Lista de Poemas
Humana lida
o sentimento
mar humano
dá-se em ondas
quando militante
dói a saudade
trafega o riso
na necessidade intrínseca
de viver o infinito
o homem
grávido navegante
marinheiro de si
respira o horizonte
Humanos múltiplos
quando falto em mim
largo-me nos outros
no curso incontido
de estar em trânsito
âmbito humano
de viver aos tantos
como fora multidão
militando o corpo
indivíduo e único
multiplico-me aos poucos
a vida é só a vazão
da razão de sermos outro
Reminiscência LXXIX
junto à estátua
frente a proposta
o jovem, agora recrutado,
jogava o mundo nas costas
o futuro
beliscando as ruas
adoçava a vontade
embrulhada na luta
a vida, agora
brilhava nos olhos
atravessando a história
súbita indagação
escondida
na dúvida
a certeza
sempre pulsa
grave retórica
de cada razão
verdade cronológica
a matéria
em súbita vazão
abarca futura
sua construção
a certeza é só início
da revolução
Reminiscência LXVIII
a onda voluptuosa
deu-se à liberdade
de transformar o mar
em mero detalhe
essa ânsia de molhar
os ombros da tarde
a praia conformada
intensamente reprimida
jogava no jovem
as ondas da vida
cachoeira do tempo
quase infinita
Verbais tentativas
a palavra
resvala
todos os verbos
em que cala
dá-se a entrelinha
como lavra
tentativa humana
de burla-la
o mundo
dado a ouvidos
entrelaça suas letras
pelos sentidos
a palavra como arma
é movediça
Matéria em humana fala
como fosse tanta
quanto precisa
a vida deu-se à matéria
como investida
consumo farto do tempo
células construídas
assim dados à gerência
dessa revolução edificada
permita-se aos homens
sancionarem sua saga
a matéria pulsa humana
os vincos da estrada
Verbo teúdo e manteúdo
no tranco da palavra
ritmo fortuito
o poema navega
os ares do discurso
rumina o mundo
dado a repentes
entrelinhas de verbos
substantiva nascente
dos ombros do poeta
como escopeta
joga-se manifesto
embutido nas letras
tudo que o conjuga
é um verbo contrito
das léguas palmilhadas
do poeta consigo
Ode castrense
soldado da vida
dou-me à continência
de estar nos sentidos
marchando a consciência
ordem unida
humano exercício
a vida inventa
todos seus indícios
quartel de mim
ainda inconstruído
dou-me à guarnição
de sentinela coletivo
Do tempo em mim
saco a manhã
no rastro da tarde
fingindo um tempo
que me guarde
rota humana
em que me basto
o tempo agora
quando me invade
admite todos os cedos
em que eu me tarde
Comentários (10)
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
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Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.