Lista de Poemas
Das vivências e suas maquinações
rasuro minha angústia
com o riso ininterrupto
de quem convive farto
com os cheiros do futuro
nado nas manhãs
em que lágrimas baldias
tecem um desejo de tange-las
montando alegrias
é que viver é um formulário
preenchido a cada dia
remetido aos ombros do tempo
com o gosto que se vivia.
poeminha de construir futuro
o amanhã
é só um jeito
que o tempo esquece
pelo peito.
carga que não seja tanta
quando o futuro que se declara
habite nas mãos e na garganta
Das índias funções do simples
a liberdade grava
o rito exato
da palavra
em passos
a tribo instala
a dançarina ética
das almas
simples
e desmedida
a aldeia comenta
a própria vida
Do carnaval em pandemia desatada
pisando os ombros da vida
caminha os passos não dados
navegando pelas esquinas
como se fosse um pedaço
do que restou de Olinda
e o carnaval tão calado
ensaia um frevo dolente
que escorre pelas ruas
como se fora corrente
que navegasse um futuro
de desejos recorrentes
é que o frevo é a memória
que tange esses viventes
Das metragens do amor em claro rompante
transcorrido assim dentro da gente
diz que se faz de quase drama
de atores que criam o presente
e ultrapassa o retângulo da cama
no matemático limite reticente
de que os infinitos quase medem
as larguras daquilo que sente
Palavras à Cidade Ho Chi Min
borbulha impunemente
um vietnã escondido
engavetado na gente
e se sobe à garganta
engasgado na palavra
esse vietnã não mata
mas frequentemente arma
e em cada liberdade
como um recado sem fim
viceja uma ilusão exata
da cidade Ho Chi Min
Das vaquejadas informes da mente
salta no fato
e virtualiza o tempo
do seu ato
lúdica
em sinapses
joga um riso público
pela face
e o homem,
vaqueiro e privado,
tange o mundo em si
com seu jeito de gado
De Camilo Cienfuegos e a história andante
em póstuma vigência
espalha inventos
pelas consciências
é que a história
arma-se no tempo
como um gesto etéreo
dentro dos viventes
e atiça todas as avenças
como um desejo isento
que enfeita a luta do povo
nos rumos do momento
nada como reviver
fuzis, palavras e inventos
Da mendicante subtração da vida
a fome soava a vida
nos decibéis montados
pelas avenidas
e nas ranhuras do tempo
assim como esquecidas
os viventes trançavam
suas desmedidas
e dado às calçadas
como um marco atônito
o homem apenas gritou
a pandemia da fome
Comícios em declarada vazão
as mãos deflagram
todos os protestos
nos ombros da praça
sobre a multidão
como uma garça
a liberdade aponta
os trejeitos da massa
e o verbo voa nas horas
uma sofreguidão incauta
de quem monta a história
com as vestes da prática
Comentários (10)
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
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Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.