Escritas

Lista de Poemas

Brasileira lua em degraus do tempo

 

E nos ombros do infinito

como se fosse bandeira

a lua inventa os sonhos

dessa noite brasileira

 

é que astros inventam o futuro

apesar de todas as barreiras.

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Da passeata no vão da crise

 

A luta bruta sua a praça

com suores e verbos,

andarilhos e astronautas

montados no sonho urgente

de abraçar a pátria

 

a luta consome

as léguas de povo

que adredemente prolata

costurando os verbos da vida

no peito infante da massa

 

e o grito da multidão

ecoando pelas marquises

é a construção escalonada

das arquiteturas da crise.

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Da alma em retoques

 

A alma é só invólucro

daquilo em que se cabe

guardada a proporção

das pretensas liberdades

que a gente traz pelo peito

e às vezes nem sabe

 

e vige enquanto perdura

o gosto infante da alegria

no riso que a gente tange

pelos ombros da avenida

construindo com irmãos

as lutas todas da vida

 

a alma é só um detalhe

da singularidade coletiva.

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Das ações e das formas

 

por mais viver

não vingue o dia

em espalhar a noite

pelas entrelinhas

é que o discurso

é só uma forma

de enquadrar o fato

em cada norma

viver é cavalgar o tempo

com as rédeas da lógica

e a certeza guerrilheira

das revoltas


 

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Do cacto em contubérnio inato

 

O cacto

é só um pacto

entre o espinho

e o espaço

a terra

é só o ato

de tangê-los 

no deserto dos fatos

a paisagem

é só o desacato

da flor que inventa

nos soluços que prolata

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Rendas da vida

É como bordar o amor

com as agulhas da calma

com a linha do coração

e os bastidores da alma

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Das pandêmicas solitudes

 

na solidão saio de mim

como transeunte

de todas as estradas

que não pude

e deixo-me a sós

em incautos coletivos

como bólide da vontade

de estar comigo

 

eis a contradição:

a pandemia é coletiva

nem deixa a solidão

ser mais restrita.

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Das Vertentes do Futuro

 

a utopia

mais dias, menos dias,

é só o bordado da história

que o povo construia

 

é que a luta, por complexa,

dá-se por estranha,

às vezes incompleta

quando o destino dos homens

larga-se numa paz grávida da guerra

 

a ânsia do futuro

sempre se apresta

a bordar  pelo mundo

muitos et ceteras.

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Da comunitária conjunção das horas

 

Que o manto da paz nos cubra

pelas curvas do pensamento

e que os verbos se amontoem

no alvoroço dos tempos.

 

Como uma nave desgarrada

ressurja a coletiva vontade

de construir como pasto

a a cara da liberdade

 

e que sejamos comuns

nos campos e nas cidades.

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REMINISCÊNCIA LXII

 

o camponês

na madrugada

arranhava o tempo

pela alma

no viés da vida

mansamente alinhava

as rugas do mundo

em sua enxada

de longe

laçando a paisagem

o menino amanhecia

montado na vontade

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Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino
2026-01-17

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques
2025-12-04

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto
2025-02-27

Abração !