Lista de Poemas
Dos mortos em vívida jornada
os mortos agitam
a urgência declara
o inventário de si
no dorso das palavras
restam vividos
em alheios sentidos
em todas as açōes
que construíram
penduradas no mundo
de que, assim, partiram
o morto é só um vivo
que não está consigo
Kahlil Gerges Bechara em tâmaras urgentes
na verdade sentia
todas as tâmaras
que o Líbano dizia
e o gosto da pátria
debruçava na língua
como uma lembrança digesta
das oitivas da vida
Do amor em vínculo recorrente
nos palmos da vida
é exercer o outro
em desmedidas
em que cada nexo
é um imenso laço
e a confluência exata
de nosso abraço
amar é um gorjeio abstrato
de todos nossos pássaros
Sertōes roçados em humana glosa
nos braços do tempo
é um sol disfarçado
impunemente
os desertos de si
ardem em arremedo
no roçado de homens
que vivem seu medo
o sertão é quase um comício
da terra em seu enredo
Das cirandas da vida
é um abraço incontido
que o povo cantando dá
nos abraços do infinito
é um canto declarado
das incertezas da vida
e do desejo de leva-las
às certezas que consiga
a ciranda é só um passo
da felicidade coletiva
Da passeata em procissão avessa
é uma procissão avessa
todas as rezas
são punhos sem promessas
tudo que a tange
é uma vontade expressa
de construir o futuro
nas ruas que atravessa
a passeata é só uma procissão
dos gritos da paciência
Das contumazes brechas do destino
postos no horizonte
nem sempre igualam-se
aos desejos quânticos
a vontade
é uma alavanca lúdica
que exercita futuros
nos rumos que executa
o itinerário da vida
é só um destinatário
dos correios indizíveis
do nosso inventário
Da quadratura circular da reta
o lápis manifesta
a ingênua intrusão
de uma geometria avessa
a sombra no papel
sorrateira, manifesta
a improvável visão
da quadratura circular da reta
as hipotenusas, indefesas
restam no papel
embrulhadas na incerteza
Das coletivas nuvens da vida
é uma bandeira difusa
dos céus atravessados
pela constância da luta
assim como nublada
nem adivinha
as nuvens mais densas
daqueles que caminham
é que os rompantes do tempo
quando coletivos dão-se à vida
tendem às tempestades
das nuvens em que se criam
Viveres em contrações e largos
é um resumo incontido
de todos os detalhes
do infinito
espalhar-se na vida
é detalhar esse resumo
e tangê-lo impune
pelas costas do mundo
Comentários (10)
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
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Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.