Da conveniência e outros paradigmas
AurelioAquino
a vida
nos convém
como medida
de tudo
que à contracorrente
é desmedida
e que lhe permite
um viés mais pertinente
correndo em veias de todos
assim tão impunemente
como se fora tração
dos jeitos todos de gente
a vida
nos convém
como ultimato
dos infinitos que anotamos
em cada fato
e que demonstram o cerne
desse anonimato
que nos faz ser indivíduos
tão singulares
que nos perdemos nos outros
em todos os compassos.
a vida
me convém
como contrato
entre tudo de mim
e o inexato
guardadas as consequências
de todas as outras vidas
em que me acho
é que às vezes
me prolato
não como uma sentença
que se diga fato
mas uma feição mais tênue
e inexata
que se escapa pela vida
no meio dos meus atos
a vida
me convém
como um tempo inato
que me despeja inteiro
nos meus gastos
uns aqueles que exerço
nos meus passos
outros os que não mereço
na prontidão
dos meus achaques
e que me gasta um pouco antes
de que eu me baste
a vida
me convém
mesmo a desoras
quando insisto
em tornar-me sujeito
do infinito
e descambo pela aventura
de viver o que não disse
é que descabe a pretensão
de ser mais
do que aquilo
em que se insiste
a vida
nos convém
mesmo rasurada
e que não pretenda
os rumos
de qualquer estrada
há sempre a possibilidade
de se criar do nada
e inventar um tempo
de caminhadas
a vida
nos convém
em todas as pautas
e em todas as disputas
mas que invente música
em todos os bemóis
a que se ajusta
vividos nós em dança
na aventura íngreme
de construir a luta.
a vida
nos convém
pelas montanhas
guardadas as planícies todas
em que a história
nos apanha
porque tê-la assim
nessa grave geografia
é exercício de quem
inventa o dia
a vida
nos convém
impunemente
basta viver
para subverter a ordem
do que se sente.
nos convém
como medida
de tudo
que à contracorrente
é desmedida
e que lhe permite
um viés mais pertinente
correndo em veias de todos
assim tão impunemente
como se fora tração
dos jeitos todos de gente
a vida
nos convém
como ultimato
dos infinitos que anotamos
em cada fato
e que demonstram o cerne
desse anonimato
que nos faz ser indivíduos
tão singulares
que nos perdemos nos outros
em todos os compassos.
a vida
me convém
como contrato
entre tudo de mim
e o inexato
guardadas as consequências
de todas as outras vidas
em que me acho
é que às vezes
me prolato
não como uma sentença
que se diga fato
mas uma feição mais tênue
e inexata
que se escapa pela vida
no meio dos meus atos
a vida
me convém
como um tempo inato
que me despeja inteiro
nos meus gastos
uns aqueles que exerço
nos meus passos
outros os que não mereço
na prontidão
dos meus achaques
e que me gasta um pouco antes
de que eu me baste
a vida
me convém
mesmo a desoras
quando insisto
em tornar-me sujeito
do infinito
e descambo pela aventura
de viver o que não disse
é que descabe a pretensão
de ser mais
do que aquilo
em que se insiste
a vida
nos convém
mesmo rasurada
e que não pretenda
os rumos
de qualquer estrada
há sempre a possibilidade
de se criar do nada
e inventar um tempo
de caminhadas
a vida
nos convém
em todas as pautas
e em todas as disputas
mas que invente música
em todos os bemóis
a que se ajusta
vividos nós em dança
na aventura íngreme
de construir a luta.
a vida
nos convém
pelas montanhas
guardadas as planícies todas
em que a história
nos apanha
porque tê-la assim
nessa grave geografia
é exercício de quem
inventa o dia
a vida
nos convém
impunemente
basta viver
para subverter a ordem
do que se sente.
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