odes filosóficas e ditirambos desconexos
AurelioAquino
I
o princípio
não inicia
apenas esquece em si
o que havia
e é não sendo
como se permitia
construindo a descontrução
do dia.
e não é por sê-lo
assim avesso
que trai o jeito
de ser começo
mas por ter-se a prumo
em desafio
ao eximir-se dos fins
por que se cria.
II
o princípio
é um fim em vão
resta-lhe no tempo
um inteiro não
mas dá-se a futuros
com a mesma simetria
com que a noite
inventa de ser dia.
III
o princípio
não é resposta
antes se tem
como pergunta
de todas as portas
indaga
quando é
o que não sendo
na alma
e resta
no espaço
como adaga
que nem se dissesse lâmina
de cortar a fala
o princípio
medra
como uma ilusão
da pedra
um rastro manso
da matéria
IV
o princípio
tem-se a custo
como desrazão
do discurso
posto em palavras
não transita
uma verdade que se quer
absoluta
é-lhe íntimo
o curso
dos melhores rios
do uso
e acostuma-se
à corrente
como barco definitivo
que aparenta
singrar com jeito
o peito do infinito.
o princípio
não inicia
apenas esquece em si
o que havia
e é não sendo
como se permitia
construindo a descontrução
do dia.
e não é por sê-lo
assim avesso
que trai o jeito
de ser começo
mas por ter-se a prumo
em desafio
ao eximir-se dos fins
por que se cria.
II
o princípio
é um fim em vão
resta-lhe no tempo
um inteiro não
mas dá-se a futuros
com a mesma simetria
com que a noite
inventa de ser dia.
III
o princípio
não é resposta
antes se tem
como pergunta
de todas as portas
indaga
quando é
o que não sendo
na alma
e resta
no espaço
como adaga
que nem se dissesse lâmina
de cortar a fala
o princípio
medra
como uma ilusão
da pedra
um rastro manso
da matéria
IV
o princípio
tem-se a custo
como desrazão
do discurso
posto em palavras
não transita
uma verdade que se quer
absoluta
é-lhe íntimo
o curso
dos melhores rios
do uso
e acostuma-se
à corrente
como barco definitivo
que aparenta
singrar com jeito
o peito do infinito.
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