Escritas

Lista de Poemas

Verbos indormidos

 

o poema

tange a palavra

alicerce retrátil

do poeta e sua fala

na emoção,

verbo movediço,

mergulha o poeta

em seu ofício

no pantanal do verso

a insônia nada

todos os verbos

no pântano da alma

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Geográfica vista

 

no mapa de tanto

assim como tarde

dou-me aos cedos

em que caibo

tudo da memória

é um grande laço

no mapa de mim

como oceano

transborda a saudade

navegando

todos os mapas da vida

geografam minhas ondas

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Mudança contratada

 

a mudança

é jeito inato

que a matéria dá em si

como contrato

marca do infinito

de seus tratos

dada a seu curso

nos desvãos da vida

joga-se futura

tempo consentido

das humanas razões

que traz consigo

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Do amor em infinita pose

 

o amor reconhece-se

dado ao infinito

de saber-se maior

quando construído

as léguas de si

são metros desatados

na procissão das falas

na construção dos abraços

dá-lo como mútuo

é só o ofício

de exercê-lo grávido

de cada infinito

👁️ 1

Flagrante curso

 

o vaqueiro

em suas investidas

cavalga em si, como gado,

os rastros da vida

a caatinga

afagando o tempo

deflagra a seca

pelo pensamento

a manada dos homens

conjuga seus viventes

nos rastros confirmados

do que nem sente

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Das mortes vividas

 

quando morro

ainda vivo

todas as mortes

em que me tive

as que morri sozinho

as que vivi coletivo

quando morro

apenas sobrevivo

todas as contradições

das vias do infinito

nada do que morro

é apenas grito

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Reminiscência LXI

 

quando a noite coube

no colo da madrugada

o sol espreguiçou-se

o dia deu-se à fala

como se fosse discurso

que o tempo declara

os jovens ainda reunidos

estalando dedos no aplauso

argumentavam a vida

na balsa das palavras

como se a vida fosse

uma clandestina liberdade

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Energia em rasgo displicente

 

a energia

engravida o mundo

desde a gesta do nada

às vésperas de tudo

matéria fantasiada

em cursos reticentes

desfiles do futuro

às vistas do presente

a energia é discurso

palavra escondida

construção flutuante

das entrelinhas da vida

👁️ 1

Das horas sem tempo

 

o tempo

preso no relógio

rende a paciência

em cada volta

estranha vazão

de suas horas

tudo que lhe mede

transcurso estranho

são minutos grávidos

de sofrimentos e ganhos

até que o homem corra

nos ombros do mundo

apenas como um tempo

de todos em tudo

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Fábula rasante

 

a fábula, na prática,

é encontrar o ritmo

lúdico da alma

joga-la no mundo,

única, como arma

e deixar-se outro

como norma exata

a fábula, como curso,

é um futuro construído

que o homem leva nas mãos

vivendo o infinito

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Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino
2026-01-17

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques
2025-12-04

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto
2025-02-27

Abração !