Lista de Poemas
Verbo intimorato
Palavras – quem as digam?
Com a certeza do sempre e a inconstância da vida.
Quem as oprimam, para que assim,
constrangidas, possam chegar aos homens
com a força da vida?
Quem as arrumem no vão do armário geral das avenidas?
Quem as construam em praças, as de pedra e as da lida?
Quem as coincidam com a esperteza do tempo
e a informalidade dos bolsos das camisas?
Palavras sempre serão tantas,
Aquelas não ditas e as ditas apenas na garganta
que nem chegam a molhar as ruas em que se dança.
É certo que as temos na potencialidade dos neurônios
no exímio processo das sinapses
e na ingênua fatuidade dos enganos
mas, quase sempre, as soltamos com a força de uma catarata
que nunca está, realmente, onde nós estamos.
Com a certeza do sempre e a inconstância da vida.
Quem as oprimam, para que assim,
constrangidas, possam chegar aos homens
com a força da vida?
Quem as arrumem no vão do armário geral das avenidas?
Quem as construam em praças, as de pedra e as da lida?
Quem as coincidam com a esperteza do tempo
e a informalidade dos bolsos das camisas?
Palavras sempre serão tantas,
Aquelas não ditas e as ditas apenas na garganta
que nem chegam a molhar as ruas em que se dança.
É certo que as temos na potencialidade dos neurônios
no exímio processo das sinapses
e na ingênua fatuidade dos enganos
mas, quase sempre, as soltamos com a força de uma catarata
que nunca está, realmente, onde nós estamos.
👁️ 125
Poema ao suicida
o salto
esconde
o homem da cidade
ao morrer –
quem sabe?
o homem pula a si
e sua verdade
incoletivamente
ele desarquiteta
o salto, a vida e a tarde.
esconde
o homem da cidade
ao morrer –
quem sabe?
o homem pula a si
e sua verdade
incoletivamente
ele desarquiteta
o salto, a vida e a tarde.
👁️ 157
Do caminho grávido das manhãs do povo
ao povo e ao mundo
dê-se a sintonia
um farfalhar intenso
das veias e das vias
porque de entendê-la
como construída
salpiquem-se os fatos
com o tempero da vida
e os combates, ao fundo,
sejam apenas o sinal
de que a manhã enfeitou-se
dos acordares do mundo.
dê-se a sintonia
um farfalhar intenso
das veias e das vias
porque de entendê-la
como construída
salpiquem-se os fatos
com o tempero da vida
e os combates, ao fundo,
sejam apenas o sinal
de que a manhã enfeitou-se
dos acordares do mundo.
👁️ 94
Do poeta
O poeta
nunca é tanto
quando não seja em versos
de outros tantos
que não se têm unos
pelo espanto
de não se virem vários
e perdulários de seus cantos
todos os poemas
são um
indizíveis a pouco curso
e que se têm fracionados
na aparência do muito
que se espalhem em verbos
vaidosos vocábulos
que aparentam uma vazão
em que não cabem
pois antes são usina
de todo engenho humano
que constroem a individualidade
palavras de pretensos planos
e nem por isso
deixam de ser do poeta
e registrado aos solavancos
que a emoção., adredemente,
joga no peito dos humanos
todos os poemas
são um
e apenas apontam
nas algibeiras dos poetas
uma nesga do que contam
todos os poemas
são o trânsito
de estradas que não palmilham
os pés de uns tantos
que, transeuntes da vida,
apenas se contentam
em escrever seus versos
nas dobras da paciência
por tê-los guardados
no baú coletivo
em que os homens esquecem
a razão dos sentidos
todo poeta é igual
nada lhe sobra da alma
em versos que possa armar
que consiga trazer no dorso
qualquer vestígio singular
porque plural
não se conjuga aos borbotões
como um verbo intransitivo
que contivesse ilusões
de acabar-se em si
e continuar em milhões
todo poema
é uma rinha
dos verbos tantos da gente
brigando pela vida
e nem parece mansidão
embora tão pacato
o poema é solução
do que vai na alma
todo poeta
é impatriota
nenhum verbo é pátria
que lhe comporte
porque de avulso
parecido a um só
esconda o quanto de muitos
convive nestes nós
descamba pela vida
como um marinheiro à deriva
que perdeu a esperança de um sol
que lhe demita do mar e da lida
todo poeta
é guerrilheiro
que pretende emboscadas
pelo mundo inteiro
não o mundo limitado
dos tempos e dos espaços
mas um tempo de nem onde
e um campo de nem quando
que nem sempre há de
todo poeta, enfim,
é otimista e megalômano
pensa sempre que a palavra
é capaz de tanto.
nunca é tanto
quando não seja em versos
de outros tantos
que não se têm unos
pelo espanto
de não se virem vários
e perdulários de seus cantos
todos os poemas
são um
indizíveis a pouco curso
e que se têm fracionados
na aparência do muito
que se espalhem em verbos
vaidosos vocábulos
que aparentam uma vazão
em que não cabem
pois antes são usina
de todo engenho humano
que constroem a individualidade
palavras de pretensos planos
e nem por isso
deixam de ser do poeta
e registrado aos solavancos
que a emoção., adredemente,
joga no peito dos humanos
todos os poemas
são um
e apenas apontam
nas algibeiras dos poetas
uma nesga do que contam
todos os poemas
são o trânsito
de estradas que não palmilham
os pés de uns tantos
que, transeuntes da vida,
apenas se contentam
em escrever seus versos
nas dobras da paciência
por tê-los guardados
no baú coletivo
em que os homens esquecem
a razão dos sentidos
todo poeta é igual
nada lhe sobra da alma
em versos que possa armar
que consiga trazer no dorso
qualquer vestígio singular
porque plural
não se conjuga aos borbotões
como um verbo intransitivo
que contivesse ilusões
de acabar-se em si
e continuar em milhões
todo poema
é uma rinha
dos verbos tantos da gente
brigando pela vida
e nem parece mansidão
embora tão pacato
o poema é solução
do que vai na alma
todo poeta
é impatriota
nenhum verbo é pátria
que lhe comporte
porque de avulso
parecido a um só
esconda o quanto de muitos
convive nestes nós
descamba pela vida
como um marinheiro à deriva
que perdeu a esperança de um sol
que lhe demita do mar e da lida
todo poeta
é guerrilheiro
que pretende emboscadas
pelo mundo inteiro
não o mundo limitado
dos tempos e dos espaços
mas um tempo de nem onde
e um campo de nem quando
que nem sempre há de
todo poeta, enfim,
é otimista e megalômano
pensa sempre que a palavra
é capaz de tanto.
👁️ 113
Vínculo
Meu vínculo
é o que sinto
ditas que sejam tantas
as razões desse exercício
e dos misteres tais
que exercito
construindo em verbos
o que digo.
Meu vínculo
é o que persigo
na eficiência do abraço
a que me permito.
Dou-me, assim,
ao interstício
de fazer-me perto
do que acredito.
Meu vínculo
eu transmito
a cada palmo de mim
que é legítimo
na proporção exata
do que luto e grito.
é o que sinto
ditas que sejam tantas
as razões desse exercício
e dos misteres tais
que exercito
construindo em verbos
o que digo.
Meu vínculo
é o que persigo
na eficiência do abraço
a que me permito.
Dou-me, assim,
ao interstício
de fazer-me perto
do que acredito.
Meu vínculo
eu transmito
a cada palmo de mim
que é legítimo
na proporção exata
do que luto e grito.
👁️ 94
Palavras à Camarada Selma Bandeira
A Camarada Selma
mantinha incólumes
a sua alma de paz
e o seu revólver
a Camarada Selma
pelas tardes
inventava palavras
e saudades
a Camarada Selma
no meio do não
era o grito exato
da revolução
morta, a Camarada Selma
é um futuro desatado
na imensidãoo do dia
em que todos cabem.
mantinha incólumes
a sua alma de paz
e o seu revólver
a Camarada Selma
pelas tardes
inventava palavras
e saudades
a Camarada Selma
no meio do não
era o grito exato
da revolução
morta, a Camarada Selma
é um futuro desatado
na imensidãoo do dia
em que todos cabem.
👁️ 120
Da intimidade com o todo
Se o todo é parte
o infinito é só disfarce
que a vida teima em dar
nas léguas em que se bate
o todo é só sentir
os metros todos do que tarda
e dos infinitos mais afoitos
dos mares em que se nada
a infinitude é só uma brisa
nas jangadas da alma.
o infinito é só disfarce
que a vida teima em dar
nas léguas em que se bate
o todo é só sentir
os metros todos do que tarda
e dos infinitos mais afoitos
dos mares em que se nada
a infinitude é só uma brisa
nas jangadas da alma.
👁️ 98
Do ofício e das horas
cabe ao poeta
engolir as madrugadas
e amanhecer o verbo
no peito das palavras
cabe ao poeta
a estranha lida
de construir andaimes
nos sonhos que exercita
cabe ao poeta
insurgir a vida
e praticar rebeliões
sob medida
cabe ao poeta
alinhavar o tempo
e caminhar pelas calçadas
impunemente
cabe ao poeta
ser quase marinheiro
e navegar as âncoras gerais
que se cravam no peito
cabe ao poeta
promover os sábados
à condição de domingos
e distribuir horas de riso
como gerente dos sentidos
cabe ao poeta
não se pentear
a não ser em espelhos
que apenas comente sua face
cabe ao poeta
abster-se da morte à tarde
e nunca morrer sem verbo
que lhe resguarde
cabe ao poeta
os infartos
não os do corpo
mas os da alma
cabe ao poeta
todo discurso
que não sendo palavra
tenha lógica mais justa
cabe ao poeta
guardar a outra face
e tanger a noite do mundo
com seu grito de liberdade
cabe ao poeta
viver cedo
mesmo tarde.
engolir as madrugadas
e amanhecer o verbo
no peito das palavras
cabe ao poeta
a estranha lida
de construir andaimes
nos sonhos que exercita
cabe ao poeta
insurgir a vida
e praticar rebeliões
sob medida
cabe ao poeta
alinhavar o tempo
e caminhar pelas calçadas
impunemente
cabe ao poeta
ser quase marinheiro
e navegar as âncoras gerais
que se cravam no peito
cabe ao poeta
promover os sábados
à condição de domingos
e distribuir horas de riso
como gerente dos sentidos
cabe ao poeta
não se pentear
a não ser em espelhos
que apenas comente sua face
cabe ao poeta
abster-se da morte à tarde
e nunca morrer sem verbo
que lhe resguarde
cabe ao poeta
os infartos
não os do corpo
mas os da alma
cabe ao poeta
todo discurso
que não sendo palavra
tenha lógica mais justa
cabe ao poeta
guardar a outra face
e tanger a noite do mundo
com seu grito de liberdade
cabe ao poeta
viver cedo
mesmo tarde.
👁️ 87
Das militares reservas da continência
O soldado
em posição de sentido
nem se apercebe
das continências da vida
atiça-lhe o patriotismo
o sistema em descanso
e uma falsa impressão
de conjunção de planos
a farda é só uma bandeira
das aparências e dos enganos.
em posição de sentido
nem se apercebe
das continências da vida
atiça-lhe o patriotismo
o sistema em descanso
e uma falsa impressão
de conjunção de planos
a farda é só uma bandeira
das aparências e dos enganos.
👁️ 133
Reverso
O contrário de mim
sou eu mesmo
e é por sê-lo assim
que me transgrido
e deixo de ser meu avesso
na exata proporção
em que estou comigo
o contrário de mim
não é um avesso
é uma proporção incauta
em que transfiro de mim
o que nem falta
o contrário de mim
é tão urgente
que não há como mantê-lo
impunemente
o contrário de mim
desabita o próximo
com as intimidades de um tempo
em que me mostro.
sou eu mesmo
e é por sê-lo assim
que me transgrido
e deixo de ser meu avesso
na exata proporção
em que estou comigo
o contrário de mim
não é um avesso
é uma proporção incauta
em que transfiro de mim
o que nem falta
o contrário de mim
é tão urgente
que não há como mantê-lo
impunemente
o contrário de mim
desabita o próximo
com as intimidades de um tempo
em que me mostro.
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Comentários (10)
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Ademir D.Zanotelli *Poeta*
2026-01-31
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
AurelioAquino
2026-01-17
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
2025-12-04
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
2025-02-27
Abração !
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
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English
Español
Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.