Escritas

Lista de Poemas

Memento de sólida feição

 

Quando o dia chegou

nos ombros da madrugada

eu parti do teu amor

perdido pelas estradas

é que teu cheiro ressoava

pelas léguas da memória

como se a vida fosse um mar

que corresse em desafio 

e que se perdesse em mim

abraçado com teu riso

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Da passeata em avanço

 

a passeata navega as ruas

com a exata compostura

de uma nau que singra as praças

dos combates, dos verbos e da luta

 

cada transeunte em passo

é um descompasso consentido

das dores todas que atiça o povo

e joga os homens na avenida.

 

a passeata navega também as luas

que o futuro dos passos realiza.

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Das úmidas lembranças

 

Quando a saudade

dê-se como lágrima

encha todos os rios

que se tem na alma

 

e navegue serena

as estradas da vida

inventando as emoções

nos tempos em que, avulsa,

reste pela memória, exata, 

como se fora uma fábrica

das eternidades que pulsa. 

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Do confronto temporal da vontade

 

Na pandemia

o tempo esquece

de ajeitar um espaço

em que vivesse

e larga-se no peito

como uma preguiça 

subindo todas as letras

da notícia 

 

o mundo carece de tempo

para dar-se à vista

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Dos bemóis do povo

 

assim correndo no passo

no espinhaço da avenida

até parece que o frevo

é um abraço da vida

é como se fosse o povo

abraçado em cada rua

ensaiasse no tempo

o futuro da luta

e cada bemol no espaço

dançando pela cidade

espalhasse em cada canto

um gosto de liberdade

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da filosófica contração do mundo

 

no trajeto

entre mim e a razão

sou apenas transeunte

da contradição

nada do que está posto

deixa de ser em vão

 

é que são relativos

os absolutos na mão.

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Do futuro nas avenças do tempo

 

Quanto mais se monta o tempo

mais jovem o futuro fica

é que a vida não se conforma

em ser apenas notícia

 

nos ombros de sua fala

a palavra se afirma

é nas ruas de sua luta

que o futuro está em riste

mostrando a largura do povo

que se constrói e se acredita.

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Das úmidas lembranças

 

Quando a saudade

dê-se como lágrima

encha todos os rios

que se tem na alma

 

e navegue serena

as estradas da vida

inventando as emoções

nos tempos em que, avulsa,

reste pela memória, exata, 

como se fora uma fábrica

das eternidades que pulsa. 

Do infinito e seus alinhamentos

 

O infinito

nem começa

nem termina

o olho só perscruta

suas esquinas.

 

O cérebro, viajante, 

é que determina

todas as ruas do mundo

e o trânsito das vias

e as repousa no dizer dos verbos

que adredemente alinha. 

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Coletiva andadura

 

há indícios,

a vida,

antes de privada,

vige coletiva

cicatriz memorial

do que se viva

a matéria

interna comentos

como um vendaval

no pensamento

tudo que é viver

unifica o tempo

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Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino
2026-01-17

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques
2025-12-04

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto
2025-02-27

Abração !