Lista de Poemas
Da possibilidade recorrente
Divirjo de mim mesmo
tudo que não posso
é meu mêdo.
O impossível
é só um gesto
de tudo a que me presto.
viver é inventar impossíveis
nos desvãos do universo.
Do futuro e suas vagas
o povo ausculta
nos ombros da praça
o ruído da luta
comício de tudo
o verbo disputa
as razões urgentes
de todas as culpas
e nos olhos do povo
envolto na palavra
o futuro toma o jeito
de quem lhe abraça
Amor mundano
ao amor
dê-se a feição de luta
nas costas da pátria
nos indícios da rua
e se queira farto
como um abraço
que a gente dá no tempo
em todos os compassos
Das larguras do sonho
o sonho
é sempre coletivo
tudo que lhe tange
é infinito
e, mesmo particular,
dá-se ao desplante
de parecer viés
de todos horizontes
é que lhe sobra uma nesga
de matéria itinerante
que conjuga todos os passos
de quem esteja sonhante.
Poeminha de certezas latentes
Sempre haverá um povo
nos arredores do futuro
mesmo que não haja tempo
para dizê-lo em tudo
sempre haverá um tempo
nos arredores do povo
mesmo que não haja um futuro
guardado em cada bolso
tempos são
apenas arquiteturas
de quem constrói as manhãs
nos descaminhos da luta.
Circo desatado
O palhaço
chora no riso
seu abraço
e ri seu pranto
no aplauso
tudo que lhe move
é seu contrato
e uma leve possibilidade
do acaso
Utopia I
a utopia
é um sonho
que se leva na mão
embrulhado na luta
tudo que seja povo
lhe disputa
os metros todos de futuro
a que se ajusta
Da metragem da vida
Das léguas de mim
sei os passos
e a estranha sensação
de que me faço
das léguas todas de todos
em que me abraço.
meus metros
adredemente
são caminhos de todos
os que se consentem .
das larguras de mim e do futuro
lúdico
nada me joga
público
andante
de mim
discurso
e súbito
deixo os repentes
em que me culpo
sou um barco,
enfim,
de todos os mares
do meu curso
o sonho
é só um jeito
em que me uso
das margens da vida
Nos ombros do tempo
navego horas e envelheço
até nas mocidades
em que me esqueço
vivente dos meus egos
nas vezes que nem me perco
o meu fim, adredemente,
é só um disfarce do começo
a velhice é só um jeito
de me inventar pelo avesso.
Comentários (10)
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
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Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.