Escritas

Lista de Poemas

Dos enredos da vontade

 

ao redor de mim
como satélite 
o infinito rumina
a saga da matéria 
gestos plurais
no vão da terra
o tempo
em sua rede
discursa o espaço
em seus enredos
a vontade tenta pulsar
no homem
a razão de vivê-los

       

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Reminiscência LVI

 

o riacho

cochichava

a voz da natureza

pelas águas

o menino

avistando o tempo

jogava os olhos

no pensamento

a paisagem

como nave fugitiva

voava o menino

nos sonhos da vida

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Reminiscência LVII

 

a pedra dormia

sentinela do tempo

bandeira derreada

nas costas do vento

a manhã

ainda encabulada

punha seus olhos

no colo da estrada

arrumando os sonhos

na paisagem da memória

o menino assuntava

os rumos da escola

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Trânsito humano

 

estou em mim

nesse esforço

quando me deixo

para estar no outro

a conflagração

do trânsito coletivo

é ação unânime

da razão e dos sentidos

esse deixar-se tanto

é estar em si

como pedaço do infinito

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Exílio devassado

 

do meu exílio

volto armado

de todos os eus

em que me largo

a fuga no tempo

quando exilado

apenas resvala

no imo da vontade

o exílio é só um modo

de ter-me revoltado

nas guerrilhas da vida

nos sonhos que guardo

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Onírica refrega

 

nas entrelinhas

o sonho divisa

desejos transeuntes

postos à deriva

dá-los ao mundo

rastros de liberdade

dize-los nos braços

discurso da vontade

os desejos vigem no tempo

como sonho embrulhado

o tanto de cabe-los livres

é o jeito de sonha-los

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Das teias vigentes

 

o grito do mundo

à espreita do tempo

dá-se à construção

como lúdico invento

razão dos braços

teia da vida

aranha pública

ainda não tecida

a oralidade onírica

vaza no discurso

vontade composta

das teias do mundo

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Golondrina alma

 

sin embargo

hay que tener el alma

como arma

y jugarla golondrina

en las palabras

el poema es solo un vuelo

suelto de los sentidos

en busca de sus aires

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REMINISCÊNCIA LIV

 

a lua, cheia de si,

nave desgarrada,

escorre o jeito da noite

no vão dos olhares

os raios da vida

em seu instinto

tentam medir as veias

dos rastros do infinito

o tempo percorrido

embrulhado na memória

desenrola os sonhos

salpicando a história

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Reminiscência LV

 

o tempo

cavalgando a madrugada

jogava restos da noite

pelas calçadas

Recife

ainda adormecida

ouvia já a manhã

nas avenidas

o jovem militante

tarefa cumprida

tangia os passos

pelas certezas da vida

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Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino
2026-01-17

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques
2025-12-04

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto
2025-02-27

Abração !