Lista de Poemas
Verbos indormidos
o poema
tange a palavra
alicerce retrátil
do poeta e sua fala
na emoção,
verbo movediço,
mergulha o poeta
em seu ofício
no pantanal do verso
a insônia nada
todos os verbos
no pântano da alma
Geográfica vista
no mapa de tanto
assim como tarde
dou-me aos cedos
em que caibo
tudo da memória
é um grande laço
no mapa de mim
como oceano
transborda a saudade
navegando
todos os mapas da vida
geografam minhas ondas
Mudança contratada
a mudança
é jeito inato
que a matéria dá em si
como contrato
marca do infinito
de seus tratos
dada a seu curso
nos desvãos da vida
joga-se futura
tempo consentido
das humanas razões
que traz consigo
Do amor em infinita pose
o amor reconhece-se
dado ao infinito
de saber-se maior
quando construído
as léguas de si
são metros desatados
na procissão das falas
na construção dos abraços
dá-lo como mútuo
é só o ofício
de exercê-lo grávido
de cada infinito
Flagrante curso
o vaqueiro
em suas investidas
cavalga em si, como gado,
os rastros da vida
a caatinga
afagando o tempo
deflagra a seca
pelo pensamento
a manada dos homens
conjuga seus viventes
nos rastros confirmados
do que nem sente
Das mortes vividas
quando morro
ainda vivo
todas as mortes
em que me tive
as que morri sozinho
as que vivi coletivo
quando morro
apenas sobrevivo
todas as contradições
das vias do infinito
nada do que morro
é apenas grito
Reminiscência LXI
quando a noite coube
no colo da madrugada
o sol espreguiçou-se
o dia deu-se à fala
como se fosse discurso
que o tempo declara
os jovens ainda reunidos
estalando dedos no aplauso
argumentavam a vida
na balsa das palavras
como se a vida fosse
uma clandestina liberdade
Energia em rasgo displicente
a energia
engravida o mundo
desde a gesta do nada
às vésperas de tudo
matéria fantasiada
em cursos reticentes
desfiles do futuro
às vistas do presente
a energia é discurso
palavra escondida
construção flutuante
das entrelinhas da vida
Das horas sem tempo
o tempo
preso no relógio
rende a paciência
em cada volta
estranha vazão
de suas horas
tudo que lhe mede
transcurso estranho
são minutos grávidos
de sofrimentos e ganhos
até que o homem corra
nos ombros do mundo
apenas como um tempo
de todos em tudo
Fábula rasante
a fábula, na prática,
é encontrar o ritmo
lúdico da alma
joga-la no mundo,
única, como arma
e deixar-se outro
como norma exata
a fábula, como curso,
é um futuro construído
que o homem leva nas mãos
vivendo o infinito
Comentários (10)
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
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Español
Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.