Escritas

Lista de Poemas

vívido trânsito

 

grávido exercício

a vida teima

em dizer-se ofício

rasgo da matéria

nas brechas do infinito

lúdico mister

de quem transita

os pedaços do tempo

em que milita

o espaço de si

é só notícia

que o universo joga

em sua lida

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Matéria em humana pose

 

e quando fosse possível

essa permanência

a matéria deu a ver-se

pela consciência

construída no homem

como insistência

a aparência de domo

de olhar-se apartado

ao homem deu-se a noção

de conter-se unidade

até saber que era um todo

sutilmente disfarçado



 

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Alheios passos

 

fujo de mim

quando, no povo,

milito o tempo

como outro

rasgos do desejo

passeata humana

a matéria dá-se à razão

privada militância

o mundo dá-se aos homens

nos passos que consigam

derramados no tempo

como intensa guerrilha

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Reminiscência LVIII

 

de relance

a noite deu-se madrugada

despachando o tempo

no colo da estrada

os passos

ainda noturnos

deram-se ao dia

na imanência do mundo

o homem

alinhavando o tempo

fez-se da saudade

no pensamento

👁️ 2

Da constância da fala

 

quando a fala

solta na alma

deixe-se dardo

como palavra

quando a arma

embutida na fala

jogue-se nos braços

gesto da alma

quando a vida

posta na palavra

sustente a razão

de ser a fala

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Delações da vida

 

e por esse olhar o mundo

pelas frestas dos sentidos

dê-se a matéria farta

como urgente tentativa

construção de si como tanta

na barcaça da vida

navegue o braço dos homens

pedreiros do futuro

nos mares da vontade

nas ondas do seu curso

a história é só o remo

das humanas atitudes

👁️ 2

Mais-valia verbal

 

o poema amplifica

a mais-valia verbal

em que transita

jogo de cena

teatro da palavra

o verso tensiona

o curso da seara

o poeta, explorado,

tange o verbo na mente

como humano arado

leirões de si consumidos

luta de classes privada

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Do lírio em paz sentida

 

o lírio da paz

num riso fugidio

belisca nos olhos

a franja dos sentidos

como se fora recado

da vontade do infinito

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Tráfego humano

 

dou-me ancestral

em cada gesto

herança de mim

quando me invento

linhas humanas

do largo testamento

navego humano

o mar da vida

como barco alheio

em que me digo

ondas que abraço

no trânsito do infinito

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Traços virtuais in limine

 

o poeta on line

apenas arquiva

os bytes em que cabe

os que imagina

os que nem sabe

a tela

é apenas armário

de fingir as nuvens

do imaginário

o poema é só a fala

rito virtual

das brincadeiras da alma

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Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino
2026-01-17

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques
2025-12-04

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto
2025-02-27

Abração !