Lista de Poemas
Contrita sujeição das estacas do mundo
um jeito submisso
de tornar-se escravo
de ritmos e ritos
a vontade
guardada em trânsito
imagina-se num desmaio
de todos os ângulos
e o homem ajoelha-se
na contrição dos rumos
como se fora resposta
às dores de tudo
e nem repara nos braços
que carrega o mundo
Da palavra em diverso plano
é um tanto avara
nem tudo que diz
às vezes declara
é que espelho
de um ato profuso
voa como simples
em complexo uso
e soa como presente
adivinhando futuros
e quem a traz
fugindo da boca
nem percebe a viagem
e as inversões
de quem a ouça
Dos amores em tropeços e construção
que não tropece pelas avenidas
nem nunca seja assim por gasto
que deixe de prender-se à vida
vivê-lo é não apenas sorrir
mas mantê-lo sempre com tal zelo
como a construir-se no ser amado
a extrema aventura de nós mesmos.
Da natureza em descalabro
estendida no lucro
desfaz-se humana
no absurdo
como a vida,
tramita o mundo
na incoerência formal
de seu conteúdo
o homem
engole o futuro
nos atos que intromete
em seus discursos
e caminha célere
um tempo de abuso
Universal roldão dos caminhos do mundo
o universo
em seu andar e desfastio
é uma eterna recorrência
de todos os seus ritos
corre em sobressaltos
nos descaminhos e largos
em que se derrama pelo homem
como um infinito contado
o homem em seu pulo
na razão de que se vista
deixa-se pensar absoluto
na condição de sempre relativo
é que o universo galopa sozinho
as léguas que nega a seus finitos
Palavras ao guerrilheiro Osvaldão
rasga líquido a terra
sentindo o gosto da pátria
nos meandros da guerra
Osvaldão vigente,
ainda camarada,
vive coletivo e guerrilheiro
em todas as estradas
aquelas que o povo inventa
nas lutas, com seu jeito,
e as das guerrilhas
que trazemos no peito
Factual ensejo do poema em exegese
como navalha
corta o jeito
da palavra
e avança afoito
como declara
a imunidade
intrínseca do que fala
o poema
como uma lança adrede
só enfeita seus ombros
com o dizer do que tece
Posologia das horas em trâmite
cabe um passado
contumaz e renitente
tudo que se luta
nas costas do tempo
como uma saudade
resvala lá na frente
assim como um girassol coletivo
esperando o nascente
Da dízima do tempo em clara sinergia
é só um jeito
que a juventude dá
dentro do peito
é que o tempo
é cachoeira fecunda
dos rios que se inventa
nos fatos do mundo
envelhecer é só cursar
a mocidade de tudo
indígena apreciação da vida
assim primitivo
deixo-me estar futuro
em todos meus indícios
a vida
que transito sem datas
é a intrínseca razão
da humana prática
e consumo
como uma planta que invento
as patentes das matas
e as mercadorias do tempo
é que a vida é assim simples
como um cocar ao vento
Comentários (10)
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Português
English
Español
Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.