Lista de Poemas
Sinfônica lida
as claves do tempo
emparelham as notas
que a vida soletra
no vão da história
o solo dos desejos
entoando semifusas
acorda os surdos
nos desvãos da luta
a sinfonia permanece
entre os movimentos da vida
o pensamento como luthier
o corpo como oficina
Saudade II
a saudade dói
um futuro renitente
teimosia em ser passado
mesmo presente
é como fosse um desejo
que enganasse o tempo
do que ri
a saudade consente
um sonho perdulário
mesmo ausente
Reminiscência XXII
do sol militante
a manhã deu-se ao tempo
chorando as nuvens que tinha
no colo de seus ventos
como fosse uma tristeza
construída de repente
o menino olhando a chuva
deu-se a molhar os sentidos
namorando a paisagem
abraçado ao infinito
Vindoura estrada
ser vindouro
trazer-se em tudo
traço militante
nesga do futuro
deixar-se transitar
nos tempos do mundo
a vida
caminha o corpo
como fábrica larga
dos atos construídos
no vão da alma
REMINISCÊNCIA XX
transeunte da vida
navegando a alma
o jovem varava o Recife
pisando a madrugada
o eco do partido
nos dias consumidos
jogava o futuro
pelos sentidos
a tempo
acordando a cidade
jogava a madrugada
numa certa liberdade
Das magnitudes do amor faltante
do quanto amor
talvez se saiba
os infinitos da saudade
postos na alma
a vida contrita
é só exercício
da metade de si
que ainda habita
da-la ao mundo
é só um rito
fazê-la transeunte
da luta coletiva
Semântica trama
às vezes,
o poema tenta
ser só um brincante
das palavras que enfeita
inventa trocadilhos
joga aparências
arrumando palavras
em semântico desenho
na verdade, apenas tenta
dizer nos homens pela vida
a força do poema
Íntima jornada
fujo de mim
quando me perco
nos eus coletivos
em que me esqueço
tudo que me tange
é a inteira certeza
de que como matéria
milito a natureza
nadar o rumo da vida
até que os mares me queiram
Da feição dos tempos
amanhã
quando tarde
deixe-se cedo
pelos passos
as distâncias da vida
são um tempo exato
de consumir o mundo
no vão dos atos
deixá-los coletivos
como um largo abraço
Das doses do futuro
apenas vivo
com a certeza em tudo
de que haverá um tempo
sem números e muros
as larguras do tempo
nessa histórica corrida
são apenas segundos
compostos pela vida
os povos e a natureza
livres e abraçados
viverão todos futuros
como um presente adiado
Comentários (10)
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
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Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.