá vendo tudo isso e um dia essa IN justiça será cobrada.
Até quando entregaremos a Deus as nossas tão desonrosas fraquezas?
Elegemos corruptos desde vereadores a presidentes. Muitos fazem da cadeira legislativa, ou Executiva, sua carreira politica fazendo desta, uma estabilidade empregatícia, alimentando a si, a sua família e aos apadrinhados as custas de miseraveis, portadores de cangas, que a todo e qualquer corrupto, ainda os chama de Doutor e alegram-se ao festejaram a cada dois anos, os novos portadores de ferrões em brasas para marcar o lombo dos seus rebanhos.
Uns dizem tenho 4 mandatos, outros dizem (Como sendo donos das instalacoes do poder publico tenho 5, outro (mais forte) se gaba ao dizer orgulhoso: "ESTE É O MEU SEXTO MANDATO.
PENA QUU EU NAO POSSA ME CANDIDATAR DE NOVO MESMO, RECONHECENDO QUE ESTOU CANSADO DESSA LABUTA, CONTUDO, CIENTE DO MEU DEVER CUMPRIDO, IREI ME APOSENTAR".
Ô pobres Bezerros e bois de cangas,...olha pro patrimonio dele, que tu, exercendo tua imbecilidade, ajudou a criar em troca de alguns favores.
Um é corrupto e o outro corruptor. Em suma: FEIJOES DO MESMO PLANTIO, deixando agora, a terra escassa, mas ainda pronta para ser explorada pelos sucessores de quem de fora, comandará o rebanho assentado na porteira do agora MAJESTOSO CURRAL.
Carlos Silva
👁️ 53
QUARENTENA MUSICAL
https://youtu.be/oALdhEVgNss
Nosso projeto musical.
Assista e inscreva-se no nosso canal.
Nosso projeto musical.
Assista e inscreva-se no nosso canal.
👁️ 49
O QUE O TEMPO FEZ
...com meu rosto?
...com meus sonhos?
...com meus pensamentos?
...com meus atos?
...com meus gestos?
...com meus passos?
...com meus gostos?
...com minhas vontades?
...com meu sexo?
...com minha ousadia?
...com minha coragem?
...com minha politização?
...com meus lideres?
EM QUE TORNEI-ME.
...quando me vi velho?
...quando deixei de acreditar?
...quande deixei de formar opiniao?
...quando perdi o senso de agir?
...quando disse que não me importei?
...quando não quis seguir?
...quando perdi a graça?
...quando ignorei a mim mesmo?
...quando perdi a libido?
...quando cresceu o medo?
...quando vi o nascer da covardia?
...quando vi o mar da corrupção?
...quando as grades da ilusão encarceraram as doutrinas de quem eu tanto confiei?
O que fui eu, quando o tempo estava voando por entre meus olhos e eu apenas achava que ele lentamente se arrastava pelos dias dos calendários preguiçosos e surrados face ao seu repetir?
Tempo tempo tempo e um outro tempo, me perdoe, eu não imaginava que você fosse tão rápido a ponto de desnudar-me a visão que somente agora lentamente vejo.
Carlos Silva.
(75)99838 5777 whatssapp.
👁️ 93
SE NOSSOS GATOS VOASSEM
Se os nossos gatos voassem, não existiriam passarinhos, borboletas, pirilampos.
E se eles nadassem, mergulhariam bem fundo nos rios, mares e tanques para comer os mais belos, exóticos e suculentos peixes.
Se eles tocassem as estrelas, poderiam arranhar o céu para tentar chegar na lua , por pura aventura felina.
E, ao chegar lá, procurariam por ratos. Sim, eles iriam caca-los na expectativa de levá-los para outros lugares onde pudessem brincar com eles nos seus jogos sádicos e torturosos antes de elimina-los, pois assim agem os gatos.
Afinal, os gatos sempre ouviram os ratos dizer que a lua era feita de queijo e que o seu sabor era de vários queijos misturados em diversos nomes: Prato, Mussarela, Suíço, Parmesão, Gouda, Meia cura, Minas fresca, Montanhês, Ricota, Coalho, o Brie, que é produzido em Paris, Camembert, da região da Normandia, da França, o Colonial, que é do Brasil da região do RS, o Cottage que é da Grã-Bretanha, o Cream cheese que é um queijo desenvolvido nos Estados Unidos no século 19, o Edam que é produzido na Holanda, o Emmental que é da Suiça, o Estepe, que é da região das Estepes Russas, por onde os dinamarqueses caminharam, o Gorgonzola, da Itália, ou o Minas padrão, que é tipicamente mineiro, o Provolone de origem Italiana, ou até mesmo o queijo Reino que pode ser um dos mais autênticos brasileiros.
Os ratos eram os maiores conhecedores de queijo do mundo e sabiam da procedencia (e o mais importante) do gosto de cada um.
Todavia, para findar essa história, a lua não é de queijo, nela não existem ratos, os nossos gatos não voam, e os passarinhos, borboletas e pirilampos estão a salvos para flutuarem pelo espaço que lhes cabem de direito, enquanto que os peixes continuam nadando livremente pelas águas doces e salgadas do planeta, sendo perseguidos pelos predadores naturais do seu habitat, e pelos anzóis, arpões e redes do inescrupuloso homem.
Fim...
👁️ 50
NO TERCEIRO ATO
A cortina fechou, a plateia dormiu, a trilha sonora emudeceu.
O palhaço ficou sério, com rosto triste e ali calado, quieto e sozinho, ele chorou sem ter com quem dividir seu sentimento de perda da alegria que se esvaio do seu âmago.
Ninguém viu suas lágrimas e nem as luzes notaram que as cortinas desceram apagando os sorrisos.
No silêncio ESQUECIDO e no negror ali exposto, somente o palhaço consegue enxergar a cuchia, o picadeiro, as bancadas agora tão sem vida pois o riso também não existe mais.
Ele enxuga suas lágrimas, inclina a cabeça de encontro ao seu peito, numa posição de meditação de monge budista e com os olhos do Espírito começa ver claridade e imagens se mexendo, as luzes ofuscante, a cortina aberta, ouve sons de aplausos, a essência da música começa despejar ali as notas musicais que dançam bailando num pentagrama orquestrado de sonhos.
Casa cheia, plateia animada, cores, luzes, sons, risos.
O palhaço volta sonhar, levita e deixa o seu corpo na mesma posição e sai voando percorrendo os espaços daquele espetáculo grandioso visitando os camarins, sendo visto e aplaudido no Primeiro, segundo e terceiro atos.
"O palhaço só tem utilidade, quando faz a sua plateia sorrir"
Que bom que ele pode proporcionar risos e ver todos felizes.
Sua alma flutuante está regozijante, leve livre, sentindo-se útil outra vez.
Ao passar por todos os lugares, pela portaria, bilheteria,adentra de novo e sente ser puxado para onde está o seu corpo
Ele insiste em continuar flutuando, mas há um freio que lhe prende e lentamente vai diminuindo o seu vôo e ele se sente atraído para o chão, para que ocupasse de novo o seu corpo que ali estava em concentrada ação espiritual.
Volta a encarnar, adentra ao corpo e de súbito abre os seus olhos agora lacrimejados colhido por imensa tristeza e percebe que as luzes se apagam, que a cortina fechou, a plateia dormiu, a trilha sonora emudeceu, o palhaço ficou sério, com seu rosto triste, e ali calado, sem que houvesse ninguém para conforta-lo, morreu tão triste, calado e sozinho.
Carlos Silva.
23 de junho de 2020
👁️ 79
Ser humano, OU SER UM MANO?
Bom dia e boa semana a todos.Tava eu aqui pensando em como fazer meus primeiros escritos da semana, sem que viesse ferir o ego de alguém que poderia não aceitar a minha escrita. Todavia, atrevi-me fazê-lo (com zelo e respeito) essas palavras reflexivas.
SER HUMANO, OU SER UM MANO?
Erramos tanto em nossa vida, e a consequência desses erros estará relacionada as escolhas, ao comportamento, ao trato com as pessoas, ou principalmente, ao que consumimos no dia a dia.
De tudo isso, e ao longo das nossas transgressoes de condutas, virá a doença, o sofrimento a angústia e a inevitável partida
Mas antes de ir, a gente a ouve alguém, (ou até mesmo nossa própria voz) dizer ou pronunciar, ou como uma fala de clemência ao dizer: Deus está no comando, Deus irá abençoar, Deus irá curar.
Nessas horas, até quem não crê em Deus PERDE UM POUCO DO SEU TAO PRECIOSO TEMPO PARA AFIRMAR: Deus ajude que tudo fique bem.
Erramos tanto na nossa caminhada, e sempre após os incontáveis erros, entregamos as nossas falhas para "Deus Resolver".
Sim; entregue nas mãos de Deus.
Não percebemos que por tantas vezes, as mãos dEle carrega tantos erros dos outros que por vezes até parece que Ele não ajuda outros mais necessitados por estar com as suas mãos carregadas demais, pois em nossas negligências, depositamos todos os nossos erros nas suas mãos e só O procuramos para pedir do que para lhe agradecer as bênçãos que sempre recebemos.
Lembre-se sempre de que Deus cuida de você, mas você primeiro tem que se cuidar, pois não é só você que Deus tem para olhar e proteger. Outros, que se cuidaram muito mais que você, podem de fato está necessitando do olhar imediato do Pai.
Reflita e se veja, onde você nunca teve tempo de se olhar.
Carlos Silva.
08 de Junho de 2020.
👁️ 61
VIDA EFEMERA
Estou cansando. Eu já sinto o peso desse cansaço que me alcançou silenciosamente, e nessa lentidão, sinto que os passos diminuem a cadência ritmica, não há mais pressa para o alongar da passada. O rosto ficou e está mais serio, como se o riso tivesse escapado pelos cantos da boca sem saber mais como voltar ao seu lugar de origem.
Hoje, eu senti um leve tremor nas mãos e foram ininterruptos. Disfarcei para que não deixasse escapar aos olhos dos outros, a percepção desse acontecer que para mim foi muito preocupante e não obstante constrangedor.
Fui ao banheiro, (obedecendo os cuidados principais do caminhar limitando a rapidez dosbpassos) levantei a tampa do vaso e notei que o que eu ia fazer ali, de pé mirando o sanitário, sem perceber eu já havia feito e nem se quer notara.
Olhei-me demoradamente no espelho buscando na imagem refletida, alguém que me ouvisse sem contestação ou excesso de zelo.
Chorei. Sim eu chorei.
Naquele solitário momento, eu precisava fazê-lo como se fosse resolver todos os meus problemas.
Eu nunca tinha me visto chorar tanto, desde o falecimento da minha mãe, e isso se dera ha mais de 50 anos atrás quando eu me coloquei ao lado daquele horrível caixão, sem que ninguém conseguisse tirar-me dali. Eu tinha meus 12 anos quando conheci à morte e dela nao gostei pois isso marcou muito a minha vida com a perda de quem eu tanto amava e dela tanto dependia.
Agora eu estava ali vivenciando a realidade de que estava ficando velho, reconhecendo que era inevitável esse doloroso processo que a partir daquele instante, iria acelerar a sua inóspita presença em mim.
Olhei meus lacrimejados olhos, como se buscasse enxergar a minha alma tentando encontrar o meu alento nem que fosse transitório mas que não condenasse o meu pensar e nem me torturasse tanto. Era assim, era exatamente assim que eu estava me sentindo, um torturado pela vida, que agora viera para cobrar-me o peso do existir ao longo do meu viver, (ao meu ver tão efêmero) ali à questionar-me.
Vovô você taí?
Era a doce voz de Ricardo, o meu quinto netinho a procurar por mim.
Ao ouvir a sua voz, o choro estancou, lavei o rosto e disse:Já vou.
Abro a porta do banheiro ele me olha e dispara: Vovô, voce tava chorando?
Não! Eu estava apenas lavando o rosto.
Nele, e nos outros netos, busco lembrar da minha infância que ficou há quase 70 anos para trás, mas que hoje me trouxera de volta aos áureos tempos que infelizmente sei, jamais retornarão.
De fato, eu estou ficando velho sim, (mesmo que antes não tivera a coragem de encarar essa realidade) mas não vou alarmar isso para que meu tempo de vida não queira apressar os meus passos já cansados.Nao Senhor!
FIM
Carlos Silva.
👁️ 114
Ecos brilhantes
Cavalguei nas estrelas dos meus sonhos, brinquei com elas como se fossem pirilampos, pois piscavam como tais, emitindo filetes de luzes azuis.
Fiz das nuvens o meu algodão doce de um sabor sublime e aproveitei para sentir cada momento o gosto proporcionado.
Elas, as nuvens, dissolviam por entre os meus dedos, deslizando em maciez e se perdendo noutros espaços, arrastadas pelo vento ciumeiro que soprou forte para distancia-las de mim.
Uma forte luz alva e mais brilhante, rasgou o céu como se fosse uma navalha no fino véu, separando com seu facho de intensa luminosidade, o céu em duas partes.
Seguio em direção ao infinito e escreveu com forte e majestoso brilho o seu nome no rasgar daquele ceu: Dalva.
Sim, a estrela Dalva viera se mostrar e eu ainda tive num lapso de milimétrico segundos, de fazer um pedido para que um desejo se realizasse.
Olhei para o.lado, senti um foco de luz maior, prateado onde se podia ouvir no tilintar de algumas cordas de violões e violas e foi aí que percebi que a estrela trouxe pra mim a realização do meu desejo.
Eu pedi para ver de muito perto a lua dos seresteiros, enamorados, apaixonados e poeticos seres que para ela nas noites sempre cantavam.
Além da lua, um coro angelical com harpas, liras, citaras e adulfes, deixavam melódicos tons que fizera-me sonhar numa flutuação de leveza e paz.
Pensei desejoso: Se for um sonho, que eu não acorde tão já.
De súbito, na sonoridade distante de uma conhecida voz, ouço ecoar.o.meu.nome num gritar protetor:
Acorda Joãozinho! tá pensando que isso aqui é o paraíso cheio de estrelas brilhantes?
Sorri feliz, e gritei exteriorizando minha estampada e tão grata felicidade: JA vou minha doce e tão amada mamãe.
Carlos Silva.
👁️ 89
Comentários (1)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
Carlos Silva
2023-03-16
Gostaria de poder acrescentar mais poesias, mas perdi senha e não sei mais como entrar.
O Músico, poeta cantor e compositor CARLOS SILVA, segue a trajetória de cantadores utilizando o canto falado em seus shows, palestras e apresentações em unidades de ensino fundamental e superior.
Criado entre as cidades de Nova Soure, e posteriormente em Itamira município de Aporá, a 180 Kms de Salvador, o musico carrega em sua bagagem o aprendizado colhido no meio de feira do interior baiano. Casado com Sandra Regina, tem 05 filhos e está aguardando o primeiro neto.Em 1981, participa de uma banda musical em Itamira(Ba) TRANZA A QUATRO, numa mescla de repertorio que variava de Beatles a Luiz Gonzaga, onde dá os seus primeiros passos como instrumentista (baterista da banda) ao lado de Hélio Dantas, Zé Milton E Carlinhos.
Retorna a São Paulo, em 1982 e começa trabalhar em siderúrgica e deixa um pouco a carreira de lado. Em 1997, Conhece o Maestro Vidal França e produz o primeiro demo um ano depois: O CANTO DO MEU CANTO, que conta com a participação da cantora e compositora Mazé e de Zé de Riba. Tocam na noite paulistana na região do bixiga, onde Carlos Silva, inserido no mundo artístico por Vidal França trava conhecimento com boêmios onde forma mais tarde muitas parcerias musicais. A musica de trabalho do cd era LEMBRANÇAS DE MATO GROSSO DO SUL. Um passeio cultural pelas cidades do Ms, enaltecendo a riqueza pantaneira daquele estado.
Em 2000 lança um outro single: NASCEU NA BAHIA O BRASIL, por ocasião dos 500 anos do Brasil. Em 2001, produz um cd experimental regravando essas obras já lançadas, com o titulo: ABRA OS OLHOS.
Em 2003 sob a produção de Ney Barbosa compositor da Chapada diamantina da cidade Rui Barbosa na Bahia, entra em studio e com o selo da JBS grava o cd: RETRATANDO.
Participa de vários programas de rádio na capital Paulista, São Paulo Capital Nordeste com o pesquisador paraibano Assis Angelo e na Radio Atual com Malu Scruz.
Varias Rádios comunitárias e Tvs, recebiam a arte cantada de Carlos Silva, que de mochila recheada de Cds, percorria o Brasil divulgando a sua arte de cantar e agora atribuía á sua carreira, poesias em forma de literatura de cordéis.
2003, foi o ano que conheceu a coperifa e o poeta Sergio Vaz que o convidara a participar do projeto na Zona Sul de São Paulo.
Fez programas de televisão como Tv Cultura, Rede Record e rede globo, Tv Alterosa em Minas Gerais.
Carlos Silva dedicando-se á literatura, é convidado a participar da antologia poética O RASTILHO DA POLVORA e de um cd de poesias da coperifa, produzidos pelo Itau cultural em São Paulo.
Viaja pelo Brasil pelos Estados de Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, segue pelo Nordeste, Bahia, Pernambuco e Paraíba, agora amparado pelos cds e cordéis produzidos sempre de forma independente.
2008 Lança o mais recente trabalho fonográfico: O BRASIL EM VERSOS CANTADOS, que traz algumas parcerias com os seguintes colegas: Moreira de Acopiara, Chico Galvão, Joilson Kariri e Nato Barbosa.Morou por quase dois anos na cidade de Ilheus onde aproveitou bem essa passagem pelo sul da bahia e divulgou em Itabuna, Vitoria da Conquista a sua modalidade do canto falado.
Seus principais parceiros musicais: Sandra Regina, Vidal França, Zé de Riba, Mazé Pinheiro, Lupe Albano, Karina França, Rhayfer (Raimundo Ferreira) Batista Santos, Ney Barbosa, Edinho Oliveira, Cida Lobo, Edmilson Costa, Paulo de Tarso Marcos Tchitcho e Nininho de Uauá.Forrozeando, o artista percorre a região nordeste, apresentando o seu trabalho em feiras culturais, dividindo os palcos da vida com artistas como: Azulão baiano, Zé Araujo, Cecé, Asa Filho, Antonio Barreto, Franklim Maxado, Kitute de Licinho e um punhado de gente bôa.
As musicas são um filme para se ouvir, e cada frase, é um pedaço de poesia rebuscada na cultura popular e no solo sertânico chamado Brasil.
Seus projetos futuros: Um novo cd, misturando versos e cantigas, o livro Poemas Versos e Canções, e muitos livretos de cordéis que pretende lançar a cada mês, para apresentação nas feiras culturais e colégios, bibliotecas e outros espaços culturais.
CORDÉIS
Português
English
Español