Lista de Poemas
historicidade em comento com alusão à forma
e somos tanto
a cada hora
em que o peito pula
para afagar a história
e consumi-la avante
como uma bula exata
de tudo que a manhã
resvala pelo vão da pátria
a cada hora
em que o peito pula
para afagar a história
e consumi-la avante
como uma bula exata
de tudo que a manhã
resvala pelo vão da pátria
👁️ 86
Meninos da pátria
o corpo menino
marca o tempo
e a fome é só um lapso
que infinita a dor
no pensamento
a razão
é um relance
que escorre do olhar
como uma dança
o menino tange a fome
numa monótona esperança
marca o tempo
e a fome é só um lapso
que infinita a dor
no pensamento
a razão
é um relance
que escorre do olhar
como uma dança
o menino tange a fome
numa monótona esperança
👁️ 52
Correntezas em abalada chama
branca
a injustiça
escorre como negra
na notícia
tudo que lhe tange
é a ânsia exata
de instalar a escravidão
pelas calçadas
o tiro
é só palavra
de quem apodrece a vida
nos desvãos da fala
um dia, de repente,
a multidão nem cala
construindo, multicolorida,
a vastidão das almas
a injustiça
escorre como negra
na notícia
tudo que lhe tange
é a ânsia exata
de instalar a escravidão
pelas calçadas
o tiro
é só palavra
de quem apodrece a vida
nos desvãos da fala
um dia, de repente,
a multidão nem cala
construindo, multicolorida,
a vastidão das almas
👁️ 43
Palestina vida de todo futuro
no vão de toda vida
há sempre uma Palestina
engasgada nas palavras
nos poemas e nas esquinas
e nos ombros das praças
pelos cantos do mundo
campeia uma semente
dos roçados de tudo
palestinos plantam a luta
com um gosto de futuro
há sempre uma Palestina
engasgada nas palavras
nos poemas e nas esquinas
e nos ombros das praças
pelos cantos do mundo
campeia uma semente
dos roçados de tudo
palestinos plantam a luta
com um gosto de futuro
👁️ 54
Dos tempos em mudança
mudar
é só um jeito
de construir andaimes
nas larguras do peito
é como inventar o novo
em atos e desejos
como figurante intenso
das artimanhas do medo
é como deixar-se tarde
nas parcimônias do cedo
é só um jeito
de construir andaimes
nas larguras do peito
é como inventar o novo
em atos e desejos
como figurante intenso
das artimanhas do medo
é como deixar-se tarde
nas parcimônias do cedo
👁️ 53
O futuro como unidade quântica
cada um
será tudo
na estrada coletiva
do futuro
cada todos
será uno
a compleição geral
de todo rumo
os contrários serão tantos
na dialética feição do nosso canto
será tudo
na estrada coletiva
do futuro
cada todos
será uno
a compleição geral
de todo rumo
os contrários serão tantos
na dialética feição do nosso canto
👁️ 67
dos passos e destempos
a bailarina
em segredo
voa nos passos
nosso medo
nos seus saltos
desavisadamente
o olho pulsa um tempo
de repente
a dançarina
impunemente
dança o futuro
e nem pressente.
em segredo
voa nos passos
nosso medo
nos seus saltos
desavisadamente
o olho pulsa um tempo
de repente
a dançarina
impunemente
dança o futuro
e nem pressente.
👁️ 113
Operação
negra
a noite estreita
os alvos negros
em que se deita
a morte
oficial e insuspeita
alinhava o crime
como enfeite
e segue a vida
envolta em fardas
matar é só um estado
de canalhas
a noite estreita
os alvos negros
em que se deita
a morte
oficial e insuspeita
alinhava o crime
como enfeite
e segue a vida
envolta em fardas
matar é só um estado
de canalhas
👁️ 21
pequena alusão ao meu país II
no meu país
por sobre a face dos homens
cresce uma vergonha intensa
que mesmo muda, às vezes convence
de que é preciso à força
assassinar o sentimento
no meu país
as palavras já não bastam
seus sons perdem-se nas madrugadas
no cansaço dos corpos
na ausência dos abraços
no meu país
existe uma fome infinita
espreitando os homens
nas esquinas
e a terra
com um soluço imenso
guarda o peso dos homens
no mais vão de sua consistência
no meu país
os homens já não choram
as lágrimas boiam perdidas
nas estradas da memória
por sobre a face dos homens
cresce uma vergonha intensa
que mesmo muda, às vezes convence
de que é preciso à força
assassinar o sentimento
no meu país
as palavras já não bastam
seus sons perdem-se nas madrugadas
no cansaço dos corpos
na ausência dos abraços
no meu país
existe uma fome infinita
espreitando os homens
nas esquinas
e a terra
com um soluço imenso
guarda o peso dos homens
no mais vão de sua consistência
no meu país
os homens já não choram
as lágrimas boiam perdidas
nas estradas da memória
👁️ 60
Itinerário lírico da cidade de Salvador
o semblante das casas
trai um certo desejo
de afogar mais o homem
no vão do seu próprio medo
não parecem imóveis
destarte a constatação
de que, em seu bojo, habita-se
a salvo da opressão
e mesmo aquelas que riem
um riso de cor e cal
carregam um pranto escondido
nas faces dos seus degraus
e se nas ruas arrumam-se
organizadas só mentem
pela desordem dos quartos
pela fome dos viventes
e quando estão barracos
mendigando a gravidade
mais a fome arquitetam
nos limites de seus quartos
e as que são trançadas
no melhor material
guardam resquícios do medo
na liquidez do seu mal
e em tudo são parentes
daqueles que lhes invadem
num futuro em que, por fim,
explodirá o combate
II
as ruas não se alinham
como os problemas dos homens
e parecem certas correntes
nos elos das muitas fomes
e desenham-se sorrisos
na cara dessa cidade
e escondem nos passos das gentes
uma nação entre grades
desde a 7 de setembro
de uma parca independência
às ruas mais meretrizes
ou mesmo as da inocência
Salvador não se sustenta
nestes caminhos gerais
que sugando muita fartura
da fome nutre-se a paz
e se meninas vestem-se
de roupagem mais pagã
guardam nos seios escondida
a timidez da manhã
e se urbanas se dizem
no seu urbano trajeto
não escondem o que de agrário
repousa em seus tetos
Salvador é só um encontro
das ilações do concreto
trai um certo desejo
de afogar mais o homem
no vão do seu próprio medo
não parecem imóveis
destarte a constatação
de que, em seu bojo, habita-se
a salvo da opressão
e mesmo aquelas que riem
um riso de cor e cal
carregam um pranto escondido
nas faces dos seus degraus
e se nas ruas arrumam-se
organizadas só mentem
pela desordem dos quartos
pela fome dos viventes
e quando estão barracos
mendigando a gravidade
mais a fome arquitetam
nos limites de seus quartos
e as que são trançadas
no melhor material
guardam resquícios do medo
na liquidez do seu mal
e em tudo são parentes
daqueles que lhes invadem
num futuro em que, por fim,
explodirá o combate
II
as ruas não se alinham
como os problemas dos homens
e parecem certas correntes
nos elos das muitas fomes
e desenham-se sorrisos
na cara dessa cidade
e escondem nos passos das gentes
uma nação entre grades
desde a 7 de setembro
de uma parca independência
às ruas mais meretrizes
ou mesmo as da inocência
Salvador não se sustenta
nestes caminhos gerais
que sugando muita fartura
da fome nutre-se a paz
e se meninas vestem-se
de roupagem mais pagã
guardam nos seios escondida
a timidez da manhã
e se urbanas se dizem
no seu urbano trajeto
não escondem o que de agrário
repousa em seus tetos
Salvador é só um encontro
das ilações do concreto
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Comentários (10)
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Ademir D.Zanotelli *Poeta*
2026-01-31
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
AurelioAquino
2026-01-17
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
2025-12-04
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
2025-02-27
Abração !
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
Português
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Español
Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.