Escritas

Lista de Poemas

Das lagoas dos viventes

 

Que esse espelho de águas

pareça assim a vertente

dos rios que a gente nada

atravessando a gente. 

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Das interferências e das ações

 

da pedra

informe-se

o gesto bruto

de ser bólide

 

ou, à contraluz,

assim esculpida

deixe-se estar aviso

nas costas da vida. 

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Das contrafações do engenho humano

 

Subo ao conceito

e desço aos fatos

quando não por tê-los

assim desirmanados

desfocados do mundo

e das filigranas do lapso

 

chego aos fatos

teoricamente praticado

como se o engenho fosse lavoura

de submeter-se a arado

e a vida uma teoria

de todas as minhas práticas.


 

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Ainda o amor I

 

o amor

era um infinito

deitado no cosmos

do teu riso

a vida

era o ofício

de viver a imensidão

no teu sorriso

as léguas de mim

ainda tramito

na saudade impressa

nos sentidos

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Dos discursos marinhos do nosso estado

 

 

Da praia tenha-se o discurso

de um mar de manso nado

que inventa esquinas na gente

nas larguras todas dos atos

 

é que o mar, às vezes, posa

de açude encabulado 

e cria as ondas futuras

na curva urgente do passado

 

criar as jangadas da vida

é navegar todos os fatos.

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REMINISCÊNCIA XLIII

 

a chuva

molhava a tarde

o menino, nave de si

navegava a vontade

como um jovem marinheiro

em levante da liberdade

a rua

como um rio urbano

levava o marinheiro

molhado de sonhos

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Das razões coletivas e instrumental vigente

 

Privada, a propriedade 

parasita as ruas da cidade 

urbano acinte e açoite

a quem trabalhe

 

privado, o latifúndio 

parasita a natureza

montado no mundo

 

e o trabalho do povo

é o fórceps de tudo. 


 

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A vida em descampados

 

E no meio do descampado

como se fora um repente

a vida parece um sonho

atravessando a gente. 

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Dos assassinatos noturnos e dos fardos

 

Assassinado

por fuzis fardados

o homem explicita

a farda dos fardos

nada do sistema

eletrocutado

desencapa os fios

da elétrica cidade

todo o futuro

é um alarde

da construção que a revolta

em cada peito cabe

na morte daqueles

que trazem apenas como culpa

a noite no corpo e na face.

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Oratória empedernida

 

É que no curso da fala

o tempo se espreguiça

e tange os rumos do verbo

pelos descampados da vida 

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Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino
2026-01-17

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques
2025-12-04

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto
2025-02-27

Abração !