Lista de Poemas
Da vida e outros dramas
o entorno da vida
é também a vida
mesmo que a razão
a contradiga
coisa que enseje um tempo
à deriva
como barcos e verões
em contradita
o entorno da vida
é também um trato
nada que não seja eu
é meu compasso
minha régua é um tempo
em que sempre me abraço
é também a vida
mesmo que a razão
a contradiga
coisa que enseje um tempo
à deriva
como barcos e verões
em contradita
o entorno da vida
é também um trato
nada que não seja eu
é meu compasso
minha régua é um tempo
em que sempre me abraço
👁️ 50
Da luta e seus enredos
Não me submeto
aos limites
do meu medo
a ação
é a exata proporção
do que eu devo
morrer é apenas um desfavor
na vida em que me escrevo
aos limites
do meu medo
a ação
é a exata proporção
do que eu devo
morrer é apenas um desfavor
na vida em que me escrevo
👁️ 91
Da liberdade em ritmo estrito
A liberdade
nunca basta
para medi-la
é preciso a prática
e um tempo de tanto
que lhe invada.
A liberdade
não medra à meias
como roçado
antes é planta avessa
a qualquer arado
é coisa tanta de gente
e se contém aos saltos
A liberdade
nunca basta
não há metros de si
pelas calçadas
a liberdade é sempre
inominada
A liberdade
não se mata
sempre lhe sobram léguas
em cada alma.
nunca basta
para medi-la
é preciso a prática
e um tempo de tanto
que lhe invada.
A liberdade
não medra à meias
como roçado
antes é planta avessa
a qualquer arado
é coisa tanta de gente
e se contém aos saltos
A liberdade
nunca basta
não há metros de si
pelas calçadas
a liberdade é sempre
inominada
A liberdade
não se mata
sempre lhe sobram léguas
em cada alma.
👁️ 149
Da infância e do drama
Nem era menina
rosa ainda humana
que contivesse na pele
a sensatez e o drama
e já se punha o mundo
como se posto em sonho
e chama
nem era a vida
rosa ainda humana
que supusesse da calma
um virtual engano
e lavrasse pela alma
os prantos escondidos
de quem apenas ama
nem ainda humano
era o pranto concedido
mas a breve compreensão
de que a vida transborda
em todos os sentidos.
rosa ainda humana
que contivesse na pele
a sensatez e o drama
e já se punha o mundo
como se posto em sonho
e chama
nem era a vida
rosa ainda humana
que supusesse da calma
um virtual engano
e lavrasse pela alma
os prantos escondidos
de quem apenas ama
nem ainda humano
era o pranto concedido
mas a breve compreensão
de que a vida transborda
em todos os sentidos.
👁️ 59
Da permanência das ruas
a dúvida
ausculta
a verdade
bruta
e fulmina
a culpa
de entendê-la
grávida e lúdica
é que por tê-la falsa
a perpetua
como um dizer permanente
da necessidade das ruas
ausculta
a verdade
bruta
e fulmina
a culpa
de entendê-la
grávida e lúdica
é que por tê-la falsa
a perpetua
como um dizer permanente
da necessidade das ruas
👁️ 86
Das margens de mim
das manhãs que eu não tenha
seja o tempo inconsumido
como as razões que me tenham
nos ombros dos sentidos
é que sentir é só um jeito
de viver as razões que nem pressinto
é como lavar os pensamentos
na torneira informal dos instintos
seja o tempo inconsumido
como as razões que me tenham
nos ombros dos sentidos
é que sentir é só um jeito
de viver as razões que nem pressinto
é como lavar os pensamentos
na torneira informal dos instintos
👁️ 74
Da recorrência e das atitudes
recorrente
a vida nos remete
a tudo que o tempo
por tanto acontece
resta-lhe a vontade
nesgas de espaços
uma leve impressão das mortes
em que sempre cabe
seus ângulos
mentem à geometria
e desdizem as medidas
e as monotonias
recorrente
a vida explode
em todas as suas vias
como um rio desordenado
de todas as alegrias
ao homem cabe pescá-las
mesmo que não saiba
conduzi-las
recorrente
a vida é sempre o outro
porquanto dizê-la privada
descabe tê-la em uso
e nem medidas há de usá-la
como discurso
de construir a imensidão
de todos seus escrúpulos
recorrente
a vida é passageira
na mesma proporção
em que medeia
o curso de sua ação
a amplitude de suas veias
pois vias há de contê-la
em infinitos contados
da soma de todas as vidas
com que se constrói a verdade
recorrente
a vida é relativa
até por ser absoluta
sua face incontida
de não viver apenas em um
mas de ser vária e desmedida
conjugando todos os homens
numa ciranda incontida
recorrente
a vida é tão precisa
que é preciso não deixá-la
pelo bolso das camisas
melhor é tê-la guardada
nessa aventura coletiva
que faz os homens nadarem juntos
os mares todos da vida.
a vida nos remete
a tudo que o tempo
por tanto acontece
resta-lhe a vontade
nesgas de espaços
uma leve impressão das mortes
em que sempre cabe
seus ângulos
mentem à geometria
e desdizem as medidas
e as monotonias
recorrente
a vida explode
em todas as suas vias
como um rio desordenado
de todas as alegrias
ao homem cabe pescá-las
mesmo que não saiba
conduzi-las
recorrente
a vida é sempre o outro
porquanto dizê-la privada
descabe tê-la em uso
e nem medidas há de usá-la
como discurso
de construir a imensidão
de todos seus escrúpulos
recorrente
a vida é passageira
na mesma proporção
em que medeia
o curso de sua ação
a amplitude de suas veias
pois vias há de contê-la
em infinitos contados
da soma de todas as vidas
com que se constrói a verdade
recorrente
a vida é relativa
até por ser absoluta
sua face incontida
de não viver apenas em um
mas de ser vária e desmedida
conjugando todos os homens
numa ciranda incontida
recorrente
a vida é tão precisa
que é preciso não deixá-la
pelo bolso das camisas
melhor é tê-la guardada
nessa aventura coletiva
que faz os homens nadarem juntos
os mares todos da vida.
👁️ 60
Da certeza de tudo
A possibilidade de tudo
nunca é definida
não há um tempo
que lhe caiba sob medida
para havê-la era preciso um metro
que contivesse todos os palmos da vida
e coubesse no desconforto
de não terem justas as desmedidas
nesse tempo inexato e incontido
de tudo que é infinito
a possibilidade é em tudo
apenas um jeito
de viver-se, assim, avulso
nunca é definida
não há um tempo
que lhe caiba sob medida
para havê-la era preciso um metro
que contivesse todos os palmos da vida
e coubesse no desconforto
de não terem justas as desmedidas
nesse tempo inexato e incontido
de tudo que é infinito
a possibilidade é em tudo
apenas um jeito
de viver-se, assim, avulso
👁️ 94
Da conveniência e outros paradigmas
a vida
nos convém
como medida
de tudo
que à contracorrente
é desmedida
e que lhe permite
um viés mais pertinente
correndo em veias de todos
assim tão impunemente
como se fora tração
dos jeitos todos de gente
a vida
nos convém
como ultimato
dos infinitos que anotamos
em cada fato
e que demonstram o cerne
desse anonimato
que nos faz ser indivíduos
tão singulares
que nos perdemos nos outros
em todos os compassos.
a vida
me convém
como contrato
entre tudo de mim
e o inexato
guardadas as consequências
de todas as outras vidas
em que me acho
é que às vezes
me prolato
não como uma sentença
que se diga fato
mas uma feição mais tênue
e inexata
que se escapa pela vida
no meio dos meus atos
a vida
me convém
como um tempo inato
que me despeja inteiro
nos meus gastos
uns aqueles que exerço
nos meus passos
outros os que não mereço
na prontidão
dos meus achaques
e que me gasta um pouco antes
de que eu me baste
a vida
me convém
mesmo a desoras
quando insisto
em tornar-me sujeito
do infinito
e descambo pela aventura
de viver o que não disse
é que descabe a pretensão
de ser mais
do que aquilo
em que se insiste
a vida
nos convém
mesmo rasurada
e que não pretenda
os rumos
de qualquer estrada
há sempre a possibilidade
de se criar do nada
e inventar um tempo
de caminhadas
a vida
nos convém
em todas as pautas
e em todas as disputas
mas que invente música
em todos os bemóis
a que se ajusta
vividos nós em dança
na aventura íngreme
de construir a luta.
a vida
nos convém
pelas montanhas
guardadas as planícies todas
em que a história
nos apanha
porque tê-la assim
nessa grave geografia
é exercício de quem
inventa o dia
a vida
nos convém
impunemente
basta viver
para subverter a ordem
do que se sente.
nos convém
como medida
de tudo
que à contracorrente
é desmedida
e que lhe permite
um viés mais pertinente
correndo em veias de todos
assim tão impunemente
como se fora tração
dos jeitos todos de gente
a vida
nos convém
como ultimato
dos infinitos que anotamos
em cada fato
e que demonstram o cerne
desse anonimato
que nos faz ser indivíduos
tão singulares
que nos perdemos nos outros
em todos os compassos.
a vida
me convém
como contrato
entre tudo de mim
e o inexato
guardadas as consequências
de todas as outras vidas
em que me acho
é que às vezes
me prolato
não como uma sentença
que se diga fato
mas uma feição mais tênue
e inexata
que se escapa pela vida
no meio dos meus atos
a vida
me convém
como um tempo inato
que me despeja inteiro
nos meus gastos
uns aqueles que exerço
nos meus passos
outros os que não mereço
na prontidão
dos meus achaques
e que me gasta um pouco antes
de que eu me baste
a vida
me convém
mesmo a desoras
quando insisto
em tornar-me sujeito
do infinito
e descambo pela aventura
de viver o que não disse
é que descabe a pretensão
de ser mais
do que aquilo
em que se insiste
a vida
nos convém
mesmo rasurada
e que não pretenda
os rumos
de qualquer estrada
há sempre a possibilidade
de se criar do nada
e inventar um tempo
de caminhadas
a vida
nos convém
em todas as pautas
e em todas as disputas
mas que invente música
em todos os bemóis
a que se ajusta
vividos nós em dança
na aventura íngreme
de construir a luta.
a vida
nos convém
pelas montanhas
guardadas as planícies todas
em que a história
nos apanha
porque tê-la assim
nessa grave geografia
é exercício de quem
inventa o dia
a vida
nos convém
impunemente
basta viver
para subverter a ordem
do que se sente.
👁️ 154
da procissão e dos descaminhos
a procissão
convoca
todos os passos
e todas as portas
como um roldão exato
de respostas
à frente
deus informa
todas as direções
e todas as lógicas
e, satélite de si,
nem se importa
com os metros de vida
que entorna
a procissão
é matemática
tudo que lhe marca
é o gesto intenso
de quem se gasta
nos trejeitos solenes
da passeta.
convoca
todos os passos
e todas as portas
como um roldão exato
de respostas
à frente
deus informa
todas as direções
e todas as lógicas
e, satélite de si,
nem se importa
com os metros de vida
que entorna
a procissão
é matemática
tudo que lhe marca
é o gesto intenso
de quem se gasta
nos trejeitos solenes
da passeta.
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Comentários (10)
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Ademir D.Zanotelli *Poeta*
2026-01-31
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
AurelioAquino
2026-01-17
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
2025-12-04
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
2025-02-27
Abração !
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
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English
Español
Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.