Escritas

Lista de Poemas

Das vivências e suas maquinações

rasuro minha angústia
com o riso ininterrupto
de quem convive farto
com os cheiros do futuro

nado nas manhãs 
em que lágrimas baldias
tecem um desejo de tange-las
montando alegrias

é que viver é um formulário
preenchido a cada dia 
remetido aos ombros do tempo
com o gosto que se vivia.

👁️ 123

poeminha de construir futuro

o amanhã
é só um jeito
que o tempo esquece
pelo peito.
carga que não seja tanta
quando o futuro que se declara
habite nas mãos e na garganta

👁️ 34

Das índias funções do simples

na taba
a liberdade grava
o rito exato
da palavra

em passos
a tribo instala
a dançarina ética
das almas

simples
e desmedida
a aldeia comenta
a própria vida
👁️ 84

Do carnaval em pandemia desatada

o Homem da Meia-Noite
pisando os ombros da vida
caminha os passos não dados
navegando pelas esquinas
como se fosse um pedaço
do que restou de Olinda

e o carnaval tão calado
ensaia um frevo dolente
que escorre pelas ruas
como se fora corrente
que navegasse um futuro
de desejos recorrentes

é que o frevo é a memória
que tange esses viventes
👁️ 80

Das metragens do amor em claro rompante

o amor esparramado pela cama
transcorrido assim dentro da gente
diz que se faz de quase drama
de atores que criam o presente

e ultrapassa o retângulo da cama
no matemático limite reticente
de que os infinitos quase medem
as larguras daquilo que sente
👁️ 90

Palavras à Cidade Ho Chi Min

em  cada coração
borbulha impunemente
um vietnã escondido
engavetado na gente

e se sobe à garganta
engasgado na palavra
esse vietnã não mata
mas frequentemente arma

e em cada liberdade
como um recado sem fim
viceja uma ilusão exata
da cidade Ho Chi Min
👁️ 70

Das vaquejadas informes da mente

rápida a mente
salta no fato
e virtualiza o tempo
do seu ato

lúdica
em sinapses
joga um riso público
pela face

e o homem,
vaqueiro e privado,
tange o mundo em si
com seu jeito de gado
👁️ 94

De Camilo Cienfuegos e a história andante

Camilo Cienfuegos
em póstuma vigência
espalha inventos
pelas consciências

é que a história
arma-se no tempo
como um gesto etéreo
dentro dos viventes

e atiça todas as avenças
como um desejo isento
que enfeita a luta do povo
nos rumos do momento

nada como reviver
fuzis, palavras e inventos
👁️ 93

Da mendicante subtração da vida

no meio do grito
a fome soava a vida
nos decibéis montados
pelas avenidas
e nas ranhuras do tempo
assim como esquecidas
os viventes trançavam
suas desmedidas

e dado às calçadas
como um marco atônito
o homem apenas gritou
a pandemia da fome
👁️ 101

Comícios em declarada vazão

nas larguras dos gestos
as mãos deflagram
todos os protestos
nos ombros da praça

sobre a multidão
como uma garça
a liberdade aponta
os trejeitos da massa

e o verbo voa nas horas
uma sofreguidão incauta
de quem monta a história
com as vestes da prática
👁️ 73

Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino
2026-01-17

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques
2025-12-04

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto
2025-02-27

Abração !