Lista de Poemas
vívido trânsito
grávido exercício
a vida teima
em dizer-se ofício
rasgo da matéria
nas brechas do infinito
lúdico mister
de quem transita
os pedaços do tempo
em que milita
o espaço de si
é só notícia
que o universo joga
em sua lida
Matéria em humana pose
e quando fosse possível
essa permanência
a matéria deu a ver-se
pela consciência
construída no homem
como insistência
a aparência de domo
de olhar-se apartado
ao homem deu-se a noção
de conter-se unidade
até saber que era um todo
sutilmente disfarçado
Alheios passos
fujo de mim
quando, no povo,
milito o tempo
como outro
rasgos do desejo
passeata humana
a matéria dá-se à razão
privada militância
o mundo dá-se aos homens
nos passos que consigam
derramados no tempo
como intensa guerrilha
Reminiscência LVIII
de relance
a noite deu-se madrugada
despachando o tempo
no colo da estrada
os passos
ainda noturnos
deram-se ao dia
na imanência do mundo
o homem
alinhavando o tempo
fez-se da saudade
no pensamento
Da constância da fala
quando a fala
solta na alma
deixe-se dardo
como palavra
quando a arma
embutida na fala
jogue-se nos braços
gesto da alma
quando a vida
posta na palavra
sustente a razão
de ser a fala
Delações da vida
e por esse olhar o mundo
pelas frestas dos sentidos
dê-se a matéria farta
como urgente tentativa
construção de si como tanta
na barcaça da vida
navegue o braço dos homens
pedreiros do futuro
nos mares da vontade
nas ondas do seu curso
a história é só o remo
das humanas atitudes
Mais-valia verbal
o poema amplifica
a mais-valia verbal
em que transita
jogo de cena
teatro da palavra
o verso tensiona
o curso da seara
o poeta, explorado,
tange o verbo na mente
como humano arado
leirões de si consumidos
luta de classes privada
Do lírio em paz sentida
o lírio da paz
num riso fugidio
belisca nos olhos
a franja dos sentidos
como se fora recado
da vontade do infinito
Tráfego humano
dou-me ancestral
em cada gesto
herança de mim
quando me invento
linhas humanas
do largo testamento
navego humano
o mar da vida
como barco alheio
em que me digo
ondas que abraço
no trânsito do infinito
Traços virtuais in limine
o poeta on line
apenas arquiva
os bytes em que cabe
os que imagina
os que nem sabe
a tela
é apenas armário
de fingir as nuvens
do imaginário
o poema é só a fala
rito virtual
das brincadeiras da alma
Comentários (10)
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
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Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.