Lista de Poemas
Dosagens verbais
os et ceteras
amiúde
são todos os verbos
que não pude
ou por tecê-los tão avaros
ou certamente
por tê-los rangidos
entre os dentes
é que os verbos
de repente
enganam os fatos
de que se ressentem
amiúde
são todos os verbos
que não pude
ou por tecê-los tão avaros
ou certamente
por tê-los rangidos
entre os dentes
é que os verbos
de repente
enganam os fatos
de que se ressentem
👁️ 283
Dos cangaços de mim
cangaceiro
deixo-me aos ventos
com todos os fuzis
do pensamento
o verbo
é o calibre
dos avarandados
em que me tenho livre
a mochila
guarda o futuro e a estrada
e a vontade de estendê-los
pelas madrugadas
deixo-me aos ventos
com todos os fuzis
do pensamento
o verbo
é o calibre
dos avarandados
em que me tenho livre
a mochila
guarda o futuro e a estrada
e a vontade de estendê-los
pelas madrugadas
👁️ 181
Dever em rasantes
a culpa
não é indício
de que se deva cumprir
seus algoritmos
os lances da lógica
às vezes distorcem
as lógicas vontades
em que se postam
o dever interno
é uma porta
escancaradamente
difícil e exposta
não é indício
de que se deva cumprir
seus algoritmos
os lances da lógica
às vezes distorcem
as lógicas vontades
em que se postam
o dever interno
é uma porta
escancaradamente
difícil e exposta
👁️ 152
Do riso em vertente
rasgo os dias
como a ventania
e tanjo todas as horas
como uma alegria
rio de mim
tão constantemente
que me permito sujeito
mesmo ausente
o riso, adredemente,
é um invólucro da vida
a que se consente
gastá-lo é desperdício
da tristeza recorrente
como a ventania
e tanjo todas as horas
como uma alegria
rio de mim
tão constantemente
que me permito sujeito
mesmo ausente
o riso, adredemente,
é um invólucro da vida
a que se consente
gastá-lo é desperdício
da tristeza recorrente
👁️ 201
Da semeadura da vida no tráfego do medo
a angústia
é só placebo
de quem transita
pelo medo
fugir
é só um enredo
de quem se habita
em segredo
o confronto
é só um jeito
de semear a vida
em todos seus canteiros
é só placebo
de quem transita
pelo medo
fugir
é só um enredo
de quem se habita
em segredo
o confronto
é só um jeito
de semear a vida
em todos seus canteiros
👁️ 140
Das coletivas vazões de cada um
vírus de mim
dou-me à empresa
de desfazer-me coletivo
em todas as minhas cepas
e de trazer-me tanto
a memória é tanta
que multiplica minha vida
como lúdica esperança
tudo que vige enfim
é um controverso destino
saio cedo de mim
nas tardes em que vivo
dou-me à empresa
de desfazer-me coletivo
em todas as minhas cepas
e de trazer-me tanto
a memória é tanta
que multiplica minha vida
como lúdica esperança
tudo que vige enfim
é um controverso destino
saio cedo de mim
nas tardes em que vivo
👁️ 132
A sólida noção do tempo
o descaso do tempo
em ter-se como tarde
mistifica a noção
da velocidade
tudo que despreza
vira saudade
pedras esvoaçantes
transeuntes da vontade
o tempo é quase sólido
e nem sabe
em ter-se como tarde
mistifica a noção
da velocidade
tudo que despreza
vira saudade
pedras esvoaçantes
transeuntes da vontade
o tempo é quase sólido
e nem sabe
👁️ 65
Cachoeira da vida em sono desatado
e nas encostas do sonho
assim como uma nascente
o futuro é quase um rio
de extravagante corrente
que sobe e desce o espaço
na vontade do vivente
e perde-se inteiro no sono
nas cachoeiras da gente
é difícil navegar exato
nas oníricas vertentes
assim como uma nascente
o futuro é quase um rio
de extravagante corrente
que sobe e desce o espaço
na vontade do vivente
e perde-se inteiro no sono
nas cachoeiras da gente
é difícil navegar exato
nas oníricas vertentes
👁️ 93
Do povo como tangente
o povo
escrito na praça
é um verbo isento
da mordaça
os passos
ensaiam o futuro
como um manifesto
valor-de-uso
e a história bóia na rua
como uma bandeira exata
de todas as larguras
escrito na praça
é um verbo isento
da mordaça
os passos
ensaiam o futuro
como um manifesto
valor-de-uso
e a história bóia na rua
como uma bandeira exata
de todas as larguras
👁️ 81
Inteligência em artificiais escambos
artificial
a inteligência estaca
nos meandros vocais
da máquina
sussura
renitente e escolástica
algoritmos incapazes
da prática
e o homem desata
como figurante
todos os nós
da primitiva e artificial jornada
a inteligência estaca
nos meandros vocais
da máquina
sussura
renitente e escolástica
algoritmos incapazes
da prática
e o homem desata
como figurante
todos os nós
da primitiva e artificial jornada
👁️ 43
Comentários (10)
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Ademir D.Zanotelli *Poeta*
2026-01-31
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
AurelioAquino
2026-01-17
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
2025-12-04
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
2025-02-27
Abração !
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
Português
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Español
Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.