Lista de Poemas
Reminiscência LXXVI
a madrugada
piscando os olhos
espreguiçava o tempo
nos seu ócio
a rua
levemente aquecida
abraçava o sol
tangendo a vida
o jovem militante
com o sonho nos dentes
jogava nos passos
um corpo sonolento
Cosmovisão
bebo o universo
no cálice da vida
como um astronauta
em terra firme
construindo as naves
dos voos que consiga
íntimo do tempo
dou-me à deriva
como bólide humano
em sinapses construídas
a efervescência do cosmos
é quase minha lida
lembranças
a memória
dói o tempo
como dado virtual
no pensamento
os dados
postos pela vida
dão-se a arquivos
mesmo não consentidos
o homem
armazém de tanto
tenta amansar
as veias da memória
Temporárias
o tempo
jogando a manhã
espalha as horas
como semente
assuntando a tarde
que pressente
a noite, distraída,
inventa as luas
que consiga
o homem
nessa dúvida
anoitece em si
como desculpa
Instância verbal
o verbo no tempo
como um salto
tremula a garganta
fora do fato
invólucro humano
súbito da matéria
dá-se ao discurso
como estratégia
fórmula exata
de deixar-se humano
e dedilhar nas letras
a coletiva trama
tudo do verbo é poema
nas costas do mundo
como fardo complacente
da construção de tudo
Futura démarche
não haverá manhãs
com sóis embutidos
anoitecendo a vida
pelos sentidos
o tempo
como espaço farto
dar-se-á ao mundo
em cada ato
o homem
quase já construído
inventará motivos
de viver o infinito
Poemática trama
o poema
concreto
dá-se edifício
quando verbo
apalavra sonhos
posta alicerces
em vidas fingidas
pelos versos
como se fora teatro
em todos os palcos
postos no poeta
em seu encalço
Reminiscência LXXV
a lua subia no horizonte
dando-se aos sentidos
fingindo ser nos olhos
um pingente do infinito
o menino
deitado na calçada
inventava nas nuvens
sua madrugada
o tempo, nos sentidos,
fingia paisagens
meio distraído
Vivência
como tanto
dê-se o motivo
de estar humano
em cada riso
ou ter-se lágrima
quando vivo
viver é uso largo
vasta compostura
nos degraus coletivos
da humana luta
Reminiscência LXXIV
aos olhos do menino
a vida era um brinquedo
botões da vontade
criavam o enredo
nas avenidas do tempo
tangendo o medo
o mundo
inteiramente dominado
pulsava no menino
onírico salto
tudo da vida
era um regaço
Comentários (10)
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
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Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.